“A CADA MINUTO NASCE UM OTÁRIO” – Carl Sagan

Procuro um artigo “O Pofessor de Javanês”, baseado no conto de Lima Barreto, mas muito mais engraçado, escrito por alguém mais versátil, muito bom na língua portuguesa.

O homem que sabia javanês

Lima Barreto (novaescola@fvc.org.br)

Ilustrações Alexandre Camanho
Ilustração Alexandre Camanho

Em uma confeitaria, certa vez, ao meu amigo Castro, contava eu as partidas que havia pregado às convicções e às respeitabilidades para poder viver.

Houve mesmo, uma dada ocasião, quando estive em Manaus, em que fui obrigado a esconder a minha qualidade de bacharel, para mais confiança obter dos clientes, que afluíam ao meu escritório de feiticeiro e adivinho. Contava eu isso.

O meu amigo ouvia-me calado, embevecido, gostando daquele meu Gil Blas vivido, até que, em uma pausa da conversa, ao esgotarmos os copos, observou a esmo:

– Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo!

– Só assim se pode viver… Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras, aborrece, não achas? Não sei como me tenho agüentado lá, no consulado!

– Cansa-se; mas não é disso que me admiro. O que me admira é que tenhas corrido tantas aventuras aqui, neste Brasil imbecil e burocrático.

– Qual! Aqui mesmo, meu caro Castro, se podem arranjar belas páginas de vida. Imagina tu que eu já fui professor de javanês!

– Quando? Aqui, depois que voltaste do consulado?

– Não; antes. E, por sinal, fui nomeado cônsul por isso.

– Conta lá como foi. Bebes mais cerveja?

– Bebo.

Mandamos buscar mais outra garrafa, enchemos os copos e continuei:

– Eu tinha chegado havia pouco ao Rio e estava literalmente na miséria. Vivia fugido de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro, quando li no Jornal do Comércio o anúncio seguinte:

“Precisa-se de um professor de língua javanesa. Cartas etc.” Ora, disse cá comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os “cadáveres”. Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-me pedir a Grande Encyclopédie, letra J, a fim de consultar o artigo relativo a Java e à língua javanesa. Dito e feito. Fiquei sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico, possuía uma literatura digna de nota e escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu.
A Encyclopédie dava-me indicação de trabalhos sobre a tal língua malaia e não tive dúvidas em consultar um deles. Copiei o alfabeto, a sua pronunciação figurada e saí. Andei pelas ruas, perambulando e mastigando letras.

Na minha cabeça dançavam hieróglifos; de quando em quando consultava as minhas notas; entrava nos jardins e escrevia estes calungas na areia para guardá-los bem na memória e habituar a mão a escrevê-los.

À noite, quando pude entrar em casa sem ser visto, para evitar indiscretas perguntas do encarregado, ainda continuei no quarto a engolir o meu “a-b-c” malaio, e com tanto afinco levei o propósito que, de manhã, o sabia perfeitamente.

Convenci-me que aquela era a língua mais fácil do mundo e saí; mas não tão cedo que não me encontrasse com o encarregado dos aluguéis dos cômodos:

– Senhor Castelo, quando salda a sua conta?

Respondi-lhe então eu, com a mais encantadora esperança:

– Breve… Espere um pouco… Tenha paciência… Vou ser nomeado professor de javanês, e…

Por aí o homem interrompeu-me:

– Que diabo vem a ser isso, Senhor Castelo?

Ilustração Alexandre Camanho
Ilustração Alexandre Camanho

Gostei da diversão e ataquei o patriotismo do homem:

– É uma língua que se fala lá pelas bandas do Timor. Sabe onde é?

Oh! alma ingênua! O homem esqueceu-se da minha dívida e disse-me com aquele falar forte dos portugueses:

– Eu, cá por mim, não sei bem; mas ouvi dizer que são umas terras que temos lá para os lados de Macau. E o senhor sabe isso, Senhor Castelo?

Animado com esta saída feliz que me deu o javanês, voltei a procurar o anúncio. Lá estava ele. Resolvi animosamente propor-me ao professorado do idioma oceânico. Redigi a resposta, passei pelo jornal e lá deixei a carta. Em seguida, voltei à biblioteca e continuei os meus estudos de javanês. Não fiz grandes progressos nesse dia, não sei se por julgar o alfabeto javanês o único saber necessário a um professor de língua malaia ou se por ter me empenhado mais na bibliografia e história literária do idioma que ia ensinar.

Ao cabo de dois dias, recebia eu uma carta para ir falar ao doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga, à rua Conde de Bonfim, não me recordo bem que número. É preciso não te esqueceres que entrementes continuei estudando o meu malaio, isto é, o tal javanês. Além do alfabeto, fiquei sabendo o nome de alguns autores, também perguntar e responder “como está o senhor?” – e duas ou três regras de gramática, lastrado todo esse saber com vinte palavras do léxico.

Não imaginas as grandes dificuldades com que lutei para arranjar os quatrocentos réis da viagem! É mais fácil – podes ficar certo – aprender o javanês… Fui a pé. Cheguei suadíssimo; e, com maternal carinho, as anosas mangueiras, que se perfilavam em alameda diante da casa do titular, me receberam, me acolheram e me reconfortaram. Em toda a minha vida, foi o único momento em que cheguei a sentir a simpatia da natureza…

Era uma casa enorme que parecia estar deserta; estava maltratada, mas não sei por que me veio pensar que nesse mau tratamento havia mais desleixo e cansaço de viver que mesmo pobreza. Devia haver anos que não era pintada. As paredes descascavam e os beirais do telhado, daquelas telhas vidradas de outros tempos, estavam desguarnecidos aqui e ali, como dentaduras decadentes ou malcuidadas.

Olhei um pouco o jardim e vi a pujança vingativa com que a tiririca e o carrapicho tinham expulsado os tinhorões e as begônias. Os crótons continuavam, porém, a viver com a sua folhagem de cores mortiças. Bati. Custaram-me a abrir. Veio, por fim, um antigo preto africano, cujas barbas e cabelo de algodão davam à sua fisionomia uma aguda impressão de velhice, doçura e sofrimento.

Na sala, havia uma galeria de retratos: arrogantes senhores de barba em colar se perfilavam enquadrados em imensas molduras douradas, e doces perfis de senhoras, em bandós, com grandes leques, pareciam querer subir aos ares, enfunadas pelos redondos vestidos à balão; mas, daquelas velhas coisas, sobre as quais a poeira punha mais antiguidade e respeito, a que gostei mais de ver foi um belo jarrão de porcelana da China ou da Índia, como se diz. Aquela pureza da louça, a sua fragilidade, a
ingenuidade do desenho e aquele seu fosco brilho de luar diziam-me a mim que aquele objeto tinha sido feito por mãos de criança, a sonhar, para encanto dos olhos fatigados dos velhos desiludidos…

Esperei um instante o dono da casa. Tardou um pouco. Um tanto trôpego, com o lenço de alcobaça na mão, tomando veneravelmente o simonte de antanho, foi cheio de respeito que o vi chegar. Tive vontade de ir-me embora. Mesmo se não fosse ele o discípulo, era sempre um crime mistificar aquele ancião, cuja velhice trazia à tona do meu pensamento alguma coisa de augusto, de sagrado. Hesitei, mas fiquei.

– Eu sou – avancei – o professor de javanês, que o senhor disse precisar.

– Sente-se – respondeu-me o velho. – O senhor é daqui, do Rio?

– Não, sou de Canavieiras.

– Como? – fez ele. – Fale um pouco alto, que sou surdo.

– Sou de Canavieiras, na Bahia – insisti eu.

– Onde fez os seus estudos?

– Em São Salvador.

– E onde aprendeu o javanês? – indagou ele, com aquela teimosia peculiar aos velhos.

Não contava com essa pergunta, mas imediatamente arquitetei uma mentira. Contei-lhe que meu pai era javanês. Tripulante de um navio mercante, viera ter à Bahia, estabelecera-se nas proximidades de Canavieiras como pescador, casara, prosperara e fora com ele que aprendi javanês.

– E ele acreditou? E o físico? – perguntou meu amigo, que até então me ouvira calado.

– Não sou – objetei – lá muito diferente de um javanês. Estes meus cabelos corridos, duros e grossos e a minha pele basané podem dar-me muito bem o aspecto de um mestiço de malaio…Tu sabes bem que, entre nós, há de tudo: índios, malaios, taitianos, malgaches, guanches, até godos. É uma comparsaria de raças e tipos de fazer inveja ao mundo inteiro.

– Bem – fez o meu amigo -, continua.

– O velho – emendei eu – ouviu-me atentamente, considerou demoradamente o meu físico, pareceu que me julgava de fato filho de malaio e perguntou-me com doçura:

– Então está disposto a ensinar-me javanês?

– A resposta saiu-me sem querer: Pois não.

– O senhor há de ficar admirado – aduziu o Barão de Jacuecanga – que eu, nesta idade, ainda queira aprender qualquer coisa, mas…

– Não tenho que admirar. Têm-se visto exemplos e exemplos muito fecundos…

– O que eu quero, meu caro senhor…

– Castelo – adiantei eu.

– O que eu quero, meu caro Senhor Castelo, é cumprir um juramento de família. Não sei se o senhor sabe que eu sou neto do Conselheiro Albernaz, aquele que acompanhou Pedro I, quando abdicou. Voltando de Londres, trouxe para aqui um livro em língua esquisita, a que tinha grande estimação. Fora um hindu ou siamês que lho dera, em Londres, em agradecimento a não sei que serviço prestado por meu avô. Ao morrer meu avô, chamou meu pai e lhe disse: “Filho, tenho este livro aqui, escrito em javanês. Disse-me quem mo deu que ele evita desgraças e traz felicidades para quem o tem. Eu não sei nada ao certo. Em todo caso, guarda-o; mas, se queres que o fado que me deitou o sábio oriental se cumpra, faze com que teu filho o entenda, para que sempre a nossa raça seja feliz”. Meu pai – continuou o velho barão – não acreditou muito na história; contudo, guardou o livro. Às portas da morte, ele mo deu e disse-me o que prometera ao pai. Em começo, pouco caso fiz da história do livro. Deitei-o a um canto e fabriquei minha vida. Cheguei até a esquecer-me dele; mas, de uns tempos a esta parte, tenho passado por tanto desgosto, tantas desgraças têm caído sobre a minha velhice que me 1embrei do talismã da família. Tenho que o ler, que o compreender, se não quero que os meus últimos dias anunciem o desastre da minha posteridade; e, para atendê-lo, é claro que preciso entender o javanês. Eis aí.

Calou-se e notei que os olhos do velho se tinham orvalhado. Enxugou discretamente os olhos e perguntoume se queria ver o tal livro. Respondi-lhe que sim. Chamou o criado, deu-lhe as instruções e explicou-me que perdera todos os filhos, sobrinhos, só lhe restando uma filha casada, cuja prole, porém, estava reduzida a um filho, débil de corpo e de saúde frágil e oscilante.

Veio o livro. Era um velho calhamaço, um in- quarto antigo, encadernado em couro, impresso em grandes letras, em um papel amarelado e grosso. Faltava a folha do rosto e por isso não se podia ler a data da impressão.

Tinha ainda umas páginas de prefácio, escritas em inglês, onde li que se tratava das histórias do príncipe Kulanga, escritor javanês de muito mérito.

Logo informei disso o velho barão, que, não percebendo que eu tinha chegado aí pelo inglês, ficou tendo em alta consideração o meu saber malaio. Estive ainda folheando o cartapácio, à laia de quem sabe magistralmente aquela espécie de vasconço, até que afinal contratamos as condições de preço e de hora, comprometendo-me a fazer com que ele lesse o tal alfarrábio antes de um ano.

Dentro em pouco, dava a minha primeira lição, mas o velho não foi tão diligente quanto eu. Não conseguia aprender a distinguir e a escrever nem sequer quatro letras. Enfim, com metade do alfabeto levamos um mês e o Senhor Barão de Jacuecanga não ficou lá muito senhor da matéria: aprendia e desaprendia.

A filha e o genro (penso que até aí nada sabiam da história do livro) vieram a ter notícias do estudo do velho; não se incomodaram. Acharam graça e julgaram a coisa boa para distraí-lo.

Mas com o que tu vais ficar assombrado, meu caro Castro, é com a admiração que o genro ficou tendo pelo professor de javanês. Que coisa única! Ele não se cansava de repetir: “É um assombro! Tão moço! Se eu soubesse isso, ah! onde estava!”

O marido de Dona Maria da Glória (assim se chamava a filha do barão) era desembargador, homem relacionado e poderoso; mas não se pejava em mostrar diante de todo o mundo a sua admiração pelo meu javanês. Por outro lado, o barão estava contentíssimo. Ao fim de dois meses, desistira da aprendizagem e pedira-me que lhe traduzisse,
um dia sim outro não, um trecho do livro encantado. Bastava entendê-lo, disse-me ele; nada se opunha que outrem o traduzisse e ele ouvisse. Assim evitava a fadiga do estudo e cumpria o encargo.

Sabes bem que até hoje nada sei de javanês, mas compus umas histórias bem tolas e impingi-as ao velhote como sendo do crônicon. Como ele ouvia aquelas bobagens!

Ficava extático, como se estivesse a ouvir palavras de um anjo. E eu crescia aos seus olhos!

Fez-me morar em sua casa, enchia-me de presentes, aumentava-me o ordenado. Passava, enfim, uma vida regalada.

Contribuiu muito para isso o fato de vir ele a receber uma herança de um seu parente esquecido que vivia em Portugal. O bom velho atribuiu a coisa ao meu javanês; e eu estive quase a crê-lo também.

Fui perdendo os remorsos; mas, em todo o caso, sempre tive medo que me aparecesse pela frente alguém que soubesse o tal patuá malaio. E esse meu temor foi grande, quando o doce barão me mandou com uma carta ao Visconde de Caruru para que me fizesse entrar na diplomacia. Fiz-lhe todas as objeções: a minha fealdade, a falta de elegância, o meu aspecto tagalo. “Qual!”, retrucava ele. “Vá, menino; você sabe javanês!” Fui. Mandou-me o visconde para a Secretaria dos Estrangeiros com diversas recomendações. Foi um sucesso.

O diretor chamou os chefes de seção: “Vejam só, um homem que sabe javanês – que portento!”

Os chefes de seção levaram-me aos oficiais e amanuenses e houve um destes que me olhou mais com ódio do que com inveja ou admiração. E todos diziam: “Então sabe javanês? É difícil? Não há quem o saiba aqui!”

O tal amanuense, que me olhou com ódio, acudiu então: “É verdade, mas eu sei canaque. O senhor sabe?” Disse-lhe que não e fui à presença do ministro.

A alta autoridade levantou-se, pôs as mãos às cadeiras, concertou o pince-nez no nariz e perguntou: “Então, sabe javanês?” Respondi-lhe que sim; e, à sua pergunta onde o tinha aprendido, contei-lhe a história do tal pai javanês. “Bem”, disse-me o ministro, “o senhor não deve ir para a diplomacia; o seu físico não se presta… O bom seria um consulado na Ásia ou Oceania. Por ora, não há vaga, mas vou fazer uma reforma e o senhor entrará. De hoje em diante, porém, fica adido ao meu ministério e quero que, para o ano, parta para Bâle, onde vai representar o Brasil no Congresso de Lingüística. Estude, leia o Hovelacque, o Max Müller e outros!”

Imagina tu que eu até aí nada sabia de javanês, mas estava empregado e iria representar o Brasil em um congresso de sábios.

O velho barão veio a morrer, passou o livro ao genro para que o fizesse chegar ao neto, quando tivesse a idade conveniente e fez-me uma deixa no testamento.

Pus-me com afã no estudo das línguas maleopolinésicas; mas não havia meio!

Ilustração Alexandre Camanho
Ilustração Alexandre Camanho

Bem jantado, bem vestido, bem dormido, não tinha energia necessária para fazer entrar na cachola aquelas coisas esquisitas. Comprei livros, assinei revistas: Revue Anthropologique et Linguistique, Proceedings of the English-Oceanic Association, Archivo Glottologico Italiano, o diabo, mas nada! E a minha fama crescia. Na rua, os informados apontavam-me, dizendo aos outros: “Lá vai o sujeito que sabe javanês.” Nas livrarias, os gramáticos consultavam-me sobre a colocação dos pronomes no tal jargão das ilhas de Sonda. Recebia cartas dos eruditos do interior, os jornais citavam o meu saber e recusei aceitar uma turma de alunos sequiosos de entenderem o tal javanês. A convite da redação, escrevi, no Jornal do Comércio, um artigo de quatro colunas sobre a literatura javanesa antiga e moderna…

– Como, se tu nada sabias? – interrompeu-me o atento Castro.

– Muito simplesmente: primeiramente, descrevi a ilha de Java, com o auxílio de dicionários e umas poucas de geografias, e depois citei a mais não poder.

– E nunca duvidaram? – perguntou-me ainda o meu amigo.

– Nunca. Isto é, uma vez quase fico perdido. A polícia prendeu um sujeito, um marujo, um tipo bronzeado que só falava uma língua esquisita. Chamaram diversos intérpretes, ninguém o entendia. Fui também chamado, com todos os respeitos que a minha sabedoria merecia, naturalmente. Demorei-me em ir, mas fui afinal. O homem já estava solto, graças à intervenção do cônsul holandês, a quem ele se fez compreender com meia dúzia de palavras holandesas. E o tal marujo era javanês – uf!

Chegou, enfim, a época do congresso, e lá fui para a Europa. Que delícia! Assisti à inauguração e às sessões preparatórias. Inscreveram-me na seção do tupi-guarani e eu abalei para Paris. Antes, porém, fiz publicar no Mensageiro de Bâle o meu retrato, notas biográficas e bibliográficas. Quando voltei, o presidente pediu-me desculpas por me ter dado aquela seção; não conhecia os meus trabalhos e julgara que, por ser eu americano brasileiro, me estava naturalmente indicada a seção do tupi-guarani. Aceitei as explicações e até hoje ainda não pude escrever as minhas obras sobre o javanês, para lhe mandar, conforme prometi.

Acabado o congresso, fiz publicar extratos do artigo do Mensageiro de Bâle, em Berlim, em Turim e Paris, onde os leitores de minhas obras me ofereceram um banquete, presidido pelo Senador Gorot. Custou-me toda essa brincadeira, inclusive o banquete que me foi oferecido, cerca de dez mil francos, quase toda a herança do crédulo e bom Barão de Jacuecanga.

Não perdi meu tempo nem meu dinheiro. Passei a ser uma glória nacional e, ao saltar no cais Pharoux, recebi uma ovação de todas as classes sociais e o presidente da república, dias depois, convidava-me para almoçar em sua companhia.

Dentro de seis meses fui despachado cônsul em Havana, onde estive seis anos e para onde voltarei, a fim de aperfeiçoar os meus estudos das línguas da Malaia, Melanésia e Polinésia.

– É fantástico – observou Castro, agarrando o copo de cerveja.

– Olha: se não fosse estar contente, sabes que ia ser?

– Quê?

– Bacteriologista eminente. Vamos?

– Vamos.

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Sobre OTÁRIOS, além da maioria dos brasileiros lulistas, podemos citar o livro de Carl Sagan, definitivamente.

Carl Sagan foi um cientista que mais difundiu a ASTRONOMIA no mundo. Escreveu cerca de meia centena de livros, a maioria dissertando sobre astronomia em linguagem popular. Seu mais notável livro, no meu entender, foi “O Mundo Assombrado pelos Demônios”. Este livro é execrado, “proibido”, “excomungado” e todos os etcéteras cabíveis e imagináveis…

Sobre ele, quando eu estava em Resende (na AMAN), lia e ouvia que em Recife estavam fazendo a materialização dos espíritos. Quando eu chegava em Recife, lia que em Rezende estavam fazendo a materialização dos espíritos… Imaginei que o professor de javanês era uma realidade no Brasil de vasto território….

Assisti na TV um dos últimos programas de entrevista de Ariano Suassuna, amigo nosso de Recife, autor, dentre outras obras, de “A Pedra do Reino”, que meu irmão, da Sinfônica do Recife, Jarbas Maciel, compôs a música, afirmar que não acreditava na Astronomia: era uma coisa impossível, as leis de Kepler, a teoria de Copérnico, Galileu, Newton, o homem na Lua, etc.etc. Isto em pleno século XX1. Mas Ariano, salvo seu gênio artístico e enorme capacidade de imaginação, não era formado em nenhum ramo técnico, matemático, muito menos astronomia. Mas, muito mais surpreendente, foi ouvir do grande filósofo Olavo de Carvalho mais ou menos a mesma coisa…

O livro de Sagan, “O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência Vista como uma Vela no Escuro” – Companhia das Letras, versão eletrônica (eBook) deve ser lido com toda a atenção. com ajuda do computador. Um livro lido sem a ajuda do computador é brincadeira… você, no meio da leitura, precisa consultar a farsa de um Uri Geller… no computador (search), você rapidamente acha, e assim por diante, assuntos, nomes, referências, assuntos, tudo.  Desde 1970 que eu ouvia falar nos seus “fantásticos poderes”. Reconhecido em todo o mundo, ele era a prova do poder sobrenatural. Carl Sagan provou que ele era fruto da enorme natureza de otário do ser humano… Conheci um empresário aqui no Brasil que afirmava levitar; era um cara sério, respeitável, escritor de mais de 15 livros, sendo um deles “A Saga dos Capelinos” – Albert Paul Dahoui (procure na Internet suas palestras, conferências, livros e apresentações)..

No livro de Carl Sagan acima referido, capítulo 23, ele trata das equações de Maxwell, que produziram o fantástico desenvolvimento tecnológico atual. Para compreende-lo, lá vai uma vasta base matemática, principalmente de álgebra vetorial.

A teoria especial da relatividade deve as suas origens às equações de Maxwell sobre o campo eletromagnético.

A teoria especial da relatividade deve as suas origens às equações de Maxwell sobre o campo eletromagnético. Maxell enunciou sua teoria e somente cerca de 10 anos depois Hertz a comprovou em laboratório.

O milionário James Randi ofereceu um milhão de dólares para quem provasse suas mentiras…
Do Google, tiramos:

James Randi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Este artigo ou secção está a ser traduzido (desde agosto de 2013). Ajude e colabore com a tradução.
James Randi

Também conhecido como: The Amazing Randi

Nome completo Randall James Hamilton Zwinge (nascido)
Nascimento 7 de agosto de 1928 (87 anos)
Toronto, Ontario, Canadá
Nacionalidade Canadá Canadense
Estados Unidos Estadunidense
Cônjuge Deyvi Pena (casado em 2013)
Ocupação Mágico, ilusionista, escritor, cético
Religião Nenhuma (Ateismo)[1]
Página oficial
www.randi.org

James Randi (nome de nascimento Randall James Hamilton Zwinge; Toronto, Canadá, 7 de agosto de 1928) é um mágico canadense, naturalizado americano, que vive nos Estados Unidos e cético[2] [3] mais conhecido pelo seu desafio as alegações de sobrenaturalidade e pseudociência.[4] Randi é o fundador da James Randi Educational Foundation (JREF). Randi começou a sua carreira como mágico chamado The Amazing Randi, mas depois de se aposentar até a idade de 60, ele conseguiu dedicar a maior parte de seu tempo para investigar o sobrenatural, o oculto e as alegações de sobrenaturalidade, que coletivamente ele chamava de “woo-woo”.[5]

Muito embora ele fosse chamado de “desenganador” (ou debunker), Randi não gostava do termo e das conotações e preferia ser chamado de “investigador”.[6] Ele escreveu sobre a paranormalidade, o ceticismo e a história da mágica. Ele era frequentemente convidado para o The Tonight Show Starring Johnny Carson e ocasionalmente aparecia no programa de TV Penn & Teller: Bullshit!. A Fundação Educacional James Randi (JREF na sigla em inglês) patrocina o Desafio Sobrenatural de Um Milhão de Dólares oferecendo um prêmio de US$ 1 milhão aos candidatos elegíveis [7] Quem pode demonstrar evidência de qualquer evidência do paranormal, sobrenatural, ou poderes ocultos ou evento em condições de testes em acordo de ambas as partes.[8]

Explorando os poderes paranormais – Programa de TV ao vivo

Biografia[editar | editar código-fonte]

Randi nasceu em Toronto, na província de Ontario, no Canada em 7 de agosto de 1928,[9] ele filho de Marie Alice (née Paradis) e George Randall Zwinge.[10] Ele tem um irmão e uma irmã mais novos.[11] Ele começou com mágica depois de ver Harry Blackstone[12] e lendo livros de mágica enquanto ele passou 13 meses engessado após um acidente de bicicleta. Ele surpreendeu os médicos que esperavam que ele nunca mais andasse novamente.[13] Randi frequentemente cabulava aulas e aos 17, ele deixou o ensino médio para se apresentar como ilusionista em um espetáculo itinerante.[14] Ele praticava para ser um mentalista em clubes noturnos locais de Toronto na Canadian National Exhibition,e escrevia para um jornal de Montreal.[15] Por volta dos seus 20 anos, Randi se apresentava como um médium para demonstrar que ele estava na verdade fazendo pequenos truques, ele também por um curto período foi responsável por escrever uma coluna astrológica no jornal canadense Midnight com o nome de “Zo-ran,” simplesmente embaralhando os itens de colunas anteriores e colando-os aleatoriamente na coluna seguinte.[16] [17] Por volta dos seus 30 anos, Randi trabalhou nas Filipinas e em clubes noturnos por todo Japão.[18] Ele testemunhou muitos truques ali apresentados como sendo sobrenaturais. Uma de suas mais antigas experiências foi a de um evangelista usando uma versão do truque conhecido como “ler um bilhete a frente[19] que era uma técnica usada para convencer os paroquianos dos seus poderes divinos.[20]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Mágico[editar | editar código-fonte]

Garfo “entortado” por Randi

Apesar de se definir como um conjurador, a carreira de Randi como um mágico de palco,[21] e escapista que começou em 1946. No começo ele se apresentava com o seu nome real, Randall Zwinge, que mais tarde trocou por “The Amazing Randi” (O Incrível Randi). Ainda no começo de sua carreira, ele se apresentou várias vezes com números onde escapava de celas de cadeia, cofres por todo o mundo. Em 7 de fevereiro de 1956 ele apareceu ao vivo para o programa de TV The Today Show, onde ele ficou por 104 minutos selado em um caixão de metal que foi imerso em uma piscina de um hotel, assim se disse que ele quebrou o recorde de Houdini que era de 93 minutes, mas ele enfatizou que ele era 24 anos mais novo que Houdini quando ele realizou esse feito o que lhe dava uma enorme vantagem.[22] [23]

No final dos anos 60, Randi foi o apresentador do The Amazing Randi Show em Nova Iorque para a estação de rádio WOR .[24] Esse programa de rádio que preencheu o espaço deixado pelo programa de Long John Nebel que tinha um tema semelhante depois que Nebel foi para a WNBC em 1962, frequentemente convidava pessoas que defendiam o sobrenatural, entre eles o então amigo de Randi James Moseley. Randi, por sua vez falou no Quarto Congresso de Ufologia Científica de 1967 de Moseley na cidade de Nova Iorque,[25] dizendo, “Não vamos nos enganar. Há uma grande variedade de mentirosos envolvidos nisso tudo. Mas entre nós, debaixo de todo lixo e bobagem da ufologia, talvez haja um grãozinho de verdade”.”[26]

Randi também apresentou inúmeros especiais para a TV e também esteve em várias turnês mundiais. Como “The Amazing Randi” (“O Espetacular Randi“) ele se apresentava regularmente na série de TV novaiorquina Wonderama de 1959 a 1967.[27] Ele também foi o apresentador do retorno da série de TV dos anos 50 nos anos 70 chamada The Magic Clown , muito embora o programa teve uma curta temporada.[28] Na edição de 2 de fevereiro de 1974 da revista de mágica Abracadabra,Randi, definiu a comunidade de mágicos dizendo, “Eu não conheço nenhuma atividade que dependa tando de confiança mutua e fé como a nossa.” Na edição de dezembro de 2003 da revista “The Linking Ring“, uma publicação bimestral da The International Brotherhood of Magicians, no artigo de “Pontos a Considerar: Outra questão de ética” na página 97 é dito que “Talvez a ética de Randi é o que o torna Espetacular” e “O Amazing Randi não só fala sobre ética, mas a pratica”.

Durante a turnê de 1973-1974 de Alice Cooper , Randi atuou no palco como o dentista e carrasco de Alice.[29] Ele também desenhou construiu diversos dos aparatos cenográficos, incluindo a guilhotina.[30] [31] Logo depois disso em 1976 em uma apresentação para o especial da TV canadense World of Wizards, Randi escapou de uma camisa de força, enquanto se encontrava suspenso de cabeça para baixo sobre as Cataratas do Niágara.[32]

Randi foi acusado de usar poderes sobrenaturais genuínos ao fazer truques como entortar colheres. De acordo com James Alcock, em uma reunião onde Randi estava duplicando os truques de Uri Geller, um professor da Universidade de Buffalo, gritou que Randi era uma fraude, ao que Randi respondeu, “Sim, de fato. Eu sou um enganador, sou um trapaceiro, sou um charlatão, é esse meu meio de vida. Tudo o que eu fiz aqui foi conseguido através de truques.”. Ao que o o professor rebateu: “Não foi isso o que eu quis dizer. Você é uma fraude porque você está fingindo que está fazendo essas coisas através de truques, mas na verdade você está usando poderes sobrenaturais e nos enganando, por não admitir isso.”[33] Um episódio semelhante envolveu o senador Claiborne Pell, um crente no fenômeno paranormal. Quando Randi demonstrou pessoalmente a Pell que ele poderia revelar o conteúdo de um desenho dentro de um envelope que havia sido feito pelo senador, simplesmente usando truques, Pell se recusou a acreditar que era um truque, dizendo, “Eu acho que Randi tem poderes sobrenaturais e não se dá conta disso.” Até hoje Randi tem consistentemente negado possuir quaisquer habilidades ou poderes paranormais.[34]

Autor[editar | editar código-fonte]

Randi é autor de 10 livros, entre eles Conjuring (1992), uma história biográfica de alguns mágicos famosos. O livro que tem o subtítulo “The book is subtitled: Being a Definitive History of the Venerable Arts of Sorcery, Prestidigitation, Wizardry, Deception, & Chicanery and of the Mountebanks & Scoundrels Who have Perpetrated these Subterfuges on a Bewildered Public, in short, MAGIC!” (“Um guia definitivo da história da venerável arte da bruxaria, prestidigitação, feitiçaria, enganação, e chicana e dos saltimbancos e salafrários que perpetraram esses subterfúgios para a perplexidade do público, em outras palavras, MÁGICA!” ), a capa ainda diz “Por James Randi, um arrependido canalha dedicado a essas práticas malignas, mas que agora está quase totalmente recuperado.” O livro seleciona os mais influentes mágicos e conta suas estórias no contexto de estranhas mortes e carreiras na estrada. Esse trabalho foi expandido em um segundo livro chamado Houdini, His Life and Art. (Houdini, Sua vida e Arte) [35] Esse trabalho ilustrado foi publicado em 1976 e teve a co-autoria de Bert Sugar. Ele foca na vida profissional e pessoa de Houdini.[36]

Randi também escreveu um livro infantil em 1989 entitulado The Magic World of the Amazing Randi (“O Mundo Mágido do Espetacular Randi”), em que ele ensina truques para crianças. Além dos seus livros sobre mágica, ele escreveu diversos livros sobre a paranormalidade e a pseudociência. Isso iclui as biografias de Uri Geller e Nostradamus assim como materiais de referências para outras grandes personalidades do mundo paranormal. O seu mais recente trabalho que está em andamento é intitulado A Magician in the Laboratory (Um mágico em um laboratório), em que ele conta a sua aplicação do ceticismo a ciência. Randi, James. “Teleportation Magic Established By Science, At Last!”. Swift (Blog). JREF. Consultado em January 19, 2011. </ref>

Ele é membro do clube literário Trap Door Spiders, que serviu de base para o grupo ficcional de solução de mistérios usado por Isaac Asimov chamado Black Widowers.[37]

Outros livros são Flim-Flam! (1982) e The Faith Healers (1987).

Cético[editar | editar código-fonte]

O Livro de Randi chamado A Verdade Sobre Uri Geller (1982)

Randi chamou a atenção da mídia internacional quando em 1972 ele publicamente desafiou as alegações de Uri Geller. Randi acusou Geller de não ser nada mais do que um charlatão e uma fraude que usava truques comuns de mágica ilusionismo para conseguir os alegados feitos sobrenaturais, e apresentou as suas críticas no livro Truth About Uri Geller (1982) (‘A verdade Sobre Uri Geller’).[20] [38]

Geller processou Randi pedindo US$ 15 milhões como reparação em 1991 e perdeu.[39] Geller então processou o for Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (CSICOP) que foi perdido em 1995, e ainda foi sentenciado a pagar US$ 120 mil por ter acionado o judiciário por motivo fútil.[40] Randi também refutou as alegações de que Geller era capaz de fazer um tipo de fotografia psíquica que ficou famosa no caso de Ted Serios. Randi argumentou que era fácil reproduzir os efeitos usando um dispositivo ótico escondido na mão.

Randi foi o fundador e proeminente membro do CSICOP,[41] Durante o período da disputa judicial contra Geller, a diretoria do CSICOP tentando evitar mais problemas com Geller, pediu a Randi que ele evitasse comentar o assunto. Randi se recusou e se afastou, mas manteve um relacionamento respeitoso com o grupo, que em 2006 trocou o seu nome para Committee for Skeptical Inquiry. Em 2010, Randi foi um dos 16 novos membros que fundaram o CSIe foi eleito para o comitê diretor.[42]

Randi continuou escrevendo vários livros criticando as crenças e alegações de paranormalidade.[43] Ele também demonstrou falhas em estudos que sugeriam a existência de fenômenos sobrenaturais reais; em seu Projeto Alpha, Randi revelou que ele conseguiu infiltrar uma dupla de mágicos por três anos em uma pesquisa paranormal sem que eles fossem detectados.[44] A peça pregada por Randi se tornou um escândalo e demonstrou como eram falhas as pesquisas realizadas por vários institutos de pesquisas paranormais em nível universitário”

Randi apareceu em vários programas de TV, algumas vezes desmascarando diretamente as alegadas habilidades dos convidados. Em 1981 em uma aparição no programa de TV That’s My Line, Randi confrontou o paranormal James Hydrick, que dizia ter poderes telecinéticos como os de mover páginas de uma lista telefônica e fazia demonstrações dessas habilidades ao vivo em programas de TV.[45] Randi, demonstrou que Hydrick estava movendo as páginas soprando-as discretamente por entre os lábios levemente abertos. Para isso ele colocou pequenos pedaços de isopor na mesa a frente da lista telefônica para a demonstração. Isso fez com que Hydrick não pudesse mais demonstrar seu “dom” sem soprar também o isopor.[46] Randi depois escreveu que Hydrick “confessou tudo.”[45]

Randi speaks at the 1983 CSICOP Conference in Buffalo, NY

Randi recebeu o prêmio da MacArthur Foundation chamado Fellowship em 1986. O dinheiro pago por 5 anos permitiu a Randi a desmascarar outros curandeiros da fé, incluindo W. V. Grant, Ernest Angley, e Peter Popoff, a quem Randi primeiramente desmascarou no programa de TV noturo The Tonight Show com Johnny Carson em fevereiro de 1986. Carson ficou sabendo da investigação que Randi estava conduzindo a respeito de Peter Popoff, e convidou Randi para o seu Talk Show noturno sem que ele soubesse como ele seria desmascarado. Carson ficou chocado quando Randi mostrou um pequeno trecho de vídeo aos seus telespectadores onde Popoff chamava uma mulher da platéia da igreja, e começava a dizer informações pessoais sobre ela dizendo que essas informações vinham diretamente de Deus, enquanto ele sobrepunha suas mãos em cima da mulher e afirmava estar expulsando os demônios dela. Randi então tocou o mesmo trecho mais uma vez, mas dessa vez com a sobreposição de som que foi capturado durante o evento através de um rastreador de sinais de rádio. O rastreador detectou a frequências que era usada por Elizabeth, a esposa de Popoff usava enquanto ela estava atrás do palco para enviar através de um rádio as informações pessoais preenchidas pelos participantes e coletadas por assistentes antes do evento. Essas informações eram chamadas de “cartões de orações” (Prayer Cards), onde os fiéis eram instruídos a preencher dados como nome, endereço, e doença que desejavam curar para que Popoff pudesse rezar por eles.[47] [48] [49]

A cobertura jornalística gerada pelo desmascaramento feita no The Tonight Show fez com que várias estações de TV deixassem de exibir os programas religiosos de Popoff na TV, o que o levou a falência em 1987.[50] Entretanto, o televangelista voltou ao ar uma década depois através de comerciais pagos e chegou a arrecadar US$ 23 milhões em 2005, de telespectadores que lhe enviavam dinheiro pela promessa de cura e prosperidade. O programa de TV Think Again! TV do Centro Canadense Para a Investigação documentou uma das apresentações recentes de Popoff que aconteceu diante de uma grande platéia que esperava ser salva da doença e da pobreza em Toronto em 26 de maio de de 2011.[51]

Em 1988, Randi testou a ingenuidade da mídia, criando o seu próprio embuste. Com a colaboração do time da versão australiana do programa de TV 60 Minutes e enviando Comuicados de Imprensa para os veículos de comunicação, ele conseguiu gerar publicidade para um médium chamado Carlos que na verdade era o ator José Alvarez, um amigo de Randi.[52] Randi o orientava através de um ponto eletrônico. O programa 60 Minutes sobre o “Carlos Hoax”, afirmou “Carlos não teria conseguido encher o Opera House (e as possíveis vendas de ingressos) se a cobertura da mídia tivesse sido mais agressiva e investigasse os fatos”. Entretanto o jornalista da revista The Skeptic Tim Mendham concluiu que a cobertura da mídia sobre o caso Alvarez não foi crédula, mas mostrou que ela se beneficiaria se tivesse adotado uma abordagem mais cética.[53] O embuste foi revelado no programa 60 Minutes; Carlos e Randi explicaram como eles conseguiram chamar a atenção da mídia e fazer os truques.[54] [55]

Em seu livro The Faith Healers (‘Os curandeiros da Fé’), Randi escreveu que sua raiva e incansável luta contra a superstição vem da compaixão pelas vítimas de fraude. Randi tem sido um forte crítico do médium João de Deus, que é um auto proclamado cirurgião espiritual que recebeu bastante atenção internacional.[56] Randi comentando sobre as cirurgias espirituais disse: ” Para qualquer ilusionista experiente, os métodos que são usados para fazer esses milagres aparentes são bem óbvios”.”[57]

Em 1982, Randi verificou as alegações de Arthur Lintgen, um médico da Filadélfia que afirmava ser capaz de determinar a música clássica gravada em um disco de vinil apenas olhando para os sulcos do disco. Entretanto ele não afirmava ter nenhum poder sobrenatural, apenas afirmava saber a maneira que os padrões que os sulcos formavam em certos tipos de gravações. Ele demonstrou ser mesmo capaz de reconhecer as gravações desde que fossem de músicas clássicas compostas por Beethoven.[58]

James Randi afirmou que Daniel Dunglas Home, que era conhecido por supostamente tocar um acordeão que estava trancado em uma gaiola sem tocá-la fisicamente, foi pego trapaceando em algumas ocasiões, mas os incidentes não foram levados a público. Ele também afirmou que o acordeão em questão era uma gaita de uma oitava que podia ser ocultada debaixo do grande bigode de Home.Ele ainda afirmou que várias gaitas de boca foram encontradas em seus pertences depois de sua morte.[59]

Randi faz uma distinção entre pseudociência e “crackpot science” (ciência de malucos). Ele acha que a maior parte da parapsicologia é pseudociência por causa da maneira como os experimentos são conduzidos, mas não que o assunto não seja digno de uma legítima investigação científica que que essa investigação deve ser feita, e dela uma série de verdadeiras descobertas científicas podem advir.[60] Mas Randi afirma que a “crackpot science” como sendo “igualmente incorreta” como pseudociência, mas sem pretenções de ser realmente científica.[61]

Explorando os poderes paranormais – Programa de TV ao vivo[editar | editar código-fonte]

Randi participou do programa de TV ao vivo “Exploring Psychic Powers…” (Explorando os Poderes Paranormais) que foi um programa transmitido ao vivo em 7 de junho de 1989 onde Randi examinava uma série de pessoas que afirmavam ter poderes sobrenaturais. Eles ofereciam na época 100 mil dólares (o que na época era um prêmio de 10 mil de Randi e um adicional de 90 mil pagos pela emissora responsável LBS Communications, Inc.[62] ) para qualquer um que conseguisse demonstrar poderes sobrenaturais.

  • Um astrólogo afirmava que poderia descobrir o signo de uma pessoa após conversar com ela por poucos minutos. Foi apresentado a ele, doze pessoas, uma de cada vez, cada uma com um signo diferente. As pessoas não podiam comentar nada sobre sua data de nascimento e nem usar nenhuma vestimenta ou acessório que permitisse ao astrólogo inferir qual ele seria. Depois que o astrólogo falou com as pessoas, a pessoa deveria sentar na frente de um cartaz que indicava a qual signo o astrólogo achava que eles seriam. Por um acordo prévio, o astrólogo deveria acertar pelo menos dez deles para ser considerado vitorioso. Quando foram revelados os verdadeiros signos dos participantes, se descobriu que o astrólogo não acertou nenhum.
  • O próximo médium, afirmava ser capaz de ler a aura das pessoas. O médium afirmava que as auras eram visíveis a volta das pessoas por pelo menos a 12,5 cm de distância. O médium selecionou pessoas que ele afirmava poder ver a aura. As pessoas ficaram atrás de telas translúcidas que o médium afirmou anteriormente ser capaz de ver a aura acima delas. As pessoas então se posicionaram atrás das telas. As telas foram numeradas de 1 a 10, e as pessoas foram sorteadas para ficarem atrás das telas, ou não. O médium deveria afirmar se haveria uma pessoa atrás da tela ou não visualizando sua aura por cima da tela. Como estatisticamente uma seleção aleatória poderia acertar 5 em 10, o médium concordou que ele deveria acertar 8 em 10 para ser considerado um vencedor. O médium afirmou ver auras acima de todas as telas, mas apenas 4 das telas tinham pessoas.
  • Um rabdomante afirmava que seria capaz de localizar garrafas d’água com sua varinha, mesmo que essa garrafa estivesse fechada dentro de uma caixa de papelão. Então colocaram para ele 20 caixas e o rabdomante deveria indicar quais das caixas continham garrafas d’água. Ele indicou que 8 das caixas continham água mas apenas cinco continham água, mas nenhuma das caixas indicadas por ele continha água.
  • Uma médium psicometrista afirmava que ela seria capaz de receber informações pessoais dos donos de certos objetos de uso pessoal. Para evitar ambiguidades, a médium concordou em ser testada usando 12 conjuntos de relógios de pulsos e chaves que pertenciam a 12 indivíduos. Ela deveria combinar as chaves com os relógios como pertencentes a mesma pessoa. De acordo com o que foi combinado previamente ela deveria combinar ao menos 9 dos doze conjuntos para que sua habilidade fosse considerada genuína, mas ela só conseguiu acertar dois.
  • Durante o programa um outro médium, usava [cartas Zener] e tentava prever quais dos símbolos se encontravam em cada uma das cartas. Estatisticamente a seleção aleatória nesse caso prevê que cerca de 50 cartas coincidiram com as previsões. Por isso ele concordou que para que sua habilidade fosse considerada genuína ele deveria ser capaz de prever acima de 82 cartas. Entretanto ele só conseguiu acertar 50 cartas o que não é diferente de pura sorte.[63]

James Randi Educational Foundation (JREF)[editar | editar código-fonte]

Em 1996, Randi fundou a James Randi Educational Foundation em com ela Randi e seus colegas criaram o blog chamdo Swift. Nesse blog são tratados vários assuntos que vão de ciência a matemática. Randi também escreve regularmente e ele tem uma coluna chamada “‘Twas Brillig,” que é uma referencia a uma frase de um poema de Lewis Carrol em seu livro “Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá” na revista Skeptic da The Skeptics Society . Em seus comentarios Randi dá exemplos daquilo que ele considera como nonsense que é o que ele tenta combater todos os dias.[64]

Ele frequentemente aparece em diversos podcasts, incluindo o podcast oficial da The Skeptics Society Skepticality[65] [66] e no Podcast Point of Inquiry do grupo Center for Inquiry.[67] A partir de setembro de 2006 ele tem aparecido de vez em quando no popular Podcast The Skeptics’ Guide to the Universe em um segmento chamado “Randi Speaks.”[68] Além disso ele chegou a ter o seu próprio podcast chamado The Amazing Show onde Randi conta suas estórias em um formato de entrevista.[69]

Sobre Religião[editar | editar código-fonte]

Os pais de Randi eram membros da Igreja Anglicana, mas não eram frequentadores assíduos e raramente iam ao culto. Ele chegou a frequentar a escola dominical algumas poucas vezes quando criança, mas decidiu que não deveria mais ir, porque lhe disseram que ele deveria parar de questionar ou duvidar dos ensinamentos da igreja..[70]

Em seu texto chamado “Porque eu nego a religião, e o quão tolo e fantástica ela é, e porque eu sou um ateu dedicado e estridente”, Randi, que se declara ateu,[71] afirma que muitas das histórias bíblicas como a concepção imaculada, os milagres de Jesus Cristo e a divisão do Mar Vermelho por Moisés não são críveis. Por exemplo: Randi se diz que a Virgem Maria foi “inseminada por um espírito de algum tipo, e como resultado teve um filho que podia andar sobre as águas, ressuscitar os mortos, e transformar a água em vinho e multiplicar pães e peixes”, e pergunta como Adão e Eva puderam ter dois filhos, sendo que um deles matou o outro, mas ainda assim conseguiram povoar toda a Terra sem cometerem incesto.”. Ele afirma que comparado com isso o “Mágico de Oz é mais crível e mais divertido”.[72]

No seu livro chamado “Uma enciclopédia de Alegações, Fraudes e Embustes do Oculto de do Sobrenatural” (1995), ele se analisa uma série de práticas espirituais de maneira cética. Sobre as técnicas de meditação do Guru Maharaj Ji ele afirma: “Somente uma pessoa muito ingênua pode se convencer que eles o deixaram ingressar em algum tipo de segrefo celestial”.[73] Em 2003, ele foi um dos signatários do Manifesto Humanista.[74]

Desafio de Um Milhão de Dólares

A fundação “The James Randi Educational Foundation” atualmente oferece um prêmio de um milhão de dólares americanos para os candidatos elegíveis que possam demonstrar sua habilidade sobrenatural sob condições científicas de comum acordo para um teste. Semelhantes aos desafios sobrenaturais propostos por John Nevil Maskelyne e Harry Houdini. Em 1964 Randi anunciou que daria mil dólares americanos de seu próprio dinheiro para qualquer um que conseguisse dar evidências concretas de habilidades sobrenaturais, e ele publicou formalmente as regras. Ninguém conseguiu passar pela fase preliminar, em que os parâmetros tinham que ser acordados entre as partes previamente. Ele se recusava a aceitar desafiantes que poderiam sofrer graves acidentes ou morte como consequência de uma falha nos testes.[75] Desde 1º de abril de 2007 somente aqueles que tinham presença na mídia e uma reputação acadêmica eram aceitos para o teste. Ele fez isso para evitar que tivesse que perder tempo com alegações estranhas e obscuras e dessa forma ele poderia se focar nos mais notórios médiuns como Sylvia Browne, Allison DuBois e John Edward que tinham presença na mídia.[76]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Em 1987 Randi se naturalizou como cidadão dos Estados Unidos.[77] Randi afirmou que a razão de ele ter se tornado cidadão estadunidense foi o evento que aconteceu durante uma turnê do show de Alice Cooper. A Real Polícia Montada do Canadá fez uma busca nos armários da banda durante a apresentação. Nada foi encontrado mas mesmo assim a polícia destruiu o quarto.[78]

Em fevereiro de 2006, Randi passou por uma cirurgia de ponte de safena.[79] No começo do fevereiro de 2006, o hospital declarou que ele estava em condições estáveis e recebendo excelente tratamento, tendo corrido tudo bem no seu procedimento.[80] Randi se recuperou após a cirurgia e conseguiu organizar e participar da Amazing Meeting de 2007 em Las Vegas (uma convenção anual de cientistas, mágicos, céticos, ateus e livres pensadores).[81]

Em junho de 2009 Randi foi diagnosticado com câncer de intestino.[82] Ele tinha um tumor do tamanho de uma bola de ping-pong que foi removido do seus intestinos durante uma laparoscopia. Ele anunciou o diagnóstico uma semana depois da sétima edição da “The Amazing Meeting” assim como o fato de ter agendado o início da quimioterapia nas semanas seguintes.[83] Ele ainda disse na conferência: “Um dia, eu vou morrer. E isso é tudo que existe. Ah. isso é bem ruim, mas eu tenho que abrir espaço. Eu estou usando muito oxigênio e tal – Eu acho que eu faço um bom uso do oxigênio, mas é claro, eu sou um pouco tendencioso no assunto”.”[83] Randi também disse que depois que ele se for ele não quer que seus fãs se preocupem em dar um nome a um museu de mágica em seu nome ou comprar-lhe uma bela lápide. Ao invés disso, disse ele “Eu quero ser cremado, e eu quero que as minhas cinzas sejam sopradas nos olhos do Uri Geller.”[83] Randi fez sua última sessão de quimioterapia em 31 de dezembro de 2009, como ele explicou em 12 de janeiro de 2010 em um vídeo que ele afirma que sua experiência com a quimioterapia não foi tão desagradável quanto ele imaginava.[82]

Em 21 de março de 2010, em um blog, Randi anunciou que era homossexual, e ele explicou sua atitude como tendo sido inspirada pelo filme de 2008 Milk, em que Sean Penn representava o papel do político ativista dos direitos dos homossexuais Harvey Milk, o primeiro político assumidamente gay a ser eleito para um cargo público na California.[84] [85] Durante a sua aparição na convenção anual de céticos “The Amazing Meeting (TAM)” em 12 de julho de 2013, Randi anunciou que se casou com o seu parceiro de 27 anos, o artista Deyvi Pena, em Washington, D.C. 10 dias antes.[86]

Em 2012, o mágico Penn Jillette anunciou que está trabalhando em uma biografia de Randi.[87]

The Independent Investigations Group (Grupo de Investigação Independente). Tributo a James Randi no evento The Amazing Meeting 9 (TAM9), em Julho de 2011

Referências (ver no Google -…milhares)

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Lula fez desaparecer bilhões de dólares com muito mais facilidade…

 

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