PRESIDENTE BOLSONARO – LUTA IMPLACÁVEL CONTRA OS MALFEITORES

Para endireitar o Brasil, só mesmo com o exemplo de SINGAPURA…

Quem for comunista tem 40 dias para ir pra CUBA… (o BNDES financiará a passagem…)

Vai lá, tchê… deixe de encher o saco de uma vez por todas!!!

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AMIGOS DE CRiMINOSO CONTINUAM ATUANDO SOLTOS POR AI…

Caixa de entrada x

 

 

Gen Lt

Dize-me com quem andas que te direi quem és!

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De: Cesar Souza Enviada em: terça-feira, 12 de fevereiro de 2019 12:04
Para: Cesar Souza
Assunto: AMIGOS DE CRiMINOSO CONTINUAM ATUANDO SOLTOS POR AI…

 

A foto anexa, por si só,  é emblemática!

César Souza

 

De: costaferrenhoroberto
Enviada em: segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 20:32
Para: costaferrenhoroberto@gmail.com
Assunto: ENC: AMIGOS DE CRiMINOSOS…

 

É vergonhosa, triste, execrável….
a solidariedade de  pessoas, figuras públicas, deputados e líderes, associados,  a  assassinos, criminosos internacionais.
Esses abutres são contra os verdadeiros partidos,contra os brasileiros e contra a humanidade.
O presidente da OAB, está  aí…
O chico alencar  também…
O dep.fed. do psol também…

Que gentalha !!!!
 

 

Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

Área de anexos

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A GUERRA NÃO TERMINOU…

 

A GUERRA NÃO ACABOU”: A ESCRITA E A DISPUTA DO
PASSADO SOBRE A LUTA ARMADA NO ARAGUAIA ATRAVÉS DAS
MEMÓRIAS DOS MILITARES
Wellington Sampaio da Silva1
O título do artigo “A guerra não acabou!”, parece num primeiro num primeiro olhar, estranho, se
não fora de conotação histórica. Mas em relação aos acontecimentos envolvendo a chamada Guerrilha
do Araguaia há evidências bastantes contundentes. Como assim? Evidentemente que em termos
bélicos, ou seja, de luta envolvendo armas de fogo e homens se digladiando de lados opostos
(guerrilheiros e militares), a guerra foi encerrada na terceira expedição militar a área em dezembro de
1974. Contudo, se levarmos em consideração as construções das memórias sobre essa guerra,
encontramos evidências de sua presença inclusive no tempo presente.
Nesse sentido, propomos nesse artigo analisar a escrita de alguns militares participantes direta e/ou
indiretamente no combate a luta armada no Araguaia. Por que resolveram publicar suas
reminiscências? Ou seja, o que os motivou? Em qual contexto suas obras foram produzidas? Quais as
versões construídas por esses personagens? Quais caminhos esses personagens buscaram para publicar
essas versões? São algumas questões que pretendemos responder ao longo desse ensaio.
A escrita dos militares acerca da Guerrilha do Araguaia é algo mais recente, se tomarmos como
referência as narrativas construídas pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) que, já durante a
guerra, elaborou diários, comunicados aos moradores locais, cartas, manifestos tornando esses
documentos públicos e, ao longo dos anos, jornalistas e intelectuais de esquerda analisaram e
avaliaram essa experiência de guerrilha, tornando-a conhecida para a sociedade através de vários
livros.2 No caso dos militares, a iniciativa de publicar suas memórias sobre a Guerrilha do Araguaia
através de livros acontece a partir da década de 1990, isto é, quase duas décadas após o fim do
conflito armado no Araguaia. Exemplo dessa prática é o livro do capitão-aviador Pedro Corrêa Cabral,
Xambioá: guerrilha no Araguaia, publicado através da Editora Record em 1993.3
Para os militares, a guerra já havia sido vencida pelas armas, e não havia, necessariamente,
necessidade de ficar rememorando tais batalhas, mas esquecê-las. Contudo, os “perdedores”, diga-se
os militantes de esquerda, optaram por uma postura diferente. Passaram ao longo dos anos após o
final da luta armada a escreverem suas memórias, publicarem livros, concederem entrevistas passando
a divulgar para a sociedade suas versões para o período de exceção no geral, e para a luta armada, em
específico. Diante dessa prática e temendo perder essa outra guerra, a de memórias, os militares
entram na disputa acerca do passado desse período da história do Brasil. Passam a construir suas
versões, publicam livros e se lançam nessa nova guerra, agora através da escrita. Em relação à noção
de guerra de memórias, nos apropriamos desse termo usado por Pierre Ansart no artigo “História e
memória dos ressentimentos,”4 no qual o autor ao discutir o panorama político da França no período
pós Segunda Guerra Mundial, o caracterizou a partir da polarização de duas forças políticas
hegemônicas e rivais – de um lado o governo do general De Gaulle, exaltando nas cerimônias oficiais
o nacionalismo e a França livre, e do outro, o Partido Comunista Francês, enfatizando o papel
desempenhado pela resistência comunista e a URSS na vitória aliada na guerra.5 Dessa forma, suas
1 Doutorando em História Social da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Professor do Ensino Básico, Técnico e
Tecnológico do Instituto Federal do Tocantins (IFTO-Campus Araguaína). E-mail: sampaio.well@bol.com.br
2 Dentre os livros escritos e publicados por jornalistas destacamos: DÓRIA, Palmério et al., A Guerrilha do Araguaia. História
imediata.
Nº 1, São Paulo: Alfa-Omega, 1978; PORTELA, Fernando. Guerra de Guerrilhas no Brasil. 1ª ed. São Paulo:
Global Editora, 1979; Já no que concerne aos livros escritos por intelectuais de esquerda temos: POMAR, Wladimir. Araguaia:
o partido e a guerrilha – Documentos inéditos. São Paulo: Brasil Debates, 1980; GORENDER, Jacob. Combate nas trevas – a
esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1987.
3CABRAL, Pedro Corrêa. Xambioá: Guerrilha no Araguaia. Rio de Janeiro: Record, 1993.
4 ANSART, Pierre. História e memória dos ressentimentos. In: BRESCIANE, Stella e NAXARA, Márcia (orgs.). História e
(res)sentimento:
indagações sobre uma questão sensível. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
5ANSART, História e memória dos ressentimentos, p. 32.
280 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
narrativas constroem a partir de acusações, revanches e ressentimentos versões heterogêneas e opostas
para esse período da história francesa. E no caso da Guerrilha do Araguaia? Encontramos nas
narrativas de memórias indícios semelhantes da presença de acusações, ressentimentos e às vezes
sentimentos de revanchismo por parte dos personagens que participaram da mesma.
Há várias obras publicadas por militares sobre essa questão. Escolhemos para tessitura desse artigo,
três livros que representam, a nosso ver, as disputas em torno da memória acerca da luta armada no
Araguaia: A guerrilha do Araguaia – revanchismo: a grande verdade, escrita pelo coronel Aluísio
Madruga de Moura e Souza, Bacaba: memórias de um guerreiro de selva da Guerrilha do Araguaia, do
tenente-coronel José Vargas Jiménez e Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, escrita pelo
coronel Licio Augusto Ribeiro Maciel.6
A escrita da Guerrilha do Araguaia centrada na ideia de revanchismo
Em 2002, o coronel Aluísio Madruga de Moura e Souza publicou o seu livro A guerrilha do
Araguaia
– revanchismo: a grande verdade. Nele, como o próprio subtítulo da obra sugere, a ideia de
revanchismo constitui o cerne de sua narrativa. Segundo o dicionário de política revanchismo “é um
comportamento político tendente a anular as desvantagens de uma derrota sofrida”.7 Ora, no caso da
Guerrilha do Araguaia, esse comportamento estaria presente, segundo os militares, nos ex-militantes
do PC do B e também naqueles que aceitam a sua versão para esse acontecimento. Dessa maneira, a
vitória pelas armas das Forças Armadas não significou uma vitória na “batalha de memória” instituída
após o conflito. Nessa outra batalha, a da memória, inicialmente, os militantes do PC do B e seus
partidários estavam saindo vitoriosos. Era necessário, portanto, revidar na mesma moeda. E para isso,
alguns militares iniciaram a prática de publicar suas memórias através de livros. Narrar sua versão para
esse acontecimento em resposta “as acusações” dos seus adversários. Assim, a obra do coronel Aluísio
Madruga seria uma resposta à prática do revanchismo presente na versão das esquerdas.
Outro aspecto a ser considerado na narrativa do coronel Aluísio Madruga e que também evidencia
essa disputa pelo passado é a tentativa de se construir uma versão verdadeira para a chamada
“Contrarrevolução de 1964”. Segundo ele, existe uma versão que foi construída pelas esquerdas e que
se tornou hegemônica – “A grande mentira”, e é necessário desconstruí-la. Nesse contexto, iniciando
sua narrativa, enfatiza o objetivo da obra:
O objetivo não é outro senão o de contribuir para evitar que os comunistas brasileiros,
de todos os matizes, permaneçam contando “UMA GRANDE MENTIRA”: a respeito
dos acontecimentos da Contra-Revolução de 1964; sobre porque ela foi
desencadeada; sobre as razões pelas quais durou mais de duas décadas. Tem ainda o
objetivo de homenagear de forma permanente àqueles que enfrentaram o flagelo do
terrorismo comunista e também às suas famílias (…)8
Assim, revanchismo e verdade são dois conceitos bastante evidentes em toda a narrativa do autor.
Para construir sua tese, Aluísio Madruga discute o movimento comunista partindo das Internacionais
até as origens e formação do Partido Comunista Brasileiro.9 No tocante a história do comunismo no
Brasil, o autor faz uma análise que, a nosso ver, não deixa de ser historicista, buscando as origens
desse movimento no país. Nesse sentido, faz uma discussão da influência das ideias comunistas a partir
da vinda dos imigrantes italianos e espanhóis. Eles teriam influenciado com ideias anarquistas o
movimento operário em nosso país. Assim, em 1908 no Rio de Janeiro foi criada a Confederação
Operária Brasileira (COB), e em 1918, teriam surgido os sintomas da formação do Partido Comunista
6Além dos livros citados, pode-se considerar dentro dessa mesma perspectiva as seguintes obras: GIORDANI, Marco Pollo.
Brasil Sempre. Porto Alegre, RS: Tchê, 1986; USTRA, Carlos Alberto Brilhante. Rompendo o silêncio. Brasília: Editerra
Editorial, 1987; USTRA, Carlos Alberto Brilhante. A verdade sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil
conheça. Brasília: Ser, 2006; AUGUSTO, Agnaldo Del Nero; MACIEL, Licio; NASCIMENTO, José Conegundes do (orgs).
Orvil: tentativas de tomada do poder. São Paulo: Schoba, 2012.
7BOBBIO, Norberto; MATTEUCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de política. 6ª ed. Brasília, DF: Editora
Universidade de Brasília, 2003.
8MOURA E SOUZA, Aluísio Madruga de. Guerrilha do Araguaia – revanchismo: a grande verdade. Edição do Autor: Brasília,
2002. p. 12. (Grifos do autor do livro).
9MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p. 16-33.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 281
no Brasil, embora ele fosse institucionalizado em 1922. 10 As argumentações do coronel Aluísio
Madruga parte sempre de um lugar institucional – Centro de Informações do Exército (CIE) – o qual a
tradição anticomunista constituiu uma prática entre os seus membros.11 E desse lugar, suas análises em
relação ao movimento comunista foi sempre caracterizada pela negatividade.
Segundo a tese defendida pelo autor, houve três momentos nos quais os comunistas tentaram
tomar o poder no Brasil. A primeira delas teria ocorrido em 1935 com a Intentona Comunista; a
segunda durante o governo de João Goulart, quando os comunistas se alinharam a uma parcela da
burguesia, culminando na “contrarrevolução” de 1964 e a terceira tentativa foi na visão do autor a
Guerrilha do Araguaia (1966-1974).12
Podemos inserir a produção da obra do coronel Aluísio Madruga, assim como as demais escritas ao
longo dos anos 2000, dentro do contexto político e social que o Brasil passava nesse período. A partir
de 2003 temos no Brasil a chegada à Presidência da República, o primeiro operário eleito de forma
direta. Luiz Inácio Lula da Silva representava, assim, de certa forma, alguns ideais que a esquerda
vislumbrava nas décadas de 1960 e 1970. Com ele, alguns daqueles militantes de esquerda dos anos
60 e 70, assumiram cargos importantes no governo. Podemos citar o exemplo da ministra Dilma
Rousseff (Minas e Energia e, posteriormente, Casa Civil) e na Câmara dos Deputados José Genoíno
Neto, que torna-se um dos principais articuladores do governo na Câmara. Ora, esse cenário político e
também as medidas adotadas pelo governo, despertam em alguns setores dos militares, um
posicionamento de oposição e fortes críticas ao governo. É, portanto, dentro desse contexto que se
destaca a atuação do Grupo Ternuma (Terrorismo Nunca Mais),13 pois nos anos 2000, teremos uma
forte atuação desse grupo através de artigos e posicionamentos em seu site na internet contra o
governo e, respectivamente, suas medidas.
Podemos inferir que a produção memorialista dos militares nessa década pode estar relacionada,
dentre outros fatores, a duas questões centrais. A primeira delas, uma reação à produção e a
publicação das memórias por parte das lideranças do PC do B, de alguns guerrilheiros que atuaram no
Araguaia e as obras de jornalistas. Isto é, diante das versões das esquerdas e do silêncio do próprio
estado, alguns militares perceberam a necessidade de narrarem suas versões. E a segunda, as medidas
tomadas pelos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que
proporcionaram, por exemplo, o direito à reparação aos perseguidos políticos no período de exceção,
a discussão sobre o direito à memória e à verdade e a abertura e acesso a alguns documentos da
época da ditadura em nosso país. Nesse sentido, podemos destacar a homologação da lei 10.559, em
2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, garantido o direito aos perseguidos políticos
a indenização por parte do Estado brasileiro e a publicação do livro “Direito à memória e à verdade”,
em 2007, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.14
No que concerne ao livro A guerrilha do Araguaia – revanchismo: a grande verdade, o seu prefácio
é assinado pelo general Raymundo Maximiliano Negrão Torres15, o qual enfatiza o trabalho narrativo
10MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p. 28-29.
11O Centro de Informações do Exercito (CIE) foi criado em julho de 1967 durante o governo do General Costa e Silva. O seu
primeiro diretor, o coronel Adyr Fiúza de Castro, era favorável ao uso da tortura, sobretudo, psicológica. Durante o governo
Médici (1969-1974), o CIE teve como diretor o coronel Milton Tavares de Sousa. Nesse período, tornou-se o órgão que mais
propôs censura à televisão e a imprensa escrita. O CIE era composto por pessoas de confiança do regime militar. E, assim,
tendo os comunistas como principal inimigo a ser combatido, agentes desse órgão atuaram na época da guerra no Araguaia,
sobretudo, no período da chamada “Operação Sucuri”. Sobre o CIE ver D’ARAUJO, Maria Celina; SOARES, Glaucio Ary
Dillon; CASTRO, Celso. Introdução: rompendo o pacto do silêncio. In: Os Anos de chumbo: a memória militar sobre a
repressão. Rio de Janeiro: Relume- Dumará, 1994. p. 15-16.
12MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p. 237.
13″TERRORISMO NUNCA MAIS” (TERNUMA) – Grupo formado por militares, ex-militares, familiares e simpatizantes, criado
em 1998 “a fim de resgatar a verdadeira história da Revolução de 1964 e, mais uma vez, opor-se a todos aqueles que ainda
teimam em defender os referenciais comunistas, travestidos como se fossem democráticos.” Disponível em:
http://www.ternuma.com.br/index.php/quem-somos Acesso em: 17 out. 14.
14BRASIL. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília: Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, 2007.
15Raymundo Maximiliano Negrão Torres nasceu em Belém (PA), em 1925. Entrou no Exército em 1942, e durante sua
carreira nessa instituição desenvolveu diversas funções atingindo a patente de general em 1978. Atuou enquanto militar no
Paraná, em Brasília, no Rio Grande do Sul. Entrou para reserva em 1983, porém continuou participando da vida militar
através de diversos artigos em defesa da “Revolução de 1964” e de sua instituição – o Exército. Faleceu em 2006. Disponível
em: https://liciomaciel.wordpress.com/2014/09/15/general-raimundo-negrao-torres-desanca-o-mentiros-elio-gaspari/ Acesso
282 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
de Aluísio Madruga em mostrar o papel que os militares exerceram nas tentativas de tomadas do poder
político em nosso país pelos comunistas. Em seu prefácio também deixa evidente os conflitos de
memórias presentes na atualidade entre os dois grupos principais envolvidos na Guerrilha do
Araguaia: militares e comunistas. Os primeiros caracterizados como os “defensores da ordem” e das
“instituições democráticas”, e os últimos, como responsáveis pela “desordem”. Assim, ao prefaciar o
livro e destacar a importância narrativa da obra do coronel Aluísio Madruga para desconstruir os mitos
construídos pelas esquerdas, afirmou o general Raymundo Maximiliano:
Percorre as últimas quatro décadas da história política de nosso país – às vezes com
necessárias ondulações cronológicas – para mostrar, de forma resumida e ágil, os
entrechoques entre defensores da lei e os que pretendiam derrubar a ordem legal. Cita
fontes e transcreve o que outros escreveram, para mostrar – entre tantas coisas – como
nos meandros de uma tramitação legislativa se construiu uma arma eficaz para
alimentar o revanchismo que pretende transformar “bandidos” em “mocinhos” e jogar
os que tiveram o duro dever de levantar do chão a luva do desafio comunista lançada
à face da Nação, na rua da amargura do desprezo da sociedade, a serviço da qual
deram os melhores anos de suas carreiras e, alguns, a própria vida.16
Nesse sentido, a argumentação do general Raymundo Maximiliano, demonstra, na nossa visão,
todo o cerne do livro do coronel Aluísio Madruga, isto é, os conflitos e disputas presentes nas narrativas
em torno dos acontecimentos da história política do Brasil pós 1964, em geral, e da própria Guerrilha
do Araguaia, em específico. Narrativas estas, que na visão do general, tendem a desclassificar as
Forças Armadas e a transformar os “bandidos” do passado em “mocinhos” do presente. Portanto, a
obra do coronel Aluísio Madruga representa para o general uma resposta dos militares a essa versão
“esquerdista” que tornou-se predominante em nosso país.
Após esse comentário geral acerca da obra do coronel Aluísio Madruga de Moura e Souza,
passemos para a sua narrativa acerca da Guerrilha do Araguaia. Como o autor construiu sua versão
para os acontecimentos no Araguaia? Quais as suas ênfases? Quais os aspectos comuns destacados
por outros militares sobre a guerrilha? Quais questões foram silenciadas em sua narrativa? Partindo
dessas indagações buscamos interpretar a versão do coronel Aluísio Madruga para a guerra no
Araguaia. Há, portanto, na sua narrativa uma maior ênfase nas operações militares de combate aos
guerrilheiros. Sendo um membro do Centro de Informações do Exército (CIE), na época do conflito, o
autor enfatiza, inicialmente, a versão dos militares para a descoberta da guerrilha. Segundo Aluísio
Madruga, já em 1969 havia uma certa suspeita dos órgãos de segurança da existência de um “trabalho
de campo” que estaria sendo realizado pelo PC do B na região norte do estado de Goiás, atualmente
Tocantins. Assim sendo, o Exército aproveitou o término do período de preparação de recrutas
iniciado em janeiro de 1970, para realizar seus exercícios finais do Grupamento A, nessa região. Dessa
forma, em novembro de 1970, teria sido organizada a “Operação Carajás”.17 Para o autor, tal
iniciativa mais que treinar os recrutas, servia para marcar a presença das Forças Armadas na região. E
quem sabe confirmar a atuação de membros do PC do B naquela área. Contudo, a única certeza que
se constatou era que a região seria propícia para o estabelecimento de uma guerrilha.18
A confirmação dessa suspeita, segundo o autor, só viria em 1972, através da prisão em Fortaleza de
Pedro Albuquerque Neto e sua esposa Tereza Cristina pela Polícia Federal. A partir de seus
depoimentos, os militares teriam chegado ao conhecimento da guerrilha e de sua provável localização.
Organizam então, uma operação de inteligência na região sudeste do Pará que teve início com a
em: 03 mai. 17.
16 TORRES, Raymundo Maximiliano Negrão. Prefácio. In: MOURA E SOUZA, Aluísio Madruga de. Guerrilha do Araguaia –
revanchismo: a grande verdade. Edição do Autor: Brasília, 2002, p. 10.
17Sobre essa operação militar realizada em novembro de 1970 na área onde se encontravam os militantes do PC do B, assim
se refere o Relatório da Comissão Nacional da Verdade: “Em novembro daquele mesmo ano, as Forças Armadas realizariam
uma manobra conjunta na região, denominada Operação Carajás. Publicamente, afirmavam que se tratava de um exercício
de adestramento das tropas, isto é, de um simples exercício de treinamento na selva. No entanto, a operação tinha como
objetivo o levantamento de informações sobre possíveis atividades guerrilheiras na região.” Ver Relatório da Comissão
Nacional da Verdade, Vol. 1, p. 687. Disponível em: http://www.cnv.gov.br/images/pdf/relatorio/volume_1_digital.pdf Acesso
em: 03 mai. 17.
18MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p. 131.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 283
chegada dos primeiros agentes em Marabá (PA) no dia 25 de março de 1972 e a Xambioá (GO) em
abril do mesmo ano. O autor argumenta que em alguns momentos os agentes tiveram a oportunidade
de capturar suspeitos, mas devido às poucas informações que dispunham sob o grau de “subversão”,
não o fizeram. Contudo, essa operação teria sido suspensa devido à descoberta por parte dos
guerrilheiros de sua existência. Mesmo assim, algumas prisões de guerrilheiros foram feitas e
destacadas pelo autor: Danilo Carneiro (Nilo), na localidade de Caiano; em Marabá Rioco Kaiano e
José Genoíno Neto.19
Além de destacar as demais operações militares (setembro a outubro de 1972 e outubro de 1973 a
dezembro de 1974), Aluísio Madruga narra em detalhes à estrutura organizacional dos guerrilheiros,
seu modelo político – chinês, os destacamentos com sua localização e número aproximado de
guerrilheiros, os comandantes da guerrilha e a comissão militar. Dessa forma, ao longo da guerra no
Araguaia, os órgãos de inteligência dispunham de uma série informações sobre o movimento. É
importante ressaltar que em nenhum momento o autor enfatiza o fracasso das duas primeiras
operações militares para combater os guerrilheiros. Sua narrativa centraliza toda a discussão acerca da
permanência dos guerrilheiros na selva, suas mortes e o próprio fracasso da guerrilha a
responsabilidade das lideranças do PC do B. Nesse contexto diz:
Quando os elementos operacionais das forças legais estavam psicologicamente
preparados para prosseguirem em sua missão, o período previsto terminou e não
havia a intenção de se permanecer na ação, porque o Exército ainda tinha a
esperança de que os dirigentes da cúpula do Partido, ou seja, o Comitê Central do PC
do B concluísse que tinha jogado um grupo de jovens, despreparados, em uma
aventura suicida e que o mínimo que deveriam fazer seria determinar o abandono da
área. Porém, lamentavelmente não foi assim. De maneira insana, à revelia dos demais
membros do Comitê Central do Partido, os quatro membros do “Bureau Político” –
João Amazonas, Elza Monerat, Maurício Grabois e Ângelo Arroio – permitiram que a
guerrilha prosseguisse com suas ações.20
Dessa maneira, sua versão retira dos militares a culpa pelas mortes e demais acontecimentos
ocorridos no Araguaia, e coloca essa responsabilidade na cúpula do PC do B. Esse argumento não é
recente entre os militares, pois desde o fim do conflito bélico no sul do Pará, geralmente alguns dos
que participaram das ações de combate e resolveram externar seus posicionamentos, veem afirmando
a mesma posição do coronel Aluísio Madruga. Seguindo, portanto, o mesmo argumento, o coronel
Licio Augusto Maciel disse: “Grandes chefes comunistas, abandonaram seus companheiros à própria
sorte numa região a que não estavam acostumados, numa selva amazônica semi-virgem, enquanto
ficavam comodamente em suas salas bem refrigeradas, nas mordomias de São Paulo.”21 O referido
autor, também faz uso de suas memórias para criticar as lideranças da guerrilha que conseguiram
deixar a região do conflito abandonando os demais “camaradas”. Nesse caso, as acusações recaem
sobre Ângelo Arroyo (Joaquim) e Micheas Gomes Almeida (Zezinho), militantes do PC do B que
segundo Licio Augusto “abandonaram covardemente seus companheiros”. Assim, afirma:
Arroyo e “Zezinho” poderiam ter levado junto alguns companheiros, ou até mesmo
todos, mas os abandonaram por saberem que quanto menos, maiores seriam as
chances de fuga. “Zezinho” sabia como levar todos em segurança; deve ter falado com
Arroyo, que optou covarde e egoisticamente pela fuga apenas dos dois. Micheas
desertou com Arroyo e só reapareceu trinta anos depois (declarou que perdeu a
memória …). Seu “esquecimento” foi causado pela vergonha.22
O uso das memórias aqui é utilizado no sentido de se contrapor as afirmações das memórias
construídas pelo PC do B sobre o conflito no Araguaia. Esse conflito é exacerbado e bastante evidente
nas memórias de ambos os grupos (militares e PC do B). Nesse sentido, reiteramos nossa tese de que a
19MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia…, p. 133-134.
20MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia…, p. 140.
21 MACIEL, Licio Augusto Ribeiro. Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente. 2ª ed. São Paulo: Schoba, 2011, p. 123.
22 MACIEL, Guerrilha do Araguaia…, p. 125.
284 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
guerra não terminou, ela continua muito presente nas disputas políticas, nas versões construídas, nas
acusações e justificativas de ambos os lados.
Na guerra de memórias acerca das narrativas sobre a Guerrilha do Araguaia, uma questão que
provoca trocas de acusações e sentimentos de revanchismo é o tipo de tratamento dado aos
prisioneiros e aos mortos no conflito. As memórias construídas pela direção do PC do B, pelos
familiares dos mortos e desaparecidos políticos e pelos moradores locais enfatizam e denunciam o
caráter “desumano” dispensado aos guerrilheiros, no qual o Estado brasileiro utilizou a força para
torturar, matar e ocultar os corpos dos militantes do PC do B. Na busca de dar uma resposta a essa
questão, o coronel Aluísio Madruga justifica que oportunidades teriam sido dadas para que os
guerrilheiros se entregassem, e aqueles presos na primeira campanha dos militares contra a guerrilha
tiveram sua integridade preservada. Contudo, aos que resistiram não restou outra alternativa as forças
legais, pois diante da ação dos “terroristas” a reação dos militares foi atacar. Dessa forma, argumenta:
Nas fases anteriores todas as oportunidades lhes foram dadas. Aqueles que receberam
voz de prisão e sentindo que estavam em desvantagem se entregaram foram presos e
bem tratados. O mesmo ocorreu com os que por questões pessoais, fora da situação
de combate, também se entregaram. E nem por isto receberam tratamento não
condizente com o previsto neste tipo de guerra irregular. (…). E nessa nova e última
fase de combate a guerrilha, as mesmas oportunidades lhes foram oferecidas. Porém,
enganados inicialmente por parte do Comitê Central do PC do B que lhes informava
da importância de resistirem nas posições em busca dos objetivos do Partido, e depois
abandonados, os “guerrilheiros” se negavam a ser presos.23
Portanto, para o autor, a culpa pelas mortes dos militantes do PC do B não está nas forças legais,
no caso, o Exército, mas na resistência dos guerrilheiros a se entregar e nas ordens recebidas pela
direção do partido de resistir. Não há, assim, na versão de Aluísio Madruga maiores problemas na
prática da execução dos guerrilheiros, para ele essa é uma atitude condizente com o tipo de guerra a
qual eles estavam expostos, isto é, uma guerra irregular. A responsabilidade pelo que ocorreu aos
guerrilheiros é atribuída ao Partido e não aos militares. Além disso, é uma visão unânime entre os
militares, em especial, os quais estamos analisando suas memórias, o alcance proporcionado pela Lei
de Anistia de 1979, a qual lhes assegurou o “perdão” pelas ações praticadas por estes durante o
período de exceção no Brasil.24 Ao se referir a essa questão afirmou o general Francisco Batista Torres
de Melo: “Derrotados no governo Médici, segue-se Geisel com o início da abertura e terminada por
Figueiredo. O processo da Anistia foi o ponto de honra deste último. Anistia significa passar a borracha
e começar tudo de novo”.25 Portanto, segundo o general Torres de Melo, a Anistia teria “apagado” as
práticas dos militares e dos grupos de esquerda durante os governos militares em nosso país. Ou seja, a
função principal da Lei da Anistia, de acordo com essa afirmação do general, seria o esquecimento das
ações cometidas por ambos os lados, e assim, essa questão já estaria resolvida, cabendo a partir do
presente, seguir em frente, isto é, “começar tudo de novo”. É importante, na nossa concepção, em
relação a essa problemática, nos apropriarmos das reflexões de Paul Ricoeur em torno do uso do
esquecimento motivado por questões políticas, isto é, o esquecimento comandado: a anistia. Nesse
caso, o seu papel objetiva a reconciliação entre cidadãos inimigos.26 Prática geralmente utilizada em
países que passaram por regimes de exceção. Entretanto, no Brasil a lei que institucionalizou a nossa
anistia em 1979 é, geralmente, utilizada pelos militares no sentido de encobrir determinadas práticas
de torturas e assassinatos de opositores do período da ditadura civil-militar.
Consideramos a narrativa de Aluísio Madruga, como qualquer outra, interessada. E nessa
perspectiva, há uma preocupação em buscar justificar as ações dos militares na época da guerra no
Araguaia, e também durante todo o período de exceção no Brasil. Essas ações são geralmente tidas
como afirmativas, pois o crescimento do país em vários setores e a guerra vencida contra o comunismo
23MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p. 162-163.
24 Lei 6.683, de 28 de agosto de 1979. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6683.htm Acesso em: 30 out.
15.
25MELO, Francisco Batista Torres de. Buscar a verdade verdadeira. In: JIMÉNEZ, José Vargas. Bacaba II: toda a verdade
sobre a Guerrilha do Araguaia e a Revolução de 1964. Campo Grande, 2011, p. 190.
26 RICOEUR, Paul. A memória, a história e o esquecimento. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007, p. 459.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 285
evidenciam o “desenvolvimento e a garantia dos princípios democráticos”. Por outro lado, as práticas
dos grupos de esquerda são tratadas como negativas. Nesse caso, são enfatizados os sequestros,
atentados, assaltos a bancos e as tentativas de guerrilhas urbana e rural.
É perceptível na escrita do coronel Aluísio Madruga indícios do uso do esquecimento e também do
silêncio em determinados assuntos. Em relação ao esquecimento, percebemos sua prática a partir da
ênfase do autor no tocante a Lei de Anistia, como destacamos anteriormente. No que concerne aos
silêncios em sua narrativa, vejamos alguns exemplos. Dentre os “não ditos” podemos citar a prática da
tortura, seja aos guerrilheiros, seja aos moradores da região; a existência da “operação limpeza”
quando os corpos de alguns guerrilheiros teriam sido desenterrados e transportados para a Serra das
Andorinhas, e lá queimados e de onde teriam vindo às ordens para a eliminação dos guerrilheiros. É
válido destacar que outros militares através de suas memórias destacam algumas dessas práticas não
enfatizadas no livro do coronel. Entretanto, a versão de Aluísio Madruga é uma visão predominante a
de outros militares, as quais trataremos a seguir.
Aqui é pertinente refletir um pouco sobre esses dois conceitos, inúmeras vezes apropriados pelos
pesquisadores que atuam nos estudos da construção de memórias. Partimos, inicialmente, das
definições trazidas pelo dicionário. Segundo o lexicólogo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira,
esquecer significa “deixar sair da memória, pôr de lado, desprezar, tirar da memória”27, já silenciar
significa “estado de quem se cala”28. Ao problematizar o esquecimento Paul Ricoeur enfatiza dois tipos
desse fenômeno: o primeiro tipo é o esquecimento por apagamento dos rastros, isto é, aquele tipo de
esquecimento que está relacionado às disfunções das operações mnésicas. Para o autor, esse
esquecimento, portanto, é caracterizado enquanto uma fronteira entre o normal e o patológico.29 É,
assim, o tipo de esquecimento ligado aos problemas da memória e, dessa forma, provocador das
distorções da memória. Já o segundo tipo, o esquecimento reversível, ou seja, o esquecimento de
reserva é caracterizado por Ricoeur enquanto uma função positiva da memória. E assim, afirma: “Em
resumo, o esquecimento reveste-se de uma significação positiva na medida em que tendo-sido
prevalece sobre o não mais ser na significação vinculada à ideia do passado. O tendo-sido faz do
esquecimento o recurso imemorial oferecido ao trabalho da lembrança.”30
Ora, além desses dois tipos de esquecimentos relacionados ao caráter da operação da memória,
Paul Ricoeur também analisa o esquecimento motivado por questões políticas, isto é, o esquecimento
comandado: a anistia. Nesse caso, o seu papel objetiva a reconciliação entre cidadãos inimigos.31 É um
recurso para estabelecer a paz após um período de exceção, por exemplo. É nesse sentido, que a
prática do esquecimento é usada nos escritos dos militares, conforme podemos observar ao longo de
nossa discussão.
Sobre “os não ditos”, é pertinente a análise realizada por Michael Pollak classificando essa prática
em três formas de lembranças: as proibidas, as indizíveis e as vergonhosas.32 Para o caso da obra do
coronel Aluísio Madruga, talvez externar determinados acontecimentos praticados pelos militares
durante o conflito no Araguaia, podem ocasionar perante a opinião pública atual uma visão negativa
dos militares. Por essa razão, ocultá-los de sua narrativa parece ter sido, na nossa concepção, uma
escolha e/ou estratégia desse autor para não comprometer as Forças Armadas.
A escrita da Guerrilha do Araguaia através das memórias de um combatente
Em 2007, o então tenente-coronel José Vargas Jiménez publicou o seu primeiro livro de memórias
narrando sua participação durante a terceira campanha militar no Araguaia: Bacaba: memórias de um
guerreiro de selva da Guerrilha do Araguaia. Financiado com recursos próprios, a obra, segundo o
próprio autor, provocou algumas reações dentro dos setores militares, o que o teria levado a em 2011,
escrever um outro livro, relatando essa repercussão: Bacaba II: toda a verdade sobre a Guerrilha do
27 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua portuguesa. 4ª ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 291.
28 FERREIRA, Miniaurélio Século XXI Escolar, p. 636.
29RICOEUR, A memória, a história…, p. 428.
30RICOEUR, A memória, a história…, p. 451.
31RICOEUR, A memória, a história…, p. 459.
32POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e silêncio. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 2, nº 3, 1989, p. 6-7.
286 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
Araguaia e a Revolução de 1964.
Para falar um pouco sobre a vida do tenente José Vargas Jiménez, utilizamos os dados biográficos
contidos no seu livro de memórias “Bacaba: memórias de um guerreiro de selva da Guerrilha do
Araguaia.”33 Nessa obra, temos uma breve biografia do autor, destacando, sobretudo, a sua carreira
militar, cursos realizados e as funções nas quais atuou. Segundo essa obra, José Vargas Jiménez
nasceu em 1948 em Corumbá – MS. Entrou para o Exército no 17º Batalhão de Caçadores (1967) em
Corumbá. Em 1972, José Vargas foi transferido para a 1ª Companhia do 3º Batalhão de Fronteiras,
na Colônia Militar do Oiapoque, com sede em Clevelândia do Norte no Amapá. Foi um militar que se
aperfeiçoou na área de guerra em selva, e por isso, em 1973 foi selecionado para atuar no combate
aos militantes do PC do B no Araguaia, fazendo parte da chamada terceira operação militar.34
O prefácio desse livro é feito pelo próprio autor. Nele o tenente José Vargas explica sua
participação na terceira operação de combate aos membros do PC do B, e cita vários documentos que
serão apresentados pelo autor no decorrer do livro. Além disso, o livro também traz uma breve
biografia do autor, destacando, sobretudo, de forma resumida sua carreira no Exército e as medalhas
conquistadas ao longo de sua vida militar.
A narrativa de José Vargas Jiménez, enfatiza, sobretudo, sua participação na terceira operação
militar, a qual participou de forma direta, fazendo incursões na mata e caçando os guerrilheiros. Assim,
o autor narra as missões na selva, as prisões dos moradores locais e os combates com os guerrilheiros.
Ao narrar sua primeira missão na mata, disse:
Na madrugada do dia 3 de outubro de 1973, o meu GC, o do Sgt Elizeu e do Sgt
Brito, comandados por Curió e guiados por Ivan, saímos da “Casa Azul”, com as
missões de captura, destruição, busca e apreensão, em caminhonetas pretas do
INCRA, que nos conduziram pela rodovia Transamazônica, até o povoado de Bom
Jesus, onde, após cercá-lo, entramos de casa em casa, fazendo prisioneiros, os
camponeses que apoiavam os guerrilheiros, que totalizaram aproximadamente trinta,
todos suspeitos de dar cobertura e apoiar os guerrilheiros.35
Percebemos, portanto, uma preocupação do autor ao narrar de forma minuciosa as operações
militares no Araguaia, descrevendo os acontecimentos e o cotidiano dos militares na sua relação com
os moradores locais, inclusive as prisões de alguns que teriam sido levantados pela “Operação Sucuri”
comprovando suas ligações com os guerrilheiros. O livro também traz transcritos alguns documentos
que teriam sido utilizados pelos soldados nessa terceira campanha militar. Segundo o autor, eles teriam
sido produzidos pelo Centro de Informações do Exército (CIE) e distribuídos para cada soldado nessa
terceira fase das operações de combate aos guerrilheiros. Esses documentos se referem: Plano de
captura e destruição, no qual estavam relacionados todos os grupos de guerrilheiros que atuavam na
região; Plano de busca e apreensão, trazia a relação dos camponeses com alguma ligação com os
guerrilheiros, as localidades onde estes deveriam ser feitos prisioneiros e o grau de prioridade de
captura, variando de um (1) a quatro (4) e Trato com a população, no qual eram destacadas normas
de como o soldado deve tratar os moradores locais, além de enfatizar como essa população era
utilizada pelos guerrilheiros para que eles alcançassem seus objetivos.36 Em sua versão o tenente José
Vargas relata de forma objetiva as mortes de alguns guerrilheiros e militares durante as campanhas de
combate à guerrilha. Contudo, o que nos chamou mais a atenção em sua narrativa é a descrição da
prática de “interrogatório” utilizada pelos militares para conseguir as informações dos moradores da
região acerca dos guerrilheiros. Ao se referir ao tratamento dispensado pelos militares aos moradores
locais, disse José Vargas:
Certa vez “Curió” saiu com meu GC a fim de confirmar informação de um encontro
entre guerrilheiros e um camponês que os apoiava. Preparamos uma emboscada no
local, porém só apareceu o camponês de nome Frederico Lopes que foi feito
prisioneiro. Foi interrogado no mesmo local por métodos convencionais e como se
33 JIMÉNEZ, José Vargas. Bacaba: memórias de um guerreiro de selva da Guerrilha do Araguaia. Campo Grande, 2007.
34 JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 26-27.
35 JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 41.
36 JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 36-40.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 287
recusou a falar sobre qual grupo de guerrilheiros estava esperando e o assunto que
tratariam, recebemos ordens para mudar a tática de interrogatório. Foi então
amarrado nu, num pau viveiro de formigas (pau-de-arara) e seu corpo lambuzado
com açúcar e sua boca cheia de sal. Quando as formigas começaram a andar pelo seu
corpo e picá-lo, nos relatou tudo o que queríamos saber. Depois o desamarramos,
retiramos do pau-de-arara, deixamos que tomasse banho num igarapé e o
conduzimos prisioneiro para nossa base em Bacaba.37
A escrita do tenente José Vargas, descreve, a nosso ver, uma prática comum utilizada durante a
Guerrilha do Araguaia – a tortura aos moradores locais. Assunto geralmente pouco comentado nas
narrativas dos militares. Alguns preferem não se referir, e quando questionados sobre sua existência,
buscam minimizar tal prática utilizando para isso a tese da chamada “guerra suja”. Em sua descrição,
José Vargas usou o recurso do eufemismo “interrogatório”, para se referir a essa prática junto aos
moradores do Araguaia. Sua descrição é a prova do sofrimento da população local diante do “fogo
cruzado” entre militares versus guerrilheiros e a sua limitação de não ter a quem apelar. São agentes
que cometem a tortura em nome do Estado brasileiro.
Consideramos que a narrativa do tenente José Vargas Jiménez difere em algumas questões das
demais narrativas de seus pares. Pois ele destaca práticas não abordadas e/ou negadas por outros
militares que também chegaram a publicar suas memórias. Uma delas conforme podemos observar na
citação é o uso da tortura aos moradores da região e aos guerrilheiros presos durante as operações
militares. Dessa forma, sua escrita soa enquanto dissonante em relação as narrativas dos demais
militares aqui estudadas.
Além de afirmar que houve casos de guerrilheiros que foram presos e depois mortos, contrariando a
versão oficial das Forças Armadas e, também de muitos militares que externaram suas versões sobre a
guerra no Araguaia, e que insistem na tese de que os guerrilheiros foram mortos em combate, o
tenente José Vargas descreve o que denomina de “técnicas de interrogatório”, na nossa concepção,
práticas de torturas, as quais eram submetidos os prisioneiros. Assim diz:
As técnicas de interrogatório a que eram submetidos os guerrilheiros em Bacaba
consistiam em: choques com corrente elétrica gerada por baterias de telefone de
campanha portáteis; telefone (consistia em dar tapas com força, simultaneamente nos
dois ouvidos com as mãos abertas); colocá-los em pé, descalços em cima de duas latas
de leite condensado se apoiando somente com um dedo na parede; socos em pontos
vitais tais como no fígado, rins, estômago, pescoço, rosto e cabeça, além de fazê-los
passar fome e sede.38
É oportuno frisar que essa afirmação provocou estranhamento por parte dos demais militares, e,
sobretudo, pelas lideranças do Exército, mas evidencia em nosso estudo, o caráter heterogêneo e
múltiplo das memórias e versões dos militares acerca da atuação das Forças Armadas no Araguaia.
Além disso, confirma que entre os militares existem múltiplos grupos, com posições diferenciadas em
algumas questões. Demonstra também o caráter autoritário do estado brasileiro, nesse período, que
permitiu que em nome da “democracia” e para se combater o inimigo “o comunismo”, pessoas fossem
acusadas e torturadas sem o direito de se defenderem. Por outro lado, a visão oficial de boa parte dos
militares argumenta que a violência também era praticada pelos guerrilheiros, “terroristas” e
comunistas como são adjetivados.
A narrativa do tenente José Vargas também traz alguns aspectos do cotidiano dos militares e dos
moradores locais. Embora não aprofunde esses aspectos, sua versão nos leva a perceber as relações
estabelecidas entre soldados e moradores da região, especificamente, nas relações pessoais.
Geralmente, as narrativas acerca da guerrilha por parte dos militares privilegiam as batalhas, as prisões,
as mortes e as estratégias utilizadas para vencer o inimigo – o comunismo. Porém, mesmo que de
forma superficial, José Vargas cita algumas práticas dos militares nos momentos que estes não estavam
em combate no meio da selva, ou seja, nos momentos de folga. Assim, afirma o autor:
37JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 64. Na narrativa do autor GC significa grupo de combate.
38JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 56.
288 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
A cada dois meses que os GC ficavam na selva combatendo guerrilheiros eram
dispensados, juntamente com seu comandante, por dois dias, pra irem à cidade de
Marabá-PA, fazerem “higiene mental”, divertir-se e fazer outras necessidades
fisiológicas que o corpo humano pede, nas casas noturnas e boates da cidade.39
Podemos observar como características da escrita do autor sua linguagem coloquial, simples e
objetiva. Ele não faz uso de eufemismos para narrar determinadas práticas dos militares no Araguaia,
opta por uma descrição mais direta, por exemplo, quando se refere a tortura praticada aos moradores
da região e aos guerrilheiros, os momentos de lazer da tropa e a forma como se refere as mortes dos
militantes do PC do B. A sua narrativa embora apresente práticas ocultadas por outros militares que
publicaram suas versões, não foge a regra dos seus pares externando uma visão linear, anticomunista e
autoritária. É uma linguagem, muitas vezes, estranha de nossa parte, mas que reflete as ideias e os
costumes dos militares que lutaram contra a guerrilha naquela época. Nesse sentido, sua escrita ao
mesmo tempo que choca o leitor, também provoca nele a atenção e a curiosidade pela conclusão de
sua trama. Talvez, esse tenha sido o recurso utilizado pelo tenente José Vargas para que o seu livro
alcance um maior número de leitores e a sua versão tenha legitimidade.
A versão publicada pelo tenente José Vargas Jiménez chamou na época a atenção da imprensa.
Nesse sentido, a Revista Isto É, edição de 12 de novembro de 2008, publicou uma matéria do
jornalista Alan Rodrigues sob o título “A tropa do extermínio”, na qual são destacadas a narrativa do
tenente acerca da luta armada no Araguaia, documentos da época presentes no seu livro e publicados
na reportagem e uma entrevista com o autor.40 É oportuno frisar que a entrevista concedida pelo
tenente José Vargas Jiménez a essa revista de circulação nacional, confirmou a sua narrativa publicada
no seu livro “Bacaba: memórias de um guerreiro de selva da Guerrilha do Araguaia”, servindo, assim,
enquanto um meio de divulgação de sua obra.
A versão da Guerrilha do Araguaia através da narrativa de Licio Maciel
Assim como o tenente José Vargas Jiménez, outro combatente no Araguaia que escreveu sua
versão acerca da Guerrilha do Araguaia foi o coronel Licio Augusto Ribeiro Maciel (“Dr. Asdrúbal”),
como ficou conhecido na região. Seu livro, publicado em 2008, trouxe como título Guerrilha do
Araguaia
: relato de um combatente. Nessa obra, o próprio subtítulo já nos dá uma ideia de testemunho
“relato de um combatente”. É, portanto, a narrativa de um militar que esteve no palco da guerra e,
sobretudo, atuou nela. Nesse caso, sua versão para os fatos ocorridos no Araguaia, tem um caráter de
“verdade” ao contrário de outros militares que apenas produziam “relatos fictícios” sobre a guerrilha.41
Esse seu livro pode ser interpretado também como uma resposta à versão construída pelo jornalista
Luiz Maklouf Carvalho a experiência do coronel Licio Augusto na guerrilha, quando publicou o livro
“O coronel rompe o silêncio”.42 Nesse sentido, Licio Augusto faz várias críticas a essa obra do jornalista
Luiz Maklouf. Escolhemos aqui, aquela que sintetiza uma visão que consideramos ao mesmo tempo
irônica e também pitoresca da crítica do coronel ao jornalista:
O jornalista Luiz Maklouf Carvalho, escreveu o livro “O Coronel Rompe o Silêncio –
Licio Augusto Ribeiro, que matou e levou tiros na caçada aos guerrilheiros do
Araguaia, conta sua história” – (isto é lá título de livro? Só vi semelhante em história de
cordel em Caruaru). Baseado em minhas declarações, mas distorceu muitos fatos, fez
comparações com falsas, suspeitas e mentirosas testemunhas, cortou muito do que foi
por mim declarado, enfim, fez o que quis, com o objetivo de tirar o conteúdo dos fatos
reais. Só o extenso título do livro já diz qual o objetivo do autor.43
39JIMÉNEZ, Memórias de um guerreiro de selva…, p. 68.
40RODRIGUES, Alan. A tropa de extermínio. Isto É. São Paulo, Edição nº 2036, 12 de novembro de 2008. Disponível em:
http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/1866_A+TROPA+DO+EXTERMINIO/1 Acesso em: 25 set.14.
41Nesse sentido, o coronel Licio Augusto Maciel faz várias críticas à narrativa de Pedro Corrêa Cabral, considerando sua
versão enquanto fictícia. Sua crítica se refere a versão dada pelo capitão aviador Pedro Corrêa Cabral através do seu livro
Xambioá: Guerrilha no Araguaia, publicado pela Editora Record em 1993.
42 CARVALHO, Luiz Maklouf. O coronel rompe o silêncio. São Paulo: Objetiva, 2004.
43 MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 267.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 289
Portanto, ao publicar sua versão em 2008, o coronel Licio Augusto, pretende mostrar o conteúdo
verdadeiro para os acontecimentos passados no Araguaia, e nesse sentido, sua obra entra em conflito
com o livro publicado pelo jornalista, que segundo o coronel teria “distorcido” e “cortado” os fatos por
ele narrados.
Quem é o coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel? Qual a sua participação no combate a luta armada
no Araguaia? Os dados biográficos desse militar foram extraídos do livro do jornalista Luiz Maklouf
Carvalho, O coronel rompe o silêncio. Segundo esse jornalista, Licio Maciel nasceu em Maceió – AL
em 4 de junho de 1930, em uma família que dispunha de um certo capital econômico e intelectual.
Seu pai era advogado e escritor e foi um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras. Desde
cedo, Licio Augusto despertou o interesse pela matemática e apresentava uma tendência para a área
da engenharia. Com a morte do pai, em 1950 a vida da família tornou-se mais difícil, obrigando seus
irmãos mais velhos e sua mãe a trabalharem. Aos 19 anos ingressou no Instituto Tecnológico de
Pernambuco desejando ser engenheiro, mas não concluiu o curso. Mudou-se para o Rio de Janeiro e
prestou exames para a Escola Militar de Rezende onde se formou. A partir dai, seguiu a carreira militar,
geralmente se destacando nos cursos que realizava.44
Ainda tendo como fonte as informações colhidas pelo jornalista Luiz Maklouf, em 1959, Licio
Maciel foi admitido na Escola Técnica do Exército, posteriormente, Instituto Militar de Engenharia
(IME), onde formou-se engenheiro de comunicação em 1963. Em 1964, foi trabalhar na 9ª Região
Militar, em Campo Grande, na época Mato Grosso, com a tarefa de estabelecer ali a rede de rádio. A
partir de 1968 entrou para o Centro de Informações do Exército (CIE) e adotou o codinome de “Dr.
Asdrúbal”, como se tornou conhecido na época da guerra no Araguaia. Antes de iniciar os combates
no Araguaia, Licio Maciel recebeu do coronel Carlos Sérgio Torres, a missão de ir de carro de Brasília
a Belém (PA) com uma turma do Ministério dos Transportes. O objetivo dessa missão, realizada em
1969, era sondar se havia algo de estranho nessas regiões, ou seja, identificar possíveis focos de
guerrilha. Na década de 1970, durante a Guerrilha do Araguaia, participou das principais operações
de combate aos militantes do PC do B.45
O prefácio do seu livro é assinado pelo ex-ministro do governo militar Jarbas Passarinho. Nele o exministro tece uma série características do coronel Licio Augusto na época em que atuou no Exército
brasileiro, e em especial, durante a Guerrilha do Araguaia. Assim disse: “Cadete sério, sociável, de
conduta exemplar, compenetrado, bom aluno, de elevado espírito militar, cumpridor das obrigações e
muito disciplinado (…).”46
Consideramos o prefácio dessa obra importante, pois a partir dele já observamos a disputa em
torno do passado da luta no Araguaia. Dessa maneira, após uma breve apresentação do autor, o exministro Jarbas Passarinho faz uma série de criticas aos militantes de esquerda e, sobretudo, as práticas
desses, na época dos governos militares. Nesse contexto, afirma:
O assassinato do Soldado Mário Kozel Filho, explodido quando de sentinela ao QG
do II Ex, não é considerado crime. O atentado no Aeroporto dos Guararapes, no
Recife, não teve importância, foi apenas uma brincadeirinha que resultou na morte de
um jornalista, de um almirante e deixando centenas de feridos e mutilados.47
Portanto, o ex-ministro Jarbas Passarinho deixa bem claro em seu prefácio, o tom da narrativa que
o leitor terá acesso nas próximas páginas da obra. Esse prefácio também evidencia a guerra de
memórias personificadas nessa citação pelas acusações feitas aos grupos de esquerda nos atentados
praticados pelos mesmos durante as décadas de 1960 e 1970. Ao se referir as narrativas acerca da
Guerrilha do Araguaia, em especial, a escrita de sua história, disse:
A História do Araguaia será escrita por historiadores confiáveis, seguramente de
formação e reputação ilibadas, no tempo correto da historiografia. Não adianta os
comunistas quererem inventar uma versão mentirosa e empurrá-la goela abaixo do
44CARVALHO, O coronel rompe o silêncio, p. 27-30.
45CARVALHO, O coronel rompe o silêncio, p. 33-36.
46 PASSARINHO, Jarbas Gonçalves. Prefácio. In: MACIEL, Licio Augusto Ribeiro. Guerrilha do Araguaia: relato de um
combatente. 2ª ed. São Paulo: Schoba, 2011, p. 15.
47 PASSARINHO, Prefácio. In: MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 19.
290 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
brasileiro, que pode ser tudo menos imbecil.48
Vemos, assim, na afirmação do ex-ministro Jarbas Passarinho no prefácio da obra do coronel Licio
Augusto Maciel, fortes indícios das constantes disputas de memórias que envolvem as narrativas
concernentes à Guerrilha do Araguaia. A versão do coronel, nesse sentido, tem um objetivo de lançar
a sociedade à história desse acontecimento a partir do testemunho de alguém que esteve lá, isto é, o
seu lugar de narrador é institucionalizado por aquilo que Beatriz Sarlo denomina de retórica
testemunhal, pois aquele que narra esteve ali aonde os fatos aconteceram. 49 Dessa forma, sua
narrativa, assim como as demais construídas e publicadas por outros militares se institucionaliza
enquanto verdadeira.
Para situar os leitores do seu lugar de fala – “relato de um combatente” – já na introdução do seu
livro, o coronel Licio Augusto define o que ele considera como Guerrilha do Araguaia: “A Guerrilha do
Araguaia foi uma tentativa armada do Partido Comunista do Brasil (PC do B) de tomada do poder,
visando à implantação do regime comunista no nosso país”.50 Essa definição para o movimento
armado no Sul do Pará durante a década de 1970, é unânime entre os militares que publicaram suas
versões sobre esse acontecimento. Na nossa concepção foi uma maneira encontrada pelos militares
para demarcar o seu lugar na disputa pelo passado desse acontecimento, enfatizando, dessa forma, o
papel exercido por estes para impedir que o Brasil se tornasse um país comunista. Ou seja, na
construção da versão militar para a Guerrilha do Araguaia, a vitória final pelas armas significou a
vitória do capitalismo e dos seus valores sobre o comunismo. São esses valores, portanto, que os
leitores encontrarão através de sua narrativa.
A versão apresentada pelo coronel Licio Augusto, é de certa forma, semelhante em alguns aspectos,
a narrativa do coronel Aluísio Madruga. Dos militares que até então publicaram suas memórias, o
coronel Licio Augusto foi um dos que mais tempo atuou no combate aos militantes do PC do B no
Araguaia. Seu contato com a região palco da guerra, segundo o próprio coronel, começou em 1969,
quando realizou a serviço dos órgãos de inteligência do Exército uma viagem através da rodovia
Belém – Brasília (BR 153), com o intuito de localizar possíveis áreas de treinamento de guerrilha. Nessa
missão, Licio Augusto passou-se por engenheiro da Embratel e percorreu sítios e fazendas, entrou em
contato com fazendeiros e demais pessoas da região. Contudo, nada de concreto foi encontrado,
apenas suspeitas. Em 1970, o coronel Licio Augusto participou como observador da Manobra Marabá
7051, e nessa oportunidade teria tido oportunidade de visitar várias áreas da região e mantido contato
com os moradores. Assim narra:
Os fazendeiros e moradores da mata tinham notícias de muita gente esquisita em
diversos locais, fazendo tudo menos atividades agrárias ou semelhantes. No final, eu
era capaz de garantir que eles, os discípulos de Marighela, estava lá. O problema é que
eu não tinha provas concretas, o argumento principal de convencimento,
principalmente no meio militar.52
Assim como o coronel Aluísio Madruga, Licio Augusto atribui à descoberta da área da guerrilha a
prisão de Pedro Albuquerque Neto e sua esposa Tereza Cristina. É perceptível na narrativa do coronel
Licio a disputa política existente no presente entre os que estiveram com o poder na época da guerrilha
e os que hoje fazem parte do poder no Brasil. Ao citar como exemplos o caso dos guerrilheiros, Pedro
Albuquerque (Jesuíno) e José Genoíno (Geraldo), ambos presos pelos militares durante as primeiras
48 PASSARINHO, Prefácio. In: MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 20.
49SARLO, Beatriz. Tempo Passado: cultura da memória e guinada subjetiva. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo:
Companhia das Letras; Belo Horizonte: UFMG, 2007, p. 50.
50 MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 27.
51 Segundo o coronel Aluisio Madruga, em janeiro de 1970 o Exército Brasileiro realizou na região de Marabá (Sudoeste do
Estado do Pará) uma operação de treinamento de soldados recrutas incorporados naquele ano. Essa operação teria sido
realizada nessa região diante das suspeitas ainda não confirmadas, nesse período, de focos de guerrilha. Entretanto, essa
operação nada teria confirmado nesse sentido. É importante destacar que em novembro desse mesmo ano, o Exército
também realizou nessa mesma área uma outra operação denominada na época de “Operação Carajás”, mas até esse
momento, nada teria sido confirmado pelos militares, segundo o coronel. Ver MOURA E SOUZA, Guerrilha do Araguaia, p.
131.
52MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 31.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 291
investidas contra a guerrilha, o coronel Licio faz fortes críticas a postura política e ética dos dois, e tece
elogios aos militares. Dessa forma, diz:
Estive com ambos em minhas mãos, a mais de cem quilômetros para dentro das
matas do Pará, no comando de uma equipe de cerca de oito militares. É fácil imaginar
tudo que poderia ter acontecido aos dois. Um, tentando negar que fazia parte do
bando, tentando inclusive fugir e não obedecendo aos tiros de advertência para o ar,
sendo pegado em seguida enredado no cipoal, poderia facilmente ter sido “feito”
legalmente, pois tentou fugir; o outro, já tendo confessado e cortado os pulsos por
medo de ser justiçado pelos próprios companheiros, como confessou, poderia ter tido
o mesmo destino (…). No entanto, estão aí os dois “lépidos e fagueiros”, mentindo e
tentando aviltar a Instituição que lhes salvou a vida.53
Há, portanto, nas afirmações do coronel Licio Augusto fortes indícios de ressentimento e disputas
políticas. As memórias são aqui usadas para criar uma imagem positiva dos militares, “… a Instituição
que lhes salvou a vida” e ao mesmo tampo, acusar os ex-guerrilheiros de não serem coerentes com
suas versões acerca do que lhes teria acontecido no Araguaia.54 Ora, tais evidencias, na nossa
concepção, reforça nossa tese de que a “guerra ainda não terminou”, pois ao longo desses quarenta
anos após o fim do conflito bélico, como estamos observando ao longo de nossa discussão, os ataques
são constantes, hoje não mais por meio das armas, mas através dos discursos, das acusações, dos
ressentimentos e das narrativas de memórias construídas através dos livros.
Há ao longo de sua narrativa várias acusações às lideranças do PC do B que recrutaram jovens
para organizar uma guerrilha e implantar no Brasil o comunismo. Dessa forma, afirma: “As raposas
velhas do PC do B desviaram os jovens, os iludiram e os abandonaram à própria sorte nas selvas do
Pará, fugindo antes do primeiro tiro e aboletando-se no conforto das cidades.”55 Com essa afirmação,
o autor responsabiliza os líderes do partido pelas consequências da resistência dos guerrilheiros às
forças oficiais, ao mesmo tempo tece uma crítica contundente a esses líderes que fugiram e
abandonaram esses jovens a própria sorte. Evidentemente, que não deixa de ser uma estratégia
interessada dos militares no sentido de não se responsabilizarem pelos fatos ocorridos durante a
guerra.
O autor narrando do seu lugar de militar, evidentemente, priorizou na obra os aspectos dos
combates e das operações militares durante o seu período na região da guerrilha. Como militar ver a
guerra de forma natural, sem grandes problemas, diferentemente de como a população civil percebe
um conflito bélico. Nesse sentido, há uma afirmação na sua obra que sintetiza essa sua visão de
homem de guerra. Assim afirma: “A guerra é, definitivamente, parte integrante da existência humana.
A história da Humanidade é a história das guerras”.56 Ora, não poderíamos nesse contexto deixar de
comparar sua máxima, a afirmação marxista de que “toda história é a história da luta de classes”. Para
o coronel Licio Augusto, o motor da história não está na luta de classes como afirmava Marx, mas nas
guerras. Elas movem os seres humanos e ele como os demais militares que atuaram no Araguaia
estavam dispostos a cumprir esse princípio. Para justificar o seu determinismo bélico, o autor cita
exemplos das inúmeras guerras realizadas pelos seres humanos desde o princípio da história da
humanidade até o período contemporâneo. Essa sua visão não deixa de ser uma contraposição ao
princípio marxista da ideia de luta (revolução) para se instituir o comunismo. E nesse aspecto, a guerra
enfatizada e praticada por Licio Augusto e os outros militares no Araguaia, era afinal, para se combater
esse sistema.
Ao contrário do que hoje é defendido pelas organizações de direitos humanos, o coronel Licio
Augusto é enfático em suas posições em relação aos acontecimentos da Guerrilha do Araguaia.
Defendendo a tese de guerra, mesmo que ela tenha sido do tipo irregular, ou seja, guerra de
guerrilhas, o autor não considera que houve “abusos” por parte dos militares que atuaram no
Araguaia. Os procedimentos lá adotados são considerados normais em caso de guerra pelo coronel.
53MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 32-33.
54Sobre José Genoíno, ver COELHO, Maria Francisca Pinheiro. José Genoíno: escolhas políticas. 1ª ed. São Paulo: Centauro,
2007.
55MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 44.
56MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p. 145.
292 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
Buscando defender os militares, diz Licio Augusto:
(…) Falar que os militares agiram como bárbaros no Araguaia é demonstrar ignorância
total em assuntos de guerra ou muita pusilanimidade. Pegar terrorista escondido na
mata nunca foi fácil. Se eles tivessem um mínimo de competência, teria morrido muito
maior número dos nossos, sem a mínima dúvida. Eles mesmos hoje em dia
reconhecem que eram um bando de incompetentes.57
No campo da guerra de memórias, Licio Augusto e também outros militares que publicaram suas
versões acerca da guerrilha, buscando construir o seu lugar no cenário das memórias, geralmente
enfatizam a vitória final dos militares através das armas e tentam demonstrar que a derrota sofrida pelo
PC do B deu-se por “incompetência” dos guerrilheiros. E para reafirmar esse posicionamento, atribui
aos atuais líderes do partido, o próprio reconhecimento desse fato – “(…) Eles mesmos hoje em dia
reconhecem que eram um bando de incompetentes”. Ora, não sabemos precisar baseado em qual
declaração dos líderes do PC do B, Licio Augusto se refere nessa afirmação, mas o que fica evidente
nela é o fato de acusar os militantes do partido de ontem e de hoje pela derrota que sofreram.
Na visão do coronel, a guerra foi a responsável pelos atos ocorridos durante o conflito no Araguaia.
Os militares apenas cumpriam a sua missão de defender a pátria contra o “grande mal” que pairava
sobre a sociedade naquele período – o risco do país tornar-se comunista. E na guerra conta os
defensores desse sistema político, a violência existiu de ambos os lados, da parte dos militares e da
parte dos guerrilheiros. E nesse caso, quando o autor faz referência a violência praticada pelos
militantes do PC do B, inúmeros exemplos são enfatizados, seja durante a Guerrilha do Araguaia, seja
em outros momentos históricos ocorridos no Brasil, como é o caso da “Intentona Comunista”, do
atentado no aeroporto dos Guararapes, em Pernambuco, dos vários assaltos a bancos e sequestros
arquitetados pelos grupos de esquerda. Em relação à Guerrilha do Araguaia, em específico, Licio
Augusto destaca o justiçamento de um filho de um camponês, por ter contribuído com as forças legais,
a morte do cabo Odílio da Cruz Rosa e do soldado Francisco Valdir de Paula. E assim conclui “Em
nenhum país no mundo onde tenha ocorrido guerrilha, as ações violentas ou estranhas foram
praticadas só por um dos lados.”58 Dessa forma, na concepção do coronel Licio Augusto, as ações
violentas praticadas durante o conflito foram de ambos os lados, característica da chamada “guerra
suja”, na qual as convenções internacionais deixam de ser consideradas. A crítica externada pelo autor
se refere, principalmente, ao reconhecimento por parte dos militantes do PC do B em admitir esses
atos de violência que teriam praticado durante o conflito.
Um aspecto comum nos livros dos militares conforme podermos observar ao longo desse artigo, é a
afirmação que a luta no Araguaia representava a batalha contra o comunismo e em defesa da
democracia. Entretanto, cabe ressaltar, qual a concepção de democracia defendida por estes militares?
A historiadora Lucileide Cardoso através do seu estudo acerca das criações da memória dos
defensores e críticos da ditadura militar, nos apresenta cinco características da concepção de
democracia presente entre os militares: responsabilidade, honestidade, ordem, progresso e luta contra
a “subversão”.59 São esses, portanto, o ideário de democracia defendidos pelos autores estudados
nesse artigo. Motivo segundo eles, da sua participação no enfrentamento aos terroristas no Araguaia.
É importante ressaltar ainda nos livros dos militares aqui estudados, algumas informações
relacionadas às editoras que os publicaram, pois com exceção da obra do capitão aviador Pedro
Corrêa Cabral, publicada pela Editora Record, os demais livros foram publicados ou por iniciativa de
cada autor, isto é, particular (o caso, por exemplo, de Aluísio Madruga de Moura e Sousa e José
Vargas Jiménez) ou através de editoras pequenas como o do livro do coronel Licio Augusto, publicado
pela Editora Schoba da cidade de Salto em São Paulo. Dessa maneira, observamos que as produções
das obras dos militares são mais simples, sem o apoio e a divulgação de editoras maiores que
controlam o mercado editorial brasileiro. Podemos inferir, diante desse quadro, que esses livros em
comparação com os dos jornalistas e também intelectuais de esquerda, como por exemplo, Guerra de
57MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p.196.
58MACIEL, Guerrilha do Araguaia: relato de um combatente, p.197.
59CARDOSO, Lucileide. Criações da memória: defensores e críticos da ditadura (1964-1985). Cruz das Almas – BA: UFRB,
2012, p. 132.
SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018. 293
Guerrilhas no Brasil: a saga do Araguaia, de Fernando Portela, publicado pela Global Editora em 1979
e Combate nas Trevas – A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada, de Jacob Gorender,
publicado em 1987 através da Editora Ática, obtiveram uma circulação mais restrita.
Embora os estilos narrativos de cada autor sejam peculiares, identificamos nas obras dos militares
analisadas nesse trabalho alguns pontos em comum. Dentre eles podemos destacar a ideia de se
construir uma narrativa que se pretende “verdadeira” em oposição às versões construídas pelas
esquerdas, tidas por eles enquanto “fantasiosas e falsas”. São defensores da atuação das Forças
Armadas no combate aos guerrilheiros, pois estes representavam a “desordem e o atraso” para o país.
Já as Forças Armadas representam o contrário, “a ordem e o progresso” da nação. Nesse sentido, ao
defenderem a sua instituição, acusam através de suas narrativas as lideranças do PC do B, no passado
e também no presente, pelas mortes ocorridas durante a Guerrilha do Araguaia. Os autores aqui
analisados também defendem o esquecimento para os atos cometidos durante o período de exceção
no Brasil, de forma geral, e em específico, para aqueles praticados durante a Guerrilha do Araguaia.
Para eles a Lei de Anistia sancionada durante o governo do general João Baptista Figueiredo em
1979, teria resolvido todas as questões sejam elas por parte dos militares, sejam por parte dos
militantes de esquerda. Assim sendo, são críticos e contrários a prática da reparação aos perseguidos
políticos garantida através da lei 10.559, sancionada no governo Fernando Henrique Cardoso.
❧❧
294 SÆCULUM – REVISTA DE HISTÓRIA [39]; João Pessoa, jul./dez. 2018.
RESUMO
O presente artigo faz uma reflexão acerca da
construção das memórias dos militares que atuaram
de forma direta e/ou indireta no conflito armado no
Araguaia na década de 1970. Conflito este
nomeado tanto pelas esquerdas quanto pelos
militares como “Guerrilha do Araguaia”. Através da
publicação de livros, alguns militares vêm tornando
pública as suas versões para esse acontecimento da
história contemporânea do Brasil, e, com essa
prática, provocando uma disputa em torno das
memórias desse conflito que envolveu diversos
sujeitos: militantes do Partido Comunista do Brasil
(PC do B), militares e moradores da região. Nesse
sentido, partimos da ideia que embora a guerra
tenha sido concluída no final de 1974, a construção
de suas memórias, em especial, através da escrita e
publicação de livros, tem evidenciado uma
continuidade dessa guerra, não mais pelas armas,
mas através das narrativas constantes nesses livros
até os dias atuais. O artigo busca discutir as disputas
pelo passado da luta armada no Araguaia a partir
da narrativa de três obras, escritas e publicadas por
militares nos anos 2000.
Palavras-chave: Disputa pelo passado; Militares;
Livros.
Artigo recebido em 23 out. 2017.
Aprovado em 16 mai. 2018.
ABSTRACT
This article reflects on the construction of memories
of the military personnel who acted directly and/or
indirectly in the armed conflict in the Araguaia in the
1970s. This conflict was named by both the left and
the military as the “Araguaia Guerrilha”. Through
publication of books, some soldiers have been
publishing their versions for this event in the
contemporary history of Brazil and thus, provoking
a dispute around the memories of this conflict that
involved several subjects: militants of the
Communist Party of Brazil (PC do B), military and
residents of the region. In this sense, we start from
the idea that although the war was completed at the
end of 1974, the construction of memoirs, especially
through the writing and publication of books, has
evidenced a continuity of this war, no longer
through arms, but through narratives in these books
to this day. The article seeks to discuss the past
disputes of the armed struggle in Araguaia from the
narrative of three works, written and published by
the military in the years 2000.
Keywords: Dispute for the past; Military;

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MUITO CUIDADO, BOLSONARO !!!

Maniqueísmo ideológico no ambiente acadêmico **

( POR Gen Leite)

A intolerância existente na universidade brasileira não tem precedente na História!

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De: UOL [
Enviada em: sábado, 2 de fevereiro de 2019 22:10
Para: c

Repassando um texto bastante esclarecedor, versando sobre o maniqueísmo ideológico no ambiente acadêmico. Ver nota ao final do texto.

Jorge Baptista Ribeiro

jorjagulha@uol.com.br

De: paulo schultz >
Enviada em: sábado, 2 de fevereiro de 2019 12:05
Para:
Assunto: Maniqueísmo ideológico no ambiente acadêmico **

E OS BRASILEIROS QUE RESOLVERAM HIBERNAR NOVAMENTE, TRANQUILOS, ACHANDO QUE

ELEGENDO BOLSONARO ESTARIA TUDO RESOLVIDO…
MAL SABEM QUE A ESQUERDA ESTÁ AGINDO MAIS DO QUE NUNCA…

EM TEMPO: Não foi TOFFOLI que disse que os diferentes poderes tem até ser respeitados?

Se o Senado decidiu por ser voto aberto, por que TOFFOLI IMPÕE VOTO SECRETO?

Uééé… mas não eram para os poderes serem independentes?????

ENTENDERAM AGORA?..

BOLSONARO, devagarinho, será colocado numa geladeira e os brasileiros

nem perceberão…

ACORDA BRASIL…..

Enviado do meu iPad

REPASSE OBRIGATÓRIO >>>>>>>>>>>>>>

QUINTA-FEIRA, 31 DE JANEIRO DE 2019

Maniqueísmo ideológico no ambiente acadêmico

A intolerância existente hoje na universidade brasileira não tem precedente na História, aponta o professor Amílcar Baiardi, em artigo publicado pelo Estadão. De fato, com a ascensão do lulopetismo, nos anos 80, as entidades de ensino superior se tornaram verdadeiros covis esquerdistas:

O tema ideologia e intolerância no ambiente universitário tem merecido atenção da imprensa brasileira. Em menos de um ano foi foco em cinco edições do jornal O Estado de S. Paulo. Na página A2, por educadores com visões divergentes: em 22/4/2018 e 3/5/2018, pelos professores Carlos Maurício Ardissone e Roberto Macedo, respectivamente, e em 31/10/2018 pela professora Maria Paula Dallari Bucci. E em mais duas ocasiões na página A3, a de Notas & Informações: em 29/4/2018, no editorial A academia dominada e em 4/10/218, sob o título O papel da universidade. O argumento central de todos esses textos opinativos era a defesa da liberdade e da autonomia da universidade de promover debates e cursos, mas que estes contemplassem visões divergentes.

Não obstante essa percepção comum, provavelmente compartilhada por dirigentes universitários, ela não foi considerada por um grupo de instituições de ensino superior quando da oferta de disciplinas no primeiro semestre de 2018. Só assim se poderiam explicar os vários cursos que tinham como tema “O golpe de 2016 e o futuro da democracia”, aprovados pelos colegiados acadêmicos em 13 universidades federais – UNB, UFRJ, UFBA, UFSM, UFRGS, UFAM, UFSJ, UFJF, UFSC, UFop, UFU, UFC e UFRN -, em duas universidades estaduais paulistas, Unicamp e USP, algumas estaduais de outras unidades da Federação e poucas Pontifícias Universidades Católicas. Em nenhuma delas foram, concomitantemente, oferecidos cursos com visão divergente.

Pode-se supor que professores com concepções diferentes não tenham tido coragem de propor disciplinas alternativas. Mas parece mais plausível que, receando as reações das corporações e a ruptura de um pacto político que os levou à condição de dirigentes, reitores, pró-reitores e diretores não tenham estimulado a oferta de cursos que mostrassem a legalidade do impeachment.

Essa conduta se alinhava com anteriores que fizeram “vista grossa” a manifestações de intolerância nos câmpus universitários. As hostilidades contra o senador Cristovam Buarque, impedido de lançar seu livro Mediterrâneos Invisíveis no câmpus da UFMG durante a reunião da SBPC de 2017, e a não permissão para a exibição de filme baseado na obra de Olavo de Carvalho pela administração universitária da UFBA, em novembro do mesmo ano, repetindo o que ocorrera um mês antes na UFPE, são exemplos de como nas universidades se dá a cumplicidade entre dirigentes das instituições e lideranças corporativas visando a bloquear a difusão de ideias discordantes de suas visões.

Anteriormente, em outra universidade federal localizada na Bahia, a UFRB, houve impedimento físico de palestras do geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli e do filósofo Luiz Felipe Pondé, por serem contrários às cotas raciais. Em todos esses casos não houve diálogo nem possibilidade de negociação.

A intolerância existente na universidade brasileira não tem precedente na História. No seu nascimento, em 1287, na cidade de Bolonha, a universidade herdou dos colégios medievais, como aqueles em que ensinou Pedro Abelardo, uma atmosfera cultural que contemplava debates, com direito a réplicas, tréplicas, etc. Nessa atmosfera os debates, então denominados disputatio quod libetica, eram agendados e, neles, diferentes doxa(opiniões) eram defendidas sem assumirem a presunção de dogma. Apesar da interferência e do controle da Igreja Católica, vinculando a permissão para funcionar (bula papal) ao direito de emitir diplomas de professores (licentia docendi), a universidade medieval não impedia debates.

Antes mesmo da revolução científica, entendia-se que as controvérsias eram necessárias à incorporação de conhecimentos novos. Posteriormente, com a Reforma luterana e o Concílio de Trento, o argumento de autoridade impôs dogmas, limitando debates nas universidades escolásticas sob influência do catolicismo. Entretanto, a Reforma Protestante, diferentemente do que dizia Erasmo de Roterdã – “ubicunque regnat luteranismus, ibi litterarum est interitus” (onde quer que reine o luteranismo, a ciência entra em decadência) -, deu ensejo a outro modelo de universidade, definida como moderna, na qual a liberdade de debater e conviver com dogmas religiosos se impôs. Com a assimilação da pesquisa e da experimentação em seu campo de estudos a partir de meados século 19, sob a influência de pensadores como Schleiermacher, Fichte, Humboldt e Schelling, e após a reforma universitária alemã de 1848, as universidades reformadas passaram a refletir culturas nacionais, acolhendo ideias filosóficas em todos os campos. Essa mudança teve o protagonismo de Justus von Liebig, em Giessen, e é o marco do nascimento da universidade contemporânea. A teoria evolucionista de Darwin, malgrado contrariasse dogmas religiosos, foi debatida em 1860 na Universidade de Oxford, ocasião em que Thomas Huxley afirmou não se sentir envergonhado por ter um ancestral comum com os símios.

No século passado, no Ocidente, com exceção do que ocorreu nas universidades durante os regimes autoritários – nazismo, fascismo e o socialismo na Europa Oriental -, não se tem registro de intolerância ideológica em ambientes acadêmicos, nem mesmo na década de 1960 na França. Em quase 730 anos de existência da universidade, não são relatados fatos semelhantes aos do Brasil de hoje, uma cumplicidade entre dirigentes e movimentos corporativos visando a chancelar um “pensamento único”.

Considerando que é imanente ao papel da universidade estabelecer uma atmosfera de harmonia que contemple visões de mundo divergentes e seja refratária à barbárie, conviria enfatizar que o fomento de controvérsias favoreceria a avaliação das universidades brasileiras nos rankings internacionais, esvaziando o argumento de que elas se converteram em “madrassas” islâmicas, formando mais militantes do que cidadãos.

Nota – O maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Manes ou Maniqueu, filósofo cristão do século III, que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.

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A FAMÍLIA MILITAR ESTÁ FALIDA, NA MISÉRIA

 

O SALÁRIO DO MILITAR ESTÁ BAIXÍSSIMO

A FAMÍLIA MILITAR ESTÁ FALIDA, PRATICAMENTE NA MISÉRIA, DEPOIS DE MAIS DE 50 ANOS DA “REVOLUÇÃO”…

-COMO FOI POSSÍVEL  CHEGARMOS  A ESTA  SITUAÇÃO ?

50% DOS 2º SARGENTOS DA ATIVA DO

EXÉRCITO, EM MÉDIA COM 15 ANOS DE  SERVIÇO ,

COM UMA REMUNERAÇÃO LÍQUIDA MENSAL

MENOR DO QUE 3,5 MIL REAIS ?

45 % DOS CORONÉIS DA ATIVA DO EXÉRCITO ,  TENDO

REALIZADO TODOS OS CURSOS EXIGIDOS PELA

CARREIRA ,   PERCEBENDO, MENSALMENTE, MENOS

DO QUE 8,5 MIL REAIS LÍQUIDOS ?

O GENERAL DE DIVISÃO COM UMA REMUNERAÇÃO BRUTA MENOR

DO QUE A DE UM AGENTE CARCERÁRIO?

MAIS DE 10% DE CORONÉIS REFORMADOS DO

EXÉRCITO EXERCEM, PELO BRASIL, A HONESTA

OCUPAÇÃO DE MOTORISTA DE UBER.

SÃO INFINDÁVEIS OS EXEMPLOS DESSA

DEGRADAÇÃO. EM BREVE , TEREMOS OFICIAL DA

RESERVA COMO “PASSEADOR DE CÃES”.

ENQUANTO ESSE CENÁRIO ERA CONSTRUÍDO

COM A COLABORAÇÃO DAQUELES INCUMBIDOS DE

VELAR PELOS DIREITOS DOS QUE ,  POR RAZÕES

LEGAIS E CONSTITUCIONAIS ,    SE CONSTITUIR NA

ÚLTIMA INSTÂNCIA DA DEFESA DA NACIONALIDADE

E DA SOCIEDADE, O QUE SE  CONSTATAVA  ?

APRESENTAVAM-SE, REPETIDAMENTE, AS MESMAS DESCULPAS: FALTAM

RECURSOS, NÃO HÁ ESPAÇO ORÇAMENTÁRIO

-.MAS, NA VERDADE ,   O QUE ACONTECIA ERA A

PROPINA SOLTA, QUE IMPEDIA O EXERCÍCIO DA

BOA GESTÃO. OCORRIA O DESVIO, SEM LIMITES, DO

DINHEIRO   PÚBLICO .

-NADA , ABSOLUTAMENTE NADA , NESSAS ÚLTIMAS

TRÊS DÉCADAS, FOI FEITO PARA COIBIR A

SITUAÇÃO DEGRADANTE A QUE OS MILITARES

FORAM SUBMETIDOS . A DESFAÇATEZ ERA TAL, QUE, RECENTEMENTE, HOUVE AUMENTO DADO QUE REDUNDOU EM DIMINUIÇÃO PARA DETERMINADA CLASSE.

O QUE FAZÍAMOS   NÓS, “OS SALVADORES DA PÁTRIA” ?

PRESTÁVAMOS HOMENAGENS IMERECIDAS

ÀQUELES QUE ESTAVAM ATOLADOS NA LAMA. DISTRIBUÍAMOS MEDALHAS A GENOÍNOS E DIRCEUS, ETC.

CONFUNDÍAMOS A AÇÃO POR DEVER COM A AÇÃO

DE ACORDO COM O DEVER DE TAL MODO QUE A

CONSTRUÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO

SUBVERTEU-SE E DEIXOU-SE DE PERCEBER A

IMORALIDADE ,  A HIPOCRISIA , O CINISMO.

DIZÍAMOS, PARA JUSTIFICAR A NOSSA OMISSÃO

, QUE “ERA O QUE ESTAVA ESCRITO”, COMO SE A

OBEDIÊNCIA À IMORALIDADE PUDESSE SER UMA

NORMA DE CONDUTA.

AGORA, QUANDO SE DEVE CUIDAR DE REPARAR

,  PELO MENOS EM PARTE , A SITUAÇÃO

REMUNERATÓRIA ANGUSTIANTE EM QUE SE

ENCONTRAM OS MILITARES (APENAS PARA INDICAR

UM ÚNICO ÍNDICE :  EM 2001, A REMUNERAÇÃO

MÉDIA BRUTA PERCAPITA DOS MILITARES

CORRESPONDIA A 110% À DA ADMINISTRAÇÃO

DIRETA-CATEGORIA DO SERVIDOR PÚBLICO

FEDERAL COM A PIOR REMUNERAÇÃO –   EM 20I5

, ESSE ÍNDICE EQUIVALIA À 78% ). AGORA, QUANDO

SE FAZ URGENTE E INADIÁVEL DIMINUIR OS

EFEITOS DO MAIOR “ARROCHO SALARIAL” QUE SE

ABATE SOBRE OS MILITARES .  AGORA, NESSA

CONJUNTURA ADVERSA ,  CONSTRUÍDA

METICULOSAMENTE ,   O PONTO DE VISTA

REMUNERATÓRIO ,  LEVANTA-SE A POSSIBILIDADE

DE OS MILITARES CONTRIBUÍREM PARA DIMINUIR

O DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.

NO DESEJO DE AGRADAR , SÃO DESCONSTRUÍDOS

INÚMEROS CONCEITOS  E PROMESSAS,  FORAM

ESTABELECIDOS AO LONGO DE 30 ANOS E

CONSTITUEM A BASE CONCEITUAL DO SISTEMA DE

PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES :  OS CONCEITOS

DE INTEGRALIDADE E DE  PARIDADE ,  A

SEPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE MILITAR E DE

SERVIDOR PÚBLICO  FEDERAL ,  DECORRENTE DA EC

Nº 18/98.

MAS ,  NA VERDADE,OS MILITARES NÃO PODEM

CONTRIBUIR PARA MITIGAR O DÉFICIT DA

PREVIDÊNCIA SOCIAL ;  O ENTE PREVIDÊNCIA SOCIAL

DE SERVIDOR PÚBLICO E O DO INSS TÊM UMA

NATUREZA DIFERENTE DO QUE A DO ENTE

DENOMINADO PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES.

NO MOMENTO,  IMEDIATO,  O QUE TEM DE SER FEITO É

UM AUMENTO EMERGENCIAL DE 30 % NOS VALORES DOS SOLDOS.

QUAISQUER OUTRAS ESPECULAÇÕES  (MODIFICAÇÕES NAS

ESTRUTURAS REMUNERATÓRIAS, ESCALONAMENTO VERTICAL ,  AGLUTINAÇÃO DE ADICIONAIS ETC.)   JÁ PERDERAM AS

OPORTUNIDADES E DEVEM SER REALIZADAS NO FUTURO.

 

BRASÍLIA ,27 DE JANEIRO DE 2019

 

A FAMÍLIA MILITAR ESTÁ FALIDA

(BASEADO EM ARTIGO SIMILAR PUBLICADO NA INTERNET)

 

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SÓ DITADURA FREIA OS COMUNISTAS !!!

...Ao longo dos últimos 30 anos uma rede maligna sem precedentes foi entrelaçada sobre o Estado brasileiro, a fim de incorporar tudo o que há de mais nefasto a uma sociedade:  ilícitos de toda ordem, crimes, golpes, roubos, relações de compadrio, patrimonialismo, intrigas, perseguições, fraudes e mentiras. Como sobrevivemos a tudo isso? Não sei. Mas sei que o mal ainda circula entre nós e age de forma sorrateira com auxílio dos que sobreviveram e ocupam ainda posições estratégicas na estrutura do poder. O resultado serão crises sucessivas do governo Bolsonaro através da estratégiae (esquerdista neste texto relatada. Há que se fazer muitas exonerações…(trascrito alhures da Internet)

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A grande mídia “imparcial” e os amigos de estimação

Artigo, Marcelo Aiquel – A grande mídia “imparcial” e os amigos de estimação

Que existe má-fé, não resta dúvida!

Que o “desespero” bateu, idem!

Que há uma “caçada”, indecente e imoral, contra o novo governo, também!

Que “querem” um terceiro turno, é evidente.

Como é mais do que evidente quem são os que “querem” desestabilizar o Brasil.

Acho desnecessário desenhar, pela obviedade da resposta. Mas, vamos lá:

Comandada pela Rede Globo (que vai perder a “boquinha” dos patrocínios estatais) e apoiada pelas “viúvas” do bolivarianismo, a campanha difamatória beira os limites da hipocrisia e da decência.

Explico (ou desenho, porque certos estúpidos só assim compreendem):

  1. Para 98% das “viúvas”, até ontem a Globo e a revista Veja eram deploráveis madrinhas do golpe. Hoje, virou a real fonte de informação. “A” confiável…

Ou seja, tudo (eu disse tudo) que falam contra o governo, vira lei. E, como são grades legalistas… as “viúvas” festejam.

Não importa se os companheiros fizeram pior. Aliás, isso nunca importou!

O que realmente interessa, é a desgraça do adversário. Ah, fizeram mal feitos, tem que pagar.

E, se não houver provas, melhor. Porque aí, cresce o mantra “ele é um perseguido político”.

É muita hipocrisia!

A festa da esquerdalha ensandecida só não é maior porque “eles” (só pra variar) encabeçam qualquer lista de bandalheiras.

  1. E a mídia?

Para vergonha nacional (e gáudio dos esquerdopatas) não demonstra – por exemplo – a menor preocupação em quem mandou matar o, hoje, Presidente dos brasileiros.  Bem igual ao tratamento emprestado ao crime da vereadora Marielle!

Como eu nunca tive, e continuo não tenho, bandido de estimação, quero que todos sejam iguais perante a lei.

E não que a dura lex atinja só aos meus inimigos, protegendo os do meu lado.

Ao contrário do tradicional comportamento dos amantes da ideologia bolivariana

Postado por Polibio Braga às 05:07 Nenhum comentário: 

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Presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trapuco, diz que Bolsonaro livrará amarras que seguram o Brasil

Esta entrevista foi publicada no jornal Valor de hoje. Leia tudo:

Em sua sexta ida ao Fórum Econômico Mundial, o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, se prepara para uma bateria de perguntas em Davos sobre o novo governo. “Este será um ano diferente para os brasileiros.” Trabuco ainda não havia subido os Alpes suíços em 2003, quando a elite política e financeira do planeta parou para ouvir os planos de Luiz Inácio Lula da Silva, mas nunca viu tamanha expectativa sobre o Brasil como agora, para a estreia internacional do presidente Jair Bolsonaro.

O país, na avaliação do banqueiro, acaba de deixar para trás uma “tríade de déficits” que vai muito além da necessidade de ajuste fiscal: “São os déficits de moral, de confiança, de esperança”. Chegou a hora, acrescenta Trabuco, de quebrar o espelho retrovisor e contar ao mundo a nossa “narrativa de superação”.

Nesta entrevista, ele defende uma reforma da Previdência ampla e universal. Aponta a crise dos Estados como favorável à aprovação da proposta, imaginando que os governadores vão pressionar mais suas bancadas. Avisa que os bancos estão com liquidez e têm “excepcionais condições de suportar um novo ciclo de crescimento”.

Graduado em Filosofia, devorador de séries da Netflix e conhecido pelo jeito agregador, Trabuco aproveita as participações em Davos não só para ter uma visão privilegiada sobre os rumos da economia global. É presença garantida nas sessões de “mindfulness” que reúnem autoridades, CEOs e prêmios Nobel. “O fórum nos permite a possibilidade de compartilhamento de ideias, atualização de informações e até de renovação do espírito em sessões que saem do mundo estritamente econômico.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Valor: Qual mensagem o sr. pretende levar para Davos sobre este novo momento do Brasil? E sobre o que espera ser mais questionado?

Luiz Carlos Trabuco: Este será um ano diferente para os brasileiros em Davos. O Brasil está sendo observado com muita expectativa. E o novo governo vai apresentar o país livre de algumas amarras no modelo econômico.

Uma pesquisa da Bloomberg relacionou as melhores opções de países para ações, bonds e até moedas em mercados emergentes neste ano. O Brasil ficou em primeiro lugar nas três categorias. Em 2019, temos que mostrar ao mundo uma narrativa de superação. É uma narrativa derivada do próprio processo eleitoral, que mostrou a solidez das instituições e a consolidação da democracia.

Por outro lado, não podemos desconsiderar que os últimos anos foram marcados por uma crise econômica, política e moral. Passamos por uma tempestade perfeita: recessão, desemprego, inflação, custo de capital muito alto. E por uma tríade de déficits que vai além da questão fiscal. São os déficits de moral, de confiança e de esperança.

Em Davos, o Brasil tem esse papel de olhar para o futuro e quebrar o espelho retrovisor. O nosso trabalho é para mudar as expectativas. A equipe econômica transmite serenidade, mas também perseverança. Teremos uma presença auspiciosa no fórum. É por isso que essa narrativa de superação precisa ser valorizada.

Valor: De certa forma, a política externa “antiglobalista” do governo não se choca com esse discurso de abertura da equipe econômica?

Trabuco: Não podemos confundir globalização com globalismo. A globalização tem uma vertente econômica e ganhos irreversíveis. O globalismo é uma posição mais política, ideológica, que às vezes enseja até ondas protecionistas. E o protecionismo impede ganhos de competitividade. Lembro a frase do [presidente chinês] Xi Jinping há dois anos em Davos [“O protecionismo é como trancar-se em uma sala escura: o vento e a chuva podem até ficar do lado de fora, mas também bloqueia-se a luz e o ar”]. Não podemos nadar contra uma onda, que foi positiva em todo o mundo, de eliminação da pobreza. A globalização ajudou o mundo a superar alguns desafios. Lógico, trouxe outros, mas que derivam mais de guerras e do nacionalismo.

‪’A globalização ajudou o mundo a superar alguns desafios. Trouxe outros, mas que derivam mais de guerras e do nacionalismo’

Valor: A reação inicial dos mercados ao novo governo tem sido positiva, com alta da bolsa e queda do dólar, mas ainda existe muito pouco de concreto. Não tem havido uma hipervalorização das promessas de ajuste, liberalização e reformas?

Trabuco: O direcional é de mudanças e de reformas. Não só a reforma da Previdência, mas a reforma do Estado, que é um processo mais demorado, mas igualmente importante. Estamos só no primeiro mês. O novo governo, por si só, traz uma perspectiva de mudança. E aí é trabalhar essas expectativas com a agenda de reformas, privatizações, um enxugamento do Estado, abertura da economia. Tudo isso gera alento.

O grande objetivo que o Brasil tem é buscar novamente o grau de investimento. É um ponto de chegada. Por que não temos grau de investimento? Se pegarmos todas as variáveis das agências de rating, temos condições de chegar ao grau de investimento mais rápido.

Pegue o indicador de dívida externa como proporção do PIB. A média dos países com AAA ou B+ é de 52%; no Brasil é 27%. Se você pega a média das reservas internacionais, eles têm US$ 139 bilhões; nós temos US$ 377 bilhões. O déficit em conta corrente, que é de 3,3% na média do mundo, fica em -0,3% no Brasil.

Onde é que perdemos o grau de investimento? Na nova matriz econômica, que acreditou um processo de subsídios muito grande, que bateu na dívida interna e colocou o déficit fiscal no centro dos nossos problemas. A lição que fica é: não basta ter uma excepcional política monetária e uma péssima execução fiscal. Se não consertar o fiscal, outras conquistas serão contaminadas.

Usando a linguagem da agricultura, as eleições limparam o campo e prepararam a terra. Agora começa a semeadura. Após a semeadura, vem a colheita do crescimento. Mas isso passa por um caminho doloroso, que é zerar o déficit.

Valor: Teremos uma etapa importante da semeadura, nos próximos dias, que é a proposta para a reforma da Previdência. Quais elementos precisam constar do texto?

Trabuco: Os ganhos de curto prazo com a reforma da Previdência são incrementais. O que ela vai definir é o futuro e a sustentabilidade das despesas. É desejável ter uma reforma ampla e universal, com estabelecimento de idades e tempos de transição. Pode-se até adaptar a reforma para algum setor, mas seria bom ter pelo menos a idade mínima para todos, mesmo com uma transição. Pode ser algo faseado, com um aumento a cada ano. O importante é que houve uma expansão da consciência da sociedade sobre a reforma e há chances concretas de aprovação.

Valor: O que leva o sr. a apostar agora na aprovação da reforma?

Trabuco: Há um novo Congresso e a necessidade está muito evidente porque o sistema, do jeito que está, vai depauperar as finanças públicas. Um outro fato que nos leva a ter mais confiança na aprovação é o envolvimento dos governos estaduais. Salvas algumas exceções, todos estão em situação de crise fiscal, principalmente pela questão dos servidores inativos. Os governadores serão, digamos assim, mobilizadores das suas bancadas para a aprovação. Esse é o desafio central.

Valor: E o regime de capitalização, deve ser incluído na proposta?

Trabuco: Não dá para sair de um para o outro. Em um processo de transição, os novos entrantes podem ir para o novo sistema. Isso não deve encontrar grandes resistências. Mas, no pilar da previdência pública no regime de repartição e com um seguro social para tirar as pessoas da pobreza, não se pode criar a expectativa de um benefício superior ao salário médio. Se você promete isso, tem subsídio entre as classes sociais. Por isso, é tão importante a discussão sobre o teto. Esse regime está embasado em um pacto entre gerações. Se continuar assim, vamos gerar um conflito de gerações, porque o Estado deixará de ter recursos para investimentos.

Valor: Parece haver um consenso sobre a desaceleração da economia global. Esse novo ambiente pode atrapalhar a retomada no Brasil?

Trabuco: A recuperação brasileira tem condições endógenas de acontecer, mas a desaceleração global é um fato que merece avaliações. O PIB mundial vai desacelerar. Até porque os EUA tiveram crescimento de 3% em 2018, taxa de desemprego de 3,2%, até pela natureza cíclica.

É um ano com determinadas lideranças internacionais fragilizadas: o Macri na Argentina, o Trump com seus desafios, o Macron com problemas internos, a Theresa May no Reino Unido. A política fiscal americana segue trajetória insustentável. Tem o capítulo da guerra comercial, o protecionismo está pintando por aí.

A boa notícia é que o Brasil estará em outro ciclo. O capital estrangeiro vai nos olhar com preferência. Estou otimista com o país.

Valor: O governo Bolsonaro promete mais abertura econômica e comercial. Os bancos também serão afetados, pela concorrência maior das fintechs, por exemplo?

Trabuco: Esse processo da revolução 4.0, a digitalização da sociedade, está provocando mudanças estruturais na indústria financeira de todo o mundo. Os grandes bancos internacionais estão fazendo um esforço muito grande, em termos de investimento, na digitalização. As fintechs comparecem com uma oferta diferenciada e outras regras de regulação para competir. Para nós, aqui no Bradesco, a questão é como sermos competitivos para manter a sustentabilidade no médio e longo prazos.

‪’O espaço para crescimento do crédito é grande. Os bancos, em seus guidances para 2019, vão refletir uma visão positiva’

Valor: E o sr. acha que o Bradesco está sendo suficientemente veloz na transição do físico para o digital?

Trabuco: Temos estado na linha de frente no uso de tecnologias disponíveis, inteligência artificial, identificação de voz. É um esforço grande e reconhecido. Criamos um banco novo, praticamente do zero, que é o Next. A missão é atender os “millennials”. Isso foi dando condições de avançarmos em pessoas que são nascidas digitais ou com digitalização incremental [o Next alcançou 550 mil clientes].

Valor: Alguns analistas têm chamado atenção para os índices de rentabilidade do Bradesco, que têm se mantido mais estáveis, enquanto se nota crescimento no Santander. Isso pode ser lido como mau sinal?

Trabuco: Essa questão precisa ser avaliada com mais profundidade. A nossa rentabilidade está ao redor de 20%, é boa e o mercado reconheceu isso na valorização das ações. Nesse rali de valorização da Bolsa, tivemos valorização maior que a dos nossos concorrentes.

A nossa função é sempre avaliar os modelos de negócios. Temos um posicionamento estratégico e acreditamos nele. Somos um banco de cobertura nacional e com ampla plataforma de correntistas. Se estamos em 2 mil cidades em que a concorrência não está, acabamos capturando tudo o que uma economia em recuperação pode oferecer de bom, mas também incorporamos todos os ajustes de um processo recessivo.

Valor: E o que essa capilaridade do Bradesco pode nos dizer sobre inadimplência, demanda por crédito, recuperação da economia?

Trabuco: A recuperação da economia brasileira em 2019 e em 2020 está garantida, por questões cíclicas. Chegamos ao fundo do poço e estamos crescendo depois da recessão. Prevemos recuperação acelerada neste ano. A inflação está baixa, temos taxa de juros na mínima histórica, inadimplência em queda e demanda por crédito em alta. Se o PIB crescer em torno de 2,5%, 2,6% neste ano, os economistas acreditam que seria possível criar vagas formais de trabalho.

Valor: Se a reforma da Previdência for aprovada, qual seria o impacto adicional para o PIB?

Trabuco: É fácil imaginar que a reforma da Previdência, consolidando um direcional de médio e longo prazos com relação ao ajuste fiscal, valeria um ponto percentual de crescimento da economia. A reforma acaba dando um bônus extraordinário ao PIB. Mas, voltando ao ponto do mercado de crédito, ele tem excepcionais condições de suportar um novo ciclo de crescimento.

Os bancos em geral, e o Bradesco em particular, estão com liquidez muito grande. É por isso que, no mercado de capitais, está se trabalhando com spreads em níveis mínimos, sempre abaixo de 110% do CDI e emissões de até oito anos. Redução de custo de capital e aumento do prazo. As empresas melhoraram. Na pessoa física, estamos com o nível mais baixo de comprometimento da renda familiar. Se você tem o balanço das empresas ajustado, rentabilidade favorável, estimativas de lucro, 20% das empresas cotadas em bolsa, comprometimento baixo da renda nas famílias e menor inadimplência, o espaço para crescimento do crédito é grande. Quando os bancos divulgarem seus guidances, seguramente vão refletir uma visão muito positiva para 2019.

Valor: E esse cenário de crescimento do crédito não recrudesce o debate sobre os spreads bancários?

Trabuco: O debate é sempre latente e, no Brasil, vai ser mais acentuado. Mas a tendência [do spread] é de queda. Desde o ano passado, percebe-se que as quedas são fortes. E o aumento do volume pode levar a uma queda ainda maior. Quando o crédito está em processo de stop-and-go, como a inadimplência é dividida por uma massa de crédito menor, a expansão dos empréstimos favorece a redução dos spreads [como resultado de uma taxa de inadimplência menor].

Postado por Polibio Braga às 03:01

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