BOLSONARO – A CAMPANHA JÁ COMEÇOU

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BOLSONARO NA CABEÇA

Que virada para nosso País!!!
Se depois destas 17+1 mudanças você ainda tiver dúvidas em quem votar, sinceramente o problema do Brasil não está em Brasília, mas está em você!

Bolsonaro realmente é focado nas idéias nacionalistas …. olha só os17 itens de seu Plano de Governo lançado recentemente:

Mudança 1: Exército gerenciando obras públicas com o uso de mão de obra dos presídios;

Mudança 2
: Banco Central afinado com o Ministério da Fazenda, mas independente para atuar (sem interferência política), buscar os políticos corruptos ;

Mudança 3: Escola Sem Partido;

Mudança 4: Escola Sem Ideologia de Gênero;

Mudança 5: Educação, Cultura e Esporte no mesmo Ministério trabalhando interligados e de forma complementar comandado por um General especialista em Colégios Militares – Federalização da Educação Média com a Militarização dos Colégios;

Mudança 6: Colocar técnicos nos ministérios, portanto o Ministro da Saúde deverá ser formado na área e assim sucessivamente;

Mudança 7: Redução de 40 pra 15 Ministérios e privatização ou extinção de Estatais;

Mudança 8: Mais Brasil, menos Brasília – Novo pacto federativo onde o $ fique nos municípios e estados e não na União, que atuarão como gestores e não executora de programas;

Mudança 9: Imposto Único – IVA ou pelo menos redução de impostos para todos os setores produtivos buscando a curva de Lafer;

Mudança 10: Redução da Maioridade Penal com a possibilidade de emancipação do criminoso em casos hediondos ou de reincidência;

Mudança 11: Fim da Audiência de Custódia;

Mudança 12: Investimentos pesados na exploração de minérios e recursos minerais;

Mudança 13: Rediscução de tratados econômicos, tais como o Mercosul em busca de mais relações econômicas bilaterais;

Mudança 14: Fim do toma lá dá cá – Acordos políticos serão feitos à luz do dia – Transparência na política;

Mudança 15: Fim da política externa voltada para fora e permissiva. A soberania nacional voltará a ser a coisa mais importante para a Presidência da República;

Mudança 16: Criação do Programa Minha Primeira Empresa, aos moldes do Primeiro Emprego, terá foco em incentivar novos empreendedores;

Mudança 17: Revogação do Estatuto do Desarmamento com a aprovação da posse de arma para todos os cidadãos e em alguns casos do porte de arma. Todos terão direito à legítima defesa de si, dos seus e de terceiros, além de poder defender a sua propriedade sem ser responsabilizado pelos acontecimentos decorridos da invasão à sua propriedade, ou seja, poderemos sim nos defender sem represálias!
18 – Sair da ONU – um antro de comunistas!!!

OBS: ontem a Marina Silva atacou o Bolsonaro pela igualdade das mulheres. Com minha esposa gravemente doente, mudei de residência para a casa de meu filho e contratei uma empregada para ajudar. Um mês depois, ela engravidou. Quase 1 (um) anos depois de “em licença” ainda estou pagando milhares de impostos a ela, através do Ministério. Não dá, né? Contratarei eunucos…doravante…

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ACREDITE SE QUISER – meio século depois eles ainda insistem em baboseiras…donde se conclui que são analfabetos de pai e mãe


(CARLOS ILICH SANTOS AZAMBUJA – o nosaso AZAMBA)

(texto retirado de alguns artigos da Internet)

O delito de Studart foi mencionar em seu livro algumas realidades
incontestáveis e incômodas para os interessados em manter de pé lendas
e mitos sobre o que entendem ser o heroísmo dos “combatentes” da
aventura do Araguaia. Basicamente, o jornalista escreve que diversos
membros da guerrilha trocaram rapidamente de lado, assim que foram
acossados pela tropa do governo ─ e fizeram acordos com os militares
para delatar os companheiros e ajudar os militares na sua captura e
destruição. Refere-se, também, à uma lista de “guerrilheiros” que, em
troca da delação, receberam identidades falsas e se beneficiaram de
programas de proteção a testemunhas operados pelos serviços de
repressão; encontram-se, até hoje, entre os “desaparecidos” do
Araguaia. Studart cita ainda uma das líderes do movimento que, na
verdade, era amante de um agente das Forças Armadas e agia a seu
serviço na guerra contra os companheiros. Registra assassinatos
cometidos entre eles ─ as chamadas “execuções” ou “justiçamentos”.
Enfim, no que talvez seja o ponto no qual mais irrita os inimigos do
seu livro, o autor demonstra que o longo culto ao Araguaia pela
esquerda é, em grande parte, uma questão de DINHEIRO. Tem a ver com a
operação do sistema de indenizações e benefícios que o contribuinte
brasileiro paga até hoje, e Continuará Pagando Pelo Resto Da Vida,
para pessoas que conseguiram se certificar como “vítimas do regime
militar”.

“Borboletas e Lobisomens” é um livro de 658 páginas, com uma lista de
101 obras consultadas pelo autor, tanto sobre o episódio do Araguaia
em si como sobre História em geral; entra na relação até a
“Metafísica” de Aristóteles. Studart ouviu depoimentos de 72
participantes e familiares, consultou 29 documentos de militantes da
operação e teve acesso a cinco documentos militares, inclusive de
classificação confidencial e secreta. Ao logo de todo o livro, trata
os envolvidos, respeitosamente, como “guerrilheiros” ou “camponeses”.
O relato de delações, homicídios e colaboração com os militares ocupa
apenas uma porção modesta do vasto conjunto da obra. Mas a Polícia do
Pensamento que opera na esquerda brasileira não admite a publicação de
nenhum fato que possa contrariar sua visão oficial de que houve no
Araguaia um conflito entre heróis do PCdoB e carrascos das Forças
Armadas ─ principalmente se esse fato é verdadeiro. Este é o único
tipo de liberdade de expressão que entendem.

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GEODÉSIA – os “cabocos rezadores” não acreditam nisso… acreditam noutras coisas…


A Terra tem 5 movimentos: rotação, translação, precessão, nutação e oscilação de Chandler.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, tornou-se a primeira equipe do mundo a detectar mudanças no eixo da Terra através de medições em laboratório.
Até hoje, os cientistas somente conseguiam rastrear as mudanças no eixo polar indiretamente, monitorando corpos celestes “fixos” no espaço com a ajuda de 30 radiotelescópios.
Para fazer uma medição direta, eles construíram um anel de laser mais estável do mundo, dentro de um laboratório subterrâneo, e o utilizaram para determinar as alterações na rotação da Terra.
Oscilação (ou Balanço) de Chandler
A Terra oscila constantemente. tal como um pião enquanto gira, seu eixo de rotação oscila em relação ao espaço. Isto é em parte causado pela gravidade do Sol e da Lua.
Ao mesmo tempo, o eixo de rotação da Terra muda constantemente em relação à superfície da Terra.
Por um lado, isso é causado pela variação na pressão atmosférica, no movimento dos oceanos e no vento. Esses elementos se combinam em um efeito conhecido como oscilação de Chandler, ou balanço de Chandler, para criar o movimento polar. Levando o nome do cientista que o descobriu, esse fenômeno tem um período de cerca de 435 dias.
Por outro lado, um evento conhecido como o “balanço anual” faz com que o eixo de rotação mova-se ao longo de um período de um ano. Isto se deve à órbita elíptica da Terra em torno do Sol.
Estes dois efeitos fazem com que o eixo da Terra migre de forma irregular ao longo de uma trajetória circular, com um raio de até seis metros.

Medindo a rotação da Terra
Capturar esses movimentos é crucial para manter um sistema de coordenadas confiável – como o GPS (Estados Unidos), Galileo (Europa), Glonass (Rússia) ou Beidou (China) – que possa alimentar sistemas de navegação ou rotas em viagens espaciais.
“Localizar um ponto no centímetro exato de posicionamento global é um processo extremamente dinâmico – afinal, em nossa latitude [na Alemanha], estamos nos movendo em torno de 350 metros a leste por segundo,” explica o Prof. Karl Ulrich Schreiber.
A orientação do eixo da Terra em relação ao espaço e sua velocidade rotacional são, atualmente, determinados em um processo complicado, que envolve 30 radiotelescópios ao redor do mundo.
Toda segunda-feira e quinta-feira, entre oito e 12 desses telescópios alternadamente medem a direção entre a Terra e quasares específicos.
Os cientistas assumem que estes núcleos de galáxias, que estão distantes demais de nós, nunca mudam de posição, podendo, portanto, ser usados como pontos de referência.
No entanto, eles começaram a não se satisfazer mais com tanta dificuldade e nem com a consideração da “fixidez” dos quasares. Começou então a construção do observatório geodésico Wettzell, na Alemanha.

Conforme a Terra gira, dois feixes de laser – que formam o anel de laser – interferem um com o outro, registrando o movimento com muita precisão. [Imagem: TUM/FESG]
Laboratório geodésico
O laboratório é formado por dois feixes de laser em contra-rotação, que viajam em torno de uma rota quadrada, com espelhos nos cantos, que formam um circuito fechado – daí o nome anel de laser.
Quando o conjunto gira, a luz que roda no mesmo sentido tem de viajar mais do que a luz em contra-rotação. Isto causa uma interferência entre os dois feixes, que

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O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER

(,,,da Internet…)

Não dá para entender que companheiros nossos, sejam eles moderados, indecisos, centristas ou qualquer outro adjetivo, ainda não tenham compreendido que SÓ TEMOS UMA OPÇÃO. Principalmente agora, quando se definiram as coalizões, estão na mesa quatro candidaturas com alguma chance: Bolsonaro, Alckmin, Ciro e Marina.

Alckmin é declaradamente contra nós (já declarou que Bolsonaro como parlamentar só cuidou dos interesses dos militares). Seu objetivo é nos incluir, imediatamente, na vala comum da Previdência. Alckmin reuniu, no Centrão, o que há de pior na política nacional. Seu maior objetivo, já que está indiciado em vários processos, será providenciar a anistia dos processados e o fim da lava jato. Cita como exemplo a PMSP, como se o PSDB, que governa o Estado há décadas, não tivesse responsabilidade sobre o escândalo dos salários dos coronéis da Força Publica.

Ciro já demonstrou seu destempero e a clara intenção de indultar Lula e caterva. Além disso, seu autoritarismo e prepotência nos permite prever interferência pesada nas instituições militares, sobretudo nas promoções. Esse é um sonho antigo da esquerdalha que ele representa. Fácil imaginar que um possível apoio do PT, arrependido por não ter aparelhado as FA, incluirá esse acordo.

Marina, a meu ver, não tem a menor condição de presidir um país de 200 milhões de habitantes e 8 milhões de km2.

Jair Bolsonaro é a única chance de mudar o país. Votar em qualquer um dos outros é ter a certeza do erro. É preservar a impunidade; o toma lá, dá cá; a corrupção, o caixa dois. Pelo menos, votando no Bolsonaro, vamos conceder, a nós mesmos, a possibilidade de acertar.
Abraço a todos
a) Gen Heleno

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A ESQUERDA SIFU !!!

A esquerda sempre precisou de dinheiro, de muito dinheiro para se sustentar.

A direita por sua vez, não.

Isso porque a direita é composta de adolescentes que estudaram quando estudantes, trabalharam quando jovens, pouparam quando adultos, e portanto se sustentar não é um grande problema.

A direita progride, enquanto a esquerda protesta nas Ongs e nos cafés filosóficos.

A esquerda sempre viveu do dinheiro dos outros.

Karl Marx é o seu maior exemplo, sempre viveu às custas de amigos, heranças e do companheiro Friedrich Engels.

Não conheço um esquerdista que não viva às custas do Estado, inclusive os empresários esquerdistas que votam no PT e PSDB e vivem às custas do BNDES.

Nos tempos áureos a esquerda tomou para si até países inteiros.

China, União Soviética, Cuba, por exemplo, onde a esquerda se locupletou anos a fio com Dachas e Caviar.

Essa esquerda gananciosa foi lentamente sugando a totalidade do Capital Inicial usurpado da sua direita, até virar pó.

Foi essa a verdadeira razão do fim do muro de Berlim.

A esquerda faliu os Governos que eles apoderaram.

No Brasil, a esquerda também aparelhou e tomou Estados e Municípios, e também conseguiu quebrá-los.

Socialistas Fabianos como Delfim Netto, FHC, Maria da Conceição Tavares ainda vivem às custas do Estado com duas ou mais aposentadorias totalmente imorais.

Só que o dinheiro grátis acabou.

Sem dinheiro, a esquerda brasileira começou a roubar, roubar e roubar com uma volúpia jamais vista numa democracia.

Mas graças à Sergio Moro, até esse canal se fechou para a esquerda brasileira.

Sem a Petrobras, as Estatais, o BNDES, o Ministério da Previdência, o Ministério da Educação, a esquerda brasileira não tem mais quem a sustente.

O problema da esquerda hoje é outro e muito mais sério.

Como esquerdistas irão se sustentar daqui para a frente?

Como artistas plásticos, professores de Filosofia e Estudos de Gênero da FFLCH, apadrinhados políticos, vão se sustentar sem saberem como produzir bens e produtos que a população queira comprar?

Que triste fim para todos vocês que se orgulhavam de pertencer à esquerda brasileira.
(por Stephen Kanitz)
(Lido por 19629 pessoas até agora)

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KRUM, o vencedor (de Gustavo Barroso)



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KRUM – Gustavo Barroso
Publicado em 29 junho, 2011 por liciomaciel

(extraído do livro “A Ronda dos Séculos”– de
Gustavo Barroso, da ABL)

KRUM – O Vencedor

“Dans l´origine, l´homme
formé nu de corps et désprit se trouve jeté au hasard sur la terre confuse et
sauvage”. Volney – Les Ruines.

Nas reuniões funerárias à
sombra dos lepidodrendos gigantes, diante dos menhirs e cromlechs das
clareiras, Krum – os outros o chamavam na sua linguagem rude.

Ninguém brandia com mais
força a acha de sílex nem mais fundo enterrava a ponta da lança no peito do
urso espeleu.

Habitava uma caverna sobre
um planalto a cavaleiro do rio, cheio de esturjões e das florestas de cicas,
coníferas e fétos gigantes, povoadas por feras. De lá avistava o branco das
geleiras, que desciam das montanhas sempre enevoadas, entre morenas de
detritos, e grandes pradarias cobertas de ervas altas, em cujas lagunas
espadanavam água os hipopótamos perseguidos pelo machoerodus monstruoso.

À sua vista cúpida,
passavam grandes manadas de aurochs, varas enormes de javalis escrofas,
rebanhos de rangíferes e lotes de poltros selvagens.

Durante os dias quentes e
úmidos, percorria os lameiros e matagais espessos, sempre à espreita e à
escuta, estremecendo ao distante resfolegar do rinoceronte, que agitava os
caniçais, ao longínquo pisar do mamute, que fazia tremer o chão. Do alto das
árvores deixava cair o dardo de pau acerado ao fogo sobre o dorso dos bisontes,
que morriam num lago púrpuro.

Levantando-se dos juncais,
lançava um pedrouço cortante aos bandos de veados, rindo barbaramente, quando
um ficava a estrebuchar, ou derrubava as perdizes com um cacete, quando erguiam
o vôo rasteiro. E, se encontrava a pantera, não podendo esconder-se, fugir,
guindar-se às árvores, combatia-a heróico e solitário, peito à peito.

Seu corpo baixo e grosso tinha a espantosa agilidade
dos símios. Seus músculos retesados eram mais duros e resistentes que os cipós.
Trazia em torno dos quadris uma pele felpuda de castor, ao pescoço um colar de
dentes recurvos e na grenha hirsuta espinhas de peixe, ossos finos de pássaros.
Torso, pernas e braços cobriam-se de cerdas negras e a barba derramava-se sobre
o peito, tufado e agreste.

Dormia num antro, sobre
folhas secas. Às vezes, levantava-se num susto, chegava à boca da furna. Ao
longe, um vulcão erupia com fragor, alanceando de chamas o espaço, deixando
escorrer pelas encostas lágrimas de lava. Milhares de animais fugiam,
assombrados, em furioso tropel. Gritos de homens medrosos vinham dos convales
clareados pelo fogaréu. Krum prosternava-se, porque a sua alma era cheia de
terrores desconhecidos e temia todos os espíritos ocultos: os que moram nos
anfractos das pedreiras, os que olham dos luzeiros dos céus, os que crepitam
nas labaredas da fogueira, os que roncam com o trovão, estalam com o raio,
atroam com as erupções e os que, mansamente, deslizam sobre as águas e as
ervas, na penumbra dos bosques e na face das penedias, almas dos que partiram
para a longa viagem da morte.

Outras vezes, leve ruído
despertava-o. Hienas penetravam devagarinho, mal roçando o saibro do solo.
Agachava-se, remexia o borralho que conservava o fogo e atirava um tição no
escuro da abóbada. A brasa alumiava o traço curvo da trajetória. Caía adiante
com um baque seco, espalhando fagulhas. As feras empinavam-se e galopavam em
atropelo até a saída, onde se dispersavam pela campina.

Antes de esgotar a provisão
de carne de rena ou de cavalo, passava dias inteiros a polir, repolir, afiar os
bordos das achas, das raspadeiras, das pontas das setas, dos furadores de
pedra, que lhe serviam de armas e instrumentos ou para trocar por plantas
medicinais e sementes comestíveis com os moradores de outros cantões. Também
esculpia nas placas de chifre de tarando rudes imagens de animais.

Ao luar, quedava-se à
entrada da gruta, olhando a melancolia da paisagem. Salgueiros cinzentos marcavam
o rumo do rio. A casca prateada dos olmos rebrilhava. Brumas elevavam-se das
cataratas, cujo ruído enchia a solidão. Urros de ursos, uivos de raposas
morriam no ar. Erguiam-se acima dos capinzais os cornos altos dos megacéros.

O homem primitivo, que somente
sofria terrores do vago, do inexplicável, começava a sentir a dor das coisas
passadas, mascarada pela sua necessidade para a vida.

Estava sozinho, porém já
possuíra uma companheira, membruda e forte, de peitos grandes e rijos, ancas
possantes, rodamoinhos de pêlo por quase todo o corpo, cingida pela tanga de
couro de leopardo, cabelos ásperos e longos flutuando, hábil na caça e no
preparo das peles. Raptara-a, após grande luta à beira dum lago, onde surgiam
cabanas da águas, em pontas de estacas. E, quando varava as florestas com elas
às costas, ouvia o berro selvagem dos que o perseguiam.

Uma feita, regressando da
caçada, parara estarrecido à entrada da cafurna. Dentro afuzilavam as pupilas
dum leão deitado sobre o cadáver da mulher. Dera um salto, brandindo o machado.
A pele do animal cobria agora as folhiças do leito, e o seu braço e a sua
cabeça guardavam a marca indelével das garras. Então, ao desejo imperioso da
fêmea desaparecida, seu corpo todo estremecia, suas narinas palpitavam.

Das montanhas próximas
veio, um dia, um casal alegre, que se estabeleceu numa cabana de folhagens, à
orilha da floresta, no último declive do planalto. O homem caçava ou dormia; a
mulher trabalhava sempre, cuidando dos alimentos, da limpeza dos couros e
chifres, dos reparos da habitação e do defumar das provisões. Krum olhava-os,
invejosamente, da sua caverna solitária. Já o recenvindo abatera centenas de
galos selvagens, cujas penas enfeitavam a companheira. E, perseguidos por dois
caçadores num vale pequeno, os animais emigravam. Não se viam mais os grupos
numerosos de ursos e cavalos de largos cascos, nem afocinhavam mais a lama dos
marnéis os babirussas nojentos.

Quando o novo caçador
chegava da faina, arrastando pelas patas traseiras um corpo castanho, a mulher dançava de alegria e se enroscava nele, grunhindo.
Algumas pancadas do macho faziam-na afastar-se, esfolar a rez e sapecar na
fogueira as carnes sangrentas. Depois do repasto bárbaro, em que ele saboreava
as melhores porções, ambos roncavam, em pesado sono.

O troglodita solitário,
debruçado numa ribanceira, sentia ganas de agarrar a clava, descer o pendor,
esmigalhar a cabeça do rival e trazer a mulher para o gozo brutal da sua carne
aguilhoada. Mas o outro era sarrudo e forte, a sua machada pendia sempre do
cinto e no seu colar de presas de feras havia dentes de homens vencidos.

Uma tarde, Krum engatinhava
pelos ervais à cata de ovos de codorna, quando à sua frente rutilaram as asas
brilhantes do horfanz. Arremessou o bastão de caça curvo e pesado. A ave
tombou. Porém, das moitas defronte, uma pedrada certeira também a tinha
alcançado. Os dois homens acharam-se frente à frente, de armas em punho,
rugindo. Krum desviou-se ao primeiro golpe do contendor, estendeu o corpo para
diante e deu-lhe com o gume do sílex no
crânio. A pancada foi rápida e seca como uma martelada. O outro caiu
pesadamente. O troglodita atirou a arma ao solo, abandonou o pássaro rutilante
e correu para a barraca do morto.

À meia-luz do crepúsculo,
subia a encosta do planalto com a fêmea atirada sobre o ombro, aos berros de
alegria e de triunfo. Os últimos raios do sol clarearam o seu vulto carregado
penetrando na furna.

E desde esse dia feliz,
tendo mulher e sendo o único a caçar no vale, Krum não invejou mais ninguém e,
com orgulho, se alcunhava o Vencedor.

Gustavo
Barroso

Gustavo Dodt Barroso, advogado, professor, político, contista, folclorista,
cronista, ensaísta e romancista.

Nasceu
em Fortaleza, CE, em 29 / 12 / 1888.

Faleceu
no Rio de Janeiro, RJ, em 03 / 12 / 1959.

Eleito
para a Academia Brasileira de Letras, em 08 / 03 / 1923 para a Cadeira n. 19,
na sucessão de D. Silvério Gomes Pimenta, foi recebido em 07 / 05 / 1923,
pelo acadêmico Alberto Faria.

Filho de Antônio
Filinto Barroso e de Ana Dodt Barroso.

Fez estudos nos
externatos São José, Parthenon Cearense e Liceu do Ceará. Cursou a Faculdade
Livre de Direito do Ceará, bacharelando-se em 1911 pela Faculdade de Direito
do Rio de Janeiro.

Redator do
Jornal do Ceará (1908-1909) e do Jornal do Commercio (1911-1913)

Professor da
Escola de Menores, da Polícia do Distrito Federal (1910-1912); secretário da
Superintendência da Defesa da Borracha, no Rio de Janeiro (1913); secretário
do Interior e da Justiça do Ceará (1914); diretor da revista Fon-Fon (a
partir de 1916); deputado federal pelo Ceará (1915 a 1918); secretário da
Delegação Brasileira à Conferência da Paz de Venezuela (1918-1919); inspetor
escolar do Distrito Federal (1919 a 1922); diretor do Museu Histórico
Nacional (a partir de 1922); secretário geral da Junta de Juriconsultos
Americanos (1927); representou o Brasil em várias missões diplomáticas, entre
as quais a Comissão Internacional de Monumentos Históricos (criada pela Liga
das Nações) e a Exposição Comemorativa dos Centenários de Portugal
(1940-1941).

Participou do
movimento integralista, embora não concordasse com o rumo dos acontecimentos
a partir de 1937.

Estreou na literatura, aos 23 anos, usando o
pseudônimo de João do Norte, com o livro Terra de Sol, ensaio sobre a natureza e os costumes
do sertão cearense. Além dos livros publicados, sua obra ficou dispersa em
jornais e revistas de Fortaleza e do Rio de Janeiro, para os quais escreveu
artigos, crônicas e contos, além de desenhos e caricaturas. A vasta obra de
Gustavo Barroso, de 128 livros, abrange história, folclore, ficção,
biografias, memórias, política, arqueologia, museologia, economia, crítica e
ensaio, além de dicionário e poesia.

Pseudônimos:
João do Norte, Nautilus, Jotanne e Cláudio França.

Sua atividade na
Academia Brasileira de Letras também foi das mais relevantes. Em 1923, como
tesoureiro da instituição, procedeu à adaptação do prédio do Petit Trianon,
que o Governo francês ofereceu ao Governo brasileiro, para nele instalar-se a
sede da Academia. Exerceu alternadamente os cargos de tesoureiro, de segundo
e primeiro secretário e secretário-geral, de 1923 a 1959; foi presidente da
Academia em 1932, 1933, 1949 e 1950. Em 9 de janeiro de 1941 foi designado,
juntamente com Afrânio Peixoto e Manuel Bandeira, para coordenar os estudos e
pesquisas relativos ao folclore brasileiro.

Era membro da
Academia Portuguesa da História; da Academia das Ciências de Lisboa; da Royal
Society of Literature de Londres; da Academia de Belas Artes de Portugal; da
Sociedade dos Arqueólogos de Lisboa; do Instituto de Coimbra; da Sociedade
Numismática da Bélgica, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de
vários Estados; e das Sociedades de Geografia de Lisboa, do Rio de Janeiro e
de Lima.

OBRAS:

– CONTOS, CRÔNICAS E NOVELAS REGIONAIS:
Praias e várzeas (1915); Idéias e palavras (1917); Mosquita muerta (1921);
Mula sem cabeça (1922); Pergaminhos (1922); Alma sertaneja (1923); Mapirunga
(1924); O anel das maravilhas (1924); Livro dos milagres (1924); O bracelete
de safiras (1931); Mulheres de Paris (1933); Fábulas sertanejas (1948).

– ROMANCES:
Tição do inferno (1926); A senhora de Pangim (1932); O santo do brejo (1933),
– FOLCLORE,
CRÍTICA, ERUDIÇÃO E FILOLOGIA: Terra do sol. Natureza e costumes do Norte
(1912); Casa de marimbondos (1921); Ao som da viola (1921); O sertão e o
mundo (1924); Através dos folclores (1927); Mythes, contes et legendes des
indiens du Brésil (1930); As colunas do templo (1933).

– HISTÓRIA,
ENSAIOS E EPISÓDIOS HISTÓRICOS: Tradições militares (1918); Tratado de Paz
(1919);

A Ronda dos Séculos
(1920);
Coração da Europa (1922); Uniformes do Exército (1922); Antes do Bolchevismo
(1923); En el tiempo de los Zares (1924); O ramo de oliveira (1925); Almas de
lama e de aço (1928); A guerra do Lopez (1928); A guerra do Flores (1929); A
guerra do Rosas (1929); A guerra de Vidéo (1930); A guerra de Artigas (1930);
O Brasil em face do Prata (1930); Inscrições primitivas (1930); Aquém da Atlântida
(1931); Brasil – Colônia de banqueiros (1934); História secreta do Brasil, 3
vols. (1936, 1937 e 1938); A destruição da Atlântida, 2 vols. (1936);
Espírito do século XX (1936); Os protocolos dos sábios de Sião (1936); Os
civilizados (1937); O livro dos enforcados (1939); O Brasil na lenda e na
cartografia antiga (1941); Portugal – Semente de impérios (1943); Anais do
Museu Histórico nacional, vols. I a V (1943-1949); História do Palácio
Itamarati (1953).

– HISTÓRIA
REGIONAL E BIOGRAFIAS: Heróis e bandidos. Os cangaceiros do Nordeste (1917);
Osório, o Centauro dos pampas (1932); Tamandaré, o Nélson brasileiro (1933);
Caxias (1945).

– LÍNGUA E
DICIONÁRIO: A ortografia oficial (1931); Pequeno dicionário popular
brasileiro (1938).

– MEMÓRIAS E
VIAGENS: Coração de menino (1939); Liceu do Ceará (1941); Consulado da China
(1941); Seca, Meca e Olivais de Santarém, descrições e viagens (1947).
POESIA: As sete vozes do espírito (1950).

– PENSAMENTO:
Luz e pó (1932).

– POLÍTICA: O
integralismo em marcha (1933); O integralismo de norte a sul (1934); O quarto
império, integralismo (1935); A palavra e o pensamento integralista (1935); O
que o integralista deve saber (1935); O integralismo e o mundo (1933);
Integralismo e catolicismo (1937); A maçonaria: seita judaica (1937);
Judaísmo, maçonaria e comunismo (1937); A sinagoga paulista (1937);
Corporativismo, cristianismo e comunismo (1938).

O nome Krum é formado pelo
termo KRO – MAGNUM, relativo ao homem de
Cro-Magno, latinizado.

O nome do veleiro KRUM é uma
homenagem ao esforço do homem na incessante busca de suas orígens através os
séculos, milênios …

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