O VELEIRO – JACQUES MILLE E ALAÍDE

 

 

 

 

 

 

Parabéns, ALAÍDE, o site do VELEIRO está muito bom e muito bonito! Eficiente! Estava faltando no RJ um site para velejadores. Conheci Jacques Mille em 1960, numa loja de materiais náuticos, em Copacabana que ele inaugurou. Eu tinha acabado de comprar um pequeno barco e procurava um motor compatível; achei o que queria, comprei e instalei no barco. Desde aí, ficamos amigos, Depois, ele mudou a loja para o Centro. funcionou muitos anos mas teve um incêndio. Mudou para o endereço atual. Parabens Alaíde.

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ROBERTO CAMPOS

Morto em 2001, o economista e diplomata Roberto Campos estaria hoje com 100 anos. Relembre algumas de suas melhores frases sobre quanto o Estado estorva a vida de empresas e cidadãos, publicadas pelo Estadão:

“O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele pode nos dar é sempre menos do que nos pode tirar.”

“Nossa Constituição é uma mistura de dicionário de utopias e regulamentação minuciosa do efêmero.”

“Uma vez criada a entidade burocrática, ela, como a matéria de Lavosier, jamais se destrói, apenas se transforma.”

“Continuamos a ser colônia, uma país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje, é Brasília.”

“Todo mundo sabe que o dinheiro do governo é gasto para sustentar universidades ruins e grátis, para classes médias que podem pagar. Nada melhor. Garante comícios das UNEs da vida, ótima preparação para futuros políticos analfabetos.”

“O doce exercício de xingar os americanos em nome do nacionalismo nos exime de pesquisar as causas do subdesenvolvimento e permite a qualquer imbecil arrancar aplausos em comícios.”

“Sou chamado a responder rotineiramente a duas perguntas. A primeira é ‘haverá saída para o Brasil?’. A segunda é ‘o que fazer?’. Respondo àquela dizendo que há três saídas: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo. A resposta à segunda pergunta é aprendermos de recentes experiências alheias.”
“O PT é um partido de trabalhadores que não trabalham, estudantes que não estudam e intelectuais que não pensam.”

“Nossas esquerdas não gostam dos pobres. Gostam mesmo é dos funcionários públicos. São estes que, gozando de estabilidade, fazem greves, votam no Lula, pagam contribuição para a CUT. Os pobres não fazem nada disso. São uns chatos.

“É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês. São os filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola.”

“Fui um bom profeta. Pelo menos, melhor que Marx. Ele previra o colapso do capitalismo; eu previ o contrário, o fracasso do socialismo.”

“Segundo Marx, para acabar com os males do mundo, bastava distribuir. Foi fatal. Os socialistas nunca mais entenderam a escassez.”

Brilhante!

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ACOMPANHANDO A TECNOLOGIA SEM MEDO…

NAVEGAÇÃO TERRESTRE

ORLANDO_RAONINAVEGAÇÃO NA SELVA

Orlando Vilasboas na tribo Txucarramãe, do cacique Raoni

 

“Na paz ou na guerra, defende a terra contra o perigo

Com ânimo forte. Se for preciso enfrenta a morte.

Afronta se lava com fibra de herói de gente brava”

– Guerra Peixe/Barros Filho –

Obs:

O meu curso de Navegação Astron era completado por Navegação Eletrônica. No início, era a Casio FX880 P. Depois, a partir de 1992, pela TI 92 PLUS, programável. E outras; Tudo, empregando o computador, para conferir…

A TI 92 PLUS foi uma evolução da CASIO, inicialmente fabricada na China, pelas fábricas vendidas pelo desmonte da indústria norte-americana. A linguagem de programação continuou Basic. Embora mais lenta que as demais, ainda continuava sem substituta para quem não tinha tanta pressa!!!

 

 NAVprogramação facilitando as coisas

FX850PPersonal Computer Casio FX-880P, uma maravilha para quem necessita – cabe no bolso da camisa e suas pilhas duram mais de 2 anos em operação intermitente (normal). A Casio ainda hoje o fabrica e o fornece, só que  em lotes de 30 unidades. Um engenheiro inglês o compra, insere programas aplicativos de topografia e os vende por preço três vezes maior que o normalmente aceito pelo mercado… Mas vale a pena. Usei uma por mais de trinta anos no barco, ambiente salgado, úmido, agressivo e terminei caindo nas mão do tal inglês…

 

Ao entrar na selva, você mergulha no desconhecido, tudo lhe parece

igual. Não há pontos ou qualquer indicativo de orientação, de referência,

pelo menos aparentemente.

Fator de primordial importância para o militar em patrulha: onde

está o norte? Você necessita de uma bússola, de um computador programado e um cronômetro com função lap. O resto, sai no mij…

O exemplo do Coronel Fawcett demonstra plenamente o perigo de

penetrar na selva. Ele nunca tinha imaginado ter que ficar inteiramente

a mercê dos guias índios. Ficava irascível, tratava a todos com extrema

aspereza e foi morto, por isso, com uma bordunada na nuca desfechada

por um índio kamaiurá.

Caçando em Mato Grosso, algumas vezes me vi perdido. O principal

é manter a calma. Sentar, beber um pouco d’água, comer alguma

coisa, raciocinar e avaliar a distância que o separa de um ponto conhecido,

por onde já tenha passado: este é o raio do círculo de sua salvação.

Se você não atravessou algum curso d’água, não vá contribuir para aumentar

o problema; volte para o lugar em que você se sentou. Recomece

a raciocinar. Daí, a importância de se estar sempre navegando.

Navegação Terrestre Autosuficiente  

É fundamental que você conheça bem os detalhes do planeta em que vive; depois,

onde ele se situa no sistema solar e na Via Láctea. Sua órbita, suas

posições principais e diárias. Hoje, dia 16 de março, quase chegando a um ponto importantíssimo de sua órbita (um dos 2 equinócios, ou ponto Ὠ’), onde está o Sol?

O dia na Terra, seus movimentos, suas relações no nosso Sistema, onde você se encontra (φ, λ) – sua posição – , sobre a superfície terrestre: latitude e longitude.

O céu como verdadeiro relógio natural, empregado pelos antigos. Lembre-se de Marco Pólo, caminhando por “terras nunca dantes navegadas”, perigosos desertos, guiado pelos astros. Muito antes dos notáveis percursos de Marco Pólo, sabemos de realização de inúmeras viagens fantásticas pelo mundo perigoso e desconhecido.

O mais antigo longo percurso de que se tem notícia, foi o realizado

pelo egípcio Hennu, cujo relato de viagens realizadas há quatro mil

anos, está esculpido em pedra que ainda hoje existe; ele percorreu todo o

até hoje temido Mar Vermelho, num barco de uma única vela, sozinho.

Cerca de dois milênios depois, em Massalia (hoje Marselha), um

outro destemido excursionista grego, solitário, Pytheas, realizava um

notável percurso tranquilamente, enquanto Alexandre o Grande, rei da

Macedônia, batalhava para a expansão de seu já vasto império. Pytheas

estudava o céu, as estrelas, particularmente a Polar, os planetas e o fenômeno

das marés, trezentos anos antes de Cristo. Homem de ciência, matemático

e astrônomo, explorou sozinho em seu veleiro de uma só vela,

o Mediterrâneo, passou o estreito de Gibraltar entrando no Atlântico,

velejou as costas do que hoje são Portugal, França e Espanha navegando

pelo Sol e pelas estrelas. Atravessou o Mar do Norte para a Inglaterra,

prosseguindo para a Irlanda, continuando para norte até ser barrado

pelo gelo. Foi, portanto, o primeiro explorador do Ártico e o primeiro a

afirmar que nas altas latitudes o Sol nunca se põe. Foi também o primeiro

a afirmar que a Lua é a principal causa das marés.

Os Vikings nos anos 1000 estiveram na América do Norte; depois

de meio milênio, veio a Época dos Grandes Descobrimentos, tornada

possível pelo Infante D. Henrique, de Portugal, culminando com a primeira

volta ao mundo, realizada pela expedição de Magalhães.

Nada disso foi feito mediante alguma mágica. Dentro de suas enormes

limitações, o homem se esforçava para conhecer o planeta Terra e

suas adjacências no espaço em que se encontra hoje, depois da Grande

Explosão. Os nossos índios, os moradores da selva, com todo o conhecimento

prático que adquiriram, também não fazem nenhuma mágica:

eles navegam de maneira semelhante, isto é, vão de um ponto a outro

distante com a precisão necessária.

Todo esse estudo melhora muito o senso de orientação do combatente,

que adquire noções de novas fontes de informações naturais,

de grande utilidade na selva. Com isso, o grau de confiança aumenta

consideravelmente, uma vez que o risco de ficar perdido na selva é nulo

ou minimizado.

É necessário que se tenha sempre em mente a posição, uma “visão

espacial” da área (e checá-la sempre que houver oportunidade). Isto é

conseguido estudando minuciosamente a carta (fotografias aéreas podem ser muito úteis).

A grande área de operação deve ser bem delimitada na carta ou

croquis, e conter latitudes e longitudes, com a indicação dos principais

obstáculos, pontos notáveis, rios, relevo, vilas e lugarejos, estradas ou

picadas. “Marcá-la” na memória!

 

É uma norma de segurança durante os cursos e nos exercícios de

treinamento, que as áreas escolhidas devem ser bem delineadas, limitadas,

principalmente para não haver elementos perdidos ou, pelo menos, para

facilitar o resgate. Como exemplo, um exercício realizado durante o curso

de Operações Especiais em 1957: salto de pára-quedas no Parque

Nacional do Xingu, num ponto entre o rio Xingu e o rio Tauatuari, na

margem oposta da aldeia dos kamaiurás e Posto Capitão Vasconcelos,

com atuação na área durante 25 dias (marcha e sobrevivência na selva),

sem ultrapassar os dois rios. O perigo de alguém se perder fica minimizado,

embora seja uma área bem grande e de selva fechada. E uma recomendação

expressa para o caso dos perdidos: marchar para NW (no

caso o rio Tauatuari) e aguardar resgate por barco com motor de popa

(pontão M4) na margem direita. Desse modo, nunca tivemos algum elemento

perdido durante os exercícios na selva.

Mesmo que sejam absorvidos os conhecimentos rudimentares de

astronomia, o civilizado jamais alcançará o sentido das minúcias da natureza

como os que nasceram e sempre viveram na mata, tendo o céu como bússola.

Uma simples posição anormal de uma folha morta é notada, a bulha dos mutuns significa algo para o nativo, fato que nem é percebido pelo civilizado. Um ruído de um bando de macacos demonstra ao nativo que eles encontraram uma árvore frutífera, que bem poderá ser achada. É a condição da sua existência.

Daí a importância da dedicação do combatente para atingir o limiar de sua

competência na ciência da selva e no domínio dos meios disponíveis e

muito mais eficazes, inclusive conhecendo suas limitações próprias de humano com os sentidos embotados. O progresso embota os sentidos, afasta da natureza e o civilizado dependerá cada vez mais de instrumentos para suprir suas deficiências. E consegue, mas com muita dedicação. Como não podemos carregar todos eles, os instrumentos, numa longa marcha a pé, temos que incorporar inúmeros conhecimentos práticos de utilidade.

O índio, ou o bom mateiro, sabe onde o Sol se encontra durante as horas do dia empregando meios práticos, não necessitando obrigatoriamente enxergá-lo.

Para se orientar pelo Sol você tem que saber onde ele se encontra a qualquer hora (exata),  saber  sua declinação, δ, sua altura, a, e seu azimute, A.

A Lua, embora observada e útil, é menos utilizada devido aos seus efeitos visíveis mais amenos sobre a Terra.

O mateiro, ou o índio, é um observador arguto, constante, diário,

durante todo o ano, comparando as sombras, tamanho e direção, conforme

os lugares e, como não tem bússola, já tem o processo incorporado na memória.

Porém, não sabe explicar. Eles observam quando a sombra é zero (sol à pino), quando os dias são de duração iguais às noites, Sol se distanciando para norte (atravessando para o outro hemisfério). E tudo sem saber o nome dos fenômenos. O mesmo, para algumas poucas constelações e estrelas isoladas, nem sempre sabendo seus nomes (que acham muito complicados) mas que são bem diferenciadas entreTudo muito fácil, muito simples, muito rudimentar, mas muito entranhado na mente do caboclo semi-alfabetizado. Eles têm o céu na memória, sem necessitar saber os nomes de seus componentes, exatamente como os antigos já faziam há mais de 4 mil anos, cada um dando o nome que lhe aprouvesse.

Como para eles, na selva, o Cruzeiro do Sul está sempre muito baixo,

sempre encoberto pelas altas árvores, é pouco empregado. Observam

as constelações conforme a época do ano. Se a camada significativa de

nuvens permitir, exercita sempre suas observações.

Dos planetas, conhecem Vênus (como Estrela Dalva), Marte (pela

cor avermelhada) e Júpiter (azulado, diferente). Sabem as épocas em

que Vênus aparece, não fazendo confusão. São muito supersticiosos e

gostam de horóscopo, inventando lendas e histórias como processos

mnemônicos para fixar na memória a observação. Distinguem os satélites

artificiais, mas não acreditam que foram lançados pelo homem; “são

aviões muito altos”. Homem na Lua? É brincadeira… Agora, com o GPS,

eles devem estar se convencendo.

O céu é, assim, muito valorizado e muito observado sempre que

seja possível. E têm muito tempo para isso (não sentem necessidade de relógio). Deitado em esteira de palha no pátio ou quintal de casa, o mateiro sabe muito bem o rodízio das estrelas no céu, o pequeno adiantamento diário na hora do nascer,

passando por sobre a cabeça e morrendo sucessivamente no correr dos anos, divagando sobre Deus e sua obra.

Identificam as constelações próprias de cada estação do ano, correlacionando-

as com o clima, épocas de plantio. Dão baile em muito estudante

universitário desses por aí, que nem sabem que existem estrelas

no céu. É realmente impressionante, pelo menos para mim.

Certa vez Orlando Vilas Boas me apontou um índio Kamaiurá e declarou “Se ele fosse civilizado, seria um cientista”. Naquela época, 1956, achei que era brincadeira; hoje, sei o por quê da afirmação de quem conhecia profundamente os povos da selva.

Costumamos subestimar o conhecimento dos que julgamos ignorantes pelos nossos padrões, principalmente de aparência: na mata, eles são muito superiores e, principalmente, extremamente humildes. Olham para nós como olhávamos para Einstein… Para compreendê-los, temos que estudar muito e, como nos fica faltando a parte prática intensiva, nunca os igualamos.

Na mata, devemos verificar periodicamente a nossa agulha magnética;

cuidado com materiais metálicos (armamento, facão, radinhos, etc.). Nas travessias de cursos d’água, cuidar para protegê-la.

Manter sempre o relógio aferido (controlar sua “marcha”, isto é, saber

quantos décimos de segundo ele adianta ou atrasa por dia). Os relógios

eletrônicos modernos, digitais ou analógicos, possuem uma precisão

fantástica, mesmo os mais baratos. Dar preferência aos digitais, com função

lap, isto é, capacidade de parada para determinar um tempo e volta ao

tempo corrido anterior. Digitais, porque mostram as horas, sem necessidade

de análises (paralaxe, inclusive).

O controle do trajeto, efetuado à base de bússola e distância percorrida

fornece uma posição aproximada, estimada.Mas, para grandes percursos, é muito impreciso e cansativo.

Se conhecemos a altura do Sol, seu azimute magnético e a hora certa, podemos calcular facilmente nossa posição com boa precisão, muito melhor (e muito mais comodamente) que com bússola e distância percorrida.

Numa longa marcha pela selva, temos que adotar procedimentos diferentes daquelas de simples marchas curtas. Tudo é simples, fácil e pode ser empregado normalmente, sempre que o Sol seja avistado ou vejamos as réstias de sua luz, indicando a altura e o azimute.

Eis porque o nosso croquis deve sempre conter latitudes e longitudes, sempre.

O GPS, que não existia na época, 1970, é fantástico. Mas deveremos

sempre treinar o sistema auto-suficiente.

Na selva quase sempre o GPS fica “cego, surdo e mudo”. Com sistema especial de antena externa, podemos melhorar sua recepção, principalmente onde haja abertura da mata, céu visível, em clareiras, margens de rios, estradas. Mas não dispensa o

sistema auto-suficiente.

O próprio CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) não emprega o GPS normalmente, para obrigar o combatente a se orientar naturalmente. Mas o navegador deve saber profundamente sobre o sistema, seus termos técnicos e seu emprego, sem o menor vacilo.

Num salto de paraquedas sobre a selva próxima à fronteira do Suriname, os militares fariam a reorganização da tropa por meio do GPS. Era a Operação Surumú. O americano, então, maliciosamente, desligou o sistema. Caso o exercício tivesse sido realizado com tropa comum, teria sido um desastre, com muitos perdidos na selva.

Em que mês teremos a constelação de Orion (estrelas “3 Marias”) sobre a nossa cabeça, a meia-noite? O mesmo para a Estrela de Magalhães (αCrucis) no meridiano do observador a meia-noite? Esta estrela é a nossa polar-sul, daí a sua importância. Mas é muito difícil de ser localizada (identificada).

Para armazenar tudo num instrumento extremamente portátil: o FX-880P, tornado fora de serie que a Casio só fornece em lotes de 30 unidades. Devido à procura, foi a solução que a fábrica encontrou. Cabe no bolso da camisa e suas baterias duram 2 anos, em média (um GPS gasta suas pilhas em menos de um mês…)

Atualmente, um topógrafo inglês, vivamente, adquire o lote direto da Casio, introduz inúmeros programas de topografia e revende cada exemplar por um bom preço (para ele, claro…). Quem necessita calcular no campo, sob chuva, compra assim mesmo.

Todo militar deve ser expert em navegação (se você perguntar a ele onde fica o zênite e ele titubear, é burocrata ou cdf… cuidado com ele).

 

Guias e Mateiros

 As limitações dos guias ou mateiros dizem respeito à dimensão da

área de atuação. Em áreas conhecidas, eles são muito úteis, se forem de

confiança. Foi o caso lá no Araguaia. Nunca tivemos caso de traição; os

guias que escolhi sempre foram de minha inteira confiança (e sempre os

mantive armados: eles carregavam a carabina 22 e a reserva de munição

do GC).

Quando a área é muito grande, o guia não pode ser empregado com

segurança, embora o seu senso de orientação e destreza na mata sejam

de grande utilidade – caso tivéssemos de estender as buscas e a luta até

o Xingu.

Nesse caso, eles vão por tentativa e erro, fato que pode nem ser percebido pelo comandante da patrulha.

Este processo era o usado pelo Marechal Rondon em seus percursos pela selva. Só empregava os processos precisos para a determinação dos marcos de fronteiro e geodésicos. O americano desenvolveu o processo e o emprega sigilosamente, empregando instrumentos inventados por Fred Leuchter sob encomenda do exército norte-americano.

 

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JOHANNES KEPLER

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ANEXO XIV  –  JOHANNES KEPLER

  1. J. Barros Veloso

 

Lisboa, 23 de Agosto de 2004
… bem depois  das descobertas de Kepler (leis do movimen

to planetário –  façanha muito difícil, principalmente numa época em que não havia ferramentas de cálculo e a circunferência de círculo era reverenciada como uma forma divina  –  Newton declara que “ Se enxerguei tão longe, foi porque me apoei nos ombros de gigantes”.

Não citou nomes, mas Kepler certamente era o principal.

 

TESE de MESTRADO

( este artigo foi transcrito da web na ortografia original )

  1. J. Barros Veloso – Julho de 2004

KEPLER E A CIÊNCIA MODERNA

INTRODUÇÃO

Johannes Kepler foi uma das figuras chave da “Revolução Científica” dos séculos XVI e XVII. Com uma obra que se situa historicamente entre o heliocentrismo coperniciano e a física newtoniana, foi ele que estabeleceu a ponte entre estes dois acontecimentos decisivos que marcaram o nascimento da ciência moderna.

Acontece que, durante muito tempo, Kepler foi considerado, injustamente, o elemento menos importante da lista das grandes figuras que contribuíram para a criação do pensamento científico e que, por ordem cronológica, inclui os nomes de Copérnico, Galileu, Bacon, Descartes e Newton. Começaremos pois por tentar compreender como foi possível esta relativa desvalorização da sua figura e da sua obra.

Até à segunda década do século XX, as biografias de Kepler que tinham sido publicadas eram bastante incompletas e revelavam apenas alguns aspectos da sua vida. Foi só a partir de 1923 que Max Caspar iniciou a tradução das “Obras completas” (Gesamelte Werke) e escreveu uma biografia baseada na análise de cerca de 15000 manuscritos. Publicada em alemão em 1948, esta biografia só viria a ser traduzida para inglês em 1959, servindo de base a quase tudo quanto posteriormente se escreveu. Não admira pois que, antes disso, Kepler apenas fosse conhecido por um reduzido número de especialistas.

Por outro lado, há que ter presente que no pensamento de Kepler se encontram sobrepostos conceitos aparentemente inconciliáveis para  espíritos marcados por uma cultura positivista, o que contribuiu para que a sua obra fosse, durante muito tempo, mal compreendida e pouco estudada. Sendo um produto típico do Renascimento, Kepler foi muito influenciado pelas correntes neo-platónicas e neo-pitagóricas, pela astrologia e pela alquimia. Mas os seus escritos, embora revelando uma perspectiva que podemos classificar ainda de pré-científica, contêm também o anúncio de uma nova compreensão do mundo. Entre Copérnico, claramente renascentista, e Galileu seu contemporâneo mas já possuidor de uma mentalidade moderna, Kepler desempenha como que um papel de charneira na medida em que, sobre um terreno ainda impregnado de componentes mágicos e animistas, abriu as portas à ciência do século XVII.

O que não se pode ignorar é que durante os seus 35 anos de vida activa, Kepler esteve no centro de todas as grandes mudanças conceptuais que iriam marcar a transição da astronomia clássica para a astronomia moderna. O De Revolutionibus tinha sido publicado 28 anos antes dele nascer. Mas o heliocentrismo proposto por Copérnico levantava problemas complexos pelo que dificilmente poderia ser aceite sem reservas pelos astrónomos da época. Quando muito era apresentado como uma forma de “salvar as aparências”, ou seja, como um bom instrumento para facilitar os cálculos astronómicos. Não admira por isso que, no último quartel do século XVI, não houvesse em toda a Europa mais do que 10 copernicianos convictos. Um deles era Kepler que num dos seus escritos de juventude se confessava adepto de Copérnico e reconhecia as vantagens matemáticas do novo sistema.

Kepler foi também o primeiro a considerar o sistema solar como uma realidade física e não apenas matemática em que os astros se movem pela acção de forças, a que deu o nome genérico de “anima motrix”, cuja  origem se situa no centro das órbitas, ou seja, no Sol. Desta forma, a concepção das “esferas cristalinas”, que já começara a ser posto em causa por Tycho Brahe, dava lugar a um modelo em que os astros vogavam no espaço comandados por qualquer coisa a que, antecipando-se a Newton, chamou “gravitação”.

Por outro lado, com a lei das órbitas elípticas para os planetas, Kepler acabaria de vez com o mito platónico segundo o qual os movimentos dos corpos celestes tinham de ser necessariamente uniformes e circulares. Com esta nova visão, o copernicianismo libertou-se definitivamente dos epiciclos e afirmou-se como uma modelo coerente com o qual passaria a ser mais fácil explicar o funcionamento do sistema solar. Ao estabelecer uma relação inversa entre a distância dos planetas ao Sol e a sua velocidade e, mais tarde, ao enunciar a terceira lei, Kepler preparou o caminho para o princípio da gravitação universal de Newton o qual constituiu o momento culminante da “Revolução Científica”.

Kepler teve ainda um papel fundamental na transição da astronomia feita a olho nu, para a astronomia dos instrumentos ópticos. Se é verdade que pertenceu a Galileu o mérito de ter pela primeira vez apontado a luneta para os astros, foi ele que, no seu livro Dioptrice, formulou os princípios teóricos que permitiram explicar e dar credibilidade às imagens observadas.

Dito isto, percebe-se a dificuldade de abarcar todos os aspectos de uma obra tão vasta e tão variada. As páginas que se seguem constituem uma  opção pessoal que procurará sobretudo analisar a obra de Kepler à volta de dois aspectos aparentemente contraditórios do seu pensamento: por um lado a inflluência do neo-platonismo e do neo-pitagorismo que o levaram a enunciar hipóteses a priori aparentemente desligadas de qualquer experiência empírica; por outro a formulação de leis gerais a partir da aplicação dos dados da observação. Estas duas atitudes, e a importância relativa que assumiram ao longo da sua vida, permitem identificar três períodos distintos duma obra que, como se fossem andamentos de uma peça musical, correspondessem, cada um deles, às suas três publicações mais importantes: Mysterium Cosmographicum, Astronomia Nova, e Harmonice Mundi.

PRIMEIRO ANDAMENTO

Mysterium Cosmographicum

Kepler nasceu em Weil der Stadt, Alemanha, a 27 de Dezembro de 1571 numa altura em que o Sacro Império Romano se debatia com graves questões religiosas. Lutero tinha consumado a sua rotura com a Igreja e as lutas entre protestantes e católicos tinham gerado uma grande instabilidade política e social. Kepler, neto de um influente protestante iria seguir a tradição religiosa da família e, face à sua fraca constituição física, foi orientado muito cedo para a carreira eclesiástica.

No seminário, onde entrou aos 13 anos, o programa de estudos incluia a aprendizagem do latim e do grego, o contacto com alguns clássicos como Cícero, Virgílio e Demóstenes, e a leitura da Bíblia. De acordo com o esquema do trivium e do quadrivium, era também obrigatório o ensino  da

 

retórica, da dialética e da música.

Kepler cedo revelou raras qualidades intelectuais e apenas com 17 anos ficou aprovado nos exames de acesso à universidade de Tübingen. O seu objectivo era a formação em teologia mas sabemos através do seu próprio testemunho que, para além das disciplinas teológicas, estudou Aritóteles (Tópicos, Analíticos Posteriores, Física e Ética), Platão e os neo-platónicos em  particular Proclus, Pitágoras que exerceu sobre ele grande influência e Nicolau de Cusa com cujo “misticismo geométrico” se sentia identificado.

Contudo, o facto mais importante desta fase da sua vida foi o encontro com Michael Maestlin, professor de matemática e de astronomia da Universidade. Cerca de 20 anos mais velho que Kepler, Maestlin era um dos mais conhecidos astrónomos da época. O seu ensino baseava-se nas obras de Euclides, Arquimedes e Apolónio, no Epitome Astronomiae cuja primeira edição aparecera em 1582 e, como era de esperar, no Almagesto de Ptolomeu. Mas se em público Maestlin se mantinha fiel ao sistema ptolomaico, que era aquele que segundo os seus colegas teólogos estava de acordo com as Escrituras, em privado ensinava aos seus alunos o novo modelo coperniciano. Kepler, cujo interesse pela matemática era já reconhecido pelo mestre, confessaria mais tarde que logo nessa altura aderiu sem hesitações ao sistema de Copérnico.

Em 1594, com apenas 22 anos, Kepler estava à beira de terminar os seus estudos teológicos quando ocorreu uma mudança inesperada na sua vida: após ter morrido o professor de matemática do seminário de Graz, o senado universitário recomendou o seu nome para ocupar a vaga. É quase certo que esta escolha resultou do reconhecimento das capacidades de Kepler mas não se pode excluir que tenha havido também um desejo inconfessado de afastar da universidade um incómodo adepto das teses de Copérnico.  Apanhado de surpresa, aceitou o lugar sabendo que isso iria ter consequências importantes na sua vida, a primeira das quais seria a interrupção da carreira eclesiástica.

Graz, capital da Estíria, província muito dividida do ponto de vista religioso mas em que os quadros governantes apoiavam com zelo a facção católica, não era o sítio ideal para Kepler, protestante convicto, exercer a sua actividade. O permanente clima de tensão e os sérios limites à  liberdade de culto constituíam factores desfavoráveis às suas fortes convicções religiosas e faziam adivinhar tempos difíceis.

Além das funções de professor, Kepler foi também nomeado matemático do distrito e ficou encarregado da elaboração anual dos calendários. Esta actividade estava intimamente ligada à astrologia com a qual manteve sempre uma relação ambígua: embora nunca recusasse praticá-la, seja por gosto seja por querer ganhar algum dinheiro, exprimiu sempre grandes reservas em relação a ela. Diga-se de passagem que, pelo menos duas vezes acertou em cheio nos seus prognósticos ao prever uma intensa vaga de frio e uma invasão do território imperial pelos turcos. Contudo, não eram êxitos deste género que na altura procurava. Cada vez mais atraído pelo sistema de Copérnico e influenciado pela leitura de Pitágoras e Platão, o que realmente desejava era desvendar os mistérios do cosmos.

As perguntas sem resposta eram muitas. Porquê seis planetas? Porquê estas distâncias dos planetas ao Sol e não outras? Profundamente crente, Kepler via o mundo como o resultado de um plano de Deus em que nada tinha sido feito ao acaso e em que tudo fora criado de acordo com a geometria e os números que tinham, sem dúvida, origem divina.

Mas quais seriam então as formas geométricas cujas relações numéricas corresponderiam aos planos usados por Deus para a criação do cosmos? Para responder a esta pergunta tentou identificar cinco figuras geométricas, que possuíssem características próprias para se articularem com os seis planetas do sistema de Copérnico. Começou por utilizar polígonos mas a tentativa revelou-se infrutífera por ser infinito o número de polígonos regulares existentes. Depois de um período de intenso trabalho, Kepler registou no seu diário uma data: 19 de Julho de 1595. Foi esse o dia em que encontrou a solução que procurava: os sólidos regulares de Platão.

Os sólidos regulares são apenas cinco: o tetrahedro (quatro faces), o cubo (seis), o octahedro (oito), o dodecahedro (doze) e o icosahedro (vinte). As esferas inscritas em cada um destes sólidos definiriam, para ele, as órbitas de cada um dos seis planetas. Desta forma, não tinha dúvidas de que tudo batia certo: aos cinco sólidos regulares previstos na mente de Deus só poderiam corresponder seis planetas.

Para Kepler esta descoberta era como que uma mensagem enviada pelos céus, uma verdadeira inspiração de Deus. Sentia por isso uma profunda felicidade por ter sido ele o escolhido para revelar esta manifestação da sabedoria divina. No auge do seu neo-platonismo, Kepler não se preocupava em obter dados que lhe permitissem confirmar hipótese tão arrojada. Aliás, uma lesão ocular resultante da varíola que contraíra na infância, limitava muito a sua capacidade para realizar observações astronómicas. Para ele bastava-lhe ter verificado esta correspondência entre os planetas e os sólidos regulares mesmo que não se fundamentasse em qualquer dado empírico.

Tivesse ficado por aqui e talvez hoje o seu nome não merecesse mais do que uma nota de rodapé nos tratados de história da ciência. Mas Kepler iria prosseguir nos seus trabalhos embora nessa altura, deslumbrado com a descoberta que acabava de fazer, os seus esforços se orientassem apenas no sentido de conseguir a publicação do Mysterium Cosmographicum onde descrevia e explicava a sua nova concepção do sistema planetário. Maestlin foi quem se encarregou de apreciar o manuscrito para enviar um parecer ao senado da universidade de Tübingen. Nesse parecer considerou que a ideia de Kepler era engenhosa e original uma vez que ninguém até aí se lembrara de deduzir a priori o número e dimensões das órbitas para tentar compreender os planos do Criador. De facto, se estes elementos pudessem ser conhecidos a priori, como parecia, então tornar-se-ia mais fácil calcular os movimentos dos planetas.

Na primavera de 1597 o Mysterium Cosmographicum estava impresso e Kepler apressou-se a enviar exemplares aos mais destacados astrónomos europeus. As reacções foram muito diversas, desde o aplauso entusiástico até ao desacordo total. Convém recordar que esta obra aceitava como ponto de partida o modelo heliocêntrico de Copérnico, considerado nessa altura muito polémico e rejeitado pela maioria dos astrónomos.

Das respostas recebidas por Kepler duas merecem destaque especial. Tycho Brahe, que acabara de deixar a Dinamarca, transportando consigo um enorme volume de observações astronómicas acumuladas durante 20 anos, enviou-lhe uma longa carta que continha pontos de acordo e algumas discordâncias e em que sugeria que, “medições mais rigorosas” que ele próprio tinha realizado, talvez pudessem confirmar a hipótese do Mysterium Cosmographicum. Acontecimentos posteriores mostrariam que Kepler nunca mais iria esquecer este comentário. Mas o mesmo Tycho Brahe, numa outra carta dirigida a Maestlin, mostrava-se muitíssimo mais crítico e punha em evidência a enorme distância que realmente separava os dois homens. Para Tycho Brahe o progresso da astronomia não podia realizarse a priori através das relações estabelecidas com os sólidos regulares, mas

 

sim a posteriori a partir dos dados da observação. Curiosamente, seria o encontro do neo-platonismo de um com o empiricismo do outro que iria mais tarde criar condições para ultrapassar alguns dos grandes mistérios da cosmologia.

Kepler também enviou um exemplar a Galileu mas a resposta deste foi lacónica e formal: confessava que só tinha lido o prefácio mas prometia ler todo o texto mais tarde. Kepler, como era de esperar, não ficou satisfeito e insistiu com outra carta: queria uma opinião acerca do livro e pedia a Galileu que, juntamente com ele, se manifestasse com firmeza a favor do sistema de Copérnico. Desta vez não obteve resposta e, como veremos, foi preciso esperar vários anos para que se repetissem os contactos entre os dois.

Com tudo isto Kepler tinha, pelo menos, conseguido um objectivo importante de que iria mais tarde tirar dividendos: tornara-se conhecido entre a comunidade dos astrónomos europeus.

SEGUNDO ANDAMENTO

Astronomia Nova

A situação na Estíria tinha-se agravado a partir de Dezembro de 1596 com a subida ao poder do jovem Arquiduque Fernando. Com este acontecimento inicia-se a Contra-Reforma e com ela a perseguição aos protestantes que acabariam por ser expulsos da província. Kepler que entretanto casara, apercebe-se a partir do Verão de 1600 de que a sua permanência em Graz se tinha tornado insustentável apesar do tratamento tolerante que, por razões que nunca foram completamente esclarecidas, as autoridades católicas revelavam em relação a ele. Sem meios próprios e com uma família a seu cargo, tenta o regresso à universidade de Tübingen onde estudara. Escreve a Maestlin mas, curiosamente, a resposta tarda e quando chega, muito tempo depois, contém uma resposta negativa e um conselho lacónico: “reza por ti e pelos teus”. Este episódio tem servido para alimentar a convicção de que Kepler não era uma figura bem vista pelo senado universitário de Tübingen.

Inesperadamente, contudo, surge para ele outra solução. Tycho Brahe que em 1599 tinha sido nomeado Matemático Imperial em Praga, dirige-lhe um convite para que viesse trabalhar como seu assistente. Criam-se assim as condições para o encontro entre dois homens que vão mudar por completo os rumos da astronomia e da ciência. Tycho Brahe dispunha de um grande volume de observações astronómicas de excepcional rigor; Kepler possuía, pela sua parte, uma enorme capacidade teórica e era, provavelmente, o melhor matemático alemão, senão mesmo europeu. Curiosamente tanto um como outro parecem ter tido a percepção desta complementaridade e de certa forma procuraram que o encontro entre os dois se concretizasse. Contudo, para compreender melhor a importância do que se iria passar, há que conhecer o percurso de Tycho Brahe e o seu papel na história da ciência.

Tycho Brahe nascera na Dinamarca e desde cedo se interessou pela astronomia. Em 1576, tinha então 28 anos, Frederico II entregou-lhe a ilha de Hveen para aí construir um observatório a que deu o nome de Uraniborg em homenagem a Urania deusa dos céus. Concebeu então instrumentos de grandes dimensões que lhe permitiam diminuir substancialmente os erros das observações dos astros. Basta dizer que o quadrante que mandou construir tinha um raio que media seis metros. Rodeou-se também de uma equipa em que as tarefas eram metodicamente distribuídas entre os que observavam, os que registavam valores e os que manejavam instrumentos. Tudo isso, juntamente com o estudo sistemático dos astros ao longo do ano, permitiu-lhe reunir um grande número de medições astronómicas muito mais rigorosas do que aquelas que eram conhecidas até então.

Com a morte de Frederico II, Tycho Brahe cai em desgraça. Obrigado a abandonar Uraniborg em 1597, trouxe consigo toda a informação que acumulara e veio para a Alemanha onde durante dois anos procurou colocação. Nessa altura, os poderosos davam muita importância à companhia dos astrónomos cuja actividade trazia prestígio, em grande parte porque a eles cabia a prática da astrologia e, portanto, a capacidade de adivinhar o futuro e detectar bons e maus presságios. Rudolfo II, Imperador do Sacro Império Romano, mais vocacionado para as artes e para a ciência do que para a política, estava a par da fama de Tycho Brahe. É natural por isso que em 1599 o tenha nomeado Matemático Imperial e tenha ordenado a construção de um observatório em Benatky, a cerca de 30 quilómetros de Praga.

Tudo indica que Tycho Brahe desejava ter Kepler como colaborador por estar informado das suas excepcionais capacidades de matemático. Por sua vez Kepler estava ansioso por ter acesso aos dados que Tycho Brahe acumulara durante a sua permanência em Uraniborg. Mas estes dois homens eram profundamente diferentes tal como eram diferentes os objectivos que tinham em vista. Tycho Brahe era um aristocrata extrovertido, apreciador da boa mesa, gostando de viver rodeado de muita gente. Nunca aceitara o sistema de Copérnico por detectar nele graves incongruências e tinha proposto um outro sistema, o ticónico, que fora aceite por muitos dos astrónomos da época. Era este sistema que ele esperava agora ver confirmado através dos dados das suas observações. Kepler, ao contrário, era um plebeu profundamente religioso, permanentemente atormentado por problemas financeiros e familiares. Desde muito cedo tornara-se adepto do sistema coperniciano e o que realmente esperava era que os dados na posse de Tycho Brahe pudessem confirmar o modelo que propusera no Mysterium Cosmographicum. Além disso, enquanto um procurava compreender o cosmos através dos dados da observação, o outro empenhava-se em descobrir uma ordem divina recorrendo a ideias a priori.

A aproximação entre os dois não foi fácil, apesar dos esforços feitos nesse sentido por um poderoso amigo e admirador de Kepler, o Barão de Hoffman. Kepler manteve-se hesitante durante algum tempo e apresentou a Tycho Brahe uma enorme lista de exigências que eram difíceis de aceitar. Supõe-se que apenas procurava garantir uma certa autonomia no trabalho e, ao mesmo tempo, tornar mais fácil o acesso aos dados de Tycho Brahe. A verdade é que, com a sua atitude impertinente, esteve à beira de provocar uma rotura definitiva entre os dois. Mas subitamente, e sem explicação aparente, mostrou-se arrependido e apresentou a Tycho Brahe desculpas por uma conduta que ele próprio classificou de inqualificável.

Ultrapassado este episódio havia que obter o acordo do Imperador para o contrato de Kepler e a garantia de um salário que resolvesse as suas dificuldades financeiras. Tycho Brahe usou então toda a sua habilidade e diplomacia ao ligar a contratação de Kepler ao projecto das Tábuas Rodolfinas dos planetas, em que Rodolfo II punha grande empenho, convencido de que com elas garantiria um lugar na História.

Em Outubro de 1600, Kepler, então com 28 anos, mudou-se com a família para Praga e integrou-se no grupo de que fazia parte Tengnagel, um aristocrata que casara com uma das filhas de Tycho, e Longamontanus que viera com ele de Uraniborg. Logo de início percebeu que teria de pôr

 

de lado o projecto de confirmar o seu modelo cosmográfico, porque nessa altura Tycho dava prioridade à resolução de dois problemas: a teoria dos movimentos da Lua e a determinação da órbita de Marte. Este último problema estava a revelar-se muito complexo tendo sido entregue a Kepler que julgou ser capaz de o resolver no espaço de uma semana. Sabemos hoje que iria precisar de cerca de seis anos.

Logo que iniciou a sua actividade em Praga Kepler percebeu que as observações feitas por Tycho Brahe eram de um valor excepcional, tanto pelo número como pela qualidade, mas que os cálculos matemáticos estavam todos por fazer. Se era verdade que o material disponível poderia conduzir à construção de uma nova estrutura para o cosmos, era necessário para isso um arquitecto e esse arquitecto só poderia ser ele. A questão é que Tycho Brahe, que seguramente estava ciente de tudo isto, só lhe fornecia os dados à medida que iam sendo necessários, recusando-lhe o acesso livre à totalidade da informação. Isso irritava Kepler e criava nele uma impaciência crescente e um sentimento de revolta.

Mas um acontecimento inesperado viria alterar este cenário: Tycho Brahe morria a 24 de Outubro de 1601 com 54 anos. Dez dias antes, após um banquete em que se excedera nas bebidas, deixou de urinar. Os médicos relacionaram esta situação com uma obstrução do aparelho urinário provocada por cálculos da bexiga. Mas uma morte tão rápida, num indivíduo aparentemente saudável, iria provocar alguns rumores acerca da possibilidade de um envenenamento. Talvez por isso, Jessenius, médico e amigo de Tycho, tenha aproveitado a oração fúnebre para fazer um relato pormenorizado da doença que vitimara o seu amigo dinamarquês procurando assim dissipar quaisquer suspeitas.

Mas antes de prosseguir esta narrativa impõe-se dar um salto no tempo para acrescentar alguns dados adquiridos posteriormente acerca deste episódio. Em 1901, ano do tricentenário da morte de Tycho Brahe, as autoridades de Praga decidiram exumar o seu cadáver e recolher o que dele restava. Os ossos ficaram depositados na sacristia da igreja dentro de uma pequena caixa metálica e o longo bigode, que resistira ao tempo, foi guardado no Museu Nacional de Praga. Em 1991 o director do Museu ofereceu um pequeno fragmento do bigode ao embaixador da Dinamarca que por sua vez o entregou ao “Planetarium Tycho Brahe” de Copenhaga. Foi então que alguém se lembrou dos rumores acerca da morte por envenenamento e decidiu pedir ao Director do Departamento de Medicina Forense da Universidade de Copenhaga a realização de uma análise toxicológica. Os resultados revelaram que os pêlos do bigode apresentavam níveis de mercúrio suficientes para provocar a morte e admitiram a possibilidade de um envenenamento ocorrido dias antes, provavelmente quando Tycho Brahe, que se dedicava à alquimia, manipulava compostos contendo mercúrio.

Esta interpretação foi recebida com cepticismo pela maioria dos historiadores, mais inclinados a atribuir a presença de mercúrio a uma contaminação do cadáver ocorrida depois da morte, tanto mais que uma equipa médica que voltara a analisar a doença terminal de Thycho Brahe aceitara a infecção urinária como o diagnóstico mais provável.

Contudo, em 1996 o problema foi reavaliado, desta vez recorrendo a um método de análise química com feixes de protões de alta energia (particle-induced X-ray emission—PIXE). Assim foi possível concluir que as elevadas concentrações de mercúrio se encontravam dentro do próprio pêlo e, sendo assim, não resultavam de uma contaminação externa: tinham lá chegado por via sanguínea. Com estes dados, poucas dúvidas podiam persistir: Tycho Brahe morrera por ter ingerido mercúrio e, não existindo razões aparentes para um suicídio, haveria que admitir que alguém o envenenara.

Convém deixar bem claro que, do ponto de vista dos conhecimentos médicos actuais, o quadro clínico que levou à morte de Tycho Brahe pode agora ser descrito de uma forma bastante coerente: intoxicação por metal pesado, necrose tubular aguda, insuficiência renal, coma urémico, morte. Já no que diz respeito ao problema forense as dúvidas persistem e provavelmente nunca serão esclarecidas. Mas, independentemente das boas razões que há para considerar Kepler um homem virtuoso e temente de Deus, dificilmente será possível excluí-lo do grupo dos suspeitos: pelo que se sabe, tinha motivos, oportunidade e meios disponíveis para praticar o crime.

Desaparecido Tycho Brahe, tudo se encaminhava para que Kepler pudesse ter livre acesso ao “caos de informação” deixado pelo astrónomo dinamarquês. Assim foi de facto, apesar de algumas dificuldades iniciais levantadas por Tengnagel, genro de Tycho e que era um dos herdeiros da sua documentação. Entretanto o Imperador Rodolfo escolhia Kepler para ocupar o lugar deixado vago e nomeava-o Matemático Imperial.

Kepler não perdeu tempo e lançou-se imediatamente ao trabalho. Mas  contrariamente ao que seria de esperar, continuou empenhado na teoria da órbita de Marte, deixando para trás aquilo que tinha sido a sua preocupação dominante: a confirmação do Mysterium Cosmographicum. Tudo se passou como se, inesperadamente, tivesse posto de parte as suas ideias neo-platónicas para se empenhar em construir teorias a partir dos dados da observação. O Kepler que especulava deu lugar a outro Kepler que calculava e verificava medidas e essa iria ser a fase mais produtiva da sua carreira de astrónomo.

O modelo com que começou a trabalhar sobre a teoria de Marte era o tradicional: órbitas circulares à volta de um ponto excêntrico em relação ao centro do universo. Quer isto dizer que, mesmo sendo uniforme o movimento dos planetas, parecia irregular quando observado do centro: mais rápido no perihélio, mais lento no afélio.

A teoria de Marte passava pelo cálculo da posição da linha das apsidas e da excentricidade. Para isso havia que conhecer três pontos da órbita obtidos com o planeta em oposição. Kepler confessou mais tarde que repetiu complicados cálculos mais de setenta vezes até obter resultados que lhe pareciam satisfatórios. Comparou depois a órbita obtida com outras observações e verificou que elas se encaixavam com um grau de erro que não ia além dos 2’. Mas não totalmente satisfeito fez mais uma contraprova com outras medições e, em vez de obter uma confirmação, encontrou diferenças da ordem dos 8’ para a posição do planeta. Nas observações de Tycho Brahe — que Kepler, no seu habitual misticismo, considerava um intermediário da “bondade divina” –, uma diferença destas não era admissível, pelo que só poderia ser atribuída a uma concepção errada das órbitas. Acerca disto, diria mais tarde: “Estes 8 minutos apontaram o caminho para a renovação de toda a astronomia”.

Kepler começou então tudo de novo mas agora partindo de dois pressupostos. O primeiro consistiu em referir as medições à posição  do Sol e não ao centro da órbita da Terra como fizera Copérnico. O segundo resultou de considerar o Sol, não como um ponto geométrico, mas como a origem da força que faz mover os planetas. E como essa força aumenta e diminui conforme as distâncias, a Terra e os restantes planetas, nas suas órbitas excêntricas, deslocam-se mais depressa quando estão perto do Sol e mais devagar quando estão afastados. Claramente influenciado pelos estudos que em 1600 Gilbert expusera no De Magnete sobre as forças magnéticas, Kepler introduz aqui uma visão inteiramente nova e revolucionária se-

 

gundo a qual o sistema planetário tem leis próprias e é regulado por forças físicas. Os movimentos dos planetas deixavam assim de ser representações cinemáticas e puramente geométricas para passarem a ter causas que os explicavam.

Mas antes de introduzir a física na sua teoria, percebeu que era necessário provar empiricamente que a órbita da Terra, tal como ele a imaginava, estava correcta, uma vez que todas as observações astronómicas disponíveis eram feitas duma plataforma que era a própria Terra em movimento. Com o seu génio inventivo imaginou então a Terra a ser observada a partir de um ponto da órbita de Marte, e pôde assim confirmar que, tal como os planetas superiores, ela se deslocava com um movimento não uniforme.

Só então é que acrescentou a física, para concluir que a velocidade da Terra é inversamente proporcional à sua distância ao Sol. E, logo a seguir, aplicando o método indutivo, generalizou este princípio a todos os outros planetas, embora consciente de que esta proposição exigia confirmação posterior.

Mas a partir daqui, como seria possível determinar a posição de um planeta em determinado momento? Kepler imaginou o círculo dividido num número infinito de triângulos à semelhança do que Arquimedes fizera para encontrar a relação entre circunferência e diâmetro. E foi assim que chegou à lei que historicamente é a segunda mas que foi a primeira a ser enunciada: “O raio vector descreve áreas iguais em tempos iguais”.

Estava esclarecido como se processava o movimento dos planetas mas faltava conhecer a geometria da órbita de Marte. Kepler admitiu então que poderia não ser circular e começou por ensaiar a hipótese de uma órbita oval. Mas após várias tentativas teve de abandonar esta solução por não se adaptar aos dados das observações. Foi então que, acidentalmente, lhe surgiu a ideia da elipse e verificou que a ela se adaptavam todas as medições de Tycho Brahe. Pôde então concluir que a órbita de Marte era elíptica e, recorrendo mais uma vez à indução, enunciou a sua primeira lei: “As órbitas dos planetas são elipses com o Sol num dos focos”.

É difícil de imaginar quanto terá custado a Kepler substituir o círculo pela elipse. Ele, que tinha sido sempre neo-platónico e neo-pitagórico, via-se agora obrigado a abandonar as suas convicções mais profundas face aos dados da observação. E aqui está como o mesmo homem que chegara a Praga determinado a completar a sua concepção a priori da estrutura do universo, passava anos a fazer cálculos com base em dados empíricos. Não foi uma tarefa fácil: os números com os registos das posições de Marte estavam dispersos em muitas folhas dos apontamentos de Tycho Brahe numa confusão que Kepler iria conseguir pôr em ordem.

A revolução da astronomia era agora total: as órbitas elípticas acabavam de vez com o axioma dos movimentos circulares, enquanto que os esquemas formais da astronomia clássica eram substituídos por um sistema dinâmico. Na concepção de Kepler a mecânica celestial assemelhava-se a um mecanismo de relógio em que os corpos se moviam accionados por forças magnéticas.

Todo este trabalho, que começou ainda durante a vida de Tycho Brahe, só ficaria terminado em 1605, mas dificuldades de vária ordem só permitiram que fosse publicado em 1609 com o título de Astronomia Nova.

As reacções dos astrónomos, tal como Maestlin e Longomontanus foram claramente desfavoráveis. Maestlin chegou a aconselhar Kepler a abandonar as suas ideias sobre causas físicas e a recorrer à geometria e à aritmética como verdadeiros instrumentos para conhecer os céus. Em relação a Galileu os acontecimentos assumiram contornos mais complexos porque, além de terem influenciado a actividade científica de Kepler, ainda hoje continuam a ser uma fonte de debate acerca da importância que cada um deles teve na transição da física aristotélica para a física moderna.

Em Março de 1610 Kepler recebeu a notícia de que, em Pádua, Galileu tinha descoberto quatro novos planetas com a ajuda de um “perspicillium” de duas lentes, ou seja, com a sua famosa luneta. A confirmação destas observações chegaria dias depois com um exemplar do Sidereus Nuncius que lhe foi entregue pelo embaixador toscano em Praga. Kepler não demorou mais de dez dias a enviar uma carta a Galileu, cujo texto, em forma de diálogo, seria publicado um mês depois com o título Dissertacio cum Nuncio Sidereo. Nesse texto mostrava-se entusiasmado com as novas descobertas que, na sua opinião, iriam exigir uma profunda reflexão por parte de filósofos e astrónomos. Mas foram necessários quatro meses para que Galileu se resolvesse a responder, desta vez com uma carta em que elogiava a coragem e estatura intelectual de Kepler e agradecia o seu apoio.

Na verdade tinha boas razões para lhe estar grato porque, numa altura em que de todos os lados surgiam dúvidas e críticas às observações feitas com a luneta, Kepler, que há algum tempo esperava em vão uma opinião de Galileu acerca da sua Astronomia Nova, manteve uma posição totalmente isenta e sem qualquer ressentimento. E não restam dúvidas de que o silêncio do toscano parecia no mínimo revelar um total desinteresse pelo trabalho do astrónomo alemão. É por isso fundamental tentar entender as razões desta atitude.

Galileu, homem da Corte dos Médicis e relacionado com altos dignitários da Igreja, tinha-se a si próprio em alta consideração. As relações que mantinha com os seus pares eram muitas vezes marcadas por alguma arrogância e pareceu sempre mais preocupado em fazer demonstrações das suas descobertas aos poderosos de quem dependia, do que àqueles que, como ele, se dedicavam à ciência. Além disso olhava com um certo desprezo para tudo o que lhe chegava da Europa do Sacro Império Romano, então envolvida em violentas lutas religiosas e ainda mergulhada numa cultura renascentista em que prevalecia o animismo, o misticismo e o obscurantismo. Para ele a astronomia de Kepler estava marcada por simbolismos e raciocínios cosmo-teológicos intoleráveis, e as suas elipses não eram mais do que manifestações de uma cosmologia “maneirista”, ou seja, tardo-renascentista. Mas, para além disso tudo, não podia aceitar a ideia das elipses porque elas contradiziam o seu fascínio obcessivo pelo movimento circular, o único que possuía as propriedades de uniformidade e perpetuidade em que assentava a sua ideia de movimento inercial. Kepler e Galileu estavam, pois, irredutivelmente separados pelos seus próprios paradigmas: um, ao substituir a cinemática pela dinâmica celestial, mantinha-se fiel à ideia aristotélica do movimento como “processo”; o outro, ao introduzir o conceito de inércia, considerava o movimento como um “estado”. Se Galileu ignorava as órbitas elípticas, Kepler, pelo seu lado, ignorava o movimento inercial. Convém ainda recordar que Galileu estava envolvido numa batalha difícil para impor as suas teorias sobre o movimento e não lhe interessava envolver-se noutras lutas que não eram as suas, tanto mais que a condenação de Giordano Bruno, em 1600, ainda estava muito próxima e na memória de todos.

Entretanto Kepler estava ansioso por obter uma luneta mas os pedidos dirigidos a Galileu não tiveram resposta. Foi preciso esperar que o Duque da Bavaria trouxesse de Viena um dos exemplares que Galileu oferecera a Matias, irmão do Imperador, para que pudesse finalmente ver as luas de Júpiter. Mas para Kepler não bastava confirmar aquilo que Galileu

 

já tinha observado e, em poucas semanas, durante o Verão de 1610, definiu as leis básicas a que obedece a passagem da luz através dos vários sistemas de lentes. A publicação no ano seguinte do seu livro Dioptrice com 141 teoremas e com os esquemas que ainda hoje figuram nos livros de texto da física, ficou para a história como o momento fundador da óptica moderna.

Entre 1610 e 1611 Kepler dirigiu mais seis cartas a Galileu e em resposta apenas recebeu uma. Todas as outras informações acerca das novas descobertas vinham dirigidas ao embaixador toscano com pedido de serem transmitidas ao “Signor Glepero”!

TERCEIRO ANDAMENTO

Harmonice mundi

O ano de 1611 começou particularmente mal para Kepler: os seus três filhos adoeceram com varíola e um deles acabaria por morrer com apenas seis anos. Ao mesmo tempo agudizavam-se as lutas entre o Imperador e o seu irmão Matias que levariam à abdicação do primeiro. Kepler sentia-se pouco seguro em Praga e decidiu procurar outro local de trabalho. Após várias hesitações decidiu-se por Linz onde chegou sozinho em Maio de 1612 depois da morte da mulher que ocorrera um mês antes. Aí foi ocupar os lugares de matemático distrital e de professor da escola.

Mas a sua vida em Linz não foi fácil: na sequência das posições que tomara sobre o problema da Eucaristia, que na altura dividia profundamente luteranos e calvinistas, o pastor Luterano de Linz decidiu excluí-lo da comunhão, o que para um crente fervoroso como Kepler constituiu um duro golpe. Entretanto no ano seguinte, com 42 anos casou pela segunda vez com uma mulher de 24 anos. Dela teve seis filhos dos quais três viriam a morrer na primeira infância.

Mas outro problema ensombrou este período da sua vida. A mãe, acusada de bruxaria em 1615 iria ser submetida a um longo processo judicial a que não faltou o recurso à tortura. Kepler envolveu-se neste episódio com grande empenho tentando livrá-la da pena capital. A libertação da mãe só chegaria em 1621 mas ela viria a falecer seis meses depois.

Apesar de todos estes contratempos, Kepler mostrava-se com ener-

gia suficiente para preparar um dos mais brilhantes produtos do seu génio criador, o Harmonice mundi. A ideia nascera muitos anos antes quando, ainda em Graz, tinha começado a esboçar um plano sobre este assunto. Mas, com a ida para Praga a sua actividade fora totalmente monopolizada pelos projectos de Tycho Brahe sobre a teoria de Marte. Agora em Linz, sem ter outros astrónomos para discutir, estava completamente só e nas condições ideais para recriar as suas concepções acerca da estrutura do cosmos.

O que surpreende nesta fase é o seu regresso ao culto do neo-platonismo e do neo-pitagorismo com abandono dos caminhos que percorrera na elaboração da Astronomia Nova. Em vez de fundamentar as suas teorias em dados empíricos, regressa agora a uma atitude mística que o orientará na procura dos planos de Deus para a criação do universo. Como se, à maneira de Platão, o conhecimento da natureza repousasse numa coincidência entre as imagens primordiais interiores e os objectos exteriores. Tal como se o círculo que desenhamos a compasso não fosse mais do que a cópia imperfeita de uma ideia que o espírito já possui.

Kepler sente-se transportado pela contemplação das harmonias celestiais mas o seu discurso nada tem de vago nem de nebuloso. Assenta num conjunto de ideias bem estruturadas de quem atribui à matemática um papel fundamental e que sabe do que é que está a falar. Para ele tudo na natureza funciona de acordo com números e medidas. Mas a harmonia, seja no campo da geometria, da música ou da astrononia, é sempre uma relação entre dois elementos que só o espírito é capaz de reconhecer. Através de Deus, que ao criar o mundo utilizou os modelos da geometria e da música, o homem, feito à sua imagem, reconhece a harmonia de certas proporções. No seu incontrolável misticismo tinha já formulado a simbologia adequada para a geometria e para as quantidades numéricas, comparando a esfera à Santíssima Trindade, em que o Pai é o centro, o Filho a superfície, e Espírito Santo as distâncias constantes entre o centro e a periferia.

A música vai ocupar uma parte importante das suas reflexões, devido às relações numéricas que existem entre as consonâncias: oitava 1:2, quinta 2:2, quarta 3:4, etc. Conclui então que tal como o Criador não concebeu o sistema harmónico da escala musical de uma forma arbitrária mas em conformidade com a razão e a natureza, também os movimentos celestiais foram arquitectados com o respeito pela harmonia que está presente no pensamento de Deus. Os movimentos dos planetas não são mais do que música contínua a várias vozes que só o intelecto consegue entender. E a harmonia só está presente quando uma multidão de fenómenos é regulada pela unidade de uma lei matemática que exprime uma ideia cósmica.

Muitos anos antes, no Mysterium Cosmographicum, tinha tentado definir a priori o número e as distâncias entre os planetas através dos sólidos regulares. Agora está convencido de que, face à excentricidade das órbitas que ele próprio descobrira, irá conseguir o mesmo à custa das harmonias. Aquilo de que não tem dúvidas é que Deus não introduziu as excentricidades ao acaso e sem razão.

Como coroação desta contemplação das harmonias celestiais descobre, no dia 15 de Maio de 1615 (oito dias antes de começar a Gerra dos Trinta Anos) a sua terceira lei: “Os quadrados dos períodos estão entre si como os cubos das distâncias médias”. Juntamente com a primeira e a segunda, esta terceira lei irá concretizar a fundação de um cálculo astronómico inteiramente novo e irá abrir o caminho para a lei da gravitação de Newton.

O Harmonice mundi só acabou de ser impresso no Verão de 1619. É uma visão grandiosa do cosmos em que a ciência se mistura com poesia, filosofia, teologia e misticismo, como se a inspiração divina florisse, tal como ele pensava, através de um espírito brilhante.

CODA FINAL

Nos anos que se seguiram à Harmonice Mundi, Kepler continuou a publicar. A Epitome Astronomiae Copernicanae é a mais extensa de todas as suas obras. Situa-se na linha do Almagesto de Ptolomeu e do De Revolutionibus de Copérnico, na medida em que constitui uma apresentação completa e sistemática de uma nova mecânica celestial: a kepleriana. Foi publicada entre 1618 e 1621.

As Tabulae Rudolphinae, projectadas ainda com Tycho Brahe e que o Imperador Rudolfo tanto desejara, tinham sido sucessivamente adiadas. Só agora, passadas mais de duas décadas, Kepler iria finalmente terminá-las e, depois de vários acidentes de percurso, foram finalmente impressas em Ulm, nos princípios de Setembro de 1627.

Entretanto, os acontecimentos ligados à Gerra dos Trinta Anos obrigaram Kepler a deixar Linz e a procurar local mais seguro para viver. Durante algum tempo permaneceu em Ulm para tratar da impressão das Tabulae, enquanto a família aguardava em Regensburg. Depois acabou por se

 

instalar em Sagan onde chegou em Julho de 1630.

A 8 de Outubro desse ano, Kepler saíu de Sagan em direcção a Regensburg. Não se conhece ao certo a razão desta viagem embora se pense que tinha como objectivo recuperar velhas dívidas que deixara para trás. Chegou a Regensburg a 2 de Novembro e de súbito adoeceu com um quadro febril. A situação agravou-se rapidamente e nos dias seguintes surgiu confusão mental, agitação e perda de consciência. A 15 de Novembro, seis semanas antes de completar 59 anos, Kepler morreu.

Foi sepultado no cemitério protestante de Regensburg e na lápide tumular ficaram gravadas palavras da sua autoria que, talvez num gesto premonitório, entregara ao genro alguns meses antes de morrer:

Mensus eram coelus, nunc terrae metior umbras

Mens coelestis erat, corpori sumbra jacet

( Costumava medir os céus, agora medirei as sombras da terra O espírito pertencia ao céu, aqui jaz a sombra do corpo)

Entretanto a violência brutal da Guerra dos Trinta Anos estava em marcha destruindo tudo à sua frente. Pensa-se que mais de metade da população da Alemanha foi dizimada e muitas cidades desapareceram. Durante a invasão dos suecos pelo norte, Regensburg preparou-se para a defesa e, para isso, foi necessário fazer escavações na cerca e no cemitério da igreja protestante. Do túmulo de Kepler não sobrou qualquer vestígio.

Bibiografia consultada

Caspar, M. Kepler.Dover Publications, 1993

Gilder, J. e Gilder, A-L. Heavenly Intrigue. Doubleday, 2004

Gribbin, J. Science. A History,1543-2001. 2002

Holton. Johannes Kepler’s: its physics and metaphysics, in Thematic

Origins of Scientific Thought. Kepler to Einstein,1988 Pauli, W. Le cas Kepler. Éditions Albin Michel, 2002

Kepler, J. The Harmonies of the World. Britannica-Great Books 1952

  1. J. Barros Veloso

 

Lisboa, 23 de Agosto de 2004

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JARBAS MACIEL

*JARBAS – PRIMEIRO A ESQUERDA (NA FOTO) com seus 7 irmãos e seus pais (1939)

Nota de pesar pela morte de Jarbas Maciel

A secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, e o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Diego Rocha, lamentam a morte do músico e ex-integrante da Orquestra Sinfônica do Recife, Jarbas Maciel.

Discípulo do maestro Guerra Peixe, Maciel contribuiu para a fundação do Movimento Armorial, ao lado de nomes como Ariano Suassuna e Clóvis Pereira.

Na Orquestra Sinfônica do Recife, atuou por muitos anos como violinista e primeira viola. E colecionou muitos outros predicados ao longo de seus 86 anos: foi também compositor, filósofo, matemático, astrônomo amador e rádio amador, além de tradutor e professor.

Dentro e fora da sala de aula, deu lições de música, filosofia, lógica, dignidade, humanidade, moral e ética.

na foto:

Jarbas-Marcio-Licio-Mario-Denisar-Marisa-Breno-Leda(em pé). Pais: Maria Augusta, Auryno(sentados).

 

 O RECOLHIMENTO DE UM DISCRETO POLÍMATA

Em fase metafísica e de revisão de conceitos, professor cujas competências vão da matemática e da física à música e a filosofia, mantém crítica ao Modernismo e faz mea culpa a Chico Science

TEXTO CARLOS EDUARDO AMARAL

01 DE SETEMBRO DE 2014

Jarbas Maciel

Jarbas Maciel

FOTO ROBERTA GUIMARÃES

Foram cerca de duas horas e meia de conversa. Ao final, já era uma da tarde e sua esposa estava impaciente, querendo que eu liberasse o marido para o almoço. Propus a Jarbas, então, que marcasse outra data para continuarmos (ele próprio gostaria que o encontro se estendesse), porém respondeu que não seria mais possível. No meio da entrevista, já me havia dito que pensara bastante em concedê-la devido a duas coisas: a memória falha e a loquacidade – “eu falo bastante” –, afora a debilidade causada pelos medicamentos que toma para tratar do câncer que o acomete há sete anos. Constantemente, chateava-se com os lapsos de memória e os mal-estares derivados da medicação.

Da loquacidade, a prova foi a resposta à pergunta inicial: “Sua formação foi em quê?” Para contar que se tornou bacharel em Matemática, nos Estados Unidos, demorou mais de meia hora. Mas Jarbas Maciel raciocina exatamente assim, com organicidade, apontando causa e consequência. Essa meia hora de fala primeiro revelou o desejo de ser violinista, depois o vazio intelectual após a saída de seu mentor, Guerra-Peixe (1914-1993), do comando da orquestra da Rádio Jornal do Commercio. O maestro fluminense, que veio para o Recife em 1949, havia sido uma das aquisições para se atingir a meta que a emissora se impôs: “Ser melhor do que a Rádio Nacional. Ela nunca foi, mas o objetivo era esse”, diz Jarbas, cujo professor de violino, o italiano Rino Visani, também viera do estrangeiro para reforçar os quadros da orquestra.

Sempre reiterando sua antipatia ao comunismo e ao socialismo, o ex-aluno de Guerra-Peixe não deixou de apontar o golpe baixo que o mestre sofrera em 1952: “Pediram a cabeça dele. Entregaram-no, acusando-o de comunista”. E declara que ficou órfão musicalmente do maestro (e seu primeiro professor de composição), da mesma forma que a mãe, Maria Augusta Ribeiro Maciel, antiga estudante de piano, ficara de Ernani Braga, após este deixar Pernambuco por falta de apoio para continuar os projetos musicais que tinha em mente. Quanto ao nome dos bois, ou seja, de quem fechou as portas para Braga e Guerra-Peixe, Jarbas ressalva: “Eu posso ser seu maior inimigo. A gente briga feito gato e cachorro, mas, se você morrer, eu não vou dizer nada que manche sua memória”.

O então estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, que havia passado em primeiro lugar no vestibular, só se concentrava nas cadeiras de cálculo e geometria, e decidiu deixar o curso após um ano, para matricular-se em Física na Universidade da Pensilvânia, cidade onde já moravam irmãos seus. Conseguiu um emprego nos laboratórios de física do estado sólido da Philco, através de um programa de estudantes cooperadores, que lhe custeava os estudos, desde que tirasse notas boas, e passou a lidar com purificação de elementos para transistores, assistindo dois cientistas ingleses: Charles Woods e John Ritchens. Faltando um ano para a formatura, mudou de curso, de Física para Matemática, e finalmente graduou-se. Na primeira mudança de carreira, havia surpreendido a mãe; na segunda, os chefes fizeram de tudo para demovê-lo, sem sucesso também.

MIGRAÇÕES
Uma greve de sopradores de vidros da empresa levou Jarbas Maciel a experimentar e a praticar por algum tempo o glass blowing, com resultados posteriores nefastos. “Eu me envenenei com silício, arsênico, bismuto, telúrio, índio, gálio… Vomitava sangue como um tuberculoso e fui para o hospital amarrado na cama”, detalha. Só veio a descobrir que tinha silicose após a volta ao Brasil, o mesmo problema que acomete os trabalhadores de gesso na Chapada do Araripe: “Até hoje, tenho vapor de silício nos pulmões”.

De novo no Recife, Jarbas trabalhou no Departamento de Medicina Tropical da UFPE, como secretário e intérprete, e depois reencontrou a professora Bernardete Pedrosa, que o estimulou a fazer mais um vestibular, agora para Filosofia. Passou novamente em primeiro lugar e, anos mais tarde, veio a ser professor do curso.

Na nova graduação, aproximou-se de Ariano Suassuna e participou da gênese do Movimento Armorial, em 1970. Sobre o amigo e escritor, enfatiza o tom profético: “Daqui a 100 anos, Ariano vai ser o cara mais pesquisado, mais lido, mais ‘tesado’ (transformado em tese) do Brasil. Ele conseguiu meter uma broca e furar o subsolo cultural, étnico e etnográfico do país. Foi ao petróleo da cultura brasileira”.


O violinista Guerra-Peixe foi o primeiro professor de composição de Jarbas Maciel.
Foto: Reprodução

A adesão às concepções artísticas de Ariano e Guerra-Peixe implicam uma discordância de Jarbas Maciel com experiências estéticas mais racionalistas. Ele define o serialismo de Schönberg como “uma matemática de muito mau gosto”; diz que Camargo Guarnieri, com quem tentara estudar no final dos anos 1940, “corrompeu-se também” ao passar do nacionalismo ao serialismo nos anos 1960; e admira Marlos Nobre até Rhythmetron, escrita em 1968 para conjunto de percussão. Já o Stravinski dos balés russos não entra nas ressalvas do professor. Conta que Guerra-Peixe mandava que ele e Clóvis Pereira ouvissem A sagração da primavera, para tentar decorar e reproduzir as complicadas figurações rítmicas da peça, calcada no folclore russo.

De modo geral, Jarbas Maciel rechaça as correntes filosóficas e estéticas que não dialoguem com a tradição desde a Grécia Antiga. “O Modernismo e o Pós-Modernismo, eu deletei da minha vida. Esses filósofos são todos uma fraude, uma porcaria. Eles abandonaram o grande tronco da Filosofia.” Franceses do século 20, como Foucault e Derrida, também não recebem palavras amenas.

KARDECISMO
Filho do falecido escritor, professor, advogado e bancário Aurino Vieira de Araújo Maciel, membro das academias alagoana e pernambucana de Letras, Jarbas possui um timbre de voz semelhante ao de Ariano Suassuna, porém difere na fala mais pausada, pensada. Essa inclinação introspectiva faz com que o docente aposentado veja a unidade do conhecimento sob as diferentes manifestações do pensamento, daí seu interesse polimático por música, filosofia, estética, física, matemática e arquitetura.

As aulas que ministrou na UFPE, por outro lado, nunca se transformarão em apontamentos ou livros: “Eu não preparava aulas, eu lia os livros e me conectava com os filósofos”.

Ano passado, antes de completar os atuais 81 anos de idade, sentiu-se pronto para abraçar a doutrina kardecista. “Se a pessoa não está preparada, aí vai ser assaltada por tudo quanto é de ‘mundiça’ do outro mundo, porque há. Isso aqui é um mundo de expiação”, acredita.

Nos últimos tempos, além das leituras kardecistas, Jarbas Maciel empreendeu o que chama de “um mergulho no inferno” contra o ateísmo militante contemporâneo: “Eu vou ler todos os materialistas, racionalistas… tudo isso é muito pobre, é de uma pobreza extrema”. O cerne da questão, segundo o professor, encontra-se no próprio conceito de matéria: “Se eles são honestos, são competentes, então a ciência lhes mostra que nós não sabemos ainda o que é a matéria”.

Nos 15 minutos finais de conversa, voltamos a tratar de música, pois Jarbas haveria de almoçar e ainda não tínhamos falado sobre música armorial. Novamente lhe perguntei se nos encontraríamos depois, mas ele disse polidamente que se recolheria e não daria mais entrevistas, apenas receberia a fotógrafa enviada pela Continente.

Antes da despedida, uma mera palavra desencadeou uma confissão emblemática: “Koellreutter (introdutor do serialismo no Brasil) vem pra cá jogar essa… eu não digo lama porque Chico Science fez essa coisa genial que é Da lama ao caos. Lama agora é um negócio sério…”. Intervim logo e lembrei-lhe que, em nossa primeira entrevista (em 2002), ele havia chamado a música de Chico Science de “uma mixórdia para despistar a incrível pobreza do produto final”.

Então veio o inesperado mea culpa: “Eu estava totalmente errado… Totalmente errado…”. Após as duas frases pausadas, refletiu: “Aquilo foi muito mal. Praticamente o desmoralizamos (ele e Ariano Suassuna)… Fui muito superficial… Não examinei direito…”. Relembrou a origem do equívoco: “Eu tinha ouvido uma música dele e falei ‘não é por aí’, mas era”. E, antes de me conduzir ao elevador, humildemente admitiu: “Ariano, ao falar com ele, estava totalmente por fora; eu também”. 

CARLOS EDUARDO AMARAL, crítico musical e mestre em Comunicação pela UFPE.

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JARBAS MACIEL – FALECEU NESTE DOMINGO, 01/08/2019, NO RECIFE.


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JARBAS MACIEL, ARIANO SUASSUNA etc.

documento302JARBAS-out-2014

arianosuassuna

DOIS “PERNAMBUCANOS” DA PEIA… (Ariano é paraibano, mas passou mais da metade da vida em Recife).

Na foto acima, Jarbas está ouvindo um “moderno” galena que montou ele mesmo… sintoniza tudo, até pensamento… na foto de Ariano, ele está fazendo a gozação…

documento302 (1)

 

Transcrito da Revista CONTINENTE, de Recife revistacontinente.com.br

de set14 – Perfil: Trajetória do professor e instrumentista é marcada por momentos determinantes da música brasileira. (página 52).

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O MICROSOFT VISUAL BASIC 6 VOLTOU !!!

Você , depois de algum tempo, tem que “dominar” a máquina! !!! O VB6 é a solução!!!

Ele, o VB6, proveio do FORTRAN e se manteve como quinta escolha mundial no campo da programação (ver Tiobe). É simples e sua programação RAD é atraente,  eficiente e muto fácil de aprender, principalmente na parte de cálculos,

VEJA NO GOOGLE = HÁ EXTENSA BIBLIOGRAFIA A RESPEITO do ASSUNTO MS VB6.

AGORA, POSSO EDITAR (PUBLICAR) MEU LIVRO, COM 40 PROGRAMAS NO NOVO VISUAL BASIC 6, COM UM DISCO ENCARTADO !!!

AQUI, NA REGIÃO DOS LAGOS, QUEM RECUPEROU TUDO E EXECUTOU AS INSTALAÇÕES NO MEU DESKTOP FOI O ADRIANO: adriano.m.silveira@hotmail.com

ALGORITMOS ASTRONÔMICOS = meu livro “menina-dos-olhos” desfigurado pela editora

Neste livro, deito e rolo em cálculos úteis de Astronomia; tudo perdido, pela “boa-vontade” do editor. A editora Schoba é altamente desonesta: faz tiragens sem autorização do Autor, não teme o processo na Justiça (sabe das dificuldades), quem não quiser  … Continuar lendo 

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PARA APRENDER QUALQUER COISA… portugês, linguas estrangeiras, matemática, física, astronomia, ETC.ETC.

COMO EXEMPLO: (mas no geral, é o mesmo procedimento: Astronomia: definições e fórmulas, Matemática, Física, etc.etc). Seja criativo, conforme sua necessidade. Planilha para aprender inglês no Excel por: Maximiliano Meyer em Planilhas Está aprendendo inglês? Então esta planilha é para você. … Continuar lendo 

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ASTRONOMIA & COMPUTADOR

 

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ASTRONOMIA & COMPUTADOR

          (o Curso está presentemente suspenso por motivo independente da nossa vontade  –  a editora não entregou a encomenda do polígrafo) Esta foto acima (capa do polígrafo) é do aplicativo Estrelas, que permite calcular instantaneamente quais astros … Continuar lendo 

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ASTRONOMIA & COMPUTADOR

KRUM – O VENCEDOR – é o nome do meu veleiro da foto de abertura do meu portal, visto acima, de popa, nos Abrolhos, vendo-se o famoso Farol ABROLHOS  –  AV (.-  …- : dit dah   dit dit dit dah), … Continuar lendo 

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ASTRONOMIA & COMPUTADOR – Curso Compacto, prático.

(apostila) – esta foto acima é do aplicativo Estrelas, que lhe permite saber quais astros você poderá ver em qualquer dia, além de outros dados importantes. A foto abaixo, é do veleiro de oceano Bruce&Roberts, de 27 pés (8,22 metros), para … Continuar lendo 

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ASTRONOMIA & COMPUTADOR

  Uma das contradições mais curiosas de nosso tempo é o fato de vivermos em pleno alvorecer da Era Espacial, mas raramente nos determos para contemplar o céu estrelado. As riquezas celestes de nosso céu austral não parecem frequentar a … Continuar lendo 

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ALGORITMOS ASTRONÔMICOS – livro fantástico … ou muito mais.

  N Estou terminando o texto do meu quinto livro: Algoritmos Astronômicos – abordagem por aplicativos. Ele contem encartado um CD-ROM com 40 aplicativos (inclusive com as respectivas listagens) e profusão de exemplos. Plataforma Windows. A relação é a seguinte: … Continuar lendo 

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VARIANDO DE ASSUNTO: ALGORITMOS ASTRONÔMICOS – livro eletrônico (e-Book)

ALGORITMOS ASTRONÔMICOS AlgAstron e-Book O livro pode ser adquirido na versão e-book na Amazon.com (remessa instantânea online, para Kindle – preferencialmente –  ou qualquer tablet) ou ler ou baixar grátis no site clubedavela.com.br onde você poderá resolver alguns problemas, como exemplo, … Continuar lendo 

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  VB5/VB6 – Pondo em prática a Programação orientada a objetos


Com a chegada da plataforma .NET , e , mais especificamente do VB .NET  , ventos novos estão soprando. Agora o VB .NET tem todo o suporte de uma linguagem orientada a objetos. Você então deve ficar esperto e correr atrás do prejuízo se ainda não manja nada de conceitos sobre orientação a objetos. Se você quiser ser um bom programador na plataforma .NET vai ter que ter um base sólida em orientação a objeto.

Este artigo é para quem esta usando ainda o VB5 ou VB6 e precisa aprender a aplicar os conceitos da orientação a objetos na prática. Nada melhor do que começar com a linguagem que você domina. Embora o VB5 e VB6 não sejam realmente linguagens orientadas a objeto (falta a herança) podemos usá-las para assimilar os conceitos da orientação a objetos sem problemas. Com estes conceitos vai ficar mais fácil para você entender melhor a plataforma .NET.

Eu já abordei o assunto em alguns artigos , abaixo o artigo que fala sobre isto no VB6. Dê uma olhada para rever os conceitos básicos que eu não vou repetir aqui a fundo.

  1. Criando Classes no Visual Basic 6.0

Neste artigo , após uma pincelada em alguns conceitos básicos vou mostrar como aplicar estes conceitos em uma aplicação prática que pode ser feita no VB5 ou VB6. Vamos lá… 

Definição de um objeto

Mas afinal o que é um objeto ? 

De forma genérica “um objeto é uma descrição de qualquer coisa que exista dentro do nosso ambiente de estudo”. Quando nos restringimos ao mundo da programação um objeto pode ser definido como “uma entidade que possui a capacidade de reter o seu estado (informação) e o que oferece um certo número de operações (comportamento) para examinar ou afetar este estado”

Para a coisa ficar mais real para você que é um programador VB vamos levar estes conceitos ao mundo VB. Se você já desenvolveu qualquer aplicação VB provavelmente já trabalhou com formulários e controles . Pois bem , se já fez isto , já trabalhou com objetos. Se você considerar um formulário VB vai perceber que ele é um objeto. Quanto o formulário esta em execução no seu projeto VB ele esta apto a:

  1. Salvar o seu estado ( Altura , Largura , titulo , etc…)

  2. Oferecer operações ( Show , Hide , Unload , etc... )

Podemos dizer então que um objeto tem a capacidade de oferecer uma interface de programação ( API ). Para um objeto isto consiste em:

  • Propriedades – a capacidade de definir e/ou obter um valor do estado referenciado por um objeto.( Ex: form1.width )

  • Métodos – rotinas disponíveis que permitem o processamento no interior do objeto.(Ex: form1.show , form1.hide)

Definição de Classe

Uma classe é a descrição ou um modelo para um objeto. Para que um objeto exista deve existir uma classe com as definições pertinentes ao objeto. A classe ‘gera’ o objeto. (Pense na classe como um carimbo , e, em cada figura gerada pelo carimbo como um objeto da classe)

“Um objeto é então uma instância de uma classe , e , uma classe é um tipo a partir do qual podemos gerar muitas instâncias de objetos.”

Vamos fazer uma analogia com o mundo real:

Quando você entra no seu carro  e coloca o chave no contato para dar a partida e sair você não precisa saber nada sobre como o motor do carro vai funcionar . O automóvel fornece uma interface através da qual você interage com o motor e os demais itens. Você só precisa conhecer a interface : ligar a chave , pisar no freio,  ligar as luzes , os faróis , etc.. Neste sentido o carro é um objeto que oferece propriedades (velocidade , nível de combustível, etc) e métodos (dar partida , frear, ligar , etc).

Podemos dizer então que uma classe para representar um objeto deve ter as seguintes características :

  • Fornecer uma interface bem definida com o usuário que permitam a realização de operações válidas com o objeto

  • Ser tão completa quanto possível sem precisar invocar rotinas externas para operar com o objeto

  • Ser robusta de forma rejeitar operações ilegais ou incorretas.

Colocando em prática

Vamos agora criar um projeto em VB com os conceitos acima descritos . Como você deve saber o VB permite que criemos módulos de classe em nosso projetos , mas apenas incluir um módulo de classe no projeto não tornará nossa aplicação orientada a objetos. Temos que modelar e ter um bom desenho do projeto. Com isto estou querendo dizer que você deve ter uma compreensão correta do problema e do projeto e para isto você deve entender o seguinte :

  • Quais são os objetos no sistema

  • Quais são os relacionamentos entre os objetos

  • Quais são as interações entre os objetos

Vamos então criar um projeto no VB que permita o cálculo de uma aplicação financeira onde iremos fornecer a taxa de juros , o período , a aplicação etc.. e iremos obter o resultado do investimento.

Estamos falando de uma aplicação financeira e para isto devemos ter uma conta bancária , quando pensamos em aplicações e conta bancária no vem a mente o seguinte :

  • Saldo

  • Taxa de investimento

  • Deposito

  • Saque

  • cálculo investimento

Agora temos que identificar as propriedades e métodos que devermos criar.

1- Inicie um novo projeto Standard EXE Visual Basic e chame-o de :  AplicaçãoFinanceira. 

2- Agora inclua um módulo de classe a partir do menu : Project | Add Class Module e chame-o de : cContaBancaria

3- Inclua a instrução Option Explicit no início do módulo de classe e defina as variáveis mdblSaldo e mdblTaxaInvestimento como abaixo:

Option Explicit

‘ A classe Conta Bancaria

Private mdblSaldo As Double
Private mdblTaxaInvestimento As Double

4- Agora vamos definir a rotina  – Class_Initialize – que será executada toda vez que o objeto da classe cContaBancaria for instanciado . Podemos dizer que esta rotina é o construtor da classe pois nela iremos atribuir valores iniciais para as variáveis e métodos da classe :

Private Sub Class_Initialize()

‘ O evento Initialize é a primeira rotina que será chamada
‘ quando você criar um objeto cContaBancaria
‘ equivale ao construtor no VB .NET , Java

‘ Ex. Set octaBco = New cContaBancaria

mdblSaldo = 0
Me.TaxaInvestimento = 0
End Sub

5- A rotina – Class_Terminate – esta definida abaixo

Private Sub Class_Terminate()

‘ a rotina Class_Terminate é chamada quando o objeto é destruído ou desalocado da memória

End Sub

6- Agora vamos criar a propriedade – Saldo – que permite obter o saldo da conta. Esta propriedade é somente leitura pois não temos uma propriedade Let que permita atribuir valores ao saldo.

Public Property Get Saldo() As Double

‘ retorna o saldo da conta

Saldo = mdblSaldo

End Property

7- Abaixo a propriedade Get TaxaInvestimento que retorna à taxa

Public Property Get TaxaInvestimento() As Double

‘ Retorna a taxa de investimento

TaxaInvestimento = mdblTaxaInvestimento

End Property

8 – A propriedade Let TaxaInvestimento permite atribuir um valor à taxa.

Public Property Let TaxaInvestimento(ByVal dblNovoTaxaInvestimento As Double)

‘ verifica se a taxa de investimento é válida

If dblNovoTaxaInvestimento < 0 Then
Err.Raise vbObjectError + 2001,  “Conta Bancaria::TaxaInvestimento”,  “Definição de taxa inválida : ” & dblNovoTaxaInvestimento
End If

   ‘ Define a taxa
   mdblTaxaInvestimento = dblNovoTaxaInvestimento
End Property

Passemos agora aos métodos da classe. Iremos ter os seguintes métodos : Saque , Deposito , CalculoInvestimento e ProcessamentoMensal.

9- O método Saque permite realizar um saque na conta. O método faz um verificação para não permitir valores menores que zero e também verifica se a conta tem fundos.

Public Sub Saque(ByVal dblValor As Double)

‘ efetua o saque da conta
‘ faz primeiro a verificação

If dblValor < 0 Then
Err.Raise vbObjectError + 2002,  “Conta Bancaria::Saque”,   “Valor de saque inválido : ” & dblValor
End If

If (mdblSaldo – dblValor) < 0 Then
Err.Raise vbObjectError + 2003, “Conta Bancaria::Saque”, “Insuficiência de fundos”
End If
  ‘Calcula o saldo
mdblSaldo = mdblSaldo – dblValor
End Sub

10- O método – Deposito – permite efetuar depósitos na conta não permitindo depósitos de valores negativos

Public Sub Deposito(ByVal dblValor As Double)

 efetua deposito na conta
‘ faz primeiro uma verificacao

If dblValor <= 0 Then
Err.Raise vbObjectError + 2002, “Conta Bancária::Depósito”, “Valor de depósito inválido : ” & dblValor
End If

mdblSaldo = mdblSaldo + dblValor

End Sub

11- O método – CalculoInvestimento – apenas calcula o valor do investimento usando a taxa de investimento mensal.

Private Sub CalculoInvestimento()

‘ esta rotina é privada para não permitir que programas externos
‘ atualizem o saldo . A atualização somente é possivel pela interface do programa

‘ Atualiza o saldo com a taxa mensal

mdblSaldo = mdblSaldo + (mdblSaldo * (mdblTaxaInvestimento / 100))

End Sub

12 – O método – ProcessamentoMensal – apenas invoca o método cálculo de investimento.

Public Sub ProcessamentoMensal()

‘ Remove o recebimento mensal do saldo
‘ da conta e então atualiza o saldo com a taxa de lucro

CalculoInvestimento

End Sub

Com isto acabamos de concluir o código da classe cContaBancaria. Nele definimos as propriedades : Saldo ,  TaxaInvestimento e os métodos : Saque , Deposito , CalculoInvestimento e ProcessamentoMensal.

Testando a classe cContaBancaria

Vamos agora testar a classe criada. Para isto vamos incluir um formulário – frmContaBancaria – no projeto com o seguinte layout:

– Controles usados no formulário :

  • txtPeriodo – indica o período da aplicação em meses
  • cboMesInicio – indica o número do mês de inicio da aplicação
  • txtTaxa – O valor da taxa de investimento
  • txtAplicacao – O valor da aplicação
  • txtSaque – informa o valor do saque mensal
  • txtSaldo – informa o valor da aplicação mensal calculada com a taxa de investimento
  • command1 – exibe o saldo mensal
  • command2 – Sair

No evento Load do formulário temos o código que carrega a combobox – cboMesInicio – com os números de 1 a 12 referentes a cada mês do ano.

Private Sub Form_Load()
Dim i As Integer
For i = 1 To 12
cboMesInicio.AddItem i
Next
cboMesInicio.ListIndex = 0
End Sub

A seguir o código do evento Click do botão de comando – command1 – é que vai fazer todo o serviço.

Private Sub Command1_Click()
Dim oContaBancaria As cContaBancaria
Dim lmes As Long
On Error GoTo vbErrorHandlerSet oContaBancaria = New cContaBancaria
txtSaldo.Text = “”oContaBancaria.TaxaInvestimento = CDbl(txtTaxa.Text)
oContaBancaria.Deposito CDbl(txtAplicacao.Text)For lmes = (cboMesInicio.Text) To CInt(txtPeriodo.Text)
oContaBancaria.Saque CDbl(txtSaque.Text)
oContaBancaria.ProcessamentoMensal
txtSaldo.Text = txtSaldo.Text & MonthName(lmes) & vbTab & ” Saldo = ” & Format(oContaBancaria.Saldo, “$#,##0.00;($#,##0.00)”) & vbCrLf
NextExit Sub

vbErrorHandler:
MsgBox Err.Number & ” – ” & Err.Description, vbOKOnly, Err.Source
End Sub

Declaramos a variável – oContaBancaria –  que irá fazer referência a classe cContaBancaria e a variável lmes que irá ser usada no laço for/next

A declaração – Set oContaBancaria = New cContaBancaria – cria uma instância do objeto oContaBancaria a partir da classecContaBancaria

oContaBancaria.TaxaInvestimento = CDbl(txtTaxa.Text) – atribui a taxa de investimento a propriedade – TaxaInvestimento – informada no formulário
oContaBancaria.Deposito CDbl(txtAplicacao.Text) – atribui o valor da aplicação via método – Deposito – informada no formulário.

O laço for/next abaixo atribui o valor do saque via método Saque do objeto oContaBancaria e invoca o método ProcessamentoMensal que realiza o calculo do investimento.

For lmes = (cboMesInicio.Text) To CInt(txtPeriodo.Text)
oContaBancaria.Saque CDbl(txtSaque.Text)
oContaBancaria.ProcessamentoMensal
txtSaldo.Text = txtSaldo.Text & MonthName(lmes) & vbTab & ” Saldo = ” & Format(oContaBancaria.Saldo, “$#,##0.00;($#,##0.00)”) & vbCrLf
Next

A linha de código:

txtSaldo.Text = txtSaldo.Text & MonthName(lmes) & vbTab & ” Saldo = ” & Format(oContaBancaria.Saldo, “$#,##0.00;($#,##0.00)”) & vbCrLf

exibe o valor do investimento calculado para cada mês.

Gostou !! acabamos de criar uma classe para calcular o valor de investimento mensal a uma taxa de juros num dado período. Instanciando o objeto oContaBancaria  e através dele usamos as propriedades e métodos da classe em um formulário VB para obter o resultado.

Até o próximo artigo VB .NET 

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Usando Agentes Microsoft
Informações sobre o Computador
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Gerenciamento de estágios
Tutorial Básico ADO.NET
Controle de Despesas pessoais
Sistema Médico – Pacientes
Gerencia de Estágios
Vendas
Gerenciador de Contatos e Data
Toca MP3
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Catálogo de Cds
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Agenda de Endereços
Sistema para Hotel
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Sistema para gerar pesquisas na web(ASP.NET)
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Sistema Bancário Pessoal com acesso ao SQL Server(WPF)
Sistema de gerenciamento para pequenas clínicas(VB .NET)
Sistema de controle de Farmácia(VB .NET)
Editor HTML(C#)
Sistema Abacus – Finanças Pessoais(VB .NET)
Cadastro de Receitas(VB .NET)
Sistema para Livraria (Entity Framework)(WPF e C#)
VB .NET – Super Download de vídeos Youtube
C# – Sistema Help Desk
C# – Sistema para controle de Mangás
Desenhando com VB .NET
VB .NET – Controle Financeiro Pessoal
ASP .NET – E-Commerce simples com carrinho de compras

Controle de Vendas e Estoque ( C# )
Ponto de Vendas com Orçamento e Estoque ( VB .NET )

ASP .NET – Sistema para Agendamento de compromissos (Web Forms)
ASP .NET MVC – Cadastro de Músicas e letras (Razor e Ajax)
ASP .NET MVC – Controle Bancário Pessoal (Razor, Entity Framework, C#)
ASP .NET MVC – Sistema para gerenciamento de Clientes (LINQ e Razor)
ASP – MicroBlog Twitter (ASP .NET Web Forms, C# , ADO .NET )
ASP .NET – Fotos .Net – Compartilhe seus álbuns e fotos (Web Forms, C# , ADO .NET )
ASP .NET MVC –  Gerenciamento de Alunos e Cursos (MVC com C#, Razor e Entity Framework)
ASP .NET MVC – Gerencie projetos e tarefas na web (C#, Razor, Entity Framework e SQL Server)
ASP .NET – Trecho de Código – Compartilhe códigos na web (Web Forms, C# , ADO .NET )

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Referências:


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Enviado por: Macoratti | Data: 7/11/2004 | Acessos: 2953
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Sim, o Visual Basic 6 é imortal! Nesta postagem mostrarei como o instalar no novíssimo Windows 10 Technical Preview. Sigam-me os bons! :-); Ver no Google!!!
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Bolsonaro descobriu mais um general “melancia”…

 

Na sequência de mensagens publicadas em seu perfil no Twitter neste domingo, o Presidente Jair Bolsonaro ironizou o general da reserva Luiz Rocha Paiva, que classificou os comentários do presidente como “antipatrióticos”.

“O melhor de tudo foi ver um único general, Luiz Rocha Paiva, se aliar ao PCdoB de Flávio Dino para me chamar de antipatriótico”, tuitou o presidente.

Este general foi escolhido por Dilma para o seu des-governo …

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