EM PLENA ERA DA FÍSICA QUÂNTICA, e do grafeno, !!!

Minúcias para a defesa da nossa amazônia …

13 ROTINA NA SELVA

“Na paz ou na guerra, defende a terra contra o perigo Com ânimo forte. Se for preciso enfrenta a morte. Afronta se lava com fibra de herói de gente brava” – Guerra Peixe/Barros Filho

Ao entrar na selva, você mergulha no desconhecido, tudo lhe parece igual. Não há pontos ou qualquer indicativo de orientação, de referência, pelo menos aparentemente. Fator de primordial importância para o militar em patrulha: onde está o norte? O exemplo do Coronel Fawcett demonstra plenamente o perigo de penetrar na selva. Ele nunca tinha imaginado ter que ficar inteiramente a mercê dos guias índios. Ficava irascível, tratava a todos com extrema aspereza e foi morto, por isso, com uma bordunada na nuca desfechada por um índio kamaiurá. Caçando em Mato Grosso, algumas vezes me vi perdido. O principal é manter a calma. Sentar, beber um pouco d’água, comer alguma coisa, raciocinar e avaliar a distância que o separa de um ponto conhecido, por onde já tenha passado: este é o raio do círculo de sua salvação. Se você não atravessou algum curso d’água, não vá contribuir para aumentar o problema; volte para o lugar em que você se sentou. Recomece a raciocinar. Daí, a importância de se estar sempre navegando.

Navegação – O treinamento objetivo de navegação

Você, de início, precisa conhecer bem o planeta em que vive; depois, onde ele se situa no sistema solar e na Via Láctea. Sua órbita, suas posições. O dia na Terra, seus movimentos, suas relações no Sistema Solar. Onde você se encontra, sua posição, sobre a superfície terrestre: latitude e longitude. O céu como verdadeiro relógio natural, empregado pelos antigos. Lembre-se de Marco Pólo, caminhando por terras nunca dantes percorridas”, perigosos desertos, guiado pelos astros. Muito antes dos notáveis percursos de Marco Pólo, temos notícias da realização de inúmeras viagens fantásticas pelo mundo desconhecido. O mais antigo longo percurso de que se tem notícia, foi o realizado pelo egípcio Hennu, cujo relato de viagens realizadas há mais de quatro mil anos, está esculpido em pedra que ainda hoje existe; ele percorreu todo o até hoje temido Mar Vermelho, num barco de uma única vela, sozinho. Cerca de dois milênios depois, em Massalia (hoje Marselha), um outro destemido excursionista grego, solitário, Pytheas, realizava um notável percurso tranquilamente, enquanto Alexandre o Grande, rei da Macedônia, batalhava para a expansão de seu já vasto império. Pytheas estudava o céu, as estrelas, particularmente a Polar, os planetas e o fenômeno das marés, trezentos anos antes de Cristo. Homem de ciência, matemático e astrônomo, explorou sozinho em seu veleiro de uma só vela, o Mediterrâneo, passou o estreito de Gibraltar entrando no Atlântico, velejou as costas do que hoje são Portugal, França e Espanha navegando pelo Sol e pelas estrelas. Atravessou o Mar do Norte para a Inglaterra, prosseguindo para a Irlanda, continuando para norte até ser barrado pelo gelo. Foi, portanto, o primeiro explorador do Ártico e o primeiro a afirmar que nas altas latitudes o Sol nunca se põe. Foi também o primeiro a afirmar que a Lua é a principal causa das marés. Os Vikings nos anos 1000 estiveram na América do Norte; depois de meio milênio, veio a Época dos Grandes Descobrimentos, tornada possível pelo Infante D. Henrique, de Portugal, culminando com a primeira volta ao mundo, realizada pela expedição de Magalhães. Nada disso foi feito mediante alguma mágica. Dentro de suas enormes limitações, o homem se esforçava para conhecer o planeta Terra e suas adjacências no espaço em que se encontra hoje, depois da Grande Explosão. Os nossos índios, os moradores da selva, com todo o conhecimento prático que adquiriram, também não fazem nenhuma mágica: eles navegam de maneira semelhante, isto é, vão de um ponto a outro distante com a precisão necessária. Todo esse estudo melhora muito o senso de orientação do combatente, que adquire noções de novas fontes de informações naturais, de grande utilidade na selva. Com isso, o grau de confiança aumenta consideravelmente, uma vez que o risco de ficar perdido na selva é nulo ou minimizado. É necessário que se tenha sempre em mente a posição, uma “visão espacial” da área (e checá-la sempre que houver oportunidade). Isto é conseguido estudando minuciosamente a carta e sobrevoando a área. Fotografias aéreas podem substituir o sobrevôo, caso ele seja impossível. A grande área de operação deve ser bem delimitada na carta ou croquis, e conter latitudes e longitudes, com a indicação dos principais obstáculos, pontos notáveis, rios, relevo, vilas e lugarejos, estradas ou picadas. Como o “Paquera” executava duas missões por dia sobre toda a área, no mínimo, podíamos confirmar a direção (sentido) de Marabá, ou de Xambioá, uma ao norte e a outra a sudeste da nossa área de atuação (dos destacamentos A e B, ao norte da serra das Andorinhas). É uma norma de segurança durante os cursos e nos exercícios de treinamento, que as áreas escolhidas devem ser bem delineadas, limitadas, principalmente para não haver elementos perdidos ou, pelo menos, facilitar o resgate. Como exemplo, um exercício realizado durante o curso de Operações Especiais em 1957: salto de paraquedas no Parque Nacional do Xingu, num ponto entre o rio Xingu e o rio Tauatuari, na margem oposta da aldeia dos kamaiurás e Posto Capitão Vasconcelos, com atuação na área durante 25 dias (marcha e sobrevivência na selva), sem ultrapassar os dois rios. O perigo de alguém se perder fica minimizado, embora seja uma área bem grande e de selva fechada. E uma recomendação expressa para o caso dos perdidos: marchar para NW (no caso o rio Tauatuari) e aguardar resgate por barco com motor de popa (pontão M4) na margem direita. Desse modo, nunca tivemos algum elemento perdido durante os exercícios na selva. Mesmo que sejam absorvidos os conhecimentos rudimentares de astronomia, o civilizado jamais alcançará o sentido das minúcias da natureza como os que nasceram e sempre viveram na mata, tendo o céu como bússola. Uma simples posição anormal de uma folha morta é notada, a bulha dos mutuns significa algo para o nativo, fato que nem é percebido pelo civilizado. Um ruído de um bando de macacos demonstra ao nativoque eles encontraram uma árvore frutífera, que bem poderá ser achada. É a condição da sua existência. Daí a importância de sua dedicação para atingir o limiar de sua competência na ciência da selva e no domínio dos meios disponíveis e muito mais eficazes, inclusive conhecendo suas limitações próprias. O progresso embota os sentidos, afasta da natureza e o civilizado dependerá cada vez mais de instrumentos para suprir suas deficiências. E consegue, mas com muita dedicação. Como não podemos carregar todos eles, os instrumentos, numa longa marcha a pé, temos que incorporar alguns conhecimentos práticos de grande utilidade. O índio, ou o bom mateiro, sabe onde o Sol se encontra durante as horas do dia empregando meios práticos, não necessitando obrigatoriamente enxergá-lo. Para se orientar pelo Sol você tem que saber onde ele se encontra, ou sejam: declinação, altura e azimute. A Lua, embora observada e útil, é menos utilizada devido aos seus efeitos visíveis mais amenos sobre a Terra. O mateiro, ou o índio, é um observador arguto, constante, diário, durante todo o ano, comparando as sombras, tamanho e direção, conforme os lugares e, como não tem bússola, já tem o processo em sua memória. Porém, não sabe explicar. Eles observam quando a sombra é zero (sol à pino), quando os dias são de duração iguais às noites, Sol se distanciando para norte (atravessando para o outro hemisfério). E tudo sem saber o nome dos fenômenos. O mesmo, para algumas poucas constelações e estrelas isoladas, nem sempre sabendo seus nomes (que acham muito complicados) mas que são bem diferenciadas entre si. Tudo muito fácil, muito simples, muito rudimentar, mas muito entranhado na mente do caboclo semi-alfabetizado. Eles têm o céu na memória, sem necessitar saber os nomes de seus componentes, exatamente como os antigos já faziam há mais de 4 mil anos, cada um dando o nome que lhe aprouvesse. Como para eles, na selva, o Cruzeiro do Sul está sempre muito baixo, sempre encoberto pelas altas árvores, é pouco empregado. Observam as constelações conforme a época do ano. Se a camada significativa de nuvens permitir, exercita sempre suas observações. Dos planetas, conhecem Vênus (como Estrela Dalva), Marte (pela cor avermelhada) e Júpiter (azulado, diferente). Sabem as épocas em que Vênus aparece, não fazendo confusão. São muito supersticiosos e gostam de horóscopo, inventando lendas e histórias como processos mnemônicos para fixar na memória a observação. Distinguem os satélites artificiais, mas não acreditam que foram lançados pelo homem; “são aviões muito altos”. Homem na Lua? É brincadeira… Agora, com o GPS, eles devem estar se convencendo. O céu é, assim, muito valorizado e muito observado sempre que seja possível. E têm muito tempo para isso. Deitado em esteira de palha no pátio ou quintal de casa, o mateiro sabe muito bem o rodízio das estrelas no céu, o pequeno adiantamento diário na hora do nascer, passando por sobre a cabeça e morrendo sucessivamente no correr dos anos, divagando sobre Deus e sua obra. Identificam as constelações próprias de cada estação do ano, correlacionando-as com o clima, épocas de plantio. Dão baile em muito estudante universitário desses por aí, que nem sabem que existem estrelas no céu. É realmente impressionante, pelo menos para mim. Certa vez Orlando Vilas Boas me apontou um índio Kamaiurá e declarou “Se ele fosse civilizado, seria um cientista”. Naquela época, 1956, achei que era brincadeira; hoje, sei o por quê da afirmação de quem conhecia profundamente os povos da selva. Costumamos subestimar o conhecimento dos que julgamos ignorantes pelos nossos padrões de aparência: na mata, eles são muito superiores e, principalmente, extremamente humildes. Olham para nós como olhávamos para Einstein… Para compreendê-los, temos que estudar muito e, como nos fica faltando a parte prática intensiva, nunca os igualamos. Na mata, devemos verificar periodicamente a nossa agulha magnética; cuidado com materiais metálicos (armamento, facão, etc.). Nas travessias de cursos d’água, cuidar para protegê-la. Manter sempre o relógio aferido (controlar sua “marcha”, isto é, saber quantos décimos de segundo ele adianta ou atrasa por dia). Os reló- gios eletrônicos modernos, digitais ou analógicos, possuem uma precisão fantástica, mesmo os mais baratos. Dar preferência aos digitais, com lap, isto é, capacidade de parada para determinar um tempo e volta ao tempo corrido anterior. Digitais, porque mostram as horas, sem necessidade de analises (paralaxe). O controle do trajeto, efetuado à base de bússola e distância percorrida fornece uma posição aproximada, estimada. Se conhecemos a altura do Sol, seu azimute magnético e a hora certa, podemos deduzir a nossa posição aproximada, melhor (mais precisa e muito mais comodamente) que com bússola e distância percorrida. Numa longa marcha pela selva, temos que adotar procedimentos diferentes daquelas de simples marchas curtas. Tudo é simples, fácil e pode ser empregado normalmente, sempre que o Sol seja avistado ou vejamos as réstias de sua luz, indicando a altura e o azimute aproxi- mados. Eis porque o nosso croquis deve conter latitudes e longitudes, sempre que possível. O GPS, que não existia na época, é fantástico. Mas deveremos sempre treinar o sistema auto-suficiente. Na selva quase sempre o GPS fica “cego, surdo e mudo”. Com sistema especial de antena externa, podemos melhorar sua recepção, principalmente onde haja abertura da mata, céu visível, em clareiras, margens de rios, estradas. Mas não dispensa o sistema auto-suficiente. O próprio CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) não emprega o GPS normalmente, para obrigar o combatente a se orientar naturalmente. Mas o navegador deve saber profundamente sobre o sistema e seu emprego, sem o menor vacilo. Num salto de páraquedas sobre a selva próxima à fronteira do Suriname, os militares fariam a reorganização da tropa por meio do GPS. Era a Operação Surumú. O americano, então, maliciosamente, desligou o sistema. Caso o exercício tivesse sido realizado com tropa comum, teria sido um desastre, com muitos perdidos na selva.

Guias e Mateiros

As limitações dos guias ou mateiros dizem respeito à dimensão da área de atuação. Em áreas conhecidas, eles são muito úteis, se forem de confiança. Foi o caso lá no Araguaia. Nunca tivemos caso de traição; os guias que escolhi sempre foram de minha inteira confiança (e sempre os mantive armados: eles carregavam a carabina 22 e a reserva de munição do GC). Quando a área é muito grande, o guia não pode ser empregado com segurança, embora o seu senso de orientação e destreza na mata sejam de grande utilidade – caso tivéssemos de estender as buscas e a luta até o Xingu. Nesse caso, eles vão por tentativa e erro, fato que pode não ser percebido pelo comandante do grupo de combate, que normalmente está mais perdido que o mateiro. Isto constitui uma grande perda de tempo, além de um real perigo, que deve ser evitado a qualquer custo. Todos os guias que atuaram na minha equipe conheciam profundamente a região e possuíam profundo senso de orientação. Alguns conheciam bem até o Xingu.

Sobrevivência

Para a sobrevivência na selva, foi previsto o acréscimo de armamento especial auxiliar (espingardas de caça Cal 12 ou 36 e carabinas 22 com silencioso). Um ou dois facões por grupo e a faca individual são peças das mais importantes. A carabina 22 Itajubá com silencioso (projetado pela mesma Fábrica de Itajubá), usando munição curta, é excepcional. Foi graças ao seu emprego que conseguimos caçar sem sermos notados. Era tão boa que ao lado do atirador, poucos metros, só escutávamos um sopro. Sem munição na câmara, o conhecido“bater-côco”, fazia muito mais barulho, metal batendo contra metal, bem nítido na mata a alguns metros. No nosso acampamento de apoio, cozinhavam a qualquer hora, de dia ou de noite, mas nunca relaxavam na vigilância. A ração de combate é de fundamental importância quando na área “quente”, seguindo a batida; consumida fria… mas não há combatente que resista a um prolongado período sem uma refeição quente, três dias no máximo. Não sei se as atuais rações de combate permitem consumilas frias, o que seria uma falha grave, enorme. A capacidade de sobreviver na selva demonstra a qualidade do guerreiro. Para o combatente, sobreviver não significa apenas manter-se vivo. Ele tem que estar sempre em condições de combater e, principalmente, vencer. Não se incomode com o odor do corpo, com a catinga. Acho que as onças que nos espreitavam não atacaram justamente por isso. Todo animal tem o seu odor próprio e o gambá, como maior exemplo, o usa para se defender… Nunca esqueça, aproxime-se do inimigo sempre contra o vento… Sobre os perigos na selva: piranha, arraia, poraquê, pirarara, tiranabóia, jacaré, sucuri e demais cobras, candiru, onça, tamanduás, queixada, escorpião, aranha caranguejeira, formigas e por aí vai, são plenamente contornáveis, não são tão perigosos como se imagina normalmente. Mas, inegavelmente, o pior inimigo são os insetos, os mosquitos transmissores de malária e da leichmaniose, pulgas e carrapatos (filariose). Ao colocar nas costas uma capivara morta, os carrapatos passarão para você, à procura de carne quente, com sangue correndo nas veias; ninguém aguentará uma carga de carrapatos por muitos dias. Durante toda a luta, minha equipe teve algumas baixas pela malária e outras doenças. Cortes e ferimentos, calos nos pés eram os mais comuns, antes de acostumar; bons esparadrapos resistentes à umidade podem aliviar o problema. Embora as atividades diárias fossem muito intensas, as condições de boa alimentação mantiveram a forma física de todos. O principal, porém, eram os chamados“ refrescos” em Bacaba, O que mais incomodava durante as missões, realmente, eram as roupas sempre molhadas, ou pelo suor, pela chuva e pelas travessias; tudo apodrecia, se deteriorava com grande facilidade.

Comunicações

A manutenção das comunicações na selva é um problema crucial nas operações militares. Não só na selva, claro; mas na selva além dos grandes problemas comuns (ruído, interferências, umidade, estática, chuvas torrenciais, proteção para travessia de rios, disponibilidade de frequências, propagação, etc.), principalmente os problemas de frequência e de absorção (amortecimento, enfraquecimento) da onda de rádio são críticos. O nosso esquema adotado era o mais simples possível, o mais imediato: o rádio-portátil, handtalkie VHF/FM da FMC (Fábrica do Material de Comunicações), na rede de combate, na selva, nas ligações terra-ar e terra-terra, com repetidoras na serra das Andorinhas. Uma aeronave da ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação) sobrevoava toda a área diariamente às 10 e às 15 horas ou, eventualmente, se fosse solicitada via rádio por outras alternativas. Os Paraquedistas, que agiam tanto ao norte como ao sul da Serra das Andorinhas, operavam com duas redes Racal, atendidas por repetidoras instaladas no topo da Serra das Andorinhas (inacessível por terra, para o Osvaldão e seus discípulos – até hoje eles não sabem o que ia fazer o helicóptero lá no topo com relativa frequência). A rede fixa de apoio, entre Marabá e Xambioá, com o Centro de Comunicações e Posto Diretor em Marabá com equipamento Collins e um posto de campanha instalado em viatura-comando em Xambioá, fazendo parte da rede de Alto-Comando (a PTJ), a que ligava todas as sedes de Regiões Militares. Os Postos Diretores permaneciam em escuta permanente (H24). A eficiente rede-rádio da FAB, nos fornecia dobramento de meios. A manutenção de toda a rede de campanha (de selva) ficou a cargo do Oficial de Comunicações da 8ª RM, um dinâmico capitão, que não recordo o nome, muito competente que deu conta do recado plenamente: nenhuma patrulha na mata deixou de ter suas comunicações asseguradas, sempre, a despeito das dificuldades, principalmente de suprimento. Dessa maneira, podíamos falar com qualquer região a qualquer hora, independente da propagação. E sempre falamos. De todos os problemas que ocorreram, o das comunicações foi um dos poucos que necessitou a interferência direta do Ministro Orlando Geisel, uma vez que o “obstáculo” era mais graduado que o General Milton. Era o Diretor de Comunicações, que simplesmente não queria fornecer a quantidade necessária de baterias para os equipamentos portáteis das equipes na mata no regime H24. Queria obedecer rigidamente ao mapa de dotação anual do material às Regiões Militares, elaborado com mais de um ano de antecedência, portanto, sem considerar a luta real. Aqui vou tocar ligeiramente num aspecto delicado, que considero ter sido fundamental para a luta, relacionado às comunicações. É preciso reconhecer que a velha guarda tem horror de botoeiras, teclados, microfone, antena, sintonia, e similares. A Arma de Comunicações é por isso evitada até que eles, os chefes, necessitem, principalmente se a necessidade for em emergência, algum pedido de socorro… Talvez, com a guerra eletromagnética, eles mudem de procedimento: ou se acostumam ou confessam sua ignorância. E os princípios de liderança não prevêem o chefe ser ignorante… O militar, quer queira quer não, está sempre estudando para subsistir na profissão. A jovem guarda militar já vem chegando com um laptop debaixo do braço, tinindo, com alguns tera na RAM.

Eu estava no elevador com o General Venturini e o Ministro e escutei ele dizer: “…coloque o Portela numa função irrelevante… Comunicações por exemplo”. Como eu sabia que um general estava retornando ao Exército para efeitos de arregimentação, vi logo de quem se tratava. Depois, disse ao General Venturini que aquele general na DCom (Diretoria de Comunicações) seria um desastre. Dito e feito. O Ministro que criou o caso, que o resolvesse. E resolveu…

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