ÚLTIMO ARTIGO DO CORONEL USTRA

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APRESENTAÇÃO DO ORVIL – TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER

por CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA

 

O fim do regime militar e a Lei da Anistia não trouxeram a pacificação desejada. Crédulos, os militares voltaram às suas atribuições, confiantes na reconciliação de todos os brasileiros. As mãos foram estendidas em sinal de paz, por um dos lados – as mãos dos vencedores da luta armada –, porém, para os vencidos, o combate continuou. Os derrotados trocaram as armas pelas palavras, fazendo questão de não deixar cicatrizar as feridas que procuram manter abertas até os dias de hoje.

Com a chegada ao Brasil dos primeiros banidos e autoexilados, a História começou a ser reescrita. Com os direitos políticos readquiridos, muitos voltaram a seus cargos, outros foram acolhidos por governos simpatizantes de suas ideologias e outros ingressaram em partidos políticos recém-fundados.

Aos poucos, a maioria dos “perseguidos políticos” ocupava cargos públicos, setores da mídia e universidades. Bons formadores de opinião, passaram a usar novas técnicas na batalha pela tomada do poder e pela tentativa de desmoralização das Forças Armadas.

A esquerda revanchista passou a descrever e a mostrar, da forma que lhe convinha, a luta armada no Brasil.

E o fez de maneira capciosa, invertendo, criando e deturpando fatos, enaltecendo terroristas, falseando a história, achincalhando as Forças Armadas e expondo à execração pública aqueles que, cumprindo com o dever, lutaram contra a subversão e o terrorismo em defesa da Nação e do Estado.

Passou a predominar no País a versão dos derrotados, que agiam livremente, sem qualquer contestação. As Forças Armadas, disciplinadas, se mantiveram mudas.

Aos poucos, a farsa dos revanchistas começou a ser aceita como “verdade” pelos que não viveram a época da luta armada e do terrorismo e que passaram a acreditar na versão que lhes era imposta pelos meios de comunicação social.

No segundo semestre de 1985, em razão das acusações formuladas no livro Brasil Nunca Mais e pelas suas repercussões na mídia, a Seção de Informações do Centro de Informações do Exército (CIE) – atual Divisão de Inteligência do Centro de Inteligência do Exército – recebeu a missão de empregar os seus analistas – além de suas funções e encargos normais –, na realização de uma pesquisa histórica, considerando o período que abarcasse os antecedentes imediatos da Contrarrevolução de 31 de março de 1964, até a derrota e o desmantelamento das organizações e partidos que utilizaram a luta armada como instrumento de tomada do poder.

Foi um trabalho minucioso, realizado em equipe, em que, inicialmente, os documentos existentes àquela época no CIE foram analisados e debatidos, conduzindo a novas indagações e a novos interesses. Com isso, as pesquisas foram ampliadas significativamente, incluindo processos, inquéritos, depoimentos de próprio punho de presos, jornais, revistas, gravações de programas de televisão, entrevistas, uma extensa bibliografia nacional e estrangeira e alguns livros de ex-militantes da luta armada.

Todas as pesquisas contribuíram para a elaboração do “Orvil”, diferentemente do trabalho da equipe de D. Paulo Evaristo Arns que, para o livro “Brasil Nunca Mais”, pesquisou os processos e os inquéritos disponíveis na Justiça Militar, de onde extraiu, apenas, o que interessava, desde que fossem acusações de “torturas” e críticas aos militares e civis que os combateram e os derrotaram.

Visando a resguardar o caráter confidencial da pesquisa e a elaboração da obra, foi designada uma palavra-código para se referir ao projeto – Orvil –, livro escrito de forma invertida.

Em fins de 1987, o texto, de aproximadamente mil páginas, estava pronto.

A obra recebeu a denominação de “TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER” e foi classificada com o grau de sigilo reservado, válido até que o livro fosse publicado oficialmente ou que ultrapassasse o período previsto na lei para torná-lo ostensivo.

Concluída e apresentada ao ministro do Exército, General de Exército Leônidas Pires Gonçalves, este não autorizou a sua publicação – que seria a palavra oficial do Exército –, sob a alegação de que a conjuntura política não era oportuna, que o momento era de concórdia, conciliação, harmonia e desarmamento de espíritos e não de confronto, de acusações e de desunião.

Assim, a Instituição permaneceu muda e a farsa dos revanchistas continuou, livre e solta, a inundar o País.

Muitos militares, considerando que a classificação sigilosa “Reservado” já ultrapassara o sigilo imposto pela lei, inconformados com a doutrinação do povo, resolveram divulgar o livro. O “Orvil” foi copiado e difundido entre companheiros, nos últimos anos, na expectativa de que um número cada vez maior de leitores tomasse conhecimento de seu conteúdo.

Muitos exemplares oram distribuídos a amigos, em corrente, e alguns foram entregues a jornalistas.

Em abril de 2007, o Diário de Minas e o Correio Braziliense publicaram, por vários dias, extensa matéria sob o título “Livro Secreto do Exército é revelado”, em que abordaram, de forma irresponsável, maliciosa e panfletária, alguns aspectos que mais lhes interessavam sobre o livro. Logo em seguida, os telejornais fizeram coro à campanha.

Um procurador, mais afoito e atirado, afirmou “que os militares sonegam dados sobre os desaparecidos”. E, de repente, o assunto bombástico desapareceu da mídia, como sempre. Os críticos do livro se recolheram, deixando no ar algumas meias verdades e muitas mentiras.

Assediado pela imprensa, o General Leônidas confirmou a missão atribuída ao CIE de elaborar o livro em 1985 e a decisão de não publicá-lo em 1988, em nome da concórdia, do desarmamento de espírito e da pacificação nacional, como o fora, em 1979, a “Lei da Anistia”.

Em 29 de agosto de 2007, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República lançou, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o livro “Direito à Memória e à Verdade”, praticamente uma cópia do livro “Dos filhos deste solo”, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio. Para os autores desses dois livros, os crimes praticados pelos militantes da luta armada, simplesmente, não existiram. São ”heróis” que precisam ser permanentemente homenageados.

No texto de uma matéria publicada no Correio Braziliense de 31/08/07, o articulista Lucas Figueiredo estabeleceu um ponto de contato, um elo de integração entre o livro “Direito à Memória e a Verdade” e o livro do CIE “As Tentativas de Tomada do Poder”, quando afirmou: “a versão oficial do Exército sobre a morte de desaparecidos políticos é incorporada à história formal do período militar – Livro secreto agora é oficial”, como se o Orvil desse credibilidade às versões publicadas no livro” Direito à Memória e a Verdade”.

Em razão dessa afirmação, descabida e mal-intencionada, e para que os leitores pudessem comparar, avaliar e concluir, divulgamos, em primeira mão, na internet, o “Projeto Orvil” no site da minha mulher – http://www.averdadesufocada.com – para consulta livre e gratuita. Com isso, 66.180 pessoas já acessaram o livro, fizeram download, reproduziram em outros sites e realizaram buscas no mesmo.

Agora, é com muita satisfação que vemos a vontade e a obstinação de militares se tornarem realidade. Assim, finalmente, o Orvil chegará às livrarias, sendo muito mais fácil a sua divulgação, além de proporcionar muito mais comodidade para a sua leitura.

 

Carlos Alberto Brilhante Ustra – Coronel Reformado do Exército Brasileiro

 

“Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas, de armas na mão para que a Nação não fosse levada à anarquia.”

 

Gen Ex Walter Pires de Carvalho e Albuquerque – Ministro do Exército

 

 

 

 

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Uma resposta a ÚLTIMO ARTIGO DO CORONEL USTRA

  1. Romullo diz:

    HÉROI DA PÁTRIA! UM SOLDADO LEGÍTIMO! ALGUÉM QUE NUNCA JUROU EM VÃO PERANTE DEUS VIVER E MORRER PELA PÁTRIA! VERDADEIRO LEÃO !

    As letras altas são um homenagem!

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