EM BREVE

 

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APRESENTAÇÃO

 

 

A constituição de um estado é, segundo Aristóteles, a sua forma, vale dizer, a sua essência. Escrita ou não, é ela que determina a sua organização, como também os seus valores fundamentais e os fins de cada comunidade política que ele integra.

Hobbes ia mais longe, ao afirmar que “a lei fundamental é aquela que, ao ser violada, o estado falha e é totalmente destruído.

Pois bem, os nossos militares, têm um juramento que não poderia ser mais claro : “(…) incorporando-me [às Forças Armadas Brasileiras] prometo (…) dedicar-me inteiramente ao Serviço da Pátria, cuja Honra, Integridade e Instituições defenderei com o sacrificio da própria vida” .

Numa palavra : o “business” do militar é, em última análise, a defesa da constituição do estado. Historicamente, essa agenda começou a ser desafiada com o Iluminismo europeu, sob inspiração de Rousseau, culminando nos ideais da Revolução Francesa e, a partir de 1848, nos diversos programas revolucionários inspirados na ideologia socialista. Rousseau foi o precursor intelectual do totalitarismo dos séculos XIX e XX, cuja expressão mais fiel encontra em Marx e Engels seus mais lídimos representantes. Ambos se sentiam desde o começo atraídos pela versão jacobina do terror de Robespierre, Blanqui, Fourier e Proudhon. Robert Service assinala em sua historia do          comunismo mundial (Difel, Rio, 2015) que a proposta de Blanqui era a de uma revolução violenta “para destituir do poder as classes governantes e estabelecer um regime ditatorial que promovesse o avanço do socialismo” (p.34) . É esse DNA radical que vai contaminar toda a obra de Marx e Engels, tanto no mundo das ideias quanto – e principalmente – no campo do ativismo político, situando-os em franca oposição à tradição democrática.

Segundo Hobbes e Locke, revolução significa guerra e é inseparável da violência. Hobbes faz até uma comparação curiosa entre o homem e as formigas. A sociedade desses insetos nunca se vê ameaçada por rebeliões, ao passo que na sociedade dos homens sempre surgem aqueles que se julgam mais sábios e mais aptos para governar e, porisso mesmo, lutarão por reformas que terminam por levar à guerra civil.

A coisa não fica só por aí . Aristóteles, quando se refere à violência revolucionária, afirma que as rebeliões são levadas a efeito de dois modos : pela força ou pela fraude .

Isso nos leva imediatamente a indagar qual desses caminhos prevaleceu entre nós nesse episódio trágico de nossa história recente ao qual se convencionou chamar de Guerrilha do Araguaia de 1972-1974 .

Infelizmente, mesmo a mais despretensiosa análise do resultado que se seguiu a mais essa arremetida da esquerda no sentido de instalar no Brasil um regime nos moldes das ditaduras socialistas (a primeira tentativa foi a chamada Intentona Comunista de novembro de 1935, sob o comando de Luiz Carlos Prestes), revela que, no final das contas, tudo não passou de mais uma fraude bisonha – a história se repetindo como uma farsa, como diria o próprio Marx.

Millôr Fernandes percebeu isso com clareza extraordinária ao constatar que, por traz da luta armada desastrada e em última análise criminosa, o que havia era uma maquiavélico programa de investimento a longo prazo, cujo retorno veio a se realizar com as polpudas indenizações concedidas a uma seleta comandita de “revolucionários”.

O fato é que a fraude permeou todo o movimento de esquerda que de há muito já havia traído os seus fundamentos históricos, auridos nas assembléias heroicas da Revolução Francesa : o comprometimento com as chamadas classes oprimidas e com a revolução que haveria um dia de melhorar a sua condição. Sob o disfarce de um discurso que elevava a utopia esquerdista à categoria de verdadeiro sucedâneo da religião cristã, o que havia mesmo era um projeto de poder totalmente alheio aos ideais democráticos da Constituição do estado brasileiro. Mas a máscara não poderia se sustentar indefinidamente. Lá fora, era o fracasso e a dissolução da União Soviética e todo o bloco de países comunistas, a queda do muro de Berlin e a extinção da Alemanha Oriental. Aqui no Brasil, o descalabro inevitável desses doze anos de experiência de governo do PT e o veneno mortal da crise ética e moral que se abateu mais recentemente sobre o corpo político brasileiro .

Assim, o aparecimento de mais essa edição, agora corrigida e melhorada, de “Guerrilha do Araguaia”, do coronel Licio Maciel – uma reportagem desassombrada e altamente esclarecedora dos fatos como eles realmente aconteceram –, constitui mais um excelente serviço prestado pela Editora B&E  ao esforço de análise e reinterpretação de aspectos ainda obscuros de nossa história recente.

Jarbas Maciel

Casa Forte, agosto de 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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