UM PAÍS À MATROCA

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UM PAÍS À MATROCA.
“A Instituição será maculada, violentada e conspurcada diante da leniência
de todos aqueles que não pensam, não questionam, não se importam, não se manifestam”
Gen Marco Antonio Felicio da Silva

Diariamente, analistas tentam explicar as causas das manifestações que ocorrem diariamente no Brasil, mostrando-se perplexos com o volume de povo nas ruas, em diferentes cidades e com variadas reivindicações.
As primeiras manifestações, no Rio e São Paulo, foram convocadas pelo” Movimento Passe Livre” (MPL), de inspiração revolucionária e comunista, surgido em meio a realização do Segundo “Foro Social Mundial”, em Porto Alegre, no ano de 2005.
O Foro Social Mundial (FSM) foi criado, no ano de 2000, por dois ativistas políticos ligados ao PT (Oded Grajew e Francisco Witaker), pela CUT e pelo MST com o apoio do presidente do Le Monde, influente jornal francês. Nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2005 reuniu-se em Porto Alegre com o apoio financeiro dos governos petistas de Olívio Dutra e Tarso Genro.
Em sua segunda reunião, em 2002, já abrigava reunião do “Foro de São Paulo” (FSP), organização esta gestada por iniciativa de Fidel Castro, apoiado por Lula, Marco Aurélio Garcia e José Dirceu e que tem por finalidade substituir a ex-Internacional Comunista da extinta União Soviética, reunindo e impondo diretrizes de atuação para todas as entidades, organizações armadas e partidos “socialistas” da América Latina. Lula dirigiu o FSP, desde a sua criação, como presidente, auxiliado por Marco Aurélio Garcia. Quando eleito Presidente da República, tornou-se Presidente de Honra da organização.
O Foro de São Paulo é um “coletivo intelectual” de porte muito maior do que o PT, com poder consultivo e deliberativo. Planejou e dirige a mais espetacular e avassaladora expansão esquerdista já observada no continente. Muito do que realizou a diplomacia presidencial (ideológica) de Lula, inclusive de forma acintosa à soberania brasileira, foi originado dentro do FSP.
Por outro lado, O “Fórum Social Mundial” (FSM) é um evento altermundialista (isto é, reúne os que se opõem a uma globalização fundada no capitalismo e no liberalismo, propondo como solução o socialismo, o comunismo e a anarquia), integrado por movimentos sociais e por variadas organizações dos diversos continentes, com objetivo de elaborar alternativas para uma transformação social global. Sua direção encontra-se em São Paulo. Seu slogan é “UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.
Na origem, o FSM, escondendo sua verdadeira finalidade, a de reerguer o comunismo em todo o mundo, foi proposto como um contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que se realiza anualmente.
Sem dúvida, criou o PT, por meio do FSM, o maior movimento de conscientização de massas, de caráter internacional, que tem se multiplicado, atingindo vários países e, também, classes específicas, cujos encontros, até agora, já apresentam a participação de quase dois milhões de militantes de organizações diversas.
As manifestações que ora conturbam o Brasil, iniciadas pelas convocações do MPL e que desestabilizam o governo petista de Dilma Roussef e a enfraquece como futura candidata, têm como causa as fraturas internas que atingem o próprio PT, ocasionadas por correntes radicais.
Tal conturbação é parte de estratégia maior que visa a aceleração de transferência de poder para as classes “subalternas” (proletariado), alterando a correlação de forças (“burguesia X proletariado”) no processo revolucionário gramsciano, em plena evolução, e que objetiva a “ruptura”, isto é, a implantação da ditadura do proletariado. Logicamente, tem, também, em vista a próxima eleição, objetivando a manutenção do poder conquistado, embora, dificilmente possam contar com Lula tendo em vista a doença que mina seu organismo e o leva a tratamento quimioterápico.
O acima descrito é coerente com documento elaborado pelo PT para ser apresentado na próxima reunião do FSP (início em princípio do próximo mês de julho, em São Paulo) e que mostra a importância da instrumentalização ideológica dos movimentos sociais para a consecução dos objetivos revolucionários, ensinando que, embora seja importante a conquista e manutenção do governo, torna-se necessário mudar as atuais estruturas, tornando-as difíceis de serem modificadas caso um outro partido ganhe as próximas eleições.
O documento afirma, ainda, que “no Brasil, há um importante esforço no sentido de consolidar a CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais – que hoje integra os movimentos sociais mais representativos do País. Também, a recente instalação de uma Comissão de Movimentos Sociais, junto ao Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, mostra que estamos atentos aos desafios de consolidar estruturas próprias para o diálogo partidário com governos e movimentos sociais.”
O que não esperavam os líderes das convocações que têm à frente o MPL é que a classe média iria para as ruas e tomaria a liderança das reivindicações, impedindo, quase que totalmente, a participação e violência de partidos radicais de esquerda e de seus militantes.
Em princípio, com o crescimento da classe média nas ruas, as lideranças do MPL afirmaram, ontem, que não convocariam novas manifestações por terem atingido o objetivo de redução do preço das passagens. Entretanto, pressionadas, pelas correntes radicais já citadas, voltaram atrás e assim, o MPL está dirigindo o foco da agitação para a periferia das grandes cidades onde poderá incitar, com novas bandeiras reivindicatórias, movimentos sociais cujos integrantes, dependentes de programas assistênciais, pertencem ao imenso curral eleitoral criado pelo PT.
Talvez, a violência se torne maior nas manifestações futuras, não só pela atuação de uma militância mais maleável, como também pela presença de bandos criminosos da periferia.
É mister que a classe média continue nas ruas, mostrando a força de sua união em prol de um Brasil melhor e contrário a ideologias exdrúxulas, estas na contramão da História.

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