LEMBRANÇAS DA LUTA ARMADA CONTRA A CANALHA QUE ESTÁ AÍ

EBmarAer cópia

LEMBRANÇAS DA LUTA ARMADA
(referências: Orvil e outras fontes)
Descrição
Em 27 de outubro de 1970, na avenida Vasco da Gama, em Salvador, Bahia, Teodomiro Romeiro, Getúlio de Oliveira e Paulo Pontes, todos membros do então clandestino Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), receberam voz de prisão de quatro agentes do governo. Na ocasião Getúlio conseguiu fugir, sendo perseguido por um dos agentes, mas Teodomiro e Paulo Pontes foram presos e algemados um ao outro. Com a mão esquerda livre, ao entrar no automóvel que os condiziria à prisão, Teodomiro sacou do revolver que estava em sua pasta e disparou três vezes, acertando dois dos agentes, um sargento da aeronáutica, que morreu com um dos tiros, e um agente da polícia federal, que saiu ferido. Preso, Teodomiro foi condenado à morte naquele mesmo ano, mas teve essa pena comutada para prisão perpétua em 1971.
Sabendo-se excluído da anistia política de 1979, Teodomiro Romeiro dos Santos protagonizou, em agosto daquele ano, uma fuga da prisão. Atualmente, Teodomiro Romeiro dos Santos é juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco.
Em 11 de setembro, membros da organização assaltaram o Banco do Brasil, em Maranguape, no Ceará, e roubaram cerca de Cr$ 200.000,00. Na noite de 27 de outubro, Getúlio de Oliveira Cabral, Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, militantes do PCBR, “cobriam um ponto” nas proximidades do Posto São Jorge, na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, quando, de um Jeep Willys, desceram quatro agentes que lhes deram voz de prisão. De imediato, Getúlio saiu correndo. Foi perseguido por um dos agentes, trocando tiros. Os outros dois foram presos e colocados no banco traseiro do Jeep. O pulso direito de Theodomiro foi algemado ao pulso esquerdo de Paulo Pontes. Os três agentes subiram no veículo e conduziram-no, por uns trinta metros, em direção aos tiros, para auxiliar na captura de Getúlio.

371 Foram presos, nessa ocasião, entre outros: Bruno Dauster Magalhães e Silva, Olien Lustosa de Moraes, Nésio Jacques Pereira, Romeu Berto,
Airton Correa de Araújo e Juliano Homem de Siqueira.
372 Participaram do assalto na Bahia: Bruno Maranhão, Fernando Augusto da Fonseca, Antônio Prestes de Paula, Getúlio de oliveira Cabral, José
Adeildo Ramos, Valdir Salles Saboia, Paulo Pontes da Silva, Alberto Vinícius Melo do Nascimento e, no seu batismo de fogo, Theodomiro Romeiro
dos Santos.
373 Em relatório médico, datado de 4 de março de 1971, aparece: “Visto hoje, após oito meses, apresenta um dos quadros mais tristes a que pode
chegar um ente humano. Vive, hoje, depositado em colchão adequado de borracha, cheio d’água; mesmo assim, não foi possível evitar as escaras
decúbito que, a despeito também de todos os cuidados da enfermagem, conta, hoje, com vinte e sete escaras disseminadas praticamente em todo o
corpo, algumas delas já chegando à exposição do osso. Não é capaz de manter conversação. Por vezes, quando estimulado, passa a responder nossas
perguntas por meio de monossílabos. Tem emitido, com frequência, gritos que podemos dizer horripilantes, que são ouvidos em toda a enfermaria
onde se encontra e em outras dependências do Hospital”.
374 Nancy Mangabeira Unger, banida em treze de janeiro de 1971, em troca da vida do embaixador suíço, era filha de pai americano e sua mãe,
brasileira, era filha de Otávio Mangabeira. Por ironia, o próprio consulado americano, sem saber do planejamento do sequestro do cônsul, correu em
sua defesa, alegando a dupla nacionalidade de Nancy, brasileira e norte-americana.

Nesse intervalo, Theodomiro retirou um revólver Taurus, calibre .38, da pasta que portava, e, com a mão esquerda, atirou, pelas costas, no agente que saía do Jeep. Morria ali, traiçoeiramente assassinado, o Sargento da Aeronáutica Walder Xavier LimA, deixando viúva e dois filhos menores.

Ato contínuo, Theodomiro deu mais dois disparos, ferindo o agente da Polícia Federal, Amilton Nonato Borges, sendo dominado pelo outro policial.375

Tal assassinato desencadeou nova leva de prisões em Recife e em Salvador, além das de Elinor Mendes de Brito e Alberto Vinícius Melo do Nascimento, em 29 de novembro, em Pato Branco, no Paraná.
Assustado, o único militante que sobrara da antiga CEx, Bruno Maranhão, fugiu para a França, no final do ano, com sua esposa Suzana.

6. O fim das lideranças carismáticas na ALN
O início de 1970 encontrou a ALN sob o impacto da morte de Carlos Marighella. A organização, órfã do carisma de seu chefe, atuava, sem coordenação nacional, por iniciativa das diversas regionais.
Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo” ou “Velho”, ausente do País desde o sequestro do embaixador norteamericano, impunha-se como o substituto natural de Marighella. Sua reconhecida experiência e a total concordância com o pensamento do líder morto habilitavam-no à chefia nacional da ALN.
“Toledo” encontrava-se na Europa, fazendo contatos e buscando apoio para a luta revolucionária, quando tomou conhecimento da morte de Marighella. Sentindo o momento crítico que vivia a organização, Câmara Ferreira resolveu retornar ao Brasil, via Cuba. Além de se afirmar como herdeiro de Marighella junto às autoridades cubanas, fez contato com militantes do II Exército da ALN376, que haviam concluído o curso de guerrilhas, concitando-os a retornarem ao Brasil
e a retomarem a luta clandestina.

Antes de viajar para o Brasil, aonde chegaria ao final de janeiro de 1910, “Toledo” concedeu entrevista à Rádio Havana, reafirmando os princípios revolucionários de Marighella. A entrevista, publicada no “Diário de las Américas”, editado em Miami, pode ser considerada como uma orientação aos militantes da ALN no Brasil.

Durante a entrevista, “Toledo” confirmou que a revolução brasileira não tinha prazo fixo, e “que as ações de guerrilha urbana, através dos assaltos a bancos e da propaganda armada, deveriam prosseguir num ritmo crescente”. No campo, os revolucionários eram concitados a “matar o gado e distribuir a carne entre a população”. Lamentada como um profundo golpe, a morte de Marighella deveria ser vingada pela eliminação dos responsáveis, a qual seria estendida aos “torturadores, exploradores e norte-americanos”.

Finalizando, relembrava-se que a união das forças revolucionárias, uma ideia constante do pensamento político de Marighella, deveria ser conseguida através de “ações concretas e não nas mesas de discussão”. Citando o sequestro do embaixador norte-americano, realizado pela ALN em “frente” com o MR-8, como um primeiro passo para a unificação das forças revolucionárias, “Toledo” vaticinava a união das organizações revolucionárias brasileiras partidárias da “derrubada
da ditadura pela via armada”.

Em março, “Toledo” estabeleceu para a ALN as tarefas de consolidar a organização, retomar a iniciativa nas cidades e tomar a iniciativa no campo. Em documento divulgado nesse mês, “Toledo” suspendia a ida de militantes para Cuba, afirmando a necessidade da presença de revolucionários no Brasil e a existência de um grande número de militantes com curso de guerrilhas.377

As “quedas” e as frequentes crises de segurança sugeriam prioridade na ida do comando da organização para o campo, com a criação de uma coordenação tática no eixo Rio-São Paulo.
No Uruguai, a ALN, por meio de Carlos Figueiredo de Sá, tentava refazer o esquema de entrada e saída de militantes, através da fronteira, o qual havia caído com a prisão de Frei Beto. Prejudicando parcialmente os planos da organização, no dia 13 de abril de 1970, era preso Luís Carlos Rocha Gaspes, mandado por Carlos Sá, com gráficos que continham roteiros e localidades da fronteira, integrados nos esquemas de trânsito dos subversivos.378

375 Pelo crime, Theodomiro foi condenado à morte, pena essa comutada para prisão perpétua, e, posteriormente, para oito anos. Em 17 de agosto de
1979, fugiu da penitenciária da Bahia, conseguindo asilo na Nunciatura Apostólica e obtendo salvo-conduto para o exterior. Depois de passar alguns
anos em Paris, Theodomiro regressou ao Brasil em setembro de 1985. Recebido como herói, declarou que iria filiar-se ao PT, e que não se arrependia
do ato que havia praticado.
376 Assim ficou conhecido o grupo de militantes da ALN que terminou o curso de guerrilhas de 1969, e que aguardava oportunidade de retornar ao
Brasil.
377 Vários militantes do II Exército da ALN já estavam atuando no Brasil e existia um novo grupo de membros da ALN em Cuba, conhecido como III
Exército da ALN, aguardando o início de um novo curso de guerrilhas.
378 O trânsito de subversivos pelas fronteiras foi planejado em conjunto com Apolônio de Carvalho, do PCBR, e com o ex-major do Exército Joaquim
Pires Cerveira. O Objetivo principal era o envio de militantes para realizarem curso em Cuba e era de interesse geral das organizações adeptas da luta
armada.

Dentro das atividades da ALN no exterior, Carlos Figueiredo de Sá participou, em maio, como delegado da ALN, de uma reunião, em La Paz, com outras organizações terroristas do continente, visando à integração de suas atuações dentro de um quadro revolucionário sul-americano.
Em documento datado de 1970, “Toledo” assinalava a morte de Marighella como a principal causa do adiamento do lançamento da guerrilha rural, afirmando que a organização prosseguia na fase da sua preparação.
No “Relatório sobre a Coordenação da Região Centro-Norte”, ficava definida, a partir de 1969, a vinculação dos trabalhos de Minas Gerais e do Nordeste à Guanabara, na “Coordenação Centro-Norte”. O texto do Relatório, em parte uma autocrítica, denunciava uma vacilação, na aplicação da estratégia que colocava o campo – a área estratégica – como
principal, e diagnosticava a falta de trabalho de massas. Quanto ao relacionamento da ALN com as outras organizações, estabeleceu-se uma política de restrição à execução de ações em “frente”, por questões de segurança.

As ações em “frente” seriam situações excepcionais, na concretização de grandes feitos, como sequestros. Da avaliação dessa documentação e de suas atividades, depreendia-se que o comando da organização, incluindo o controle de pessoal no exterior, estava sob a liderança de “Toledo”. Entretanto, havia uma rebeldia desse pessoal quanto à direção no Brasil, decorrente da falta de um órgão de direção localizado em Cuba.379

“Toledo”, nos seus escritos, fazia ainda uma análise da “situação atual da organização”. A falta de quadros legais era apontada como uma das causas da fraqueza das estruturas revolucionárias, nos grandes centros, e era inibidora da passagem à ofensiva. Criticava a falta de coordenação entre as ações do GTA e da Frente de Massas. E preconizava mudar a qualidade de atuação, de modo a quebrar o isolamento através de ações políticas desenvolvidas pelos setores sociais, e iniciar ou consolidar, caso fosse existente, o trabalho na área estratégica.
Durante esse período de criação e consolidação de suas estruturas no Brasil e no exterior, a ALN sofreria um grande golpe. No dia 23 de outubro, poucos dias depois de conceder uma entrevista à revista “Pensamento Crítico”, seria preso e morreria de enfarte Joaquim Câmara Ferreira.
A prisão de “Toledo” foi o resultado de um paciente trabalho dos órgãos de segurança, que detectaram a presença e a atuação de Maria de Lourdes Rego Melo (“Baixinha”), sua companheira de “aparelho”. Através da vigilância de Maria de Lourdes, chegou-se a um militante da Rede de Apoio, Maurício Segall (“Mathias”) e a Viriato Xavier de Melo Filho (“Torres”), finalizando pela prisão de “Toledo”, na esquina da Avenida Lavandisca com Alameda Javaperis, na capital paulista. Impedido de sacar a arma, “Toledo” reagiu violentamente, chutando e mordendo
seus captores, vindo a sofrer um infarto do miocárdio, que o matou aos 57 anos de idade.
Com o desaparecimento de Joaquim Câmara Ferreira terminava o período de atuação monolítica da ALN, resultado da orientação centralizadora emanada da personalidade forte de seus líderes nacionais. O ciclo, iniciado com Carlos
Marighella, começara a sofrer abalos durante o comando de “Toledo”, através das contestações à linha política e à forma de atuação, formuladas por militantes que se encontravam em Cuba.
Mais cedo do que se pudesse imaginar, a ALN cindir-se-ia pela falta de uma liderança carismática que a pudesse conduzir nos difíceis momentos do confronto armado.
Após a “queda” de “Toledo”, dois anos e meio depois da publicação do primeiro número, a ALN conseguiu divulgar uma edição mal cuidada do número dois do jornal “O Guerrilheiro”. A apresentação e o editorial, assinados por Joaquim
Câmara Ferreira, estimulavam a realização de ações e a criação de grupos revolucionários. Na mesma edição, sob o título “Carta ao Militante”, o jornal anunciava a morte de “Toledo” e concitava a organização a superar o golpe e a levar a proposta de Marighella e de Câmara Ferreira às últimas consequências. Esse artigo, assinado pela “Coordenação Nacional”, era datado de 24 de outubro. A publicação terminava concitando o voto nulo nas eleições de 15 de novembro.

7. As atividades da CR/SP da ALN
Debilitada com as derrotas de 1969, a Coordenação Regional de São Paulo da ALN (CR/SP) resolveu aderir à frente de Mobilização Revolucionária (FMR), constituída por VPR, REDE, POC e MRT. Em janeiro de 1970, Flávio Augusto Neves Leão de Sales integrou-se a uma comissão de levantamento da FHR com representantes das outras organizações.

A partir da segunda quinzena de janeiro, foi duramente golpeado o até então intocado Setor de Massas da CRISP.
Miguel Nakamura e José Alprin Filho, este, importante dirigente do subsetor operário, foram presos no dia 29 de janeiro.
No desenrolar da operação, Maria Luíza Locatelli Garcia Beloque, coordenadora do subsetor estudantil, e sua cunhada, também militante, Leslie Denise Beloque, foram presas no dia 2 de fevereiro. Vários estudantes, militantes desse subsetor, seriam presos nos dias subsequentes.

O Grupo Tático Armado (GTA), coordenado por Guiomar Silva Lopes, reconstituiu-se com os remanescentes do grupo de Carlos Eduardo Pires Fleury e com elementos que agiam na Guanabara. Aos poucos, elementos da Frente de Massas (FM) iam sendo cooptados para comporem o GTA.380

379 Na tentativa de solucionar esse problema, foi definido o retorno, ao Brasil, dos militantes João Leonardo da Silva Rocha e Ricardo Zarattini,
visando à preparação e ao estabelecimento da uma liderança que pudesse atuar em Cuba.

Esse GTA, assim fortalecido, assaltaria a Agência da União de Bancos Brasileiros, na Avenida Jabaquara, em dois de março, e a Agência do Bradesco, no Jaguaré, em 20 de março.
As atenções dos órgãos de segurança continuavam voltadas para o Setor das Massas. Nelson Luiz Lott de Morais Costa, preso na Guanabara, “abriu” um ponto que teria com “Alencar” em São Paulo. Com essa colaboração que Nelson Lott proporcionou, em 20 de março, foi preso Gilberto Luciano Beloque (“Alencar”), o coordenador do Setor, dando sequência à sua desarticulação.
A prisão de “Alencar” irradiou-se, atingindo a Rede de Sustentação (ou de Apoio), em fase de reestruturação após as quedas de 1969, e o próprio GTA. No dia seguinte, era presa a coordenadora do GTA, Guiomar Silva Lopes, e, com ela, Sônia Hipólito, da Rede de Sustentação. Grande número de militantes do Setor de Massas e da Rede de Apoio foi preso na
mesma oportunidade.

Por ocasião de sua prisão, Guiomar Silva Lopes tentou o suicídio, ingerindo substância desconhecida. Atendida no Pronto Socorro Santa Lúcia, foi transferida, por falta de vagas, para o Hospital das Clínicas, onde ficou em observação.

Após algumas horas no hospital, Guiomar, movida pelo fanatismo incutido nos integrantes do GTA, tentou, novamente, o suicídio, lançando-se da janela do 4o andar. Por sorte, ou azar, teve a queda amortecida por um toldo. Com a bacia fraturada, ao sobreviver, foi transferida para o Hospital Geral de São Paulo, estabelecimento militar, onde, com intensa vigilância, pôde restabelecer-se, para responder na justiça por seus crimes.

No prosseguimento das operações, os órgãos de segurança dirigiram-se, no dia 2 de abril, à Rua Zumá de Sá Fernandes, em Presidente Altino, onde residia o militante Dorival Ferreira, da Rede de Apoio. Na tentativa de fuga, Dorival iniciou um tiroteio, ferindo gravemente o soldado da FPESP José Ruiz Gimenez. Insistindo em sua resistência, Dorival foi morto a tiros pelos policiais. No “aparelho”, foi encontrado vasto material destinado à confecção das mais sofisticadas
bombas, além de armamento e de material explosivo. Dorival era o responsável pela fabricação das bombas da CR/SP e já estava estruturado no GTA, tendo participado de vários assaltos.381
José Edézio Brianezzi (“Mariano”), um dos comandantes de grupo do GTA, morreu, em 13 de abril, num enfrentamento com a polícia. Brianezzi, com Antônio dos Três Reis de Oliveira, pretendia montar, ainda em 1970, um “aparelho” rural da ALN, ao norte do Paraná. Ambos eram nascidos em Apucarana e pretendiam utilizar contatos e conhecimentos da área para este empreendimento. Três Reis de Oliveira, igualmente estruturado no GTA e fanatizado pela mística de “não cair vivo”, morreu, em 17 de maio, quando mantinha contatos da “frente” com a militante da VPR Maria Gomes da Silva – também morta no “aparelho” da Rua Caranguataí, no bairro do Tatuapé. Terminava, assim, o projeto de utilizar o Paraná para a instalação de um “aparelho” rural.
As “quedas” de março/abril imobilizaram o GTA por algum tempo. As ações passaram a ser feitas pelo grupo de fogo da Frente de Massas, que assaltou a Agência do Banco do Brasil da Avenida Jabaquara, em 29 de maio, e que, ainda nesse mês, assaltou o supermercado “Peg-Pag” da Avenida Higienópolis.

Ainda em maio, durante uma reunião da Frente de Mobilização Revolucionária, com a presença de “Toledo”, de Lamarca e de Devanir José de Carvalho, foi decidido colocar em execução o planejamento do sequestro do embaixador alemão, realizado pela VPR desde o início do ano.382
Após o assalto ao carro pagador do Banco de Minas Gerais, narrado no item seguinte deste capítulo, “caíram” a militante do GTA Ana Burnsztyn e vários elementos da Frente de Massa, inclusive Rafael de Falco Neto, responsável pela tentativa de reestruturar o setor de imprensa da CRISP.

Ana Burnsztyn foi presa, no dia 14 de julho, por investigadores particulares do Mappin, quando tentava roubar uma sala daquela loja. No momento de sua prisão, Ana sacou um revólver .38, que portava na bolsa. Efetuou dois disparos, atingindo o segurança Isidoro Zambaldi, que ficou gravemente ferido, ficando com sequelas.

No dia 15 de agosto de 1970, foi preso o militante, oriundo da Frente de Massas (FM), Reinaldo Morano Filho.
Reinaldo foi preso num “ponto” com a militante Basia Waitman, que chegava de uma viagem ao Uruguai. Reinaldo esteve envolvido na tentativa de ressurgimento do setor de imprensa da CR/SP, juntamente com Rafael de Falco Neto e Monir Tahan Sab.
Nesse período, o grupo de fogo da FM realizou os seguintes assaltos: ao supermercado “Peg-Pag”, no bairro Indianópolis; a um posto telefônico, no bairro da Liberdade; à Drogasil, da Avenida Jabaquara; e ao supermercado “Ao Barateiro”, da Rua Coronel Diogo. O GTA só voltaria a operar depois de reforçado por militantes do II Exército da ALN, dentre eles Yuri Xavier Pereira e Márcio Leite Toledo.

380 Lembramos que a FM possuía, também, seu poder de fogo e realizava ações. Via de regra, um elemento do GTA dava cobertura às ações da FM.
Exemplificando citamos o assalto a um soldado da FPESP, nas proximidades do Ibirapuera, para “expropriação” de sua arma, realizado no início de
1970 por Hiroaki Torigoe, Venâncio Dias Costa Filho e José Carlos Cianini da Paz (“Clemente”), do GTA.
381 Com a “queda” de Guiomar, José Edênio Brianezzi assumiu a coordenação de um dos grupos do GTA e Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz
passou a coordenar o GTA como um todo, enquanto o outro grupo era liderado por José Milton Barbosa.
382 Ver, no item 29 deste capítulo, a descrição desse sequestro.

Em 15 de setembro, a FMR realizava um assalto ao carro transportador de valores da Brink’s, na Rua Estados Unidos. Essa ação teve a participação de militantes da VPR e do MRT, rendeu 480 mil cruzeiros e resultou em dois guardas de segurança feridos.
Na segunda quinzena de setembro, ocorreu nova reunião da FMR, ampliada com um representante do MR-8, para tratar do sequestro a três diplomatas. As ações ocorreriam consecutivamente em São Paulo, na Guanabara, e no Nordeste, e serviriam para libertar duzentos presos políticos. A resolução, tomada por Devanir José de Carvalho, do HRT, “Toledo”, da ALN, Lamarca, da VPR, e Carlos Alberto Vieira Muniz, não foi colocada em prática.
Ocorreram discussões, envolvendo o número de militantes de cada organização a ser libertado. A VPR exigiu um número idêntico ao da ALN, tendo em vista “não existir organização maior ou menor na frente”.
Enquanto internamente a ALN se via às voltas com as discussões, na FMR, externamente, sob a orientação do Frei Osvaldo Augusto de Rezende Júnior (“Cláudio”), foi montada uma estrutura ligada à FBI, para divulgação de notícias desabonadoras ao Governo brasileiro. Ao mesmo tempo, seria destinada a obter recursos no exterior. Com ligações na Argélia, por meio de Miguel Arraes, o esquema passava por Roma, onde atuavam Frei Osvaldo e os militantes Carlos Henrique Knapp e Eliane Tosca, no Zamikhowski, e chegava a Paris, onde se encontrava Aloísio Nunes Ferreira Filho. Frei Osvaldo mantinha contatos no Partido Comunista Italiano. Visava a conseguir recursos financeiros para atuação da ALN.
Após o trauma da morte de “Toledo” e das “quedas” subsequentes, incluindo um “aparelho” que servia de local de impressão, a ALN prosseguiu seus contatos na FMR, discutindo a questão dos sequestros. O planejamento inicial das três
ações consecutivas, que já apresentava dificuldades, não foi adiante, em decorrência da morte de “Toledo” e de “quedas” do PCBR no Nordeste. Após as eleições de 15 de novembro, foi realizada nova reunião da “frente”, onde Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (“Clemente”) representou a organização. Tratava-se da realização de um sequestro urgente por solicitação da VPR. O MR-8 opinou que a ação só deveria ser realizada em excepcionais condições de segurança. Vencida
pela maioria, a VPR comprometeu-se a não atuar até uma próxima reunião da Frente, que se daria dentro de dois meses.
Quebrando seu compromisso, a VPR realizaria isoladamente o sequestro do embaixador suíço, no dia 7 de dezembro. Tal atitude iria arrefecer o relacionamento das organizações dentro da FMR.

DESTRUIÇÃO DE UMA FAMÍLIA
Antonio Pereira, residente no final da trilha de Pará da Lama, no Araguaia: os terroristas do bando de José Genoíno trucidou o morador João Pereira, filho do morador Antonio Pereira, no páteo da casa humilde, na frente da família e relataram: “…foi para servir de exemplo aos demais, para não terem contato com os militares…”
SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM AOS MILITARES MORTOS NO ARAGUAIA
(trecho de artigo de Maria Joseíta S. Brilhante Ustra)

“Excelente, comovente, além de inédita, a homenagem aos militares mortos na guerrilha do Araguaia, promovida pelo Deputado Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Há anos esperávamos por um ato de reconhecimento a esses verdadeiros heróis, que deram a vida para livrar o país de uma ditadura comunista. Parabéns, Deputado Bolsonaro. Nossos heróis precisam ser lembrados.
Infelizmente, depois de ler, hoje, dia 25 de junho, no Globo , Agência Estadão e Correio Braziliense as reportagens sobre a Sessão Solene, na Câmara dos Deputados, eu passei o dia com a cabeça cheia de perguntas a que eu não consigo responder e, como perguntar não ofende, aí vão algumas delas:
– Por que é tão estranho para alguns setores da mídia que seja feita uma Sessão Solene, em homenagem aos militares mortos, no cumprimento do dever, em combates com guerrilheiros, que não lutavam para redemocratizar o país, como apregoam e, sim, para implantar uma ditadura nos moldes de Cuba? Será que a mídia não sabe que os líderes desse
movimento vinham se preparando, fazendo cursos na China , na União Soviética e em Cuba, muito antes da Contra- Revolução, portanto, em pleno regime democrático ?
– Por que considerar a homenagem provocação aos integrantes de organizações que pegaram em armas, contra irmãos, se, freqüentemente, se homenageia dentro do mesmo Congresso esses subversivos, seqüestradores, só porque hoje se encontram no governo?
-Por que considerar provocação, se Lamarca, traidor, assaltante de banco e assassino é freqüentemente homenageado? Por que Marighela e João Amazonas, iludindo jovens, os levaram à morte, podem ser homenageados como heróis nacionais e os militares que estavam defendendo a Pátria não? Será porque esses e outros militares, que lutaram contra as guerrilhas, evitaram que esses movimentos tomassem vulto e levassem o Brasil a mesma situação da Colômbia, onde as FARC dominam grande parte do país e que, ainda ontem, assassinaram 19 soldados?
-Por que noticiar o “assassinato” de três guerrilheiros e não escrever que foram mortos em enfrentamento que realmente aconteceu com a tropa? Combate é combate e de algum lado ou dos dois, provavelmente, haverá feridos e talvez mortos. Assassinatos, foram os de Albert Boilesen, de Mario Kozel Filho, do marinheiro inglês David Cuthberg, do capitão americano Charles Chandler, do Tenente Alberto Mendes Júnior, do Delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior, do Major alemão Edward Ernest von Westernhagen, do mateiro João Pereira, e muitos outros. Estarei com uma visão errada?
Quando penso no que ouvi na Sessão Solene da Câmara dos Deputados e no que li nos jornais, mais perguntas me vêm a cabeça.
– Por que será que a Mídia omite e deturpa tanto os fatos?
Um jornal publicou, “Bolsonaro comanda sessão de exaltação à tortura”, diz que a sessão “mais se assemelhou a um filme de terror”, só que omitiu que o filme de terror foi a descrição de como os “heróicos guerrilheiros” assassinaram covardemente o adolescente João Pereira, filho de Antônio Pereira”.
Pronunciamento proferido pelo Deputado Federal Jair Bolsonaro na Sessão Solene realizada em 24 de junho de 2005, no Plenário da Câmara dos Deputados, em homenagem aos militares mortos na guerrilha do Araguaia.
Poucos minutos de verdade pelas mãos do jornalista ROBERTO MARINHO, no texto editorial que acabamos de ouvir valem mais que os vinte anos de mentiras proferidas, insistentemente, pelos que hoje estão no poder.
Vivemos a mais completa inversão de valores. Constantemente, são nomeados para cargos de alto escalão do governo “camaradas em armas”. São ex-assaltantes, terroristas, seqüestradores e outros tipos de criminosos que consideram suas atuações legítimas com frágeis justificativas como, por exemplo, o fato de ser a assaltada amante de alguém desonesto.
Assaltos a bancos, seqüestros de autoridades estrangeiras, extorsões, roubos, execuções estavam entre as atividades preferidas do grupo que dizia lutar por democracia e quando seus integrantes eram detidos intitulavam-se presos políticos.
Roberto Marinho iniciou seu editorial relatando com perspicácia de um grande jornalista as graves ameaças de radicalização ideológica, desordem social, corrupção generalizada e os constantes desrespeitos à lei e à ordem. Qualquer semelhança com o atual governo não é mera coincidência. Quantas vezes ouvimos nesta Casa ou lemos em jornais as acusações de José Dirceu e José Genoíno de que na ditadura, segundo eles, existia muita corrupção e nada era apurado porque os militares não deixavam?
E no atual Governo? Por que não querem apurar, dentre muitos outros, casos como “Valdomiro”, “vampiros da saúde”, “correios” e “mensalões”? O que o povo deseja, Senhor Presidente, mais do que a caça aos corruptos é a identificação dos corruptores, raiz do câncer da democracia.
Sem contar o caso do seqüestro, tortura e execução do prefeito Celso Daniel, que também não se deseja apurar! Seria porque a corrupção em Santo André não poderia ser esclarecida sem atingir o PT?
O país está parado num mar de lama vermelha. A primeira vítima do PT, como sempre, foi a verdade. Seus leais escudeiros de mais de 20 anos, os servidores públicos federais. O governo LULA, não cumpriu qualquer promessa de palanque. Não reviu seu plano de cargos e carreira e não recompôs seus baixos salários e quando, forçado por dispositivo constitucional, os humilhou com pífio reajuste de 0,1%.
Que se abram os arquivos do regime militar, mas sem qualquer censura. Admitir que José Dirceu decida o que pode e o que não pode ser levado ao conhecimento público é um deboche. Não adianta o diretor-geral da ABIN, Mauro Marcelo, querer desqualificar parte desses arquivos e, desta forma, censurando-o sob o argumento de que tratam da intimidade daqueles que, com atos terroristas, envergonharam o Brasil. Os nomes e o ato dos estupradores também tem que vir a público. Não admitimos o sigilo de nada nesses arquivos.
Hoje, os pusilânimes estão no poder. A corrupção é o combustível do seu regime. Quando alguém vai ao açougue é para comprar carne, numa padaria para comprar pão e no Congresso é para comprar votos e consciências. O mensalão é o símbolo do corruptor. Só quem vota incondicionalmente com este governo está na lista de suspeitos dos atos que atualmente envergonham o povo brasileiro aqui e no exterior.
Os direitos humanos são uma das bandeiras da esquerda e, não por acaso, visam quase que exclusivamente o direito de bandidos, pois, afinal, defendem o que sempre foram durante o regime militar.
O MST agradece ao governo o estatuto do desarmamento que lhes facilitará futuras invasões de terras. O MST também rende suas homenagens ao ministro da justiça pelo incentivo a invasões de prédios. Os movimentos dos “sem-isto” ou “sem-aquilo” acabarão tomando conta do que julgar que for de sua propriedade. Afinal, propriedade particular existe no dicionário cubano ou dos comunistas?
A retaliação imposta aos integrantes das Forças Armadas não pode passar desapercebida pelos brasileiros. Estes, antes mesmo do estatuto, já foram desarmados. Os militares assistem o seu chefe supremo, Luís Inácio Lula da Silva, não cumprir com a sua palavra de recomposição salarial para o primeiro trimestre deste ano. Um sargento que mente não é promovido ao oficialato, um coronel mentiroso não atinge ao generalato, mas o chefe supremo das Forças Armadas sem palavra ainda fala em reeleição.
Um recruta das FFAA, geralmente filho de desempregado, de humilde trabalhador ou ainda de pai não declarado, além de sequer ter alimentação continuada, percebe mensalmente, a título de remuneração bruta, R$ 168,00. As autoridades constituídas não podem continuar se prevalecendo da disciplina dos militares para subjugá-los.
Não há vergonha maior para qualquer militar de fibra do que assistir suas esposas irem às ruas para reivindicar o cumprimento da palavra por parte do mandatário maior do seu país. A carreira militar, costumo dizer, tem tantos privilégios que nela não encontramos um só filho de ministro, senador, deputado, prefeito, governador, desembargador, juiz ou empresário.
As evasões de oficiais e praças das Forças Armadas nos últimos 5 anos são assustadoras. Lamentavelmente, 679 oficiais e mais de 1.000 subtenentes e sargentos, mão-de-obra altamente qualificada, foram buscar dignidade e respeito para suas famílias na iniciativa privada ou em concursos públicos. Dados do próprio Ministério de Orçamento e Gestão comprovam que os militares ganham de 3 a 4 vezes menos do que os integrantes das demais carreiras típica de Estado.
Este governo não respeita ninguém em nosso país. Os militares não podem dever obediência cega a um cego de princípios.
Chegamos ao absurdo de buscarmos, via CPI, a aplicação dos valores subtraídos dos próprios militares para tratamento de sua saúde. Os recursos dos Fundos de Saúde da Marinha, do Exército e da Aeronáutica estão sendo contingenciados na ordem de 75%. Buscamos, há anos, a criação de fundações de saúde específica para cada Força, contudo o governo não quer abrir mão desta receita fácil mesmo que ela represente o sofrimento e a morte de centenas de militares da ativa, inativos, de pensionistas e de seus dependentes.
A última lei de remuneração, ainda em forma de medida provisória, completa nesta data 4 anos e 6 meses sem ser votada. Com 822 emendas, merece citação no livro dos recordes. Os Presidentes Severino Cavalcante e Renan Calheiros já sinalizaram que estão prontos para colocarem em votação esta MP 2215-10, desde que o Ministério da Defesa assim o queira.
Entendo que, a exemplo dos funcionários da RFFSA que por 2 semanas trabalharam nesta Casa para a rejeição das MPs que extinguiam aquela Empresa, os militares da ativa deveriam ter comportamento idêntico, buscando o Congresso para a rejeição da MP da LRM ou, no mínimo, obtivessem a justa transição para todos os direitos que lhes foram subtraídos de forma covarde.
O que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica escreveram nas páginas da nossa história só nos orgulha. Quanto ao presente, no entanto, nos causa muita apreensão dado à passividade das autoridades militares e pela completa incapacidade de cumprir com o seu papel constitucional. Seu desaparelhamento, beirando ao sucateamento, aliado à desmotivação de seus integrantes, além de interessar ao atual governo revanchista, atendem aos interesses de países do 1º mundo que, há muito, se articulam pela internacionalização da rica e cobiçada Amazônia.
Aos amigos das Forças Armadas e das Polícias Militares, na pessoa do coronel Licio, que bravamente lutaram no Araguaia, nossos reconhecimento e agradecimento. Aos militares que morreram, nossa homenagem. Os senhores, a exemplo dos ex-combatentes da segunda guerra mundial, combateram o bom combate. Na Itália livraram o mundo do nazifacismo. No Araguaia livraram o Brasil do comunismo. A Colômbia não soube combater seus guerrilheiros e hoje tem em seu território os narcotraficantes e terroristas das FARC.
Coronel Licio, hoje devemos ao senhor e aos combatentes do Araguaia o fato de não termos no coração do país uma FARB (Forças Armadas Revolucionárias do Brasil). O seu exemplo e o dos seus companheiros combatentes do Araguaia, certamente, arrastarão os verdadeiros patriotas de hoje para, mais uma vez, impedir que se implante no Brasil, pelo golpismo, uma ditadura sangrenta. – Muito obrigado.

8. O “justiçamento” de Ary Rocha Miranda
Havia pouco tempo, tinham sido incorporados ao GTA os militantes Ary Rocha Miranda e Wilson Conceição Pinto, egressos da Frente de Massas. Após os primeiros assaltos, os dois manifestaram a intenção de afastarem-se por inaptidão àquele tipo de atividade. Foram ameaçados de morte por Monir Tahau Sab, caso resolvessem abandonar a organização.
No dia 11 de julho de 1970, durante o assalto ao carro-pagador do Banco Nacional de Minas Gerais, na chegada à agência do banco, na Av. Nossa Senhora da Lapa, esquina com Afonso Sardinha, Eduardo Leite (“Bacuri”), que se havia agregado à ALN, após o desbaratamento da REDE, em maio de 1970, – feriu “acidentalmente” Wilson Conceição Pinto e Ary Rocha Miranda.
Wilson Conceição Pinto encontrava-se, dentro do esquema do assalto, a cerca de trinta metros do banco, no seu posto de observação, na Av. Nossa Senhora da Lapa, esquina com Afonso Sardinha, quando ouviu um tiroteio na porta do banco. “Bacuri” acabava de ferir mortalmente Ary Rocha Miranda. Momentos depois era a vez de Wilson ser atingido por “Bacuri” com um tiro “transfixante” no braço esquerdo. Ao ligar o surpreendente acontecimento às ameaças de Monir,
Wilson evadiu-se do local, evitando embarcar num dos carros da ação.
Ao procurar socorro no Hospital São Camilo, em São Paulo, Wilson entregou-se às autoridades. Em declarações aos órgãos de segurança, afirmou: “Há muito tempo eu já havia demonstrado a intenção de abandonar a militância na ALN e entregar-me às autoridades. Durante minha militância na ALN, senti que muitos elementos têm disposição para entregarse
a polícia, só não o fazendo por medo de represálias da organização e, também, temorosos de tortura policial que a organização propaga existir, acrescentando detalhes horríveis”. Prosseguiu: “A ALN não dá o devido valor aos operários que conseguem recrutar, alegando falta de nível político. Mesmo dentro da organização, é notória a existência do espírito
de classe”.
Quanto a Ary Rocha Miranda, gravemente ferido, foi transportado de carro, por Hiroaki Torigoe, “Bacuri” e um militante chamado “Francisco”, para o aparelho de “Bacuri”. Por falta de socorro, Ary faleceu por volta das 22h30min daquele mesmo dia. Como “estória de cobertura” para o “acidente”, foi apresentada a versão de que “Bacuri” confundira os dois com policiais. A farsa teve prosseguimento com a ida do militante do GTA Reinaldo Morano Filho, ex-acadêmico de
Medicina, ao “aparelho”, para prestar socorro a Ary, quando este já estava morto.
No dia seguinte, Flávio Augusto Neves Leão de Sales saiu para procurar local para enterrar o morto. Escolhido o local, por volta das 15 horas, Flávio Augusto, Aurora Maria do Nascimento Furtado e “Bacuri” colocaram o cadáver na
mala do carro e realizaram a inumação num terreno em Embu-Guaçu. A família de Ary Rocha Miranda não teve o conforto de ser avisada de sua morte, nem do local do enterro. Mais conveniente seria atribuir o “desaparecimento” de Ary aos órgãos de segurança, como foi feito. Só se tomou conhecimento da trama macabra através das prisões posteriores de
Denise Crispim, a companheira de “Bacuri”, e Reinaldo Morano Filho.
É importante que se ressalte o processo de recrutamento utilizado pela ALN, em relação a Reinaldo Morano Filho.
Reinaldo havia sido preso no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna. Enquanto aguardava julgamento, desenvolvia suas atividades normais na Faculdade de Medicina da USP, onde estudava. No início de novembro de 1969, foi procurado, na faculdade, por uma mulher, até então desconhecida, que lhe afirmou ter informações seguras sobre o processo.
Redundaria na condenação de todos a dois anos de prisão. Em seguida, Trajano Pontes Filho, seu companheiro de apartamento, transmitiu-lhe notícias, nunca confirmadas, de que elementos declarando-se policiais estavam à sua procura. Tais fatos provocaram a fuga de Reinaldo para Salvador, ainda em novembro, e seu ingresso na clandestinidade.
No seu retorno clandestino a São Paulo, fez contato com a mesma mulher na Faculdade de Medicina, acertando seu ingresso na ALN e sendo designado para atuar no desfalcado GTA.

TRUCIDAMENTO DO TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR
No dia 16 de abril de 1970, foi preso, no Rio de Janeiro, Celso Lungaretti, militante do Setor de Inteligência da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações comunistas que seguiam a linha militarista cubana.
Em seus primeiros depoimentos, Lungaretti revelou a existência de uma área de treinamento de guerrilhas, organizada e dirigida pela VPR, localizada num sítio da região de Jacupiranga, próximo de Registro, no Vale da Ribeira, a cerca de 250 quilômetros, ao sul da Grande São Paulo.
Dois dias depois, foi presa, também no Rio de Janeiro, Maria do Carmo Brito, militante da VPR, que confirmou a denúncia de Lungaretti.
Imediatamente, tropas do Exército e da Polícia Militar do Estado de São Paulo foram deslocadas para a área, a fim de apurar a veracidade das declarações dos dois militantes.
Desde janeiro de 1970, a VPR, com a colaboração de outras organizações comunistas, instalara essa área de treinamento sob o comando de Carlos Lamarca – ex-capitão do Exército –, abrigando duas bases, num total de 18 terroristas vindos de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.
As primeiras tropas, ao chegarem à região, em 20 de abril, encontraram apenas nove terroristas na área, pois um já havia saído, no início do mês, e os outros oito, inclusive um boliviano, retiraram-se na manhã daquele dia, por ordem de Lamarca, decorrência da prisão de Flozino, um dos proprietários da área. Permaneceram apenas os elementos necessários para desativar as bases.
Na noite do dia 21, um tiroteio marcou o primeiro choque, e, no dia seguinte, foram descobertas uma base e uma área de treinamento, encontrando-se armamento, munição, alimentos, medicamentos, radiotransmissores, material de acampamento, mapas, fardamentos, bússolas, etc.
Em 26 de abril, foi descoberta nova área de treinamento.
Darcy Rodrigues e José Lavecchia haviam permanecido em um posto de observação, a fim de acompanhar os movimentos das tropas regulares. Entretanto, a quebra de seu radiotransmissor os isolou dos demais terroristas, levandoos a tentar a fuga da área cercada. No dia seguinte, ambos foram presos quando pediam carona na BR-116.
A partir daí, alguns dias passaram sem que houvesse qualquer contato. Uma parte da tropa da Polícia Militar foi retirada; permanecendo, apenas, um pelotão: como voluntário para comandá-lo, apresentou-se um jovem de 23 anos, o
Tenente Alberto Mendes Júnior. Com cinco anos na Polícia Militar, o Tenente Mendes era conhecido, entre seus companheiros, por seu espírito afável, alegre, e pelo altruísmo no cumprimento das missões. Idealista, acreditava que era seu dever permanecer na área, ao lado de seus subordinados.
O dia 8 de maio marcou a tentativa de fuga dos sete terroristas restantes. Alugaram uma picape e, no final da tarde, ao pararem num posto de gasolina, em Eldorado Paulista, foram abordados por seis policiais militares que lhes exigiram a identificação. Apesar de alegarem a condição de caçadores, não conseguiram ser convincentes. Os policiais desconfiaram e, ao tentarem sacar suas armas, foram alvejados por tiros que partiram dos terroristas que se encontravam na carroceria do veículo. Após o tiroteio, sem mortes, a picape rumou para Sete Barras.
Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha que, em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado. Por volta das 21 horas, houve o encontro com os terroristas. Intenso tiroteio foi travado. O Tenente Mendes, em dado momento, verificou que diversos de seus comandados estavam feridos à bala, necessitando de urgentes socorros médicos.
Um dos terroristas, com um golpe astucioso, aproveitando-se daquele momento psicológico, gritou-lhe para que se entregassem. Julgando-se envolvido, o oficial aceitou render-se, desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Os demais componentes da patrulha permaneceram como reféns. O Tenente levou os feridos para Sete Barras sob a intimação de suspender os bloqueios existentes na estrada.
De madrugada, a pé e sozinho, o Tenente Mendes buscou contato com os terroristas, preocupado que estava com o restante de seus homens. Interrogado por Lamarca, afirmou que não havia nenhum bloqueio na direção de Sete Barras.
Todos, então, seguiram para lá. Próximo a essa localidade, foram surpreendidos por um tiroteio. Dois terroristas, Edmauro Gopfert e José Araújo de Nóbrega, desgarraram-se do grupo (foram presos poucos dias depois) e os cinco terroristas restantes embrenharam-se no mato, levando o Tenente da Polícia Militar. Depois de andarem um dia e meio, no início da tarde do dia 10 de maio de 1970, pararam para um descanso. O Tenente Mendes foi acusado de tê-los traído, e foi responsabilizado pelo desaparecimento” dos seus companheiros. Por isso, teria que ser executado. Nesse momento, Carlos Lamarca, Yoshitane Fugimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se; permaneceram Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima para tomar conta do prisioneiro.
Poucos minutos depois, os terroristas retornaram, e, aproximando-se por traz do oficial, desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e contorciase em dores. Diógenes Sobrosa de Souza lhe desferiu outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensanguentada, o Tenente Mendes foi enterrado.
Alguns meses mais tarde, em 8 de setembro de 1970, Ariston Oliveira Lucena, que havia sido preso, apontou o local onde o Tenente Mendes estava enterrado. As fotografias tiradas de seu crânio atestam o horrendo crime cometido.
Ainda em setembro do mesmo ano, a VPR emitiu um comunicado “Ao Povo Brasileiro”, onde tenta justificar o assassinato do Tenente Mendes, no qual aparece o seguinte trecho:
“A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximos ao inimigo, dentro de um cerco que pôde ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O Tenente Mendes foi condenado a morrer a coronhadas de fuzil, e assim foi morto, sendo depois enterrado”.
Dos cinco assassinos do Tenente Mendes, sabe-se que:
o ex-capitão Carlos Lamarca morreu na tarde de 17 de setembro de 1971, no interior da Bahia, durante tiroteio com as forças de segurança;
Yoshitane Fugimore morreu em 5 de dezembro de 1970, em São Paulo, durante tiroteio com as forças de segurança;
Diógenes Sobrosa de Souza e Ariston Oliveira Lucena foram anistiados, em 1979, e vivem livremente no Brasil;
Gilberto Faria Lima fugiu para o exterior e desconhece-se o seu paradeiro atual.

EXECUÇÃO TENEBROSA
A manhã de 23 de março de 1971 encontrou o jovem advogado de 26 anos, Sérgio Moura Barbosa, escrevendo uma carta, em seu quarto de pensão no bairro de Indianópolis, na capital de São Paulo. Os bigodes bem aparados e as longas suíças contrastavam com o aspecto conturbado de seu rosto, que não conseguia esconder a crise pela qual estava passando.
Três frases foram colocadas em destaque na primeira folha da carta: “A Revolução não tem prazo e nem pressa”,
“Não pedimos licença a ninguém para praticar atos revolucionários” e “Não devemos ter medo de errar, prescreveu errar fazendo do que nada fazê-la”. Em torno de cada frase, todas de Carlos Marighella, o jovem tecia ilações próprias tiradas de sua experiência revolucionária como ativo militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Ao mesmo tempo, lembrava-se das profundas transformações que ocorreram em sua vida e em seu pensamento, desde 1967, quando era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e estudante de Sociologia Política da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Pensava casar-se com Maria Inês e já estava iniciando a montagem de um
apartamento na Rua da Consolação.
Naquela época, as concepções militaristas exportadas por Fidel Castro e Che Guevara empolgavam os jovens, e Marighella surgia como o líder comunista que os levaria à tomada do poder através da luta armada.
Impetuoso, desprendido e idealista, largou o PCB e integrou-se ao agrupamento de Marighella, que, no início de 1968, daria origem à ALN. Naquela manhã, a carta servia como repositório de suas dúvidas: “Faço esses comentários a propósito da situação em que nos encontramos: completa defensiva e absoluta falta de imaginação para sairmos dela. O
desafio que se nos apresenta no atual momento é dos mais sérios, na medida em que está em jogo a própria confiança no método de luta que adotamos. O impasse em que nos encontramos ameaça comprometer o movimento revolucionário brasileiro, levando-o, no mínimo, à estagnação e, no máximo, à extinção”.
Esse tom pessimista estava muito longe das esperanças que depositara nos métodos revolucionários cubanos.
Lembrava-se de sua prisão, em fins de julho de 1968, quando fora denunciado por estar pretendendo realizar um curso de guerrilha em Cuba. Conseguindo esconder suas ligações com a ALN, em poucos dias foi liberado. Lembrava-se, também, da sua primeira tentativa para ir a Havana, através de Roma, quando foi detido, em 16 de agosto de 1968, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Conduzido à Polícia do Exército, foi liberado três dias depois. Finalmente, conseguindo o seu intento, permaneceu quase dois anos em Cuba, usando o codinome2 de “Carlos”. Aprendeu a lidar com armamentos e explosivos, a executar sabotagens, a realizar assaltos e familiarizou-se com as técnicas de guerrilhas urbana e rural. Em junho de 1970, voltou ao Brasil, retomando suas ligações com a ALN.
Em face de sua inteligência aguda e dos conhecimentos que trazia de Cuba, rapidamente ascendeu na hierarquia da ALN, passando a trabalhar em nível de sua Coordenação Nacional. Nesse período, em 23 de outubro de 1970, um segundo golpe atingiu duramente a ALN, com a morte de seu líder Joaquim Câmara Ferreira, o “Velho” ou “Toledo”, quase um ano após a morte de Marighella (em novembro de 1969). Lembrava-se que, durante quatro meses, ficou sem ligações com a organização. Premido pela insegurança, não compareceu a vários pontos, sendo destituído da Coordenação Nacional. Não estava concordando com a direção empreendida à ALN e escreveu, na carta, que havia entrado “em entendimento com outros companheiros igualmente em desacordo com a condução dada ao nosso movimento”.
No início de fevereiro de 1971, foi chamado para discussão com a Coordenação Nacional e, na carta, assim descreveu a reunião: “Ao tomarem conhecimento de meu contato paralelo, os companheiros do Comando chamaram-me para uma discussão, a qual transcorreu num clima pouco amistoso, inclusive com o emprego, pelas duas partes, de palavras inconvenientes para uma discussão política. Confesso que fiquei surpreso com a reação dos companheiros por não denotarem qualquer senso de autocrítica e somente entenderem a minha conduta como um simples ato de
indisciplina”. O jovem não sabia que a ALN suspeitava de que houvesse traído o “Velho”.
Com o crescimento de suas indecisões, não aceitou, de pronto, a função que lhe foi oferecida de ser o coordenador
da ALN na Guanabara. Ao aceitá-la, após um período de reflexão, a proposta já fora cancelada. Foi, então, integrado a um “grupo de fogo” da ALN em São Paulo, no qual participara de diversos assaltos até aquela manhã. Seu descontentamento, entretanto, era visível: “Fui integrado nesse grupo, esperando que, finalmente pudesse trabalhar dentro de uma certa faixa de autonomia e seus conhecimentos e técnicas em prol do movimento. Aí permaneci por quase dois meses, e qual não foi a minha decepção verificar que também aí estava anulado… tive a sensação de castração política”. O jovem não sabia que a ALN estava considerando o seu trabalho, no “grupo de fogo”, como desgastante e “ainda somado à vacilação diante do inimigo”.
No final da carta, Sérgio, mantendo a ilusão revolucionária, teceu comentários acerca de sua saída da ALN:
“Assim, já não há nenhuma possibilidade de continuar tolerando os erros e omissões políticas de uma direção que já teve a oportunidade de se corrigir e não o fez.
Em sã consciência, jamais poderei ser acusado de arrivista, oportunista ou derrotista. Não vacilo e não tenho dúvidas quanto às minhas convicções.
Continuarei trabalhando pela Revolução, pois ela é o meu único compromisso.
Procurarei onde possa ser efetivamente útil ao movimento e sobre isto conversaremos pessoalmente”.
Ao final, assinava “Vicente”, o codinome que havia passado a usar depois de seu regresso de Cuba.
Terminada a redação, pegou o seu revólver calibre 38 e uma lata cheia de balas, com um pavio à guisa de bomba caseira, e saiu para “cobrir um ponto” com um militante da ALN. Não sabia que seria traído. Não sabia, inclusive, que o descontentamento da ALN era tanto que ele já havia sido submetido, e condenado, a um “tribunal revolucionário”.
No final da tarde, circulava, procedendo às costumeiras evasivas, pelas ruas do Jardim Europa, tradicional bairro paulistano. Na altura no número 405 da Rua Caçapava, aproximou-se um Volkswagen grená, com dois ocupantes, que dispararam mais de dez tiros de revólver 38 e pistola 9 mm. Um Galaxie, com três elementos, dava cobertura à ação.
2 Codinome: nome falso usado pelos comunistas em suas atividades revolucionárias.
3 “Cobrir um ponto”: comparecer a um ponto de encontro (entre militantes de uma organização comunista).
Apesar da reação do jovem, que chegou a descarregar sua arma, foi atingido por oito disparos. Morto na calçada, seus olhos abertos pareciam traduzir a surpresa de ter reconhecido seus assassinos. Da ação, faziam parte seus companheiros da direção nacional da organização subversiva, Yuri Xavier Pereira e Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Clemente), este último, o autor dos disparos fatais.
Ao lado do corpo, foram jogados panfletos, nos quais a ALN assumia a autoria do “justiçamento”5. São sugestivos os seguintes trechos desse “comunicado”:
“A Ação Libertadora Nacional (ALN) executou, no dia 23 de março de 1971, Márcio Leite Toledo.
Esta execução teve o fim de resguardar a organização.
…………………………………………………………………………………………..
Uma organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir, a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilações desta espécie, muito menos uma defecção deste grau em suas fileiras.
…………………………………………………………………………………………..
Tolerância e conciliação tiveram funestas consequências na revolução brasileira.
Tempera-nos, saber compreender o momento que passa a guerra revolucionária e nossa responsabilidade diante dela é nossa palavra de ordem revolucionária.
Ao assumir responsabilidade na organização, cada quadro deve analisar sua capacidade e seu preparo.
Depois disto, não se permitem recuos.
…………………………………………………………………………………………..
A revolução não admitirá recuos!”
O jovem não era “advogado” e nem se chamava “Sérgio Moura Barbosa”, “Carlos” ou “Vicente”. Seu nome
verdadeiro era Márcio Leite Toledo.
Enterrado dias depois em Bauru, seu irmão mais velho, então Deputado Federal por São Paulo, declarou saber que ele havia sido morto pelos próprios companheiros omunistas.
4. Violência, nunca mais!
Marcos como os descritos – fruto de mentes deturpadas pela ideologia – balizam o caminho sangrento e estéril do terrorismo, que por quase uma década enxovalhou a cultura nacional, intranquilizando e enchendo de dor a família brasileira.
Essas ações degradantes, que acabam de ser narradas, são tidas como atos heroicos pelos seguidores da ideologia
que considera “a violência como o motor da história”. Para essas pessoas, todos os meios são válidos e justificáveis pelos
fins políticos que almejam alcançar. Acolitados por seus iguais, seus nomes, hoje, designam ruas, praças e até escolas no
Rio de Janeiro e em outros locais do País.
Os inquéritos para apuração desses atos criminosos contra a pessoa humana também transitaram na justiça militar entre abril de 1964 e março de 1979. Porém, essas pessoas mortas e feridas, onde se incluem mulheres e até crianças, na maioria, completamente alheias ao enfrentamento ideológico – por serem inocentes e não terroristas –, não estão
incluídas na categoria daquelas protegidas pelos “direitos humanos” de certas sinecuras e nem partilham de uma “humanidade comum” de certas igrejas. Nem parece que a imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única.
A razão, porém, é muito simples. Essa igreja está sabidamente infiltrada, assim como o movimento de Direitos Humanos está dominado, por agentes dessa mesma ideologia, como ficará documentando ao longo deste livro.
Como gostaríamos de poder crer que esses atos cruéis de assassinatos premeditados, assaltos à mão armada, atentados e sequestros com fins políticos e qualquer tipo de violência à pessoa humana não viessem a ocorrer no Brasil, nunca mais!
4 Participaram, ainda, da ação dando-lhe cobertura: Antonio Sérgio de Matos, Paulo de Tarso Celestino da Silva e José Milton Barbosa.
5 Justiçamento: homicídio qualificado, praticado pelos subversivos e terroristas contra companheiros que tentam evitar uma ação ou que abandonam a organização, ou, ainda contra os que, direta ou indiretamente, combatem a subversão.

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