A DISPARADA DOS MELANCIAS

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19 de Março de 2012 – 15h46

General Adhemar da Costa Machado Filho

General AFIRMA: EXÉRCITO É PARA ASSEGURAR O GOVERNO VERMELHO QUE ESTÁ SENDO IMPOSTO AO BRASIL!

E enfatizou, para não deixar dúvida: as Forças Armadas são “um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente”. E foi além. Sem citar explicitamente a Comissão da Verdade, disse: “Nós olhamos para o futuro. Não olhamos pelo espelho retrovisor”.
(Concordo em quase tudo que o general Paulo Chagas escreveu neste texto, todavia discordo totalmente do que foi dito pelo general Adhemar, quando este afirmou durante a palestra, referindo-se as Forças Armadas “somos um instrumento do Estado Brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente”. Todos sabem que as FFAA são instituições de Estado e não de Governo. Neste ponto o palestrante errou e feio. (e ganhou a quarta estrela;
As palavras do general Adhemar da Costa Machado Filho precisam ser registradas.

ELE É, NO MÍNIMO, MELANCIA! É O EB TRAINDO SEUS COMBATENTES, EXPLICITAMENTE!

LEIA E TIRE SUAS CONCLUSÕES !

 

Em palestra perante um auditório de extrema direita e de dirigentes da TFP, o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho afasta a possibilidade de intervenção militar para barrar o desenvolvimento democrático.

Por José Carlos Ruy
Uma notícia de grande importância quase não foi notada no ultimo final de semana: o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, assegurou em palestra perante a cúpula da TFP e de uma parte significativa da extrema direita brasileira que ditadura militar, “nunca mais”.

A palestra foi relatada em artigo do repórter Roldão Arruda em O Estado de S. Paulo (“Caserna longe da crise com o governo”, 17 de março), e a afirmação do general confirma o profissionalismo e o espírito cívico e constitucionalista que prevalece entre os oficiais das Forças Armadas, desautorizando as vozes saudosas da ditadura militar que se manifestam (em documentos assinados inclusive por oficiais acusados de tortura) contra a apuração dos crimes cometidos pela repressão durante os governos militares de 1964 a 1985.

A palestra foi promovida em São Paulo pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que reúne uma parcela considerável da organização ultradireitista Tradição Família e Propriedade. Entre as 200 pessoas que ouviram o general estavam altos dirigentes daquela entidade reacionária, como o príncipe d. Bertrand de Orleans e Bragança (que se apresenta como herdeiro da monarquia brasileira), e o empresário Adolpho Lindenberg, presidente do instituto.

A descontração do general contrastou com a tensão na plateia, diz a reportagem. É compreensível: enquanto aquele comandante enfatizou questões como o profissionalismo dos militares e a modernização das Forças Armadas, o objetivo de seus ouvintes conservadores era outro, claramente político. Como no passado, a extrema direita mantém a esperança de uma intervenção dos militares num quadro político em que a influência conservadora é declinante.

A plateia direitista ouviu o que não quis. A frase do general foi provocada por um bilhete vindo da plateia, que dizia: “O que mais tenho ouvido é elogio ao período militar, em comparação com a situação atual. Urge uma intervenção. Caso contrário seguiremos nessa senda nefasta em direção à ditadura da qual nos livramos em 1964.”

A resposta jogou água fria nas esperanças golpistas insinuadas no bilhete, registrou a reportagem: O general juntou as mãos e, após breve silêncio, respondeu: “Dias atrás me perguntaram: ‘General, quando os senhores voltam?’ Respondi: ‘Nunca mais. O Brasil mudou’.”

E enfatizou, para não deixar dúvida: as Forças Armadas são “um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente”. E foi além. Sem citar explicitamente a Comissão da Verdade, disse: “Nós olhamos para o futuro. Não olhamos pelo espelho retrovisor”.
(Concordo em quase tudo que o general Paulo Chagas escreveu neste texto, todavia discordo totalmente do que foi dito pelo general Adhemar, quando este afirmou durante a palestra, referindo-se as Forças Armadas “somos um instrumento do Estado Brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente”. Todos sabem que as FFAA são instituições de Estado e não de Governo. Neste ponto o palestrante errou e feio. (e ganhou a quarta estrela;
As palavras do general Adhemar da Costa Machado Filho precisam ser registradas. Elas revelam uma inflexão política fundamental ocorrida nas últimas décadas, com o crescimento entre os militares da consciência democrática, legalista e profissionalista, e também da compreensão de que as Forças Armadas são instrumentos constitucionais para a afirmação da soberania nacional. “Somos o quinto país em extensão territorial e a sexta economia do mundo. Um país como esse precisa de Forças Armadas à altura da posição que ocupa”, disse ele, com razão.

A experiência brasileira desde final da Segunda Guerra Mundial foi marcada pela intensa intervenção militar na política e pelo embate entre duas correntes militares. Uma, nacionalista e democrática, lutou pela soberania do país, pelo desenvolvimento econômico e pelo bem estar dos brasileiros. A outra, que unia fascistas, conservadores, autoritários e chefes militares alinhados com os EUA, acabou prevalecendo com o golpe militar de 1964. Sob seu comando a democracia foi eliminada, o desenvolvimento nacional autônomo foi abandonado e o alinhamento automático com os EUA comprometeu gravemente a soberania nacional. O general Castelo Branco, que inaugurou depois do golpe de 1º de abril de 1964 a série de generais presidentes foi explícito nessa afronta à soberania nacional em um discurso pronunciado no Itamarati, em 31 de julho de 1964, quando estava no comando da presidência da República: “no presente contexto de uma confrontação de poder bipolar, com radical divórcio político ideológico entre os dois respectivos centros, a preservação da independência pressupõe a aceitação de certo grau de interdependência, quer no campo militar, quer no econômico, quer no político”. Isto é, pregava abertamente o abandono da soberania nacional, afrontando abertamente a missão constitucional e histórica das Forças Armadas, que é justamente a defesa intransigente da soberania e da independência do país.

A influência dos generais sobre o governo manteve-se até o final do mandato do presidente José Sarney que, particularmente durante o período da elaboração da Constituição de 1988, ficou sob a tutela do então ministro do Exército, o general Leônidas Pires Gonçalves. Um oficial conservador que, entre 1974 e 1977, foi chefe do Estado Mario do então I Exército (no Rio de Janeiro), ao qual o DOI-Codi carioca estava subordinado. Ele estava nessa função quando ocorreu, em São Paulo, em dezembro de 1976, o Massacre da Lapa, articulado por militares da repressão sediados no Rio de Janeiro.

Com Fernando Collor de Mello, que sucedeu a Sarney na presidência da República, teve início o desmonte das Forças Armadas, dentro do projeto de desmonte do Estado Nacional e submissão do Brasil aos ditames das potências imperialistas. Esse projeto foi aprofundado durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, sucateando as Forças Armadas brasileiras, chegando ao vexame de muitos quartéis e instalações militares não terem sequer como alimentar os recrutas, que passaram a ser liberados para fazer suas refeições em casa.

Este foi o resultado nefasto da vitória da corrente antidemocrática que levou à ditadura militar, aos crimes cometidos pela repressão e, no limite – durante os governos civis neoliberais dirigidos pelas mesmas forças da direita que prevaleceram durante a ditadura militar – à ameaça de desmantelamento das Forças Armadas, abrindo mão deste instrumento fundamental para a defesa e afirmação da soberania do país.

O profissionalismo e o sentimento democrático dos oficiais contemporâneos decorrem dessa dupla experiência: primeiro, do aprofundamento das conquistas democráticas no país (“o Brasil mudou”, disse o general) e do alinhamento dos novos oficiais a seus deveres legais e constitucionais. A outra experiência, de caráter corporativo, decorre da ameaça de desmonte enfrentada nos governos neoliberais.

No passado, os políticos conservadores e golpistas que rodeavam os quartéis em busca da intervenção militar eram designados como “cassandras” ou “vivandeiras” – intrigueiros que buscavam o uso da força armada para objetivos particulares, invariavelmente ilegais ou inconstitucionais. Na última quinta-feira, as cassandras contemporâneas, ao fazerem apelo semelhante a um alto comandante do Exército, ouviram um sonoro não. Mais um sinal do declínio da direita fascista e golpista (que combina com o declínio eleitoral dos partidos conservadores, como o DEM, por exemplo), que aponta para a consolidação e fortalecimento institucionais no Brasil. Quem ganha com isso é a democracia.

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5 respostas a A DISPARADA DOS MELANCIAS

  1. Juracimi Baptista da Silva diz:

    Seu pai quando comandou a 9ª Bda Inf Mtz (Es), era chamado de abelhudo e, já demonstrava tendências de apoio a esquerda…

    • michael patury diz:

      Hoje vivemos uma ditadura muito pior que o regime militar!! Ditadura civil e da corrupção! Sinceramente não vejo esperança pra essa nação!

  2. Pingback: AS GARRAS DOS MELANCIAS | Blog do Licio Maciel

  3. A ditadura inicialmente foi chamada de Linha Branda, que previa o rapido retorno à democracia. com o acirramento da oposição armada para tentar uma ditadura de proletáriado, um grupo mais radical assumiu o poder, foi então a ditadura de Linha Dura, que perdurou até Figueiredo.
    Naquele periodo Geisel impementou com Golberi as reformas preparatórias para a abertura e o retorno à democracia, criaram eleições em dois turnos, alteraram a proporcionalidade na representação do Congresso e criaram os biõnicos.
    Em sequência, ainda sob a ditadura de Geisel, eles alçaram o Barba para lider SIndical dos Metalurgicos, havendo muita afinidade ente os metalurgicos e os militares, em função da Industria armamentista, carros de combate, Urutus e Lançadores e a Fabrica de Canhões Oto Melara (Italiana, trazida sob sigilo) que os militares instalaram em Pernambuco.
    A finalidade era preparar a abertura e convocar as eleições, depois da Lei da Anistia, a da recriação de sindicatos com os pelegos e a Central Pelega dos Trabalhadores, de modo que Carlos Prestes e Brizola (para eles as grandes ameaças à Democracia Capitalista) ao retornarem não encontrariam espaço entre os trabalhadores, cooptados pelo jogo com os pelegos, a propaganda, etc…
    Assim ficou estruturada a estrategia da Redemocratização.
    Mas, Figueiredo que dominava a Informação (SNI) quis fazer-se sucessor de Geisel, e rapidamente ganhou as estrelas que lhe faltavam, e “by passou” a varios que o antecediam na hierarqui Militar e recebeu a faixa (num verdadeiro jogo da gata parida onde os que estão nas beiradas caem do banco) mas, tudo indica que não era Figueiredo o objetivo do Estrategista Geisel. Então o processo foi adiado para acesso de um civil somente em 1985.
    Foi então aí que terminou a Linha Dura e começou a Ditadura dos Oportunistas exploradores. Pelegos alçados ao poder pelas estrategias de Geisel, tendo em Nelson Jobim seu fiel guardião, no congresso, No Judiciario (STF) e depois como Ministro controlando as FFAA !
    2014 é o FIM da Era Geisel e seus Oportunistas exploradores, nesta REPUBLICA PELEGA !
    Vamos REMOVER ESTA CORRUPÇÃO, ACABAR COM ESTA FARSA BRASILEIRA, ELEGENDO NOVOS VALORES E NÃO REELEGENDO NENHUM DESTES QUE ESTÃO AÍ E QUE FIZERAM ESTA REPUBLICA PELEGA !

  4. Tektonike diz:

    Reblogged this on Tektoniké – Edificando na Internet. and commented:
    A ditadura inicialmente foi chamada de Linha Branda, que previa o rapido retorno à democracia. com o acirramento da oposição armada para tentar uma ditadura de proletáriado, um grupo mais radical assumiu o poder, foi então a ditadura de Linha Dura, que perdurou até Figueiredo.
    Naquele periodo Geisel impementou com Golberi as reformas preparatórias para a abertura e o retorno à democracia, criaram eleições em dois turnos, alteraram a proporcionalidade na representação do Congresso e criaram os biõnicos.
    Em sequência, ainda sob a ditadura de Geisel, eles alçaram o Barba para lider SIndical dos Metalurgicos, havendo muita afinidade ente os metalurgicos e os militares, em função da Industria armamentista, carros de combate, Urutus e Lançadores e a Fabrica de Canhões Oto Melara (Italiana, trazida sob sigilo) que os militares instalaram em Pernambuco.
    A finalidade era preparar a abertura e convocar as eleições, depois da Lei da Anistia, a da recriação de sindicatos com os pelegos e a Central Pelega dos Trabalhadores, de modo que Carlos Prestes e Brizola (para eles as grandes ameaças à Democracia Capitalista) ao retornarem não encontrariam espaço entre os trabalhadores, cooptados pelo jogo com os pelegos, a propaganda, etc…
    Assim ficou estruturada a estrategia da Redemocratização.
    Mas, Figueiredo que dominava a Informação (SNI) quis fazer-se sucessor de Geisel, e rapidamente ganhou as estrelas que lhe faltavam, e “by passou” a varios que o antecediam na hierarqui Militar e recebeu a faixa (num verdadeiro jogo da gata parida onde os que estão nas beiradas caem do banco) mas, tudo indica que não era Figueiredo o objetivo do Estrategista Geisel. Então o processo foi adiado para acesso de um civil somente em 1985.
    Foi então aí que terminou a Linha Dura e começou a Ditadura dos Oportunistas exploradores. Pelegos alçados ao poder pelas estrategias de Geisel, tendo em Nelson Jobim seu fiel guardião, no congresso, No Judiciario (STF) e depois como Ministro controlando as FFAA !
    2014 é o FIM da Era Geisel e seus Oportunistas exploradores, nesta REPUBLICA PELEGA !
    Vamos REMOVER ESTA CORRUPÇÃO, ACABAR COM ESTA FARSA BRASILEIRA, ELEGENDO NOVOS VALORES E NÃO REELEGENDO NENHUM DESTES QUE ESTÃO AÍ E QUE FIZERAM ESTA REPUBLICA PELEGA !

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