HISTÓRIA ORAL DO EXÉRCITO – 31 DE MARÇO DE 1964 E O O R V I L – duas obras fantásticas

História Oral do Exército – 31 de Março de 1964 – 15 tomos

O R V I L – 923 páginas

Lendo atenciosamente estas duas obras você saberá muita coisa de suma importância, principalmente porque estamos em condições de “frangalhos…” (estão lá, explícitos, os nomes dos MELANCIAS… num segundo artigo, darei o nome dos anjinhos …). Está tudo lá, confessado por eles mesmos…INCONTESTAVELMENTE”.

Em compensação, temos artigos de verdadeiros militares, como o do Cel. CARUSO.

CORONEL ERNESTO GOMES CARUSO – HISTÓRIA ORAL DO EXÉRCITO   BANDEItremulando1964– 31 DE MARÇO DE 1964

• Natural da Cidade do Rio de Janeiro, RJ.

• Pertence à Turma de 1962 da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), quando foi declarado Aspirante-a-Oficial da Arma de Artilharia.

• Possui todos os cursos regulares do Exército e o curso de Oficial de Radar, da Escoasse (Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea), onde foi, também, instrutor.

• Exerceu a Chefia do Estado-Maior da Artilharia Divisionária da 3a Divisão de

Exército (AD-3), Cruz Alta, RS.

• Comandou o 18o Grupo de Artilharia de Campanha em Rondonópolis, MT.

• É bacharel em Administração de Empresas pela Faculdade Moraes Júnior.

• Após sua passagem para a reserva, foi Gerente de Departamento da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), de 1992 a 1998.

• Possui artigos publicados em jornais e revistas e escreve regularmente no jornal O Farol.

• Em 1964, servia, como Tenente, no 2o GO155, Jundiaí, SP.

Entrevista realizada em 19/02/2004.

1964 – 31 DE MARÇO: O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO E A SUA HISTÓRIA

As minhas primeiras palavras são de agradecimento aos responsáveis pelo Projeto História Oral do Exército Brasileiro pelo honroso convite para fazer este depoimento sobre a Revolução de 31 de Março.

Com regozijo retorno a este sítio, cenário de muitos fatos históricos, dentre os quais destaco o mais marcante – a Proclamação da República – que nos faz lembrar a cada passagem por esta área, delimitada por este Quartel-General, o Campo de Santana e a Casa do Marechal Deodoro.

Por outro lado, o Palácio Duque de Caxias, onde servi por três vezes, me faz retornar ao passado recordando com relação ao tema deste depoimento de um serviço de permanência que tirei no I Exército, quando o guerrilheiro Lamarca, então capitão e desertor, ludibriava seus companheiros, retirando uma viatura com armamento do 4o Regimento de Infantaria, em São Paulo, cujo alarme foi transmiti- do ao Rio de Janeiro naquela oportunidade, surpreendendo a todos, porquanto esse fugitivo aparecia em reportagens ensinando tiro ao alvo a funcionários de bancos, vítimas de assaltos de expropriação.

Com a devida anuência dos responsáveis pelo Projeto em tela, selecionei dois aspectos, de fundamental importância, para o meu relato sobre este marcante capítulo da História recente do nosso País:

– a gratidão e homenagem aos seus maiores e

– o combate aos detratores dos seus feitos.

A gratidão é um dever de todo brasileiro que minimamente acompanhou a trajetória do comunismo após a sua implantação na União Soviética em 1917, com todo o banho de sangue e morte onde buscou impor o seu domínio, como em 1935 no Brasil, criando uma nódoa que não se apagará, embora até hoje os seus adeptos e simpatizantes façam grande esforço para conspurcar a imagem dos nossos heróis, desviando a atenção dos males provocados pelos doutrinadores e ativistas do marxismo-leninismo.

Há que se reconhecer, bradar, exteriorizar esta gratidão e transformá-la concretamente em homenagem aos que fizeram a Revolução de 31 de Março de 1964, naquela fase preliminar, sentindo de perto o perigo de comunização que ameaçava o nosso País, atuando com inegável desprendimento e pondo em perigo as próprias cabeças e carreiras. No desafio a seguir, no momento da sua deflagração, com os riscos de uma luta fratricida, mas com a consciência do que pretendia a Nação, clamando por liberdade e repudiando a doutrina espúria que aliciava os governantes de então, acreditando na certeza do que queria o povo. E, na fase da sua consolidação, vencendo o desvario de terroristas e guerrilheiros, com o sacrifício de muitas.

vidas de civis e militares, que sintetizo na figura de um homem brasileiro, que, ao chamamento da Pátria, foi prestar o serviço militar e é despedaçado pela violência de um ato insano, materializado pelo lançamento de um carro-bomba contra o portão das armas do QG do II Exército, em São Paulo – o Soldado Mário Kozel Filho, promovido a sargento post mortem.

Assim, diante do que presenciava após a anistia, nas ações de iniciativa de governantes e jornalistas em agressão à Revolução e exaltação aos terroristas, guerrilheiros e comunistas, preparei um artigo sob o título “Preito de Gratidão e Início de um Novo Embate”, publicado no Jornal do Brasil no dia 3 de janeiro de 2000. Como se pode observar no jornal, a matéria que havia escrito foi estranha e previamente submetida à entidade contrária para preparar o contraponto, não muito comum na mesma edição. Outros jornais não o publicaram. Desse artigo, destaco o extrato a seguir:

“Quando estava na ativa, apresentei à direção da organização militar, onde servia, uma proposta de monumento em homenagem aos mortos no combate ao comunismo internacional, cuja derrota em 31 de março de 1964 não foi suficiente para neutralizar alguns empedernidos e obcecados brasileiros, que envolvendo jovens idealistas, os conduziram para uma aventura na guerrilha e no terrorismo. Obviamente, houve mortes em ambos os lados e exageros numa natural escalada de ação e reação.

Naquela oportunidade, imagino eu, que meus chefes estavam no firme propósito de fazer uma distensão, a despeito das homenagens de toda ordem prestadas àqueles que assaltaram, sequestraram e bombas fizeram explodir matando compatriotas. Monumentos, praças, ruas e outros logradouros deram nomes aos seus mortos. Suas famílias vêm sendo indenizadas.  Algumas tiveram os processos vetados, mas aprovados em nova votação. Os que estão vivos ocupam diferentes cargos públicos sem contestação e sem serem molestados. Cenário e interpretação perfeitos para os aplausos dos editoriais e das reportagens.

Por outro lado, os vencedores têm alguns de seus representantes persegui- dos civis e militares que estavam na frente de combate, também jovens e comanda- dos, que hoje não podem assumir cargos semelhantes aos ocupados pelos vencidos. Um não pode ser adido militar; outro não pode ser diretor de um hospital e um terceiro não pode ascender a um cargo de destaque na Polícia Federal. São acusa- dos de participarem de ações de tortura. Basta que alguém diga; as palavras significam a vontade do rei, por delegação divina. São afastados peremptoriamente, sem quem os defenda. Aqueles que deveriam fazê-lo não podem estar com a consciência tranquila.  Era uma obrigação postular um tratamento equânime. Afinal, uns são acusados dos tais crimes e não podem assumir cargos, enquanto outros, partícipes

confessos das ações de sequestro e terrorismo, nada lhes é vedado.”

Em suma, a proposta, feita na ativa em torno de 1989, em resposta ao que fizeram em Volta Redonda, ratificada no artigo acima referido, era de se construir o Memorial 31 de Março. A sugestão encontrou audaz defensor no Herói da Segunda Guerra Mundial, General Plínio Pitaluga, a quem reverencio nesta oportunidade. O Clube Militar, na gestão do General Hélio Ibiapina, criou uma comissão, sob a presidência do General Pitaluga, para estudar e apresentar soluções a respeito.  Ainda não se construiu o monumento, mas em 3 de abril de 2002, com a comissão presidida pelo General José Saldanha Fábrega Loureiro, se inaugurou, solenemente, uma placa alusiva no saguão do referido Clube onde se lê:

Homenagem

Ao Movimento Democrático de 31 de Março

Forças democráticas brasileiras, em histórica mobilização cívico-militar, impediram, patrioticamente, em 31 de março de 1964, a submissão do Brasil aos ditames totalitários do movimento comunista internacional.

O memorável acontecimento permitiu a salvaguarda da democracia e a condução do País a um ciclo de extraordinário desenvolvimento.

Esta placa expressa também o nosso eterno reconhecimento aos civis e militares sacrificados, desde 27 de novembro de 1935, em defesa da ordem,

da liberdade e da democracia.

Clube Militar, 31 de março de 2002. – (mudaria o ano para 2014)

A Revista do Clube Militar de janeiro de 2000 e a edição, de Jan./Fev./2000, do Jornal Letras em Marcha também publicaram a matéria.

Continua o sonho e a imperiosa necessidade de se perpetuar a reverência aos que defenderam e, principalmente, deram a vida pela democracia. Deixo, em minha pasta-arquivo, cópia dos projetos do Memorial que apresentamos à referida Comissão.

Observem que até o mentor da Intentona Comunista tem monumento, pois que o Jornal do Brasil publicou matéria referente à inauguração de um memorial em Palmas, TO em sua homenagem, conduzindo-me a escrever e enviar ao citado jornal, em 15 de outubro de 2001, o artigo, evidentemente não publicado, nem como contraponto a posteriori, Comunistas: Ausência de Heróis, onde em um trecho afirmo: “Mais do que linhas arquitetônicas contorcidas artisticamente a cintilar e ofuscar a visão pelo brilho está a mente, que independendo do olhar, sente, no seu mais elevado consciente, a História que se tenta mudar. Tentativa vã, pois a mancha indelével do sangue derramado pelos brasileiros, mortos traiçoeiramente pelo sectarismo dos comunistas em 1935, não será removida pela estampa da armadilha, na forma inconsciente, que ardilosamente disfarçada, pretende substituir o algoz da Intentona pelo pretenso herói da marcha.”

A suntuosidade faraônica, acolhendo uma pequena escultura de Lênin entre outros pertences do fanático adepto da extinta matriz comunista, vai fazer lembrar ao brasileiro que, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, existe um Monumento desprovido do luxo e da assinatura, onde o bronze representa um Soldado, triste- mente atingido por um falso colega, que não defendia o lábaro verde-amarelo, apunhalando-o pelas costas, à noite, como o pior dos inimigos e a mando de outra nação, ainda que vestindo o mesmo uniforme. Torpe mimetismo. Pois, além do rico monumento, virou nome de rua no Rio de Janeiro e provavelmente em outras cidades.  Ao passo que o nome do General Médici tem incomodado os extremistas internacionalistas que têm se empenhando em substituí-lo, sem sucesso por enquanto. Ressalte-se que, no Rio de Janeiro, tentaram apagar a homenagem ao ilustre Presidente, admirado que foi pela gente comum, mas que, diante da forte resistência, se retraíram.

E da séria e lúcida posição do Prefeito César Maia, vetando o projeto.

Aquele homem simples, que usando um radinho de pilha no Estádio do Maracanã era aplaudido pela massa, tem sido o alvo principal da esquerda rancorosa e revanchista.

Por isso, há que se perseguir o objetivo de perenizar os feitos da Revolução, em particular por ter sido um período de incomparável desenvolvimento. Os museus e parques do Exército não podem deixar de contemplar em suas dependências, salas ou salões com farto material para consulta e com guias preparados para divulgá-los. Painéis, fotos dos atos terroristas, dos sequestros, das atrocidades, dos mortos a coronhadas, metralhados, do material apreendido nos aparelhos, das reportagens da época. Onde possível, audiovisuais, filmetes. Não temos feito o contraponto da melhor maneira. A massa de jovens que incorpora anualmente e os frequentadores dos museus precisam ser bem informados. As bibliotecas também podem contribuir de forma semelhante, separando o material para facilitar a transmissão da informação verdadeira.  Por que não se aproveita o momento da propaganda para se divulgar a obra e não somente a entidade? Hoje – há de se reconhecer – mais difícil.

Coronel Caruso, após estas considerações tão oportunas e merecidas sobre os nossos maiores, o que gostaria de relatar a respeito dos detratores das nossas Forças Arma- das e da Revolução de 31 de Março de 1964?

As campanhas de difamação têm sido grandes, em especial nas proximidades

dos dias 31 de março. Lembro de um artigo intitulado “Memória Curta”, publicado

na Revista do Clube Militar de junho de 2000, onde refutando as propagandas do jornal O Estado de São Paulo, escrevi:

“O jornal O Estado de São Paulo veiculou pela televisão, próximo ao 31 de março, uma propaganda em busca de novos adeptos, assinantes e compradores desse periódico de importância nacional”. Seria um fato normal se não usasse expressão de críticas à Revolução Democrática de 1964 como suporte para a sua meta de expansão de vendas. Até porque já se passaram quinze anos de subsequentes governos, de fracos desempenhos, muito longe dos objetivos patrióticos e desenvolvimentistas alcançados no período revolucionário. Melhor seria comentar a ação subserviente do atual Governo que torna sombrio o horizonte dos brasileiros. Também não se pode ter memória curta a bloquear o passado, esquecendo-se da própria e importante contribuição para aquele movimento que livrou o País do sangrento confronto entre a esquerda que se preparava para dar o bote final e uma direita que se armava com toda intensidade para defender suas posições.

Quem teve a oportunidade de ler o livro Março 1964: a mobilização da audácia, editado em 1965, irá relembrar as razões do acima exposto. Os que não leram vão tomar conhecimento do que escreveu o jornalista José Stachini, autor do livro, integrante de O Estado de São Paulo e, como citado no texto, considerado um de seus mais notáveis repórteres.  Logo, aceito como pleno de credibilidade.

A carta do Dr. Júlio de Mesquita Filho, de 20 de janeiro de 1962, ao Estado- Maior clandestino, transcrita no livro, demonstra a articulação posta em andamento para a derrubada do Governo Goulart. Divergindo de alguns pontos, ressalta as falhas dos movimentos de outubro de 1945, contra a ditadura e na queda de Getúlio em agosto de 1954, com a precipitação da entrega do Poder ‘a homens que vinham do mesmo passado’; discute sobre o prazo de permanência de um governo discricionário; trata do expurgo dos quadros do Poder Judiciário, como absolutamente necessário, mas sem violências desnecessárias; opta pela decretação do estado de sítio, de início, com a dissolução das Câmaras, após a conquista da confiança da opinião pública; defende a vigência da Constituição de 1946, com as devidas alterações; propõe nomes para as pastas ministeriais, concluindo que

“seria meio caminho andado para que o País se convencesse de que, afinal, se haviam apagado da nossa História os hiatos abertos na sua evolução pela ditadura do senhor Getúlio Vargas e pela ação corruptora dos seus discípulos nos governos que se sucederam até os nossos dias”; e, com extrema convicção, proclama que:

“Acha-se o País em estado de profunda comoção e não esconde a descrença que o vai dominando, relativamente à possibilidade de sairmos da situação de anarquia e desordem em que desesperadamente nos debatemos.”

A etapa seguinte, de acordo com o livro, foi a apresentação por parte do doutor Júlio de Mesquita Filho aos chefes da conspiração de um projeto de ‘Ato Institucional’, elaborado pelo diretor de O Estado com a colaboração de professor de Direito Constitucional. Os seus dezesseis artigos definem que o governo será constituído por uma Junta Militar, que serão dissolvidos o Senado, a Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais, que governadores e prefeitos poderão ser confirmados ou destituídos com a nomeação de interventores, além de outras providências. Em suma, o que ocorreu efetivamente com a Revolução de 31 de março de 1964 foi muitíssimo mais tímido, muitíssimo mais brando, muitíssimo mais democrático, do que havia sido proposto pelo doutor Júlio de Mesquita Filho.

Estas lembranças têm como objetivo destacar a participação do eminente brasileiro em defesa das instituições democráticas, que estavam sob a ameaça de um governo alienado dos seus compromissos com a Constituição Federal, com a Nação e com o Ocidente. Neste particular, comprometendo as Américas com a implantação de mais um satélite soviético, muitas vezes maior do que Cuba, que, fatalmente, não teria sido da forma incruenta como foi a Revolução de 1964, neutralizando a luta fratricida prestes a se deflagrar.”

Em 16 de maio de 2001, a Tribuna da Imprensa publicou um artigo na coluna opinião intitulado “Os nazistas ianques”, onde consta que “Cuba não inventou facínoras como Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, Videla, Banzer, Gautieri, Pinochet etc. Os nazistas ianques, sim”. Por sinal, tal artigo me foi transmitido pelo nosso General Pitaluga para que eu escrevesse algo em resposta a esse despropósito.  Instado por esse notável anticomunista, fiz uma resposta, em 21 de maio de 2001, denominada Stalinistas Latinos, abaixo transcrita, mas não publicada:

“Se a Base de Alcântara estivesse em vias de ocupação pela antiga União Soviética, como ela já o fez no passado, em Cuba, no início da década de 1960, na célebre crise dos mísseis, com o beneplácito do civil que se apresenta fardado desde a revolução comunista em 1959, alguns brasileiros aplaudiriam de pé, ou quem sabe em genuflexão, à semelhança de outros do mesmo matiz que antes estavam juntos na mesma plateia, mas que hoje justificam a Base de Guantánamo, norte- americana em território cubano, pois costuram um aluguel da Base brasileira, por certo uma abominável agressão à soberania nacional.

Os colegas dos bancos escolares em Cuba, Albânia e China, onde foram aprender técnicas de guerrilha, terrorismo, sequestros e expropriação, são os “neoliberais” que não podendo incendiar Roma, estão destruindo o Estado Brasileiro. Ou será que foram anjos de candura perfeita os integrantes da esquerda armada e desvairada, que velhos e derrotados em 1964, usaram jovens idealistas como ‘buchas-de-canhão’ em ações de contra-ataque, não à ditadura como apregoam, mas, sim, para tentarem mais uma vez transformar o Brasil em um satélite soviético, sonho acalentado desde 1922.

Não há dúvidas quanto às atividades desencadeadas por essas organizações, porquanto seus integrantes, no passado, hoje batem no peito e dizem o que fizeram em filmes e em livros que estão circulando por aí; assaltaram, assassinaram e são merecedores de reportagens e fotografias brindando em taças de cristal. Como grande mártir dessas atrocidades, lembremo-nos do Tenente da PM, SP, Alberto Mendes Júnior, morto a coronhadas de fuzil pelo bando de Lamarca, para que os tiros não revelassem as posições dos guerrilheiros em Registro, SP.

Os nomes das organizações demonstram, com clareza, seus propósitos: Organização Revolucionária Marxista Política Operária, Movimento Armado Revolucionário, Vanguarda Popular Revolucionária, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, Ação Libertadora Nacional etc. O Komintern e os congressos de cunho internacional orientavam as ações no Brasil e em outros países, em especial no Continente Sul-Americano, onde não tiveram tempo nem oportunidade de copiar Stálin, nos processos de extermínio, aos quais mantinham uma submissão inaceitável como se observa no mandamento que determina: ‘Os integrantes do Partido que rejeitam as condições e as teses estabelecidas pela Internacional Comunista devem ser excluídos do Partido.’

Os países vizinhos ao nosso tiveram que enfrentar  Montonero, Tupamaro, Sendero Luminoso, Che Guevara e outras tantas forças revolucionárias, todas inegavelmente comunistas,  cujas ideias básicas repousam no partido único e na economia estatal,  que se desintegraram  com a queda do Muro de Berlim. Foram todas derrotadas com exceção das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que ficaram como testemunho do que estaríamos vivendo, nós brasileiros, se esta Nação e as suas Forças Armadas não tivessem sido as vencedoras. Imagine-se mais a ligação com o narcotráfico, agora escancarada ao mundo, corroborando um dos seus princípios de que os fins justificam os meios.

Vários desses aventureiros que foram capturados, presos, condenados, exila- dos e anistiados estão desfilando pelos palácios, redes de televisão, gabinetes e salas com ar condicionado, de terno e gravata, e bem de vida, graças ao ciclo vitorioso legado pelos Presidentes Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo e ao arrojo de um General Olympio Mourão Filho. Foram patriotas, dignos e desapegados do Poder, porquanto tiveram força suficiente para copiar o guru do Caribe e não o fizeram.

Muitos desses anistiados, compreendendo o passado e revendo posições, se juntam a outros convictos de que estavam certos, mas, envoltos pelo anseio de pacificação, se irmanam com os que se encontravam em trincheiras opostas, na defesa irrestrita dos interesses brasileiros, como pregava o Duque de Caxias, marchando ombro a ombro contra o inimigo comum, hoje caracterizado pelo verde-papel, que mais vai do que vem, que um dia pode se transformar em verde-uniforme a invadir nossas praias.

Alguns ainda acham que o comunismo é a solução, e uma parte se aglutinou no projeto neoliberal que submete o patrimônio nacional aos grilhões do verde- papel. “Há que se dizer não a Cuba, não aos Estados Unidos e sim ao Brasil, como modo de expressar a união da nossa força e inteligência em favor de um projeto nacionalista.”

Certamente, Coronel Caruso. Não ao estado máximo, dos comunistas; não ao estado mínimo, deste medíocre governo neoliberal, e, sim, ao estado necessário, àquele cujo tamanho atende, na justa medida, aos interesses nacionais. Não a esses atuais doadores de nosso patrimônio, forjado com tanto sacrifício pelos brasileiros, sobretudo pelos operosos governos da Revolução de 31 de Março de 1964.

Recentemente, foi lançado o discutido livro A Ditadura Derrotada, do jornalista Élio Gaspari, com graves distorções que têm sido contestadas por partícipes dos eventos, atingidos, como propalam, por infundadas e inverídicas afirmações nele contidas, ou por gente consciente que refuta os relatos do citado jornalista.

Constatam-se tais reações no artigo de Themístocles de Castro e Silva, sob o interessante título “De quem é a derrota?”, publicado em 13 de dezembro de 2003, no jornal O Povo, o jornal do Ceará, que por si só demonstra uma convicção de descrédito às afirmações do jornalista Élio Gaspari, que, agora, tem a veleidade de se apresentar ao País como historiador.  Observem.

“Quem foi derrotado: quem passou vinte e um anos no Poder e o deixou quando quis e porque quis, ou quem, sem que se disparasse um só tiro, correu para as embaixadas e de lá para diversos países”?

Um antigo comunista de carteirinha, vivendo atrás de pseudônimo, não pode ter isenção para escrever sobre o 31 de Março.  É o caso de Élio Gaspari, ou o “Parmiggiano”, como no tempo dos artigos na imprensa comunista, à qual tanto se dedicou.

Se ditadura fosse um mau regime, Getúlio Vargas não teria voltado nos braços do povo, depois do Estado Novo. Milhões de brasileiros dariam tudo para a volta do Brasil aos tempos dos generais de 1964, particularmente sob os aspectos moral e administrativo.

O destino produziu esta coincidência simplesmente extraordinária: o ditador Getúlio deu ao trabalhador brasileiro a mais avançada legislação da América Latina, enquanto os “ditadores generais” criaram o maior programa de distribuição

de renda do mundo: o Funrural. A obra de Vargas é tão extraordinária que o pessoal do PT não admite que mexam nela.  O Funrural oferece vida digna a cerca de 40 milhões de trabalhadores rurais, sustentando a economia de mais de oitenta por cento dos municípios…

Um movimento revolucionário, ou contrarrevolucionário, no caso de 1964, quando decide matar não vai atrás de jornalistas ou operários, deixando livre ou vivo quem possa oferecer resistência. Se os generais quisessem matar alguém, começariam por Jango, Miguel Arraes, Brizola, Abelardo Jurema, Francisco Julião, das tais “Ligas Camponesas”, Luís Carlos Prestes, João Amazonas e demais figuras de lideranças entre os comunistas. Com exceção de Brizola (ainda vivo, depois de governador duas vezes) e Jango, vítima de infarto, os demais morreram de velho, com assistência da família.

Por que esperaram que morressem todos os generais de 1964, para divulgar fitas gravadas ou notas de arquivo? Qual o interesse do senhor Heitor Aquino Ferreira, que deve sua projeção política ao Exército, em contribuir para passar ao público a imagem distorcida de um Geisel, de quem foi assessor, aplaudindo o assassinato desta ou daquela pessoa que não identifica?

Sobre um grupo de pessoas vindas do Chile e presas no Paraná e que tinham sido mortas, Geisel teria observado:

“Tem gente que não adianta deixar vivo, aprontando. É, o que tem que fazer é que tem que nessa hora agir com muita inteligência, para não ficar vestígio nessa coisa.” Por que não revela o nome das pessoas assassinadas, vindas do Chile ou de qualquer lugar?

O novo livro de Élio Gaspari é o que podemos chamar de repositório de fofocas, que existem nos bastidores de qualquer governo.

Qual o interesse do senhor Heitor Ferreira em procurar um comunista para confiar-lhe conversas reservadas sobre o governo de seus chefes, atingindo diretamente a instituição a que servia e com a qual tinha dever de lealdade, no caso o Exército?

Isso é prova de bom caráter?

O Movimento de 1964 foi plenamente vitorioso nos seus objetivos, que eram os de esmagar a revolução comunista em marcha, já com infiltração nas Forças Armadas, e estancar a corrupção que, mesmo assim, não chegava ao patamar dos dias atuais. Promoveu eleições diretas quando quis e como quis. Abriu o regime também porque quis e como quis. Também deu anistia, por sinal exagerada, e por isso ainda pagará por muito tempo.  Derrotou o terrorismo e a guerrilha.  O crescimento econômico chegava a dez e doze por cento, ao contrário de hoje, com a “democracia petista”…

Derrotada como, quando e onde?

Por qualquer ângulo que se estabeleça comparação, o Brasil da “ditadura”

dos generais era dezenas de vezes superior ao de hoje…

A qualificação da vida política é a mais baixa de todos os tempos, com predominância absoluta da mediocridade, em todos os níveis. A promiscuidade entre Executivo e Legislativo é simplesmente escandalosa, com uma espécie de balcão de negócios montado em Palácio para, com verbas do Orçamento, fazer aprovar, no Congresso, as matérias de interesse do Governo.

A realidade histórica mostra que A Ditadura Derrotada começa mentindo através do próprio título.  Nunca um movimento cívico-militar conseguiu tanto êxito nos seus objetivos, proporcionando ao País uma fase de prosperidade e de respeito perante todas as nações do mundo.

É o que está na História.”

Outra reação foi demonstrada pelo General Alvir Souto, através do jornal O Globo, de 27 de novembro de 2003, na coluna Cartas dos Leitores, assim se expressando: “Em seu livro A Ditadura Derrotada o escritor Élio Gaspari refere-se a meu pai,

General Álcio Souto, e a mim e comete inverdades. Meu pai não foi um simpatizante da Alemanha nazista.  Jarbas Passarinho, em seu depoimento no livro Histórias do Poder Vol. I, p. 322, diz: “Álcio Souto era um homem como eu acredito que foram Dutra e outros mais, muito admirador, não do nazismo, não do Hitler, mas do exército alemão.” Nosso material de combate era alemão. E era uma perfeição. Eu, por exemplo, fui artilheiro no canhão Krupp. O exército alemão, como órgão profissional da guerra, era muito admirado.  Meu pai comandou a Escola Militar do Realengo, no período de 20 de janeiro de 1941 a 25 de janeiro de 1943, quando fui seu cadete, e o fato ocorrido no cinema “Milímetro”, assim chamado pelos cadetes por existir na cidade o Metro, ocorreu em 1940, em uma única sessão. Meu pai comandou a Artilha- ria da 1a     DIE (Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira), da qual fiz parte e integrei um dos Grupos que foram à Itália, e só não foi para a FEB (Força Expedicionária Brasileira) por ter ficado doente, sendo substituído pelo General Oswaldo Cordeiro de Farias. Meu pai não foi protetor do General Ernesto Geisel.  Ele construiu uma carreira militar brilhante, pois sempre possuiu luz própria e todos os chefes desejavam ter o General Geisel por perto, inclusive o meu pai. A doença que matou meu pai não foi tuberculose, e foi tratada, não por bolinhas de homeopatia, mas sim por antibióticos existentes na época – 1948 – quando a medicina não estava muito avançada. Às vésperas de sua morte, um remédio mandado vir dos Estados Unidos não teve o efeito esperado.  Não recebi tratamento especial do Presidente Geisel, quando da minha promoção a general-de-brigada. Por indicação do Alto Comando e escolhido pelo Presidente Geisel, recebemos, eu e mais dez companheiros, a espada de general.” Ratificando a abordagem feita pelo General Alvir Souto, o eminente escritor, ex-governador e ex-senador, Coronel Jarbas Passarinho, em artigo publicado no

Jornal do Brasil, de 9 de dezembro de 2003, sob o título “A história pela ótica da animosidade” assim se pronunciou:

“Não tenho lido a obra de Élio Gaspari, um erro que reconheço”. Ministro que fui de Costa e Silva e Médici estou certo da parcialidade do jornalista, o que invalida o historiador. Estultícia negar o valor de seus livros, porém como libelo da saga de 1964, mesmo quando simpático aos Generais Geisel e Golbery, “sem cuja colaboração este livro não existiria”. Fui, todavia, arrastado ao conhecimento de versões inverídicas de outras fontes. De uma, inesperadamente. Telefonou-me o General Alvir Souto, meu contemporâneo na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e meu amigo. Perguntou-me se lera uma passagem da Ditadura Derrotada em que seu pai, o ínclito General Álcio Souto, era retratado como nazista, atribuindo-me o autor tal afirmação no livro Histórias do Poder, na página 322 do volume 1o. Da minha estante tomei do livro de Alberto Dines e Florestan Fernandes Filho e li na página citada, fielmente reproduzido o que disse quando cadete presidente da Sociedade Acadêmica Militar: “O nosso comandante, um grande oficial, o General Álcio Souto, era um homem, como acredito que foram Dutra e outros mais, muito admirador, não do nazismo, não de Hitler, mas do exército alemão.” Como pôde um historiador deturpar uma frase tão clara e usá-la para denegrir uma reputação? Mandei ao General Alvir a cópia da página. Ele a leu por telefone ao jornalista. Dele me disse ter recebido a garantia de que corrigiria o texto no livro. Por que não, desde logo, nos jornais de cujo espaço nobre dispõe? Entrementes, o livro já terá vendido alguns milhares, com a foto do General Álcio como “filonazista”.

Crítico feroz do regime de 1964, não foi Élio Gaspari avaro em aceitar versões, sem averiguar-lhes a veracidade. Na Ditadura Envergonhada, o Coronel-Avia- dor Alfeu Monteiro é dado como metralhado pelas costas com 16 tiros. O coronel, contrário ao 31 de março de 1964, deveria passar o comando da 5a Zona Aérea, em Porto Alegre, ao Brigadeiro Nelson Wanderley, que se acompanhava do Coronel Roberto Hipólito da Costa. Negou-se a fazê-lo. Atirou contra o brigadeiro, ferindo- o, no que foi alvo de um tiro fatal desferido pelo Coronel Hipólito. Fato comprova- do em IPM e julgado na Justiça Militar.

O mesmo afã acusatório está no artigo de Élio Gaspari para a Folha de São Paulo de 3 do corrente, sobre o General João Figueiredo. “Depois de ter sido sovado na eleição de 1974, concluiu: Povo de merda, que não sabe votar”. Se alguém foi “sovado em 1974” não foi João Figueiredo, Chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), que não fazia política e não dava entrevista à imprensa. Sovado terá sido o presidente da Arena ou o Presidente Geisel. Quanto à frase chula, fica a dúvida, a menos que conste do Diário de Heitor Aquino que lhe “deu trinta anos de amizade”. Quem disse que o brasileiro não sabia votar foi Pelé, certa vez. Podem ser episódicas as inverdades, mas comprometem a interpretação histórica se constantes.  Talvez por fatos dessa natureza é que Voltaire terá dito ao seu tempo: “Assim se faz a História.”.

Gostaria de acrescentar algo mais, Coronel Caruso, sobre o jornalista em tela?

Do artigo citado anteriormente, do escritor Jarbas Passarinho, poderíamos apontar dois trechos que bem demonstram a posição desse jornalista. Em um deles diz: “No início, redator do jornal Novos Rumos, do Partido Comunista, foi preso.”

E, mais adiante, completa:

“O jornalista, guardando, talvez, a lembrança recôndita, mas não apagada, da prisão na Aeronáutica, desforrando-se do passado, numa espécie de vendetta que lembra uma faceta da terra natal.”

O trabalho desse jornalista, com pretensão de historiador, favorecido pelo monopólio de uma fonte privilegiada, exclusiva, pode ser considerado, como o no 1 dos revanchistas recalcados, que destila ódio contra os que participaram da Revolução Vencedora de 31 de Março.

Do relato do Tenente-Coronel reformado Lício Augusto Ribeiro Maciel, abordando o “Caso Sônia”, na guerrilha do Araguaia, destaca-se que ela foi alvejada na perna já com a arma na mão, após várias advertências, sendo avisada de que voltariam em seu socorro. No afã da perseguição e da crescente escuridão, não conseguiram achar a arma no meio do mato, que seria traiçoeiramente utilizada contra quem lhe poupou a vida. Após uma infrutífera perseguição aos demais integrantes do grupo, que se evadiram protegidos pela mata e pela noite, retornando para onde se encontrava a guerrilheira, eis que essa, quando se aproximaram, dispara alguns tiros, à queima-roupa, com a arma, então recuperada, ferindo o Tenente-Coronel Lício no rosto e o Major Curió no braço, o que suscitou a pronta reação da equipe, alvejando-a. Se quisessem matá-la, teriam feito no primeiro momento.

Salvo da morte e de ficar paraplégico, por milagre, o Tenente-Coronel Lício enfrentou o sofrimento, cirurgias, mas heroicamente voltou às ações em defesa da democracia. No entanto, recordando os ferimentos do corpo no passado não muito distante e agredido presentemente no seu sentimento pela caneta do citado escritor, comenta: “Diz Élio Gaspari que este foi o episódio mais notável da guerrilha, distorcendo propositalmente os fatos e enaltecendo o fanatismo da Sônia, o que demonstra o pouco apreço que tem pela exatidão do que escreve.”

Complementa o Tenente-Coronel Lício: “Mais um erro grosseiro… O combate com o grupo militar da guerrilha foi muito mais importante, muito mais sangrento, tendo desmoralizado o movimento do PC do B.”

Trata-se de uma clara vingança contra a Revolução e os integrantes das Forças Armadas, mas que ele pretende levar até o fim.

Apreciemos outro artigo, denominado “Por que anos de chumbo?”, do jornalista Themístocles de Castro e Silva, de onde destacamos:

“Muita gente, particularmente os jovens, já ouviu ou leu a expressão “anos de chumbo”, com a qual as esquerdas procuram identificar o governo dos generais, particularmente o do Presidente Médici, que se viu no dever de desbaratar a guerrilha e o terrorismo. Ao General Médici, ao contrário, o Brasil deve o maior programa de distribuição de renda da América Latina, dentro de uma fase de desenvolvi- mento econômico que ficou conhecida como o milagre brasileiro.

Mas por que “anos de chumbo”, se foi um Presidente profundamente humano, voltado extraordinariamente para o social? Os trabalhadores rurais (quarenta milhões atualmente) e os empregados domésticos têm amparo da Previdência Social graças ao seu Governo. Mas vamos aos “anos de chumbo”.

Estão lembrados do sequestro do Embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick? Para libertá-lo, os sequestradores exigiram, primeiro, a leitura de um “Manifesto” em todas as emissoras de rádio e televisão, e, depois, um avião para deixar 15 comunistas no exterior (Argélia, Chile e México).

Para salvar a vida do embaixador, o Governo concordou com a exigência dos marginais. Tudo bem.

Pediria a atenção dos leitores para a redação do “Manifesto dos Terroristas”, com esse mesmo título publicado na edição do O Povo de 6 de setembro de 1969 (o Presidente Costa e Silva já estava hospitalizado com grave distúrbio circulatório). O redator do “Manifesto” foi o jornalista Franklin Martins – o mesmo que, hoje, comenta política na televisão, no Jornal da Globo –, o qual, por ironia do destino, é filho de Mário Martins, jornalista, deputado e senador pela UDN de Carlos Lacerda, excelente cidadão, muito bem relacionado com seus colegas do Comitê de Imprensa da Câmara, entre os quais eu me incluía.

Mais uma vez, peço a atenção para a redação do “Manifesto”. Aliás, para justificar os “anos de chumbo” basta o primeiro período, que é o seguinte:

“Ao povo brasileiro. Grupos revolucionários detiveram hoje, o senhor Charles Burle Elbrick, Embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum ponto do país, onde o mantém preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a efeito: assaltos a bancos, onde se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; tomada de quartéis e delegacias, onde se consegue armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores. Na verdade o rapto do embaixador é apenas mais um ato de guerra revolucionária que avança a cada dia e que este ano ainda iniciará sua etapa na guerrilha rural.”

Que tal? Qual o governo que sem chumbo enfrentaria tal situação? Observem que eles próprios, os criminosos, sem ninguém pedir, confessaram assaltos a bancos, tomada de quartéis e delegacias, invasão de presídios, explosão de prédios e “justiçamentos”. Depois de tudo isso, na área urbana, informavam que, ainda naquele ano (1969), iriam iniciar outra etapa da guerra revolucionária: a guerrilha rural.

Leram com cuidado? Se possível, repitam a leitura.  Então, já sabem por que nasceram os “anos de chumbo”? E, agora, me respondam: qual o governo responsável que, diante de tais crimes e tais promessas, todas já em prática, não se disporia a agir com mão de ferro? A situação permitia panos mornos? Não, evidentemente. Eram criminosos travestidos de políticos.

A guerra estava declarada e o sequestro do embaixador, como afirmam os próprios terroristas, não era “um episódio isolado”.

Governo nenhum tem noção exata de um movimento clandestino.  Pode ser inexpressivo, como pode ser amplo e profundo. Ou o governo entrava para valer ou poderia levar a pior. Felizmente, a guerrilha do Araguaia não era lá essas coisas e, com poucas horas de chumbo, estava tudo desbaratado.  O Partido Comunista, covarde como sempre, quis promover guerrilha com estudantes do Congresso de Ibiúna (aquele cujo local conseguiram com prestígio de Frei Beto).

Estão aí, portanto, as razões dos “anos de chumbo”, que garantiram a paz da família brasileira, dando ao Presidente condições de trabalhar e realizar uma obra pela qual recebeu aplausos num Maracanã lotado. Nessa fase, dez aviões e quatro diplomatas foram sequestrados.

Dos cinco militares da Presidência, o General Médici foi o mais sensível aos problemas sociais. Só pela ampliação do Funrural (criado pelo General Costa e Silva) seu nome jamais será esquecido dos brasileiros. Já o General Figueiredo, os professo- res viram garantida a volta de sua aposentadoria aos 25 anos, que FHC acabou. O Brasil teve duas fases de amplo desenvolvimento social: com o Estado Novo de Getúlio e com os militares de 1964. A esquerda morre de raiva com isso, mas é a História que o diz.”

Como estaria, Coronel Caruso, o Brasil sem as hidroelétricas de Itaipu, Tucuruí e tantas outras construídas pelos governos dos generais?

Foi o que fez face ao apagão insuportável ocorrido no Governo FHC, que não

disse a que veio. Oito anos perdidos!… Chamavam-nas de obras faraônicas, hoje silenciam sobre elas. Aliás, desejo lembrar que, entre os revanchistas está o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Veja estas suas declarações em O Globo, de domingo, 15 de fevereiro de 2004:

“Temos hoje no Brasil dois riscos. Um é uma volta à visão do período militar, do Brasil-potência, reinterpretada pela esquerda. Como se isso valesse a pena para o povo. Em vez de canhão, manteiga. Isto é visto, por exemplo, nas declarações do ex- Ministro Roberto Amaral sobre a bomba atômica e de alguns setores econômico-empresariais. A ideia que o bom para o Brasil é o país ter uma presença militar e ter uma atitude agressiva com relação aos focos de poder. E isso vem junto com a visão quase mercantilista de que o bom é fechar e de que, na economia, quanto mais você exporta e menos importa melhor é. Isso é um perigo.”

Veja que abordagem equivocada, totalmente irracional. É inacreditável o ponto que chegou o “revanchismo” para certos elementos, principalmente para este que passou oito anos em branco à frente de um Governo que se apequenou completamente, infelicitando o nosso País e a nossa gente. Calcado na expressão manteiga/canhão, há que se buscar o equilíbrio conveniente ao País para que seu povo não padeça de fome e que seja respeitada a sua soberania. O Governo FHC, mesmo dizendo que optou pela manteiga, não conseguiu na sua gestão que a Nação brasileira crescesse a não ser muito modestamente, retratando um desempenho preocupante, em nada comparável a do período militar, de notória expressão, medido, inclusive, pelo elevado cresci- mento do Produto Interno Bruto (PIB).

Felizmente, tem surgido pela Internet muita reação à pregação contra a Revolução de 1964, que reproduz correspondências das seções de cartas dos leitores dos jornais, artigos e opiniões. Desses, pinçamos alguns trechos, citando seus autores, procurando condensá-los neste depoimento para reforçar o nosso preito de gratidão.  Nesse particular, há que destacar o inestimável trabalho do Ternuma, http://www.ternuma.com.br (Terrorismo Nunca Mais).

Não poderia deixar de mencionar neste meu relato a determinação dos oficiais da reserva, em invejável trabalho de aglutinação no V Encontro Nacional de Associações de Oficiais R/2 do Exército Brasileiro, onde foi emitida a Declaração de São Paulo, cujos signatários são presidentes das Associações de Oficiais R/2 do Brasil, reunidos em 24 e 25 de outubro de 2003, no auditório do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo, demonstrando uma preocupação com os destinos do País, e a tentativa de desmonte das Forças Armadas, onde destacam “O importante papel dos oficiais R/2, presentes em todos os segmentos da sociedade nacional”, sintetizado nos seguintes tópicos:

– Fidelidade ao juramento de defesa incondicional da Pátria e suas instituições.

– Repúdio às tentativas de enfraquecimento das Forças Armadas Brasileiras.

– Atuação, em todos os níveis, para o soerguimento ético e moral da sociedade.

– Aglutinação, organização e formação de lideranças na Oficialidade R/2. Ainda, sobre o Documento em tela, gostaria de enunciar quatro dos seus 12 posicionamentos e conceitos, emitidos por esses valorosos oficiais:

– O território nacional é intocável e será preservado com o obstinado apoio da Reserva Atenta e Forte do Exército Brasileiro, sempre que convocada para a defesa da Pátria, dos poderes constituídos, da lei e da ordem.

– Como cidadãos no pleno exercício de seus direitos constitucionais, denunciam, ao mesmo tempo em que repudiam, o estado de abandono a que têm sido submetidas às Forças Armadas brasileiras, com grave ameaça à sua eficácia operacional.

– Repelem, também, com veemência, as frequentes tentativas que visam denegrir a imagem das Forças Armadas, perpetradas por maus brasileiros, cujos objetivos são sobejamente conhecidos.  A opinião pública tem rejeitado tais procedimentos, conforme indicam as sucessivas pesquisas onde as Forças Armadas são apontadas como a instituição nacional que detém o maior grau de confiabilidade junto à população.

– Nós da Reserva Atenta e Forte, impulsionados pelos valores cívicos, éticos e morais assimilados em nossa passagem pela caserna, com visão de toda a problemática geopolítica nacional e internacional, faremos a nossa parte com tenacidade, idealismo e perseverança.  Almejamos um Brasil democrata, soberano, economicamente desenvolvido, socialmente justo e respeitado no concerto das nações. Mas estamos atentos para, se for preciso, pugnar contra eventuais desvios de rumos. A desordem institucional, aliada à omissão dos homens de bem, é a escada que conduz os tiranos ao Poder. A sobrevivência da liberdade pressupõe um permanente estado de vigilância.

Coronel Caruso, tive a felicidade de receber e ler esta declaração dos nossos oficiais R/2. Fiquei, realmente, impressionado e o cumprimento por ter tido descortino de, no seu depoimento, fazer referência a este documento de capital importância, sobretudo neste terrível momento que estamos vivendo de insegurança, corrupção e total desalento.

Veja a validade desse Encontro, um exemplo que os nossos Oficiais da Reserva estão dando a todos os demais integrantes das Forças Armadas.

Silenciar, quando vemos o Exército e as Forças Armadas em geral apunhaladas por detratores desqualificados, é renegar as nossas mais caras tradições de coragem e altivez. A Nação, por importantes segmentos que a integram, já vem se revelando surpresa com a passividade de seus soldados nos momentos atualmente vividos, de extrema gravidade para existência nacional.

Realmente, a omissão já se fez sentir claramente.  O povo, em geral, vem dizendo isto com todas as letras.

Apesar de toda a ignóbil ação dos detratores, a imagem das Forças Armadas vem apresentando elevados índices de aceitação junto à sociedade, como atestam várias pesquisas de opinião. O que o senhor acha disso?

Até bem pouco tempo, as pesquisas de opinião não estavam mais incluindo, como antes faziam, questões sobre o conceito das Forças Armadas emitido pelo povo brasileiro comparativamente com outras instituições pesquisadas.

Ontem, no entanto, fui surpreendido com o retorno de uma notícia sobre pesquisa do IBOPE indicando as Forças Armadas como a instituição de melhor imagem para a população brasileira, ouvidas duas mil pessoas em 145 cidades, de 7 a 11 de fevereiro de 2004.

Será que era mesmo para publicar esta realidade que vem confirmar os resultados de todas as pesquisas anteriores, aumentando a autoestima e o gáudio dos militares?

Com os senhores, a nota do jornal O Globo, de quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004 – 2a Edição, em que as Forças Armadas ocupam o primeiro lugar entre as entidades mais confiáveis em nosso País.

Coronel Caruso, a palavra ainda é sua para qualquer outra consideração.

Corroborando o que tratara anteriormente no artigo “Memória Curta”, mostrando as campanhas dos jornais, nas proximidades do dia 31 de março, observem que o Jornal do Brasil de domingo, 15 de fevereiro de 2004, publicou o Capítulo 1 da série “Olhares sobre 1964, A hora da tempestade”, onde se lê a seguinte apresentação da matéria, feita pelo jornalista de esquerda Augusto Nunes: “Os sete capítulos sobre um período essencial da História começam por revisitar o outono do inevitável acerto de contas.” Nessa introdução, o autor minimiza e ridiculariza a ameaça: “Se faltavam planos de combate efetivos, sobrava gabolice, sobretudo nas gargantas governistas. O General Assis Brasil, Chefe do Gabinete Militar, fazia sucessivas alusões a um certo “dispositivo” capaz de sufocar qualquer quartelada ou insurreição. O Deputado pernambucano Francisco Julião se proclamava pronto para mobilizar multidões de camponeses armados. Em janeiro, num encontro em Moscou com Nikita Kruschev, líder da então poderosa União Soviética, o secretário-geral do PCB, Luís Carlos Prestes, resumiu a cena brasileira: “Se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato.”(….) E coisa de comunista pareceu o comício promovido em 13 de março nas imediações da Central do Brasil, no coração do Rio de Janeiro, quando o próprio Jango fez o discurso principal.”

Ora, se são sete capítulos e publicados aos domingos, os teremos em 22 e 29 de fevereiro, 7, 14, 21 e 28 de março. Bem a propósito. Nesse primeiro capítulo, encontram-se dois artigos como se fossem ponto e contraponto. O primeiro, do escritor Jarbas Passarinho, chamado “31 de Março de 1964”, e outro, do ex-militante comunista e historiador Jacob Gorender, um terço maior, intitulado “A ditadura sem disfarces”. Os títulos não foram dispostos como antagônicos, mas para se interligarem. Coincidência ou não. O “31 de Março de 1964” assinala o fato, mas não agride, diferentemente do segundo que ataca. Com o destaque dado, lê-se “31 de Março de 1964, A ditadura sem disfarces”. Houve malícia na montagem? O do escritor Jarbas Passarinho demonstra um gesto de nobreza, desprovido de paixão; procura palavras para a conciliação. O do ex-militante comunista, é pura agressão; não medita erros; no final assopra amenidades.  Não fala do terrorismo, da guerrilha, dos inocentes explodidos por carros-bombas e dos propósitos da tomada do Poder pela força para implantar o regime dos seus sonhos. Mas assevera que: “O AI-5 eliminou o instrumento do habeas corpus, colocou sob censura os meios de comunicação e conferiu amplas atribuições à Justiça Militar, com o amparo da draconiana Lei de Segurança Nacional. A impossibilidade de manifestação do pensamento e a proibição de atos de protesto conduziriam numerosos resistentes democráticos à opção pela luta armada.”

No livro Combate nas Trevas, do próprio Jacob Gorender, se extrai que o Partido Comunista do Brasil, constituído em 1962, por facção advinda do PCB, em fins de março de 1964, enviou um grupo de militantes à China, a fim de receber treinamento na Academia Militar de Pequim para, no regresso, instalar no Araguaia o embrião da guerra popular prolongada. Logo, não foi o AI-5, de 1968, que desencadeou a reação. Esse Ato foi à arma que permitiu neutralizar o contra-ataque feito pelos comunistas quando no processo de consolidação da Revolução Democrática, derrotados que foram em 1964. Felizmente, uma arma que evitou tantas mortes, como as havidas onde o comunismo se instalou.

Quarenta anos se passaram e o “revanchismo”, calcado no domínio dos órgãos de comunicação, tem proporcionado aos perdedores de ontem inúmeras vantagens pessoais, consubstanciadas em vultosas indenizações, aposentadorias especiais e ascensão aos postos maiores do governo, mas sem triunfo algum no desenvolvimento do País, pois o subsídio maior vem sendo a dilapidação do patrimônio nacional, o desemprego, o fechamento de fábricas e lojas comerciais, a proliferação dos excluídos, que servem de argumentos aos seus discursos. Deu-se a premiação aos criminosos, enquanto se encontram esquecidos os defensores da democracia, que os combateram por imposição legal, cumprindo ordens.  Mortos, mutilados e reformados.  Seria justo que se criasse uma Associação das Vítimas do Terrorismo Comunista, para defender os interesses desses que foram olvidados, ficando a sugestão de que o TERNUMA, que vem oferecendo valiosa contribuição na defesa dos valores democráticos, tome a si tal desiderato.

Coronel Caruso, qual a mensagem final que gostaria de deixar para o Projeto de História Oral do nosso Exército na Revolução de 31 de Março?

Gostaria de deixar registrada a minha satisfação de participar deste Projeto e muito principalmente reconhecer o mérito do nosso Exército por ter empreendi- do uma iniciativa de gravar para a posteridade depoimentos de tantos brasileiros, vivendo em diversos Estados da Federação, de Norte a Sul do País. Os livros que serão publicados são uma expressiva resposta aos nossos anseios expressos nesta entrevista. Outras medidas semelhantes precisam ser postas em prática. As conquistas do passado não garantem os troféus da vitória, se em mãos tíbias.

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